HC 817515 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque o acórdão de apelação criminal transitou em julgado e não houve a interposição de recurso especial nem o ajuizamento de revisão criminal, de modo que não há processo em curso perante o Superior Tribunal de Justiça apto a autorizar o exame da matéria; assim, mostra-se...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: MAICON CESAR SILVA NASCIMENTO; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 May 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Coação Ilegal, Reconhecimento Fotográfico, Recurso Especial, Revisão Criminal, Trânsito Em Julgado, Competência Do STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MAICON CESAR SILVA NASCIMENTO
Paciente
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Possibilidade de uso do habeas corpus após trânsito em julgado sem interposição de recurso especial ou sem requerer revisão criminal
- 2 Validade de reconhecimento fotográfico realizado em desacordo com o art. 226 do CPP (questão suscitada pela defesa, não apreciada por este Tribunal devido à ilegitimidade do meio)
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque o acórdão de apelação criminal transitou em julgado e não houve a interposição de recurso especial nem o ajuizamento de revisão criminal, de modo que não há processo em curso perante o Superior Tribunal de Justiça apto a autorizar o exame da matéria; assim, mostra-se incabível o uso do habeas corpus como substituto da revisão criminal ou do recurso especial, nos termos da jurisprudência e das normas citadas.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO MAICON CESAR SILVA NASCIMENTO alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 0049023-03.2016.8.26.0050). Consta dos autos que o paciente foi condenado pela prática do crime previsto no art. 157, § 2º, II e V, do CP. A defesa aduz, em síntese, que o réu foi condenado com base, tão somente, em reconhecimento fotográfico realizado em desacordo com as disposições contidas no art. 226 do CPP, motivo pelo qual requer a concessão da ordem, para que ele seja absolvido. A liminar foi indeferida. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do habeas corpus. Decido. Este habeas corpus foi impetrado em 20/4/2023 e se insurge contra acórdão de apelação proferido em 13/6/2019. A decisão transitou em julgado, com a baixa definitiva dos autos em 31/7/2019; e, em consulta processual realizada na página eletrônica do TJSP, não se verifica o ajuizamento de revisão criminal. Esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus concomitante à interposição de recurso especial ou em substituição à revisão criminal, posicionando-se no sentido de que "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" ( AgRg no HC n. 805.183/SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, 6ª T., julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024). Apesar da ampliação do uso do remédio heroico, e sem esquecer a sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte. É notável o excessivo volume de habeas corpus, que ultrapassaram 905 mil, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que prejudica a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. Os impetrantes devem apresentar os pedidos de habeas corpus de forma adequada, direcionando-os à autoridade que tem atribuição para decidir sobre a questão, em primeiro lugar. No caso em apreço, a defesa, além de não haver interposto recurso especial, deixou de solicitar ao Tribunal de Justiça a revisão de condenação. Sem existir acórdão sobre essa questão, é incabível eventual constatação de manifesta ilegalidade em seu conteúdo. Assim, não está em curso processo que o Superior Tribunal de Justiça possa conhecer (art. 105 da CF), com a possibilidade de, durante o seu julgamento, deparar-se com irregularidade e conceder ordem de ofício (art. 654, § 2º, do CPP). Menciono, por oportuno: .. depois de já transitada em julgado a condenação, revela-se inviável, notadamente diante da incompetência deste Superior Tribunal para analisar habeas corpus substitutivo de revisão criminal, tendente a reapreciar o posicionamento exarado por Colegiado estadual .. (AgRg no HC n. 713.747/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 24/2/2022) Na mesma direção, cito, ainda, as seguintes decisões monocráticas: HC n. 905.628/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), DJe 17/4/2024; HC n. 905.340/SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, DJe 17/4/2024; HC n. 905.232/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, DJe 17/4/2024; HC n. 904.932/PR, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, DJe 16/4/2024. À vista do exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA