REsp 2193492 - DECISAO
Havendo precedente repetitivo (Tema 102) sobre o cabimento da citação por edital na execução fiscal, o Tribunal de origem deveria ter realizado o juízo de conformidade ou retratação previsto no art. 1.030 (e no art. 543-C do CPC/73) antes da análise de admissibilidade do recurso especial; por ausência desse...
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- Parties
- Recorrente: Rosana Frederico; Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 February 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Análise Prejudicada (devolução Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformidade)
- Outcome
- análise do recurso prejudicada; autos devolvidos ao Tribunal de origem para observância do rito do art. 1.030, I, b, e II, do CPC.
- Legal Topics
- Citação Por Edital, Recursos Repetitivos, Juízo De Conformidade, Admissibilidade De Recurso Especial
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Parties
Rosana Frederico
Recorrente
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Análise Prejudicada (devolução Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformidade)
Legal Issues
- 1 cabimento da citação por edital na execução fiscal
- 2 esgotamento das diligências para citação pessoal
- 3 aplicação do Tema 102 do STJ e necessidade de juízo de conformidade pelo tribunal de origem
Ratio Decidendi
Havendo precedente repetitivo (Tema 102) sobre o cabimento da citação por edital na execução fiscal, o Tribunal de origem deveria ter realizado o juízo de conformidade ou retratação previsto no art. 1.030 (e no art. 543-C do CPC/73) antes da análise de admissibilidade do recurso especial; por ausência desse procedimento, a análise do recurso no STJ restou prejudicada, determinando-se a devolução dos autos ao tribunal de origem para observância do rito legal.
Court Disposition
análise do recurso prejudicada; autos devolvidos ao Tribunal de origem para observância do rito do art. 1.030, I, b, e II, do CPC.
Orders
- Julgo prejudicada a análise do recurso especial.
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que seja observado o rito previsto no art. 1.030, I, b, e II, do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial, manejado por Rosana Frederico , com base no art. 105, III, a da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, assim ementado (fl. 112): DIREITO PROCESSUAL CIVIL - AGRAVO DE INSTRUMENTO - EXECUÇÃO FISCAL - NULIDADE DE CITAÇÃO POR EDITAL POR NÃO ESGOTADAS AS TENTATIVAS DE LOCALIZAÇÃO DA PARTE RÉ - NÃO CONFIGURAÇÃO - CONSULTA VIA SISTEMA INFOJUD REALIZADA - MESMO ENDEREÇO CADASTRADO - RECURSO NÃO PROVIDO - DECISÃO AGRAVADA MANTIDA - Nos termos do Código de Processo Civil, o réu será considerado em local ignorado ou incerto se infrutíferas as tentativas de sua localização, inclusive mediante requisição pelo juízo de informações sobre seu endereço nos cadastros de órgãos públicos ou de concessionárias de serviços públicos. - Esgotadas as tentativas de se realizar a citação da parte Executada de forma pessoal, válida a sua citação por edital. A parte recorrente aponta violação aos arts. 256, II, § 3º, e 280 do CPC. Sustenta, em resumo, que "a simples alegação de desconhecimento do paradeiro da executada, por si só, não consubstancia o esgotamento das diligências necessárias para que se determine a citação por edital" (fl. 124) e que "o entendimento do acórdão recorrido é incompatível com o Tema 102, do STJ, eis que não houve esgotamento de localização dos executados" (fl. 126). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Verifica-se que, ao tempo da prolação do juízo de admissibilidade do recurso especial, o Superior Tribunal de Justiça já havia afetado, para exame, a questão sobre "o cabimento da citação editalícia na execução fiscal", sob o rito dos recursos repetitivos (Tema nº 102), tendo sido firmada a seguinte tese: A citação por edital na execução fiscal é cabível quando frustradas as demais modalidades. (REsp 1.103.050/BA, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, 1ª Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009). Mesmo na vigência do CPC/73, a aplicação da sistemática dos recursos especiais repetitivos deveria anteceder a análise dos pressupostos de admissibilidade do apelo raro, incumbindo ao Presidente do Tribunal de origem assim proceder em relação aos recursos especiais que versassem sobre os temas já julgados sob o rito do art. 543-C do CPC/73: "Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: I - terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; II - serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça" (art. 543-C, § 7º, I e II, do CPC/73). Esse mesmo procedimento restou ratificado pelo novel diploma processual civil (cf art. 1.030, I, b, e II, do CPC). Assim, haverá o juízo de admissibilidade do recurso especial somente nos casos em que, ultrapassada a fase relativa ao juízo de conformidade, o Tribunal a quo, em decisão colegiada, mantiver a decisão divergente daquela firmada no leading case (art. 543-C, § 8º, do CPC/73: "Na hipótese prevista no inciso II do § 7º deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, far-se-á o exame de admissibilidade do recurso especial"; cf ainda art. 1.030, V, c, do CPC/2015). Compete, pois, ao Tribunal a quo efetuar o juízo de conformidade (art. 543-C, §§ 7º e 8º, do CPC/73; art. 1.030, I, b, CPC/2015) antes de analisar os pressupostos de prelibação do recurso especial. De fato, na sistemática introduzida pelo artigo 543-C do CPC/73, incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo, sob pena de tornar-se ineficaz o propósito racionalizador implantado pela Lei 11.672/2008. Essa conclusão pode ser extraída da fundamentação constante da Questão de Ordem no Ag 1.154.599/SP, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, DJe de 12/5/2011, submetida à apreciação da Corte Especial: A edição da Lei n. 11.672, de 8.5.2008, decorreu, sabidamente, da explosão de processos repetidos junto ao Superior Tribunal de Justiça, ensejando centenas e, conforme a matéria, milhares de julgados idênticos, mesmo após a questão jurídica já estar pacificada. O mecanismo criado no referido diploma, assim, foi a solução encontrada para afastar julgamentos meramente "burocráticos" nesta Corte, já que previsível o resultado desses diante da orientação firmada em leading case pelo órgão judicante competente. Não se perca de vista que a redução de processos idênticos permite que o Superior Tribunal de Justiça se ocupe cada vez mais de questões novas, ainda não resolvidas, e relevantes para as partes e para o País. Assim, criado o mecanismo legal para acabar com inúmeros julgamentos desnecessários e inviabilizadores de atividade jurisdicional ágil e com qualidade, os objetivos da lei devem, então, ser seguidos também no momento de interpretação dos dispositivos por ela inseridos no Código de Processo Civil e a ela vinculados, sob pena de tornar o esforço legislativo totalmente inócuo e de eternizar a insatisfação das pessoas que buscam o Poder Judiciário com esperança de uma justiça rápida. No caso, a Primeira Vice-Presidência do Tribunal local admitiu, de pronto, o recurso especial, sem que antes fosse cumprido o rito do art. 1.030, I, b, e II, do CPC, isto é: ou negativa de seguimento do recurso especial se o acórdão recorrido estiver em conformidade com o julgado repetitivo; ou encaminhamento do processo ao órgão colegiado para eventual juízo de retratação se o acórdão recorrido divergir do entendimento do STJ. ANTE O EXPOSTO, julgo prejudicada a análise do recurso e determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, a fim de que seja observado o rito previsto no 1.030, I, b, e II, do CPC. Publique-se. EMENTA