AREsp 2512902 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial em razão da deficiência de fundamentação nas razões recursais, especialmente pela ausência de indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado (aplicando-se o óbice da Súmula 284/STF) e pela ausência de prequestionamento da tese; em...
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- Parties
- Agravante: CELG DISTRIBUIÇÃO S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Cláusula Penal, Honorários Advocatícios, Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 284/stf, Tutela De Urgência, Termo De Ajustamento De Conduta, Cobrança Indevida, Reembolso
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Parties
CELG DISTRIBUIÇÃO S/A
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ausência de fundamentação do acórdão quanto à aplicação de cláusula penal (art. 489, §1º, CPC)
- 2 obstáculo da Súmula 284/STF por falta de indicação precisa do dispositivo federal alegadamente violado
- 3 faltou prequestionamento da matéria pela Corte de origem
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial em razão da deficiência de fundamentação nas razões recursais, especialmente pela ausência de indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado (aplicando-se o óbice da Súmula 284/STF) e pela ausência de prequestionamento da tese; em consequência, foi aplicada a previsão regimental e procedimental para não conhecimento e majorados os honorários conforme art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por CELG DISTRIBUIÇÃO S/A contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA COM PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA. TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA. COBRANÇA INCORRETA. REEMBOLSO DOS VALORES PAGOS A MAIOR. CLÁUSULA PENAL. INCIDÊNCIA. HONORÁRIOS RECURSAIS. 1. As partes firmaram contratos de Compartilhamento de postes e TAC - Termo de Ajustamento de Conduta, para Serviço de Comunicação Multimídia, no provimento de internet. A Apelante passou a faturar as mensalidades de forma indevida, realizando cobrança de valores a maior daqueles devidos, sendo de rigor o reajuste e reembolso das quantias pagas a maior pela Autora. 2. A Apelada, possui o direito ao recebimento de cláusula penal de 30% (trinta por cento) do valor da última fatura emitida, em maio/2020, no valor de R$ 12.566,55 (doze mil, quinhentos e sessenta e seis reais e cinquenta e cinco centavos). 3. Evidenciado a sucumbência recursal da Apelante, impende majorar, em grau recursal, a verba honorária anteriormente fixada, de 10% (dez por cento), para 13% (treze por cento) sobre o valor da condenação. APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA E DESPROVIDA. SENTENÇA MANTIDA. Quanto à controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 489, § 1º, do CPC, no que concerne à deficiência de fundamentação do aresto objurgado no tocante à condenação ao pagamento da multa contratual (cláusula penal), trazendo os seguintes argumentos: Verifica-se que o acórdão recorrido não apresentou qualquer fundamentação para a condenação da recorrente ao pagamento da multa contratual (cláusula penal), violando o art. 489, § 1º, do CPC. O acórdão apenas afirmou que seria aplicável a cláusula penal, sem fundamentação acerca dos elementos dos autos que levaram a essa condenação. .. Entretanto, na contestação e na apelação, esta recorrente suscitou expressamente que não seria aplicável a cláusula penal, pois não houve qualquer inadimplemento por parte da recorrente. .. Porém, o acórdão aplicou a cláusula penal à recorrente, sem apresentar a devida fundamentação (fls. 969-970). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois nas razões do recurso especial não se particularizou o inciso do art. 489, § 1º, do CPC sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ressalte-se, por oportuno, que essa indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, que, no caso, traz em seu texto uma mera introdução ao regramento legal contido nos incisos. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois, nas razões do recurso especial, não se particularizou o parágrafo/inciso/alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 1.558.460/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 11/3/2020.) De igual sorte: "A ausência de particularização dos incisos do artigo supostamente violado, inviabilizam a compreensão da irresignação recursal, em face da deficiência da fundamentação do apelo raro" (AgRg no AREsp n. 522.621/PR, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 12/12/2014.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.229.292/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 4/9/2018; AgInt no AgRg no AREsp n. 801.901/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 1º/12/2017; AgInt nos EDcl no AREsp n. 875.399/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 1º/8/2017; AgInt no REsp n. 1.679.614/PE, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 18/9/2017; e AgRg no REsp n. 695.304/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ de 5/9/2005; EDcl no AgRg no AREsp n. 1.962.212/PA, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 15/2/2022. Ademais, não houve o prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Dessarte: "Quanto à segunda controvérsia, o Distrito Federal alega violação do art. 91, § 1º, do CPC. Nesse quadrante, não houve prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentido de que a realização de perícia por entidade pública somente ser possível quando requerida pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. " (AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/05/2020.) A propósito: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/9/2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA