HC 832729 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque a decisão impugnada transitou em julgado em 21/6/2023, não tendo sido interposto recurso especial nem requerido o juízo de revisão criminal, de modo que o Superior Tribunal de Justiça é incompetente para conhecer de habeas corpus que substitua revisão criminal ou reexamine...
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- Parties
- Paciente: JARDEL FAGUNDES BORBA; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 June 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Coação Ilegal, Reconhecimento Fotográfico, Nulidade De Interrogatório, Direito Ao Silêncio, Uso De Algemas, Trânsito Em Julgado, Revisão Criminal, Competência Do STJ, Não Conhecimento
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Parties
JARDEL FAGUNDES BORBA
Paciente
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Reconhecimento fotográfico realizado em desacordo com o art. 226 do CPP
- 2 Nulidade do interrogatório do corréu por falta de advertência sobre o direito ao silêncio
- 3 Uso indevido de algemas
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque a decisão impugnada transitou em julgado em 21/6/2023, não tendo sido interposto recurso especial nem requerido o juízo de revisão criminal, de modo que o Superior Tribunal de Justiça é incompetente para conhecer de habeas corpus que substitua revisão criminal ou reexamine matéria já definitivamente decidida; aplicação de precedentes e do art. 34, XX, do RISTJ.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus
Orders
- Não conheço do habeas corpus, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ
- Publique-se e intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO JARDEL FAGUNDES BORBA alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (Apelação Criminal n. 5000757-85.2021.8.21.0009). Consta dos autos que o paciente foi condenado pela prática do crime de roubo duplamente majorado. A defesa aduz, em síntese, que: a) a condenação do acusado se baseou em reconhecimento fotográfico realizado em desacordo com o art. 226 do CPP; b) houve nulidade do interrogatório do corréu Evandro no inquérito por falta de advertência sobre o direito ao silêncio e uso indevido de algemas; c) não há provas suficientes da autoria delitiva em relação ao paciente. A liminar foi indeferida. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento da impetração e, caso conhecida, pela denegação da ordem. Decido. Este habeas corpus foi impetrado em 20/6/2023 e se insurge contra acórdão de apelação proferido em 14/11/2022. A decisão transitou em julgado em 21/6/2023 e, pelos documentos constantes dos autos, não se verifica o ajuizamento de revisão criminal. Esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus concomitante à interposição de recurso especial ou em substituição à revisão criminal, posicionando-se no sentido de que "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" ( AgRg no HC n. 805.183/SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, 6ª T., julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024). Apesar da ampliação do uso do remédio heroico, e sem esquecer a sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte. É notável o excessivo volume de habeas corpus, que ultrapassaram 905 mil, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que prejudica a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. Os impetrantes devem apresentar os pedidos de habeas corpus de forma adequada, direcionando-os à autoridade que tem atribuição para decidir sobre a questão, em primeiro lugar. No caso em apreço, a defesa, além de não haver interposto recurso especial, deixou de solicitar ao Tribunal de Justiça a revisão de condenação. Assim, não está em curso processo que o Superior Tribunal de Justiça possa conhecer (art. 105 da CF), com a possibilidade de, durante o seu julgamento, deparar-se com irregularidade e conceder ordem de ofício (art. 654, § 2º, do CPP). Menciono, por oportuno: .. depois de já transitada em julgado a condenação, revela-se inviável, notadamente diante da incompetência deste Superior Tribunal para analisar habeas corpus substitutivo de revisão criminal, tendente a reapreciar o posicionamento exarado por Colegiado estadual .. (AgRg no HC n. 713.747/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 24/2/2022) Na mesma direção, cito, ainda, as seguintes decisões monocráticas: HC n. 905.628/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), DJe 17/4/2024; HC n. 905.340/SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, DJe 17/4/2024; HC n. 905.232/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, DJe 17/4/2024; HC n. 904.932/PR, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, DJe 16/4/2024. À vista do exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA