HC 777737 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque a condenação transitou em julgado e não houve interposição de recurso especial nem comprovação de revisão criminal, tornan-do incognoscível o pedido perante o Superior Tribunal de Justiça.
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- Parties
- Paciente: CLAUDEMAR LUIS SUZIN; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 May 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Impetrado Em 11/10/2022; Decisão Monocrática De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Coação Ilegal, Reconhecimento Pessoal, Trânsito Em Julgado, Recurso Especial, Revisão Criminal, Competência Do STJ, Incognição
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Parties
CLAUDEMAR LUIS SUZIN
Paciente
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Impetrado Em 11/10/2022; Decisão Monocrática De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Possibilidade de conhecimento de habeas corpus após o trânsito em julgado
- 2 Uso do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal
- 3 Validade de prova baseada exclusivamente em reconhecimento pessoal realizado em desacordo com o art. 226 do CPP
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque a condenação transitou em julgado e não houve interposição de recurso especial nem comprovação de revisão criminal, tornan-do incognoscível o pedido perante o Superior Tribunal de Justiça.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Publique-se
- Intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO CLAUDEMAR LUIS SUZIN alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (Apelação Criminal n. 0002283-03.2017.8.24.0019). Consta dos autos que o paciente foi condenado pela prática do crime previsto no art. 157, § 2º, I, do CP. A defesa aduz, em síntese, que o réu foi condenado com base, tão somente, em reconhecimento pessoal realizado em desacordo com as disposições contidas no art. 226 do CPP, motivo pelo qual requer a concessão da ordem, para que ele seja absolvido. Não houve pedido de liminar. O Ministério Público Federal manifestou-se pela denegação da ordem. Decido. Este habeas corpus foi impetrado em 11/10/2022 e se insurge contra acórdão de apelação proferido em 4/9/2018. A decisão transitou em julgado e, pelos documentos constantes dos autos, não há notícias acerca de eventual ajuizamento de revisão criminal. Esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus concomitante à interposição de recurso especial ou em substituição à revisão criminal, posicionando-se no sentido de que "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" ( AgRg no HC n. 805.183/SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, 6ª T., julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024). Apesar da ampliação do uso do remédio heroico, e sem esquecer a sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte. É notável o excessivo volume de habeas corpus, que ultrapassaram 905 mil, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que prejudica a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. Os impetrantes devem apresentar os pedidos de habeas corpus de forma adequada, direcionando-os à autoridade que tem atribuição para decidir sobre a questão, em primeiro lugar. No caso em apreço, a defesa, além de não haver interposto recurso especial, deixou de comprovar eventual revisão da condenação junto ao Tribunal de Justiça. Sem existir acórdão sobre essa questão, é incabível eventual constatação de manifesta ilegalidade em seu conteúdo. Assim, não está em curso processo que o Superior Tribunal de Justiça possa conhecer (art. 105 da CF), com a possibilidade de, durante o seu julgamento, deparar-se com irregularidade e conceder ordem de ofício (art. 654, § 2º, do CPP). Menciono, por oportuno: .. depois de já transitada em julgado a condenação, revela-se inviável, notadamente diante da incompetência deste Superior Tribunal para analisar habeas corpus substitutivo de revisão criminal, tendente a reapreciar o posicionamento exarado por Colegiado estadual .. (AgRg no HC n. 713.747/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 24/2/2022) Na mesma direção, cito, ainda, as seguintes decisões monocráticas: HC n. 905.628/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), DJe 17/4/2024; HC n. 905.340/SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, DJe 17/4/2024; HC n. 905.232/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, DJe 17/4/2024; HC n. 904.932/PR, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, DJe 16/4/2024. À vista do exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA