AREsp 2586494 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem analisou clara e fundamentadamente os fatos e provas, reconhecendo violação do Código de Defesa do Consumidor (art. 51), e para alcançar resultado diverso seria necessário o reexame fático-probatório, vedado pelo enunciado n. 7 do STJ; além disso,...
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- Parties
- Autor: IRMANDADE DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO CANDELÁRIA; Réu: COMPANHIA ESTADUAL DE ÁGUAS E ESGOTOS - CEDAE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2024
- Procedural Posture
- Ação Indenizatória / Decisão Em Recurso Especial No STJ
- Outcome
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Cobrança De Tarifa De Esgoto, Faturamento Por Volume De Água Vs Volume De Esgoto, Reexame Fático Probatório, Prequestionamento, Honorários Advocatícios
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Parties
IRMANDADE DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO CANDELÁRIA
Autor
COMPANHIA ESTADUAL DE ÁGUAS E ESGOTOS - CEDAE
Réu
Procedural Posture
Ação Indenizatória / Decisão Em Recurso Especial No STJ
Legal Issues
- 1 cobrança além do serviço efetivamente utilizado decorrente de faturamento da tarifa de esgoto
- 2 diferença entre água registrada no hidrômetro e volume de esgoto (evaporação por ar condicionado)
- 3 aplicação do art. 51 e inciso IV do Código de Defesa do Consumidor
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem analisou clara e fundamentadamente os fatos e provas, reconhecendo violação do Código de Defesa do Consumidor (art. 51), e para alcançar resultado diverso seria necessário o reexame fático-probatório, vedado pelo enunciado n. 7 do STJ; além disso, questões não prequestionadas no acórdão do tribunal a quo não podem ser conhecidas no recurso especial, nos termos do enunciado n. 211 da Súmula do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial.
Orders
- Determino a majoração dos honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados os limites percentuais dos §§ 2º e 3º e a concessão de gratuidade judiciária, se aplicáveis.
- Publique-se.
Full Case Text
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DECISÃO Na origem, trata-se de ação de rito comum ajuizada por IRMANDADE DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO CANDELÁRIA contra a COMPANHIA ESTADUAL DE ÁGUAS E ESGOTOS - CEDAE, requer diferenças supostamente indevidas da tarifa de esgoto. Na sentença, julgou-se procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 183.000,00 (Cento e oitenta e três mil reais). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. SERVIÇO DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTO SANITÁRIO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. QUESTIONAMENTO QUANTO AO FATURAMENTO DA TARIFA DE ESGOTO. PARTE DE ÁGUA QUE EVAPORA NOS SISTEMAS DE AR CONDICIONADO. DIFERENÇA APURADA ENTRE A QUANTIDADE DE ÁGUA REGISTRADA NO HIDRÔMETRO E O VOLUME DE ESGOTO. COBRANÇA ALÉM DO SERVIÇO PRESTADO E EFETIVAMENTE UTILIZADO PELO CONSUMIDOR. DESPROVIMENTO DO RECURSO. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: .. Se o consumidor é obrigado a pagar um valor maior tão somente em razão de ter ultrapassado determinado número de metros cúbicos da mesma água que sai de sua torneira, existe verdadeira violação de seu direito de consumidor, porquanto o serviço prestado é o mesmo, embora o preço pago seja diverso e sem qualquer contrapartida do fornecedor. A violação do sistema de proteção ao consumidor é patente, especialmente ao disposto no artigo 51 e seu inciso IV do Código de Defesa do Consumidor, quando reza que "são nulas de pleno direito, as cláusulas contratuais que estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade". .. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, (arts. 20 e 21 da LINDB e art. 6º da Lei n. 13.848/2019, arts. 3º e 29 da Lei n. 11.445/2007) verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação, (art. 9º da Lei n. 8.987/1995 e art. 23 da Lei n. 11.445/2007) esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA