HC 1005842 - DECISAO
O habeas corpus foi impetrado após o trânsito em julgado da condenação, configurando-se como substitutivo de revisão criminal; como a competência do STJ para revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados e não existe julgamento do STJ sobre a matéria, o Tribunal é incompetente para conhecer do...
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- Parties
- Paciente: DEJAIR CASTRO DA COSTA; Parte Interessada: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 July 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Impetração Após Trânsito Em Julgado (substitutivo De Revisão Criminal); HC Não Conhecido Por Incompetência Do STJ
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus.
- Legal Topics
- Coação Ilegal, Trânsito Em Julgado, Inadequação Do Habeas Corpus Como Substituto Da Revisão Criminal, Competência Ratione Materiae
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Parties
DEJAIR CASTRO DA COSTA
Paciente
Ministério Público Federal
Parte Interessada
Procedural Posture
Habeas Corpus / Impetração Após Trânsito Em Julgado (substitutivo De Revisão Criminal); HC Não Conhecido Por Incompetência Do STJ
Legal Issues
- 1 Uso do habeas corpus como substitutivo da revisão criminal
- 2 Competência do STJ para processar e julgar revisão criminal
- 3 Pedidos de desclassificação de crime, absolvição e diminuição de pena em sede de habeas corpus após trânsito em julgado
Ratio Decidendi
O habeas corpus foi impetrado após o trânsito em julgado da condenação, configurando-se como substitutivo de revisão criminal; como a competência do STJ para revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados e não existe julgamento do STJ sobre a matéria, o Tribunal é incompetente para conhecer do pedido, devendo o habeas corpus não ser conhecido.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO DEJAIR CASTRO DA COSTA alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo na Apelação Criminal n. 0000819-62.2024.8.08.0012. Consta dos autos que o paciente foi condenado definitivamente pela prática dos crimes previstos nos arts. 1º, II da Lei n. 9.455/1997 e 147, caput (duas vezes), do Código Penal, na forma da Lei n. 11.340/2006, a pena de 4 anos e 1 mês de reclusão e 5 meses e 28 dias de detenção, em regime inicial semiaberto. Pretende a defesa: 1) a desclassificação do crime de tortura para o delito de lesão corporal e a consequente absolvição pela legítima defesa; 2) a absolvição pelos crimes de ameaça; 3) a diminuição da pena. O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não conhecimento do writ ou pela denegação da ordem (fls. 577-580). Decido. Este habeas corpus se insurge contra acórdão de apelação proferido em 18/2/2025. Consta, ainda, que a sentença condenatória transitou em julgado em 14/4/2025 (fls. 211-575). A defesa impetrou o HC em 22/5/2025, depois do trânsito em julgado da condenação, de modo que o presente writ é substitutivo de revisão criminal. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Como não existe no STJ julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido. Importante destacar que esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus em substituição à revisão criminal, posicionando-se no sentido de que "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" (AgRg no HC n. 805.183/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024.). Na mesma direção, cito, ainda, as seguintes decisões monocráticas: HC n. 905.628/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), DJe 17/4/2024; HC n. 905.340/SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, DJe 17/4/2024; HC n. 905.232/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, DJe 17/4/2024; HC n. 904.932/PR, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, DJe 16/4/2024. Apesar da ampliação do uso do remédio heroico, e sem esquecer a sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte. É notável o excessivo volume de habeas corpus, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que prejudica a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. À vista do exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA