AREsp 2536261 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial, por entender que o Tribunal de origem corretamente declarou a competência territorial do Juízo da Comarca de Paulínia e aplicou a jurisprudência de proteção do consumidor (art. 101, I, CDC; possibilidade de nulidade da cláusula de eleição de foro em...
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- Parties
- Agravante: DOMUS POPULI EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Cláusula De Eleição De Foro, Competência Territorial, Nulidade De Cláusula Em Contrato De Adesão, Acesso À Justiça, Hipossuficiência Do Consumidor
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Parties
DOMUS POPULI EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 validação ou nulidade de cláusula de eleição de foro em contrato de consumo
- 2 possibilidade de o consumidor demandar no seu domicílio (art. 101, I, CDC)
- 3 prejuízo ao acesso à justiça como fundamento para afastar foro de eleição
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial, por entender que o Tribunal de origem corretamente declarou a competência territorial do Juízo da Comarca de Paulínia e aplicou a jurisprudência de proteção do consumidor (art. 101, I, CDC; possibilidade de nulidade da cláusula de eleição de foro em contrato de adesão quando há prejuízo ao acesso à justiça), não sendo possível o reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial.
Court Disposition
Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial
Orders
- Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial
- Mantida a competência territorial do Juízo da Comarca de Paulínia
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por DOMUS POPULI EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA. contra decisão que não admitiu o recurso especial, fundado nas alíneas a e c do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, que desafiou acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado (e-STJ, fl. 132): Ação indenizatória. Decisão pela qual foi rejeitada a arguição de incompetência relativa. Agravo e instrumento. Cláusula de eleição de foro. Demanda ajuizada para fins de reparação de danos, no foro de domicílio do autor. Relação de consumo verificada. É assegurado ao consumidor de postular em seu domicílio, ainda que existente cláusula contratual de eleição de foro, como facilitação ao acesso à Justiça. Intelecção do art. 101, I, do CDC. Precedentes. Decisão mantida. Recurso desprovido. Nas razões do recurso especial (e-STJ, fls. 138-152), a recorrente apontou violação aos arts. 63,§ 1º, do CPC/2015, bem como a existência de dissídio jurisprudencial. Sustentou, em síntese, a validade da cláusula de eleição de foro prevista no contrato celebrado entre as partes, ante a inexistência de prejuízo ao exercício do direito de defesa do consumidor. Foram apresentadas contrarrazões (e-STJ, fls. 170-176). O recurso especial não foi admitido na origem, o que ensejou a interposição do presente agravo. Brevemente relatado, decido. O Tribunal de origem, ao julgar o agravo de instrumento, consignou o seguinte (e-STJ, fls. 382-383): Não há dúvidas de que a relação negocial entre as partes atrai a legislação consumerista. Isso porque a agravante é pessoa jurídica constituída para fins de prestação de serviços e comercialização de produtos relacionados à incorporação imobiliária, enquadrando-se no conceito jurídico de fornecedora, enquanto o agravado é consumidor, pois adquiriu o imóvel para uso próprio. Nesse sentido, a ação pela qual o consumidor pleiteia a reparação de supostos danos causados pela fornecedora, nos moldes do artigo 101, I, do Código de Defesa do Consumidor, pode ser ajuizada no seu domicílio, a despeito da existência de cláusula de eleição de foro, que certamente dificultaria o acesso à Justiça à parte vulnerável da relação jurídica ora em exame. ( ) Destarte, impõe-se a manutenção da r. decisão vergastada, confirmando-se a competência territorial do Juízo da Comarca de Paulínia para o processamento e julgamento do feito. Com efeito, a jurisprudência desta Corte Superior reconhece a possibilidade de declaração da nulidade da cláusula de eleição de foro estipulada em contrato de adesão, desde que configurada a vulnerabilidade ou a hipossuficiência do aderente ou o prejuízo no acesso à justiça, como no presente caso. A propósito: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AUSÊNCIA. ARTS. 489 E 1.022, II, DO CPC. FORO. COMPETÊNCIA. CONTRATO DE ADESÃO. HIPOSSUFICIÊNCIA. ALTERAÇÃO. POSSIBILIDADE. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ. ACORDÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SÚMULA Nº 568/STJ. (..) 3. A jurisprudência desta Corte reconhece a possibilidade de declaração da nulidade da cláusula de eleição de foro estipulada em contrato de adesão, quando configurada a vulnerabilidade ou a hipossuficiência do aderente ou o prejuízo no acesso à justiça, como ocorre na hipótese dos autos. Súmula nº 568/STJ. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.963.086/RO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DECLARATÓRIA C/C PEDIDO CONDENATÓRIO - DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NEGOU PROVIMENTO AO AGRAVO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE RÉ. 1. No que se refere à ofensa ao enunciado da Súmula 33 desta Corte e 335 do STF, não cabe a este Tribunal apreciá-la em recurso especial, uma vez que "para fins do art. 105, III, a, da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula" (Súmula 518/STJ). 2. A jurisprudência desta Corte, no sentido de que "o foro de eleição contratual cede em favor do local do domicílio do devedor, sempre que constatado ser prejudicial à defesa do consumidor, podendo ser declarada de ofício a nulidade da cláusula de eleição pelo julgador" (AgInt no AREsp 1.337.742/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 02/04/2019, DJe de 08/04/2019). 2.1. Derruir as conclusões do acórdão do Tribunal de origem no sentido de que não há demonstração de dificuldade de acesso à Justiça pelo consumidor, demandaria, necessariamente a incursão no acervo fático-probatório dos autos, o que é vedado em sede de recurso especial ante o disposto na Súmula 7 desta Corte. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.099.769/MG, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 29/9/2022.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL EM CONSTRUÇÃO. RELAÇÃO DE CONSUMO. FORO DE ELEIÇÃO. NULIDADE DE CLÁUSULA. PREJUÍZO NA DEFESA DO CONSUMIDOR. PRECEDENTES. ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. RESOLUÇÃO DO CONTRATO. CULPA DA CONSTRUTORA. REVISÃO. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não se viabiliza o recurso especial pela indicada violação do artigo 1022 do CPC/2015. Isso porque, embora rejeitados os embargos de declaração, a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido contrário à pretensão da parte recorrente. 2. A decisão da Corte estadual encontra-se em harmonia com a jurisprudência da Segunda Seção do STJ, no sentido de que, o foro de eleição contratual cede em favor do local do domicílio do devedor, sempre que constatado ser prejudicial à defesa do consumidor, podendo ser declarada de ofício a nulidade da cláusula de eleição pelo julgador. Precedentes. 3. A análise das razões recursais e a reforma do aresto hostilizado, com a desconstituição de suas premissas como pretende o recorrente, demandaria reexame de todo âmbito da relação contratual estabelecida e incontornável incursão no conjunto fático-probatório dos autos, fazendo atrair também nesse ponto, o óbice das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.337.742/DF, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 2/4/2019, DJe de 8/4/2019.) Tendo o acórdão recorrido decidido em consonância com a jurisprudência desta Casa, incide, na hipótese, o enunciado n. 83 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, que abrange os recursos especiais interpostos com amparo nas alíneas a e/ou c do permissivo constitucional. Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela apresentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão, ensejará a imposição, conforme o caso, das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. CLÁUSULA DE FORO DE ELEIÇÃO. AFASTAMENTO. CONSUMIDOR. PREJUÍZO NO ACESSO À JUSTIÇA. ACÓRDÃO EM PERFEITA HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.