HC 956550 - DECISAO
Como a condenação transitou em julgado e não houve interposição de revisão criminal, o habeas corpus impetrado no Superior Tribunal de Justiça revela-se incogniçível por configurar tentativa de substituição da revisão criminal; assim, a liminar é indeferida com fundamento no art. 210 do RISTJ.
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente/impetrante: JOÃO LUCAS CAMILO; Órgão Prolator Do Acórdão: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 1500061-88.2021.8.26.0472)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 October 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- Indefiro liminarmente o habeas corpus.
- Legal Topics
- Coação Ilegal, Trânsito Em Julgado, Cabimento Do Habeas Corpus, Habeas Corpus Como Substitutivo De Revisão Criminal, Competência Do Superior Tribunal De Justiça
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Parties
JOÃO LUCAS CAMILO
Paciente/impetrante
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 1500061-88.2021.8.26.0472)
Órgão Prolator Do Acórdão
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Cabimento de habeas corpus após trânsito em julgado
- 2 Possibilidade de uso do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal
- 3 Necessidade de interposição de revisão criminal antes de impetrar habeas corpus
Ratio Decidendi
Como a condenação transitou em julgado e não houve interposição de revisão criminal, o habeas corpus impetrado no Superior Tribunal de Justiça revela-se incogniçível por configurar tentativa de substituição da revisão criminal; assim, a liminar é indeferida com fundamento no art. 210 do RISTJ.
Court Disposition
Indefiro liminarmente o habeas corpus.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO JOÃO LUCAS CAMILO alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal n. 1500061-88.2021.8.26.0472). Consta dos autos que o paciente foi condenado pela prática do crime de tráfico de drogas. A defesa pleiteia a concessão da ordem, para (fl. 16): a) declarar a nulidade do feito desde a prolação da sentença, garantindo-se a abertura de vista à defesa para exercício adequado do contraditório a respeito das alegações finais da acusação; b) no mérito, garantir ao paciente o redimensionamento da pena aplicada, nos termos da fundamentação, bem como fixar o regime aberto para início do cumprimento da pena. Decido. Este habeas corpus foi impetrado em 26/10/2024 e se insurge contra acórdão de apelação proferido em 7/7/2022. A decisão transitou em julgado em 26/1/2023 e, pelos documentos constantes dos autos, não se verifica o ajuizamento de revisão criminal. Esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus concomitante à interposição de recurso especial ou em substituição à revisão criminal, posicionando-se no sentido de que "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" (AgRg no HC n. 805.183/SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, 6ª T., julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024). Apesar da ampliação do uso do remédio heroico, e sem esquecer a sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte. É notável o excessivo volume de habeas corpus, que ultrapassaram 905 mil, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que prejudica a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. Os impetrantes devem apresentar os pedidos de habeas corpus de forma adequada, direcionando-os à autoridade que tem atribuição para decidir sobre a questão, em primeiro lugar. No caso em apreço, a defesa deixou de solicitar ao Tribunal de Justiça a revisão de condenação. Assim, não está em curso processo que o Superior Tribunal de Justiça possa conhecer (art. 105 da CF), com a possibilidade de, durante o seu julgamento, deparar-se com irregularidade e conceder ordem de ofício (art. 654, § 2º, do CPP). Menciono, por oportuno: .. depois de já transitada em julgado a condenação, revela-se inviável, notadamente diante da incompetência deste Superior Tribunal para analisar habeas corpus substitutivo de revisão criminal, tendente a reapreciar o posicionamento exarado por Colegiado estadual .. (AgRg no HC n. 713.747/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 24/2/2022) Na mesma direção, cito, ainda, as seguintes decisões monocráticas: HC n. 905.628/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), DJe 17/4/2024; HC n. 905.340/SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, DJe 17/4/2024; HC n. 905.232/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, DJe 17/4/2024; HC n. 904.932/PR, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, DJe 16/4/2024. À vista do exposto, com fundamento no art. 210 do RISTJ, indefiro liminarmente o habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA