HC 848029 - DECISAO
Por se tratar de impugnação a acórdão de apelação já proferido pelo Tribunal de Justiça e não haver notícia de revisão criminal, o habeas corpus não pode ser conhecido como substitutivo da revisão criminal; assim, conforme art. 34, XX, do RISTJ e entendimentos jurisprudenciais, não se conhece do habeas corpus.
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- Parties
- Impetrante: EDSON VANDER ARAGÃO CUSTÓDIO DOS SANTOS; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Coação Ilegal, Nulidade Por Apresentação De Documentos Em Alegações Finais, Atipicidade, Ausência De Dolo, Trânsito Em Julgado, Competência Do Superior Tribunal De Justiça
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Parties
EDSON VANDER ARAGÃO CUSTÓDIO DOS SANTOS
Impetrante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 possibilidade de uso do habeas corpus como substituto da revisão criminal
- 2 nulidade por juntada de documentos em alegações finais sem tempo hábil para análise
- 3 análise de atipicidade e dolo em sede de habeas corpus
Ratio Decidendi
Por se tratar de impugnação a acórdão de apelação já proferido pelo Tribunal de Justiça e não haver notícia de revisão criminal, o habeas corpus não pode ser conhecido como substitutivo da revisão criminal; assim, conforme art. 34, XX, do RISTJ e entendimentos jurisprudenciais, não se conhece do habeas corpus.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus
Orders
- Indeferida a liminar (fls. 340-341)
- Não conheço do habeas corpus (art. 34, XX, do RISTJ)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO EDSON VANDER ARAGÃO CUSTÓDIO DOS SANTOS, condenado por peculato, alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que deu parcial provimento à apelação defensiva (Apelação n. 0002748-88.2017.8.26.0493). Neste writ, pretende a defesa, em síntese, que seja reconhecida nulidade na apresentação de documentos em alegações finais, em relação aos quais não teve tempo hábil para analisá-los, bem como a atipicidade e ausência de dolo nas condutas praticadas. Indeferida a liminar (fls. 340-341), foram os autos ao Ministério Público Federal, que se manifestou pelo não conhecimento do habeas corpus ou, caso conhecido, por sua denegação (fls. 346-352). Decido. Compulsando os autos, observa-se que a defesa se insurge contra acórdão de apelação, proferido ainda em 2022, e não há notícia de que foi ajuizada a revisão criminal. Esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus em substituição à revisão criminal, posicionando-se no sentido de que "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" (AgRg no HC n. 805.183/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024). Apesar da ampliação do uso do remédio heroico, e sem esquecer a sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte. É notável o excessivo volume de habeas corpus, que ultrapassaram 905 mil, em detrimento da eficácia do recurso especial ou da revisão criminal, o que prejudica a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. Assim, o impetrante deve apresentar o pedido cabível, direcionando-o à autoridade que tem atribuição para decidir sobre a questão, em primeiro lugar, notadamente porque a defesa deixou de solicitar ao Tribunal de Justiça a revisão de condenação. Sem existir acórdão em revisão criminal, é incabível eventual constatação de manifesta ilegalidade em seu conteúdo, máxime se considerado que não está em curso processo que o Superior Tribunal de Justiça possa conhecer (art. 105 da CF), com a possibilidade de, durante o seu julgamento, deparar-se com irregularidade e conceder ordem de ofício (art. 654, § 2º, do CPP). Menciono, por oportuno: .. depois de já transitada em julgado a condenação, revela-se inviável, notadamente diante da incompetência deste Superior Tribunal para analisar habeas corpus substitutivo de revisão criminal, tendente a reapreciar o posicionamento exarado por Colegiado estadual .. (AgRg no HC n. 713.747/SP, relator Ministro Rogerio Schietti, Sexta Turma, DJe 24/2/2022) Na mesma direção, cito, ainda, as seguintes decisões monocráticas: HC n. 905.628/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), DJe 17/4/2024; HC n. 905.340/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, DJe 17/4/2024; HC n. 905.232/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, DJe 17/4/2024; HC n. 904.932/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, DJe 16/4/2024. À vista do exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA