AREsp 2596529 - ACORDAO
Conheceu-se parcialmente do agravo interno, mas negou-se provimento porque a argumentação fundada isoladamente no art. 413 do CC/2002 não tem alcance normativo para alterar o termo a quo dos juros moratórios, atraindo a incidência da Súmula 284/STF; ademais, o agravo deixou de impugnar especificamente os fundamentos...
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- Parties
- Agravantes: Daniel Pedro Morando; Agravantes: Ana Elena Rosario Pieruccioni de Morando
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 September 2024
- Procedural Posture
- Agrav O Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado
- Outcome
- Conhecer parcialmente do agravo interno e, na parte conhecida, negar-lhe provimento
- Legal Topics
- Cláusula Penal, Juros Moratórios, Termo a Quo, Dissídio Jurisprudencial, Sucumbência, Súmula 284/stf, Súmula 182/stj, Súmula 7/stj
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Parties
Daniel Pedro Morando
Agravantes
Ana Elena Rosario Pieruccioni de Morando
Agravantes
Procedural Posture
Agrav O Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado
Legal Issues
- 1 alcance normativo do art. 413 do CC/2002 quanto ao termo a quo dos juros moratórios
- 2 aplicabilidade da Súmula n. 284/STF à fundamentação recursal
- 3 admissibilidade do agravo previsto no art. 1.021 do CPC/2015 quanto à impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do agravo interno, mas negou-se provimento porque a argumentação fundada isoladamente no art. 413 do CC/2002 não tem alcance normativo para alterar o termo a quo dos juros moratórios, atraindo a incidência da Súmula 284/STF; ademais, o agravo deixou de impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada (art. 1.021 CPC/2015 e Súmula 182/STJ) e a revisão da sucumbência demandaria reexame probatório vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Conhecer parcialmente do agravo interno e, na parte conhecida, negar-lhe provimento
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Majorar os honorários advocatícios em 20% do valor arbitrado, na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 27/08/2024 a 02/09/2024, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso, mas lhe negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Antonio Carlos Ferreira. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CLÁUSULA PENAL REVISTA JUDICIALMENTE. JUROS MORATÓRIOS. TERMO A QUO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA DE ALCANCE NORMATIVO DO ARTIGO INDICADO. SÚMULA N. 284/STF. SUCUMBÊNCIA. EXTENSÃO. AFERIÇÃO. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 182/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Considera-se deficiente, a teor da Súmula n. 284/STF, a fundamentação recursal que alega violação de dispositivos legais cujo conteúdo jurídico não tem alcance normativo para amparar a tese defendida no recurso especial. 2. É inviável o agravo previsto no art. 1.021 do CPC/2015 que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada (Súmula n. 182/STJ). 3. Agravo interno parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por Daniel Pedro Morando e Ana Elena Rosario Pieruccioni de Morando (e-STJ fls. 2.564/2.574) contra decisão desta relatoria que negou provimento ao agravo nos próprios autos, mantendo a inadmissibilidade do recurso especial (e-STJ fls. 2.554/2.557 ). Em suas razões, os agravantes defendem a inaplicabilidade da Súmula n. 284/STF. No mérito, aduzem: (a) dissídio jurisprudencial sobre o art. 413 do CC/2002, pois o termo a quo dos juros moratórios incidentes sobre o novo valor da multa contratual, revisto em segunda instância, deveria corresponder ao trânsito em julgado, e não a partir da celebração do ato negocial, e (b) contrariedade ao art. 86 do CPC/2015, sustentando que haveria sucumbência recíproca das partes. Ao final, pedem a reconsideração da decisão monocrática ou a apreciação do agravo pelo Colegiado. Foi apresentada impugnação (e-STJ fls. 2.589/2.595). É o relatório. EMENTA DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CLÁUSULA PENAL REVISTA JUDICIALMENTE. JUROS MORATÓRIOS. TERMO A QUO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA DE ALCANCE NORMATIVO DO ARTIGO INDICADO. SÚMULA N. 284/STF. SUCUMBÊNCIA. EXTENSÃO. AFERIÇÃO. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. SÚMULA N. 182/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Considera-se deficiente, a teor da Súmula n. 284/STF, a fundamentação recursal que alega violação de dispositivos legais cujo conteúdo jurídico não tem alcance normativo para amparar a tese defendida no recurso especial. 2. É inviável o agravo previsto no art. 1.021 do CPC/2015 que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada (Súmula n. 182/STJ). 3. Agravo interno parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. VOTO A insurgência não merece ser acolhida. Os agravantes não trouxeram nenhum argumento capaz de afastar os termos da decisão agravada, motivo pelo qual deve ser mantida por seus próprios fundamentos (e-STJ fls. 2.554/2.557): Trata-se de agravo nos próprios autos (CPC/2015, art. 1.042) interposto por DANIEL PEDRO MORANDO e ANA ELENA ROSARIO PIERUCCIONI DE MORANDO contra decisão que negou seguimento ao recurso especial, ante a aplicação das Súmulas n. 7 e 83 do STJ (e-STJ fls. 2.471/2.474). O acórdão do TJSC traz a seguinte ementa (e-STJ fl. 2.287): PROCESSUAL CIVIL E CIVIL - EMBARGOS À EXECUÇÃO - CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL EM CONSTRUÇÃO - ATRASO NA CONCLUSÃO DA OBRA - COMPROVAÇÃO - CLÁUSULA PENAL - INCIDÊNCIA - MULTA DIÁRIA - REDUÇÃO EQUITATIVA - POSSIBILIDADE. 1 Comprovado o inadimplemento contratual dos vendedores, que não observaram o prazo acordado para a conclusão das obras de edificação do imóvel, nos termos negociados, é lícita a cobrança da cláusula penal prevista no contrato. 2 Consoante remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "a redução judicial da cláusula penal, imposta pelo artigo 413 do Código Civil nos casos de cumprimento parcial da obrigação principal ou de evidente excesso do valor fixado, deve observar o critério da equidade, não significando redução proporcional. Isso porque a equidade é cláusula geral que visa a um modelo ideal de justiça, com aplicação excepcional nas hipóteses legalmente previstas. Tal instituto tem diversas funções, dentre elas a equidade corretiva, que visa ao equilíbrio das prestações. Daí a opção do legislador de utilizá-la como parâmetro para o balanceamento judiciai da pena convencionai" (REsp n. 1466177/SP, Min. Luis Felipe Salomão). Desse modo, é possível reduzir equitativamente valor da cláusula penal, a fim de preservar a isonomia contratual entre os contraentes. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ - INOCORRÊNCIA Para que haja condenação em multa por litigância de má-fé é necessário que esteja evidenciado o dolo do litigante em prejudicar a parte contrária ou o de atentar contra o regular desenvolvimento do processo. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 2.332/2.339). No recurso especial (e-STJ fls. 2.388/2.416), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da CF, os recorrentes requereram, preliminarmente, a concessão de efeito suspensivo à insurgência. Aduziram dissídio jurisprudencial sobre o art. 413 do CC/2002, pois o termo a quo dos juros moratórios incidentes sobre o novo valor da multa contratual, revisado em segunda instância, deveria corresponder ao trânsito em julgado, e não a partir da celebração do ato negocial. Indicaram violação do art. 86 do CPC/2015, sustentando que haveria sucumbência recíproca das partes. Foram ofertadas contrarrazões (e-STJ fls. 2.458/2.466). No agravo (e-STJ fls. 2.498/2.511), afirmam a presença de todos os requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta apresentada (e-STJ fls. 2.526/2.528). É o relatório. Decido. A fim de sustentar a revisão do termo inicial dos juros moratórios aplicáveis ao valor da cláusula penal revisada judicialmente, a parte recorrente indicou dissenso interpretativo sobre o art. 413 do CC/2002. Ocorre que tal dispositivo legal, isoladamente, não possui o alcance normativo pretendido, porque nada dispõe a respeito do termo a quo do encargo mencionado, tampouco dos meios de constituição dos devedores em mora. Dessa forma, a fundamentação recursal mostra-se deficiente e atrai, por analogia, a Súmula n. 284/STF. Nesse aspecto: AgInt no AgInt no AREsp n. 984.530/SP, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 21/9/2017, DJe 20/10/2017, e AgInt no REsp n. 1.505.441/SC, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 27/6/2017, DJe 2/8/2017. Por fim, no que se refere à revisão do grau de sucumbência dos litigantes, a jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que verificar a proporção do decaimento dos litigantes exige o revolvimento de provas, incabível em recurso especial. A esse respeito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. REVISÃO. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENVOLVE O REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU ERRO MATERIAL NÃO DEMONSTRADOS. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 1.022 E 489, § 1º, DO NCPC. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL E FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO NÃO CONFIGURADAS. QUANTUM INDENIZATÓRIO FIXADO EM VALOR CONSIDERADO EXORBITANTE. REDISTRIBUIÇÃO DOS ÔNUS SUCUMBENCIAIS. REVISÃO. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENVOLVE O REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 6. A apreciação, em recurso especial, do quantitativo em que o autor e réu saíram vencedores ou vencidos na demanda, bem como da existência de sucumbência mínima ou recíproca, esbarra no óbice da incidência da Súmula 7 do STJ. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.547.630/MG, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/4/2021, DJe 15/4/2021.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO. LOCAÇÃO DE BEM MÓVEL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE CUMULADA COM COBRANÇA. RESOLUÇÃO DO CONTRATO. INADIMPLÊNCIA RECONHECIDA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE PROVA E CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 421 E 884 DO CÓDIGO CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DISTRIBUIÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA DAS PARTES. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO PROVIDO. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. (..) 4. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de não ser possível a apreciação do quantitativo em que as partes saíram vencedoras ou vencidas na demanda, bem como da existência de sucumbência mínima ou recíproca e a fixação do respectivo quantum, por implicar incursão no suporte fático-probatório dos autos, esbarrando no óbice da Súmula 7 deste Sodalício. 5. Agravo interno provido para, reconsiderando a decisão agravada, conhecer do agravo para não conhecer do recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.723.236/SP, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 223/2021, DJe 13/4/2021.) Desprovido o recurso, descabe cogitar de efeito suspensivo. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se. Como destacado, considera-se deficiente, a teor da Súmula n. 284/STF, a fundamentação recursal que alega violação de dispositivos legais cujo conteúdo jurídico não tem alcance normativo para amparar a tese defendida no recurso especial. O art. 413 do CC/2002 não têm alcance normativo para subsidiar o requerimento de revisão do termo a quo dos juros moratórios incidentes ao valor da cláusula penal revista judicialmente, porque não trata especificamente do termo inicial do encargo referido, tampouco das formas de constituição dos devedores em mora. A propósito, "a incidência do Enunciado 284/STF em relação à matéria de fundo prejudica a análise do dissídio jurisprudencial sobre o mesmo tema, tendo em vista a impossibilidade de modificar a conclusão do acórdão recorrido, ainda que acolhida a interpretação do julgado confrontado favorável à pretensão recursal" (AgInt no REsp n. 1.773.833/ES, relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 22/11/2021, DJe de 25/11/2021). Inafastável, desse modo, a Súmula n. 284/STF. É inviável o agravo previsto no art. 1.021 do CPC/2015 que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada (Súmula n. 182/STJ). Nesse sentido, confira-se o seguinte precedente: AGRAVO INTERNO. DECISÃO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA ANTECIPADA. APELAÇÃO. EFEITOS. RECEBIMENTO. HARMONIA DE ENTENDIMENTO. SÚMULA 83 DO STJ. APLICAÇÃO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO AO ÚNICO FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. ARTIGOS 932, III, e 1.021, § 1º, DO CPC DE 2015. SÚMULA 182 DO STJ. (..) 2. Nos termos do art. 932, inciso III, e 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil/2015, não se conhece de agravo cujas razões não impugnam especificamente o único fundamento da decisão agravada. Aplicação, por analogia, do enunciado 182 da Súmula do STJ. 3. Em atenção ao princípio da dialeticidade, cumpre à parte recorrente o ônus de evidenciar, nas razões do agravo do recurso, o desacerto da decisão recorrida. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.152.930/SP, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 2/10/2018, DJe 16/10/2018.) O entendimento da Corte local, referente à condenação exclusiva dos agravantes aos encargos sucumbenciais, foi mantido com base na Súmula n. 7/STJ. A respeito de tal razão de decidir, a parte agravante não se manifestou, o que atrai a Súmula n. 182/STJ. Assim, não prosperam as alegações deduzidas, incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada. Diante do exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE do agravo interno e, na parte conhecida, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto.