HC 837091 - DECISAO
Porquanto o habeas corpus foi impetrado após o trânsito em julgado da condenação e o STJ não possui julgamento de mérito próprio passível de revisão no caso, o Tribunal é incompetente para processar pedido que funcione como substitutivo de revisão criminal; assim, não se conhece do habeas corpus para evitar...
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- Parties
- Paciente: WELINTON MACHADO PIERI GERONIMO; Órgão De Origem: Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Coação Ilegal, Reconhecimento Fotográfico, Qualificadora De Utilização De Arma De Fogo, Trânsito Em Julgado, Supressão De Instância
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Parties
WELINTON MACHADO PIERI GERONIMO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina
Órgão De Origem
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Possibilidade de uso do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal
- 2 Competência do STJ para processar revisão criminal após trânsito em julgado
- 3 Regularidade do reconhecimento fotográfico (art. 226 do CPP)
Ratio Decidendi
Porquanto o habeas corpus foi impetrado após o trânsito em julgado da condenação e o STJ não possui julgamento de mérito próprio passível de revisão no caso, o Tribunal é incompetente para processar pedido que funcione como substitutivo de revisão criminal; assim, não se conhece do habeas corpus para evitar supressão de instância.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO WELINTON MACHADO PIERI GERONIMO alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina na Apelação Criminal n. 5015129-51.2021.8.24.0075. Consta dos autos que o paciente foi condenado a 10 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicial fechado, mais multa, pela prática do crime previsto no art. 157, § 2º, II e § 2º-A, I, na forma do art. 70, ambos do Código Penal. A defesa aduz, em síntese, que: a) o reconhecimento fotográfico feito pelas vítimas está em desacordo com o preceituado no art. 226 do Código de Processo Penal e b) deve ser afastada a qualificadora de utilização de arma de fogo porquanto sua incidência está lastreada unicamente nos depoimentos das vítimas. Indeferida a liminar, o Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não conhecimento do habeas corpus (fls. 1.201-1.206). Decido. Este habeas corpus se insurge contra acórdão de apelação proferido em 6/1/2023. A defesa impetrou o HC em 7/7/2023, depois do trânsito em julgado da condenação, de modo que o presente writ é substitutivo de revisão criminal. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Como não existe no STJ julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido. Importante destacar que esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus em substituição à revisão criminal, posicionando-se no sentido de que "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" (AgRg no HC n. 805.183/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024). Na mesma direção, cito, ainda, as seguintes decisões monocráticas: HC n. 905.628/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), DJe 17/4/2024; HC n. 905.340/SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, DJe 17/4/2024; HC n. 905.232/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, DJe 17/4/2024; HC n. 904.932/PR, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, DJe 16/4/2024. Apesar da ampliação do uso do remédio heroico, e sem esquecer a sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte. É notável o excessivo volume de habeas corpus, que ultrapassaram 905 mil, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que prejudica a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. Ademais, em relação à tese subsidiária da defesa, o Tribunal de origem nem sequer analisou a questão, o que reforça a impossibilidade a apreciação dessa matéria diretamente por esta Corte Superior de Justiça, sob pena de, se assim o fizer, incidir na indevida supressão de instância. Ilustrativamente: "Evidenciado que os temas levantados não foram objeto de debate e decisão por parte de órgão colegiado do Tribunal de origem, sobressai a incompetência desta Corte para o exame das matérias, sob pena de indevida supressão de instância" (HC n. 164.785/MS, Rel. Ministro Gilson Dipp, 5ª T., DJe 8/6/2011). À vista do exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA