AREsp 1945318 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque as razões do recurso não atacaram especificamente os fundamentos do acórdão recorrido, estando a matéria atinente à citação postal e à determinação de pagamento de diligência sujeita à preclusão por não ter sido impugnada tempestivamente, atraindo...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ESTADO DA PARAÍBA; Órgão Julgador Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAÍBA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Citação Postal, Execução Por Título Executivo Extrajudicial, Remessa Necessária, Extinção Do Processo Sem Resolução De Mérito, Preclusão, Admissibilidade De Recurso Especial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ESTADO DA PARAÍBA
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAÍBA
Órgão Julgador Recorrido
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Cabimento de citação postal em execução por título executivo extrajudicial
- 2 Efeitos da preclusão por não impugnação de decisão que indeferiu citação postal e determinou pagamento de diligência do oficial de justiça
- 3 Admissibilidade do recurso especial quando seus fundamentos não atacam o aresto recorrido, com aplicação do enunciado da Súmula 284/STF
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque as razões do recurso não atacaram especificamente os fundamentos do acórdão recorrido, estando a matéria atinente à citação postal e à determinação de pagamento de diligência sujeita à preclusão por não ter sido impugnada tempestivamente, atraindo o óbice da Súmula n. 284/STF e impedindo a análise do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo ESTADO DA PARAÍBA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAÍBA, assim resumido: REMESSA NECESSÁRIA AÇÃO DE EXECUÇÃO EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO SENTENÇA QUE NÃO SE SUJEITA A REEXAME OBRIGATÓRIO HIPÓTESE NÃO CONTEMPLADA NO ART 496 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL NÃO CONHECIMENTO. Quanto à controvérsia recursal, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação dos arts. 247 e 249 do CPC, no que concerne à possibilidade de citação postal em execução de título extrajudicial, não havendo se falar em exclusividade de tal ato por oficial de justiça, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): No entender do recorrente, a Corte Estadual violou expressamente os arts. 247 e 249 do CPC, pois estipulam a citação postal com regra, sem atribuir nenhuma vedação a que se utilize essa modalidade de citação na execução de título extrajudicial. .. Por outro lado, sem se descuidar da segurança para que a citação fosse realizada sem eivas de nulidade, o CPC/73 proibia expressamente a citação postal em algumas hipóteses previstas no antigo rol de seu art. 222, entre elas o processo de execução (art. 222, "d"). Assim, a citação do devedor em execução por título executivo extrajudicial só poderia se dar por meio de oficial de justiça, sob pena de nulidade. Eis a dicção legal do diploma revogado: .. Daí se percebe que o CPC/15 suprimiu a vedação expressa - que existia no art. 222, "d", do CPC/73 - quanto à realização de citação postal no processo de execução, daí se podendo defluir a possibilidade de se realizar citação postal no processo de execução, a despeito de o § 1º do art. 889 do CPC fazer referência expressa ao mandado de citação e aos atos de penhora e avaliação, que pressupõem a figura do oficial de justiça. De todo modo, a previsão do supracitado artigo (§ 1º do art. 889) não pode ser entendida como obstáculo legal à realização da citação postal, já que sua efetiva realização atinge à finalidade da comunicação processual, sem atrair qualidade nulidade para o processo. Portanto, a citação postal é possível em processo de execução por título executivo extrajudicial, tendo em vista a ausência de vedação legal e por se tratar de medida que atende à tutela do credor. Além disso, atos como a penhora e a avaliação podem ser praticados em momento posterior à citação, sem nenhum prejuízo ao executado. .. Frise-se que a citação faz com que se iniciem dois prazos: o da citação propriamente dita (3 dias para pagamento) e o da juntada do comprovante de citação nos autos do processo (15 dias para a oposição de embargos). E, tanto no primeiro quanto no segundo prazo, não há a menor necessidade de que a penhora seja realizada, sendo, pois, totalmente desnecessária que a citação ocorra por oficial de justiça. Assim, não há que se falar em exclusividade de citação por oficial de justiça, mesmo em virtude da regra prevista no art. 829, § 1º, do Código de Processo Civil. A respeito, eis o julgado do TJMG: (fls. 125/127). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, o acórdão recorrido decidiu que: No caso dos autos, revela-se descabida, a meu ver, a pretensão de rediscutir, em sede de apelação, o cabimento ou não da citação pelo correio, tampouco do pagamento das diligências dos oficiais de justiça pela Fazenda Pública, tendo em vista que a parte exequente, cientificada do indeferimento da citação postal e da determinação de pagamento da diligência necessária à efetivação da citação por mandado, não se insurgiu a esse respeito no momento oportuno e também não cumpriu a providência ordenada. Ora, se a parte interessada deixou transcorrer o prazo sem impugnar a decisão que indeferiu o pedido de citação postal e determinação o pagamento da diligência do oficial de justiça, e também não atendeu a condição imposta em primeiro grau para realização da citação por mandado, não é admissível, após a extinção do processo, interpor apelação para discutir o acerto ou desacerto da decisão anterior, isto é, daquela que indeferiu a citação pelo correio e determinou o pagamento da diligência do oficial de justiça, sob pena de se prestigiar o retrocesso e a insegurança jurídica. A única discussão possível perante esta instância recursal, diante da preclusão temporal operada em primeiro grau, seria o cabimento ou não da extinção do feito em razão do não atendimento do comando judicial contestado, é dizer, se o não pagamento da diligência do oficial de justiça é causa de extinção por ausência de pressuposto processual, temática, contudo, não tratada no apelo (fls. 104/105). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.