AREsp 2450317 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido concluiu pela existência de contrato de adesão e pela hipossuficiência da agravada com base no conjunto fático-probatório, e tais conclusões não podem ser desconstituídas nesta instância sem reexame de fatos e provas (Súmula 7/STJ); ademais, a alegada...
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- Parties
- Agravante: YAMAHA MOTOR DO BRASIL LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão (sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo interno desprovido (nego provimento ao agravo interno).
- Legal Topics
- Cláusula De Eleição De Foro, Contrato De Adesão, Hipossuficiência/vulnerabilidade, Reexame Do Conjunto Fático Probatório, Súmulas Do STJ
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Parties
YAMAHA MOTOR DO BRASIL LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 nulidade da cláusula de eleição de foro em contrato de adesão
- 2 verificação de hipossuficiência/vulnerabilidade do aderente
- 3 incidência da Súmula 7/STJ sobre reexame de provas
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido concluiu pela existência de contrato de adesão e pela hipossuficiência da agravada com base no conjunto fático-probatório, e tais conclusões não podem ser desconstituídas nesta instância sem reexame de fatos e provas (Súmula 7/STJ); ademais, a alegada ofensa a texto sumular não é matéria passível de recurso especial (Súmula 518/STJ).
Court Disposition
Agravo interno desprovido (nego provimento ao agravo interno).
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Partes cientificadas de que a oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios poderá ensejar a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 09/04/2024 a 15/04/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO AFASTADA. VULNERABILIDADE CONSTATADA. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. NECESSIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DAS SÚMULAS 7 E 83/STJ. OFENSA A TEXTO SUMULAR. SÚMULA 518/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte Superior possui o entendimento no sentido da possibilidade de declarar a nulidade da cláusula de eleição de foro estipulada em contrato de adesão, desde que configurada a vulnerabilidade ou a hipossuficiência do aderente ou o prejuízo no acesso à justiça. Incidência do óbice da Súmula 83/STJ. 2. Não há como desconstituir o entendimento delineado no acórdão impugnado quanto à vulnerabilidade da agravada, sem que se proceda ao reexame dos fatos e das provas dos autos, o que não se admite nesta instância extraordinária, em decorrência do disposto na Súmula 7 desta Corte. 3. A jurisprudência vigente no Superior Tribunal de Justiça entende ser impossível a interposição de recurso especial para análise de suposta violação a texto sumular, por não se estar diante de lei em sentido formal, conforme a Súmula 518/STJ. 4. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Cuida-se de agravo interno interposto por YAMAHA MOTOR DO BRASIL LTDA. contra decisão desta relatoria proferida nos termos da seguinte ementa (e-STJ, fl. 1.200): AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO AFASTADA. VULNERABILIDADE DO FRANQUEADO. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. NECESSIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DAS SÚMULAS 7 E 83/STJ. OFENSA A TEXTO SUMULAR. SÚMULA 518/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. Nas razões recursais (e-STJ, fls. 1.207-1.217), aponta a insurgente ausência de similitude fática do julgado indicado para afastar a aplicação da cláusula de eleição de foro, tendo em vista que o AgInt no AREsp 2.235.015/GO não tratou de contrato de adesão ou de contrato regido pelo Código de Defesa do Consumidor. Aduz que a simples declaração de hipossuficiência não conduz a qualquer verdade, sob o argumento de que não foi demonstrada condição de pobreza para litigar no seu endereço empresarial. Postula pelo afastamento dos óbices das Súmulas 7 e 518 desta Corte. Pleiteia, assim, a reconsideração da decisão agravada. Impugnação apresentada às fls. 1.228-1.235 (e-STJ). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO AFASTADA. VULNERABILIDADE CONSTATADA. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. NECESSIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DAS SÚMULAS 7 E 83/STJ. OFENSA A TEXTO SUMULAR. SÚMULA 518/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte Superior possui o entendimento no sentido da possibilidade de declarar a nulidade da cláusula de eleição de foro estipulada em contrato de adesão, desde que configurada a vulnerabilidade ou a hipossuficiência do aderente ou o prejuízo no acesso à justiça. Incidência do óbice da Súmula 83/STJ. 2. Não há como desconstituir o entendimento delineado no acórdão impugnado quanto à vulnerabilidade da agravada, sem que se proceda ao reexame dos fatos e das provas dos autos, o que não se admite nesta instância extraordinária, em decorrência do disposto na Súmula 7 desta Corte. 3. A jurisprudência vigente no Superior Tribunal de Justiça entende ser impossível a interposição de recurso especial para análise de suposta violação a texto sumular, por não se estar diante de lei em sentido formal, conforme a Súmula 518/STJ. 4. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO Os argumentos trazidos pela insurgente não são capazes de modificar as conclusões da deliberação unipessoal. O colegiado estadual concluiu, com base no conjunto fático-probatório, que se trata de contrato de adesão e afastou a cláusula de eleição de foro ante a constatação da hipossuficiência da ora agravada, consoante excerto do voto abaixo transcrito (e-STJ, fls. 1.045-1.047 - sem grifo no original): A discussão posta nos autos é relativa à validade, ou não, da cláusula de eleição de foro constante de contrato de concessão de veículos concernente à prestação de serviços de revenda, pela concessionária agravante de veículos fabricados pelas agravadas. Verifica-se dos autos que as partes firmaram contrato de concessão de veículos, o qual é regido por legislação especial, Lei 6.729/79, a qual atribui uma série de direitos e deveres entre produtor e distribuidor. Observa-se também dos documentos juntados, que foi encaminhada para o Registro de Títulos e documentos de São Raimundo Nonato-P1, Notificação extrajudicial para rescisão de concessão comercial, fls. 64 e seguintes, onde as agravadas invocam como motivo o baixo desempenho de vendas da concessionária agravante, datada de 06 de junho de 2014. A referida Notificação obriga a Agravante a devolver todos os equipamentos e materiais que a vinculam à marca, saldar débitos, bem como resolver as pendências com consumidores. Já na sua petição inicial a Agravante informa que desde então encerrou suas atividades no ramo e se mantém ativa apenas para saldar compromissos assumidos, alegando a perda da saúde financeira, em decorrência da omissão das Agravadas quanto ao implemento de condutas de sua responsabilidade para alavancar as metas de vendas exigidas, o que se consolidou mais explicitamente após a culminância da rescisão. Assim, sem o devido faturamento deste o distrato, e que se verifica que a empresa agravante não mais detém igualdade de condições para litigar, considerando que promover defesa de seus direitos em comarca fora de sua sede demandaria custos adicionais elevados, que não mais condizem com sua situação econômica atual. Nesse Mesmo entendimento, a decisão do Exmo. Desembargador Haroldo Raiem no Agravo de Instrumento nº 2015.0001.002134-1, Agravante: Distribuidora Cristal, Agravadas: Nestlé Brasil Ltda. e outro: ( ) É dizer, há que se respeitar o foro de eleição contratual nos contratos da espécie examinada, se não verificada a hipossuficiência de uma das partes; mas, no presente caso, resta configurada a vulnerabilidade da agravante, o que foi demonstrado por documentos fiscais e contábeis refletindo perdas financeiras acumuladas, bem como pelos próprios termos do distrato.(..)Assim, evidenciada a hipossuficiência da parte Agravante em relação à parte Agravada, deve-se fixar a competência para apreciar e julgar a referida ação de origem como sendo o Juízo da comarca onde está domiciliaria a Agravante, qual seja, l a Vara Cível da Comarca de São Raimundo Nonato-Piauí. Com efeito, a jurisprudência desta Corte Superior possui o entendimento no sentido da possibilidade de declarar a nulidade da cláusula de eleição de foro estipulada em contrato de adesão, desde que configurada a vulnerabilidade ou a hipossuficiência do aderente ou o prejuízo no acesso à justiça. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AGRAVO DE INSTRUMENTO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 1.022 E 489, § 1º, DO NCPC. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU ERRO MATERIAL NÃO DEMONSTRADOS. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL E FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO NÃO CONFIGURADAS. CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO. HIPOSSUFICIÊNCIA CARACTERIZADA. PRECEDENTES. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM O ENTENDIMENTO FIRMADO NO STJ. PRECEDENTES. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENVOLVE O REEXAME DE PROVAS E ANÁLISE DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INOBSERVÂNCIA. SÚMULAS N.os 5 E 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Inexistentes as hipóteses do art. 1.022, II, do NCPC (art. 535 do CPC/1973), não merecem acolhimento os embargos de declaração que têm nítido caráter infringente. 2. Os embargos de declaração não se prestam à manifestação de inconformismo ou à rediscussão do julgado. 3. Não há falar em violação dos arts. 489 e 1.022 do NCPC quando a decisão está clara e suficientemente fundamentada, resolvendo integralmente a controvérsia 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte, para o reconhecimento da nulidade da cláusula de eleição de foro é imprescindível a constatação de especial dificuldade de acesso à Justiça ou hipossuficiência da parte. Precedentes. 5. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige interpretação de cláusula contratual e reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir as Súmulas n.os 5 e 7, ambas do STJ. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.443.321/BA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 28/2/2024.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AUSÊNCIA. ARTS. 489 E 1.022, II, DO CPC. FORO. COMPETÊNCIA. CONTRATO DE ADESÃO. HIPOSSUFICIÊNCIA. ALTERAÇÃO. POSSIBILIDADE. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ. ACORDÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SÚMULA Nº 568/STJ. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 2. Na hipótese, rever as conclusões das instâncias ordinárias quanto à hipossuficiência da parte demandaria a análise dos fatos e das provas da causa, o que atrai a incidência da Súmula nº 7/STJ. Precedentes. 3. A jurisprudência desta Corte reconhece a possibilidade de declaração da nulidade da cláusula de eleição de foro estipulada em contrato de adesão, quando configurada a vulnerabilidade ou a hipossuficiência do aderente ou o prejuízo no acesso à justiça, como ocorre na hipótese dos autos. Súmula nº 568/STJ. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.963.086/RO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023.) Logo, não há como desconstituir o entendimento delineado no acórdão impugnado quanto à vulnerabilidade da agravada, sem que se proceda ao reexame dos fatos e das provas dos autos, o que não se admite nesta instância extraordinária, em decorrência do disposto na Súmula 7 desta Corte. Por fim, a jurisprudência vigente no Superior Tribunal de Justiça entende ser impossível a interposição de recurso especial para análise de suposta violação a texto sumular, por não se estar diante de lei em sentido formal, conforme a Súmula 518/STJ. Desse modo, uma vez que as alegações feitas no agravo interno não são capazes de alterar o convencimento anteriormente manifestado, permanece íntegra a decisão agravada. Diante do exposto, nego provimento ao agravo interno. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios a este acórdão, ensejará a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. É como voto.