HC 866868 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a decisão atacada transitou em julgado em 24/2/2023, não houve instauração de revisão criminal, e o STJ não pode conhecer de habeas corpus que funcione como substituto de revisão criminal; assim, ausente processo em curso perante o STJ (art. 105 CF) e inexistindo hipótese de...
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- Parties
- Paciente: ANDREONE DE CAMPOS; Órgão Julgador: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 1500249-84.2021.8.26.0471); Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 September 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (liminar Indeferida)
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Coação Ilegal, Reconhecimento Testemunhal, Trânsito Em Julgado, Recurso Especial, Revisão Criminal, Competência, Habeas Corpus
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Parties
ANDREONE DE CAMPOS
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 1500249-84.2021.8.26.0471)
Órgão Julgador
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento (liminar Indeferida)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de uso do habeas corpus após trânsito em julgado como substituto de revisão criminal
- 2 Nulidade da condenação por utilização exclusiva de reconhecimento falho
- 3 Competência do Superior Tribunal de Justiça para conhecer habeas corpus quando não há processo em curso no STJ
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a decisão atacada transitou em julgado em 24/2/2023, não houve instauração de revisão criminal, e o STJ não pode conhecer de habeas corpus que funcione como substituto de revisão criminal; assim, ausente processo em curso perante o STJ (art. 105 CF) e inexistindo hipótese de atuação de ofício (art. 654, §2º, CPP), o remédio é incogitável.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus
Orders
- Publique-se e intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO ANDREONE DE CAMPOS alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 1500249-84.2021.8.26.0471). Consta dos autos que o paciente foi condenado pela prática do crime de roubo duplamente majorado. A defesa pleiteia a concessão da ordem, "para anular a condenação oriunda do processo de n. 1500249- 84.2021.8.26.0471, em razão de manifesta nulidade em razão da utilização exclusiva do reconhecimento falho, duvidoso/ contraditório e vicioso, sem observância dos predicados legais do Código de Processo Penal, para a condenação do paciente" (fl. 21). Subsidiariamente, pleiteia a redução da reprimenda a ele imposta. A liminar foi indeferida. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do habeas corpus. Decido. No caso, a defesa se insurge contra acórdão proferido no julgamento da apelação criminal, pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que deu parcial provimento ao recurso da defesa, somente para reduzir a pena imposta ao réu, e, no mais, ratificou a sentença condenatória. No entanto, em consulta processual realizada na página eletrônica do TJSP e nos assentamentos eletrônicos desta Corte, verifico que, contra o acórdão da apelação, a defesa também interpôs recurso especial, não admitido na origem. A decisão transitou em julgado em 24/2/2023 e, pelos documentos constantes dos autos, não se verifica o ajuizamento de revisão criminal. Este habeas corpus foi impetrado em 3/11/2023. Esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus concomitante à interposição de recurso especial ou em substituição à revisão criminal, posicionando-se no sentido de que "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" ( AgRg no HC n. 805.183/SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, 6ª T., julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024). Apesar da ampliação do uso do remédio heroico, e sem esquecer a sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte. É notável o excessivo volume de habeas corpus, que ultrapassaram 905 mil, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que prejudica a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. Os impetrantes devem apresentar os pedidos de habeas corpus de forma adequada, direcionando-os à autoridade que tem atribuição para decidir sobre a questão, em primeiro lugar. No caso em apreço, conforme salientado anteriormente, a defesa deixou de solicitar ao Tribunal de Justiça a revisão de condenação. Assim, não está em curso processo que o Superior Tribunal de Justiça possa conhecer (art. 105 da CF), com a possibilidade de, durante o seu julgamento, deparar-se com irregularidade e conceder ordem de ofício (art. 654, § 2º, do CPP). Menciono, por oportuno: .. depois de já transitada em julgado a condenação, revela-se inviável, notadamente diante da incompetência deste Superior Tribunal para analisar habeas corpus substitutivo de revisão criminal, tendente a reapreciar o posicionamento exarado por Colegiado estadual .. (AgRg no HC n. 713.747/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 24/2/2022) Na mesma direção, cito, ainda, as seguintes decisões monocráticas: HC n. 905.628/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), DJe 17/4/2024; HC n. 905.340/SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, DJe 17/4/2024; HC n. 905.232/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, DJe 17/4/2024; HC n. 904.932/PR, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, DJe 16/4/2024. À vista do exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se EMENTA