HC 852441 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração foi apresentada após o trânsito em julgado do acórdão de apelação, sem que tivesse sido interposto recurso especial ou requerida revisão criminal, de modo que não havia processo em curso que permitisse ao STJ conhecer da matéria (fundamento no art. 34, XX, do RISTJ).
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- Parties
- Paciente: JOÃO MATEUS SILVA CARDOZO; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 June 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Impetrado Em 06/09/2023 Contra Acórdão De Apelação (22/06/2023) Com Trânsito Em Julgado Em 12/07/2023; Habeas Corpus Não Conhecido Pelo STJ
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Coação Ilegal, Provas Ilícitas, Ingresso Policial No Domicílio, Revisão Criminal, Recurso Especial, Competência Do STJ, Trânsito Em Julgado
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Parties
JOÃO MATEUS SILVA CARDOZO
Paciente
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Impetrado Em 06/09/2023 Contra Acórdão De Apelação (22/06/2023) Com Trânsito Em Julgado Em 12/07/2023; Habeas Corpus Não Conhecido Pelo STJ
Legal Issues
- 1 Possibilidade de conhecimento de habeas corpus após trânsito em julgado
- 2 Uso do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal
- 3 Admissibilidade de habeas corpus quando não interposto recurso especial nem requerida revisão criminal
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração foi apresentada após o trânsito em julgado do acórdão de apelação, sem que tivesse sido interposto recurso especial ou requerida revisão criminal, de modo que não havia processo em curso que permitisse ao STJ conhecer da matéria (fundamento no art. 34, XX, do RISTJ).
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO JOÃO MATEUS SILVA CARDOZO alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (Apelação Criminal n. 0726467-34.2022.8.07.0001). Consta dos autos que o paciente foi condenado pela prática do crime previsto no art. 33, caput, c/c o art. 40, III, ambos da Lei de Drogas. A defesa aduz, como tese principal, que a condenação foi lastreada em provas ilícitas, obtidas por meio do ingresso de policiais no domicílio do réu, sem que houvesse justa causa para a medida. Requer, assim, a concessão da ordem, para que ele seja absolvido. Não houve pedido de liminar. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento da impetração. Decido. Este habeas corpus foi impetrado em 6/9/2023 contra acórdão de apelação proferido em 22/6/2023. A decisão transitou em julgado em 12/7/2023 e, pelos documentos constantes dos autos, não se verifica o ajuizamento de revisão criminal. Esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus concomitante à interposição de recurso especial ou em substituição à revisão criminal, posicionando-se no sentido de que "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" ( AgRg no HC n. 805.183/SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, 6ª T., julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024). Apesar da ampliação do uso do remédio heroico, e sem esquecer a sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte. É notável o excessivo volume de habeas corpus, que ultrapassaram 905 mil, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que prejudica a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. Os impetrantes devem apresentar os pedidos de habeas corpus de forma adequada, direcionando-os à autoridade que tem atribuição para decidir sobre a questão, em primeiro lugar. No caso em apreço, a defesa, além de não haver interposto recurso especial, deixou de solicitar ao Tribunal de Justiça a revisão de condenação. Assim, não está em curso processo que o Superior Tribunal de Justiça possa conhecer (art. 105 da CF), com a possibilidade de, durante o seu julgamento, deparar-se com irregularidade e conceder ordem de ofício (art. 654, § 2º, do CPP). Menciono, por oportuno: .. depois de já transitada em julgado a condenação, revela-se inviável, notadamente diante da incompetência deste Superior Tribunal para analisar habeas corpus substitutivo de revisão criminal, tendente a reapreciar o posicionamento exarado por Colegiado estadual .. (AgRg no HC n. 713.747/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 24/2/2022) Na mesma direção, cito, ainda, as seguintes decisões monocráticas: HC n. 905.628/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), DJe 17/4/2024; HC n. 905.340/SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, DJe 17/4/2024; HC n. 905.232/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, DJe 17/4/2024; HC n. 904.932/PR, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, DJe 16/4/2024. À vista do exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA