REsp 2234101 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido por falta de demonstração do dissídio jurisprudencial e de prequestionamento dos arts. 421 e 422 do CC/2002; além disso, a Corte de origem reconheceu a abusividade da cláusula de aviso prévio, inclusive com fundamento em decisão coletiva do TRF2 que anulou o parágrafo único do...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrida: ALVIM E DELMONTE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA; Recorrente: NOTRE DAME INTERMÉDICA SAÚDE S.A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 October 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- Não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Cláusula Abusiva Em Plano De Saúde Coletivo, Rescisão Contratual E Aviso Prévio, Inexigibilidade De Valores Cobrados Após Rescisão, Prequestionamento, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ALVIM E DELMONTE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA
Recorrida
NOTRE DAME INTERMÉDICA SAÚDE S.A
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Validade de cláusula que exige aviso prévio de 60 dias para cancelamento de plano de saúde coletivo
- 2 Inexigibilidade de cobranças após a solicitação de rescisão contratual
- 3 Prequestionamento dos arts. 421 e 422 do CC/2002
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido por falta de demonstração do dissídio jurisprudencial e de prequestionamento dos arts. 421 e 422 do CC/2002; além disso, a Corte de origem reconheceu a abusividade da cláusula de aviso prévio, inclusive com fundamento em decisão coletiva do TRF2 que anulou o parágrafo único do art. 17 da RN ANS nº 195/09, tornando inexigíveis cobranças posteriores à solicitação de rescisão contratual.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial
Orders
- Não conheço do recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios em 20% do valor arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF, contra acórdão do TJSP assim ementado (fl. 1.519): DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO EMPRESARIAL. AVISO PRÉVIO PARA CANCELAMENTO. CLÁUSULA ABUSIVA. INEXIGIBILIDADE DE COBRANÇA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Ação ajuizada por empresa contratante de plano de saúde para declarar a nulidade de cláusula que impunha aviso prévio de 60 dias para cancelamento e cobrava parcelas após o pedido de rescisão. Sentença reconheceu a abusividade da cláusula e julgou procedente o pedido. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em saber se é válida a cláusula que exige aviso prévio de 60 dias para rescisão do plano. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A cláusula é abusiva à luz do CDC e foi anulada por decisão com efeitos "erga omnes" em ação civil pública. 4. A ANS revogou a norma que permitia o aviso prévio, confirmando a nulidade da exigência. 5. É indevida a cobrança de parcelas após o cancelamento do plano. IV. DISPOSITIVO E TESE 6. Recurso desprovido. Tese de julgamento: a) É abusiva a cláusula que exige aviso prévio para cancelamento de plano de saúde coletivo. b) São inexigíveis os valores cobrados após a solicitação de rescisão contratual. Dispositivos relevantes citados: CDC, arts. 2º, 3º, 6º, 81 e 103; CPC, arts. 355, I; 487, I; 85, § 2º; CC, arts. 653 e 655. Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula nº 469; TJSP, Ap. Cív. 1015003-51.2021.8.26.0451, Rel. Marcus Vinicius Rios Gonçalves, j. 17.08.2023; TJSP, Apelação Cível 1002588-85.2022.8.26.0003, Rel. Alexandre Coelho, j. 16.08.2023; TRF2, Apelação nº 0136265-83.2013.4.02.5101, Rel. Des. Vera Lúcia Lima, j. 06.05.2015. Nas razões apresentadas (fls. 1.524-1.534), a recorrente aponta dissídio jurisprudencial e contrariedade aos arts. 421 e 422 do CC/2002, argumentando que: (a) inexistiria abuso na cláusula que condiciona a rescisão unilateral do contrato de plano de saúde à notificação prévia da operadora, com antecedência mínima de 60 (sessenta) dias, e (b) "havendo a prestação dos serviços contratados, não pode a recorrida se opor ao pagamento, sob pena de invalidação do contrato firmado. Como é de conhecimento comum, não há prestação de serviços sem que haja a devida contraprestação, uma vez que tais relações são de caráter comercial" (fls. 1.529-1.530). O recurso foi admitido na origem (fls. 1.557-1.559 ). É o relatório. Decido. A fim de descaracterizar o abuso de cláusula contratual de exigência de notificação prévia da operadora de saúde, com antecedência mínima de 60 (sessenta) dias) do pedido de cancelamento do plano, a recorrente apontou violação dos arts. 421 e 422 do CC/2002. Ocorre que tais dispositivos legais, isoladamente, não possuem o alcance normativo pretendido, porque nada dispõem a respeito dos requisitos da notificação mencionada, tampouco sobre o procedimento de comunicação de desinteresse do usuário em manter o vínculo contratual. Dessa forma, a fundamentação recursal mostra-se deficiente e atrai, por analogia, a Súmula n. 284/STF. Nesse aspecto: AgInt no AgInt no AREsp n. 984.530/SP, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 21/9/2017, DJe 20/10/2017, e AgInt no REsp n. 1.505.441/SC, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 27/6/2017, DJe 2/8/2017. A Corte local não se manifestou quanto aos arts. 421 e 422 do CC/2002 sob o ponto de vista da parte recorrente. Dessa forma, sem terem sido objeto de debate na decisão recorrida e ante a falta de aclaratórios no ponto, as matérias contidas em tais dispositivos carecem de prequestionamento e sofrem, por conseguinte, o empecilho das Súmulas n. 282 e 356 do STF. Ademais, segundo a Corte de origem, há coisa julgada material na Ação Coletiva n. 0136265-83.2.013.84.02.5101 - do Tribunal Regional Federal da 2ª Região - reconhecendo o abuso aqui discutido, motivo pelo qual, à luz dos arts. 16, 81, 93, II, e 103 do CDC (normas prequestionadas implicitamente), a cobrança do saldo residual do contrato seria inexigível. Confira-se (fls. 1.519-1.522): Os argumentos apresentados pela requerida em seu recurso em que pretende a reforma da sentença, com a improcedência dos pedidos iniciais, já foram devidamente analisados e rejeitados pela sentença, que deve ser integralmente ratificada, nos termos do art. 252 do Regimento Interno do TJ/SP, por não haver nenhum fundamento de fato ou de direito novo relevante a ser apreciado: .. Pois bem. A parte requerente solicitou o cancelamento do plano de saúde em 07/05/2024, mas foi informada da cobrança de faturas até 06/07/2024, conforme fl. 40. Não se ignora que o Art. 17, parágrafo único da Resolução Normativa nº 195/2009, previa que, in verbis: "Art. 17 As condições de rescisão do contrato ou de suspensão de cobertura, nos planos privados de assistência à saúde coletivos por adesão ou empresarial, devem também constar do contrato celebrado entre as partes. Parágrafo único. Os contratos de planos privados de assistência à saúde coletivos por adesão ou empresarial somente poderão ser rescindidos imotivadamente após a vigência do período de doze meses e mediante prévia notificação da outra parte com antecedência mínima de sessenta dias." No entanto, foi reconhecida a nulidade do parágrafo único do art. 17 da Resolução Normativa ANS nº 195/09, por decisão proferida pelo TRF da 2ª Região em sede de ação coletiva movida pelo Procon/RJ (autos nº 0136265-83.2013.4.02.5101), com abrangência e aplicabilidade em território nacional, que transitou em julgado em 08/10/18, momento anterior ao pleito apresentado pela parte autora de resilição unilateral à operadora de plano de saúde, sendo a ela aplicável. Inclusive, o parágrafo único do art. 17 da Resolução ANS nº 195/09 foi anulado pela Resolução ANS nº 455/20. Assim, resta claro que o contrato firmado entre as partes deve ser considerado rescindido a partir de 07/05/2024, de forma que a cobrança de aviso prévio não é devido, sendo de rigor a declaração de inexigibilidade do valor de R$ 4.096,12. Nesse sentido é a farta jurisprudência do e. TJSP: .. Ante o exposto, JULGO PROCEDENTES os pedidos formulados por ALVIM E DELMONTE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA em face de NOTRE DAME INTERMÉDICA SAÚDE S.A, confirmando a tutela de urgência, para declarar a inexigibilidade do débito de R$ 4.096,12, referente a cobrança de aviso prévio do plano de saúde após a data da rescisão contratual, em 07/05/2024. Em consequência, julgo extinto o processo, com resolução do mérito, com fundamento no art. 487, inciso I, do Código de Processo Civil. Considerando-se a sucumbência da parte requerida, suportará o pagamento das custas judiciais e dos honorários advocatícios, estes fixados em 15% do valor da causa, nos termos do artigo 85, §2º do CPC. P.R.I.C" Por fim, apenas acrescento que, em que pese a adoção de medidas por conta de indícios de advocacia predatória em outros feitos, nos presentes autos, ao contrário do que alega o recorrente, não há indícios de tal prática, sendo necessária a análise caso a caso. Ademais, nada impede que a parte interessada, se assim entender, tome a providência administrativa cabível junto ao órgão (NUMOPEDE) ela mesma, na sede adequada. Diante do exposto, pelo meu voto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. A respeito de tal razão de decidir, a parte recorrente não se manifestou especificamente, o que atrai a Súmula n. 283/STF. O conhecimento do recurso especial interposto com fundamento na alínea "c" do permissivo constitucional exige, além da indicação do dispositivo legal objeto de interpretação divergente, a demonstração do dissídio, mediante a verificação das circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados e a realização do cotejo analítico entre elas, nos termos definidos pelos arts. 255, §§ 1º, do RISTJ e 1.029, § 1º, do CPC/2015, ônus dos quais a parte recorrente não se desincumbiu. Registre-se, por fim, que "a divergência entre julgados do mesmo Tribunal não enseja recurso especial" (Súmula n. 13/STJ). Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se. EMENTA