AREsp 1828138 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a análise demandaria exame de matéria constitucional (atribuição do STF), interpretação de legislação local e de dispositivo do contrato de concessão, matérias que tornam a via especial inadequada por óbices sumulares e de competência, motivo pelo qual o agravo foi...
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- Parties
- Autor: Cristiano Ferreira dos Santos; Réu: Prolagos S/A - Concessionária de Serviços Públicos de Água e Esgoto
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 October 2021
- Procedural Posture
- Ação De Indenização Por Danos Materiais E Morais / Agravo Em Recurso Especial (admissibilidade)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Cobrança De Taxa De Ligação, Restituição Em Dobro, Danos Morais Improcedência, Instalação De Hidrômetro, Contrato De Concessão, Ofensa a Direito Local, Admissibilidade De Recurso Especial
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Parties
Cristiano Ferreira dos Santos
Autor
Prolagos S/A - Concessionária de Serviços Públicos de Água e Esgoto
Réu
Procedural Posture
Ação De Indenização Por Danos Materiais E Morais / Agravo Em Recurso Especial (admissibilidade)
Legal Issues
- 1 cobrança indevida de taxa de ligação/instalação de hidrômetro
- 2 cabimento do recurso especial diante de matéria constitucional e de direito local
- 3 possibilidade de discutir cláusula do contrato de concessão em recurso especial
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a análise demandaria exame de matéria constitucional (atribuição do STF), interpretação de legislação local e de dispositivo do contrato de concessão, matérias que tornam a via especial inadequada por óbices sumulares e de competência, motivo pelo qual o agravo foi conhecido para não conhecer do recurso especial, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do RISTJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios para R$ 1.750,00.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cristiano Ferreira dos Santos ajuizou ação de indenização por danos materiais e morais em desfavor de Prolagos S/A - Concessionária de Serviços Públicos de Água e Esgoto. Sustentou que houve cobrança ilegal, na fatura mensal, cujo valor em dobro somou R$ 591,40 (quinhentos e noventa e um reais e quarenta centavos), referente às parcelas pagas pelo autor, pugnando, ademais, pela condenação no valor de R$ 5.000,00, a título de danos morais. O Juízo de primeira instância julgou parcialmente procedentes os pedidos (fls. 121-123), para condenar a parte ré ao pagamento apenas do referido valor em dobro referente ao débito ilegalmente cobrado e pago. Assim, julgou improcedente o pedido relativo a danos morais. Interposto recurso de apelação pela Prolagos S/A - Concessionária de Serviços Públicos de Água e Esgoto, o Tribunal de Justiça do Estado de Rio de Janeiro deu-lhe provimento, nos termos assim ementados (fl. 179): APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. PROLAGOS. Cobrança de título de instalação de hidrômetro. A sentença julgou procedentes os pedidos para declarar a nulidade da cobrança impugnada e para condenar a ré a devolver ao autor, em dobro, os valores pelo mesmo adimplidos sob a rubrica de "lig. água 314", acrescidos de juros de 1% ao mês a contar da citação e de correção monetária a contar da data de cada desembolso. A instalação de hidrômetro deve ser feita sem ônus para os usuários, conforme dispõe a súmula 315 desta corte e o 4º da Lei Estadual nº 4.901106. 8. Após a instalação do hidrômetro, cabe aos usuários o custeio das instalações, nos termos do parágrafo único do art. 25 e do art. 52 do Decreto nº 553/76. Recurso desprovido. Os embargos de declaração opostos foram acolhidos parcialmente, apenas para sanar erro material (fls. 197-204). Prolagos S/A - Concessionária de Serviços Públicos de Água e Esgoto interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, apontando, além de dissídio, a ofensa aos arts. 5º, II; 21, XX; 24, § 4º; 30, I; 37, XXI; e 175, caput, todos da Constituição Federal. Sustentou, em resumo, que a cobrança da taxa de ligação da água se deu com fundamento na legislação e que o ônus financeiro a cargo do consumidor, inclusive a título de taxa de ligação deágua, não poderia ter sido transferido para a concessionária, sob pena de ofensa ao contrato de concessão, à lei e à Constituição Federal. Não foram apresentadas contrarrazões. Tendo o Tribunal de origem inadmitido o recurso especial (fls. 327-334), foi interposto o presente agravo. É o relatório. Decido. Considerando que a parte agravante impugnou a fundamentação apresentada na decisão agravada, e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade do agravo, passo ao exame do recurso especial. O recurso especial não comporta seguimento. Primeiramente, acerca da apontada ofensa aos arts. 5º, II, 21, XX, 24, § 4º, 30, I, 37, XXI, e 175, caput, todos da Constituição Federal, não cabe ao Superior Tribunal de Justiça apreciar a violação a dispositivos constitucionais, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. A propósito: AgInt no AREsp. 1.528.081/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/5/2020; REsp 1811008/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 17/6/2019; AgInt nos EDcl no AREsp 1213905/SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 22/8/2019. Ademais, o Tribunal de origem decidiu a causa, sob o seguinte fundamento: .. a previsão contida no art. 4º da Lei Estadual nº 4.901/06 que determina às concessionárias de serviços públicos arcarem com a instalação dos medidores de consumo: Art. 4º - Cabe à Concessionária arcar com os custos da instalação ou transferência dos medidores de consumo. Preveem, ainda, o parágrafo único do art. 25 e o art. 52, do Decreto nº 553/76 .. ". (fl. 182) Sustentou a parte recorrente a inexistência de cobrança indevida, considerando que, antes do início da Concessão da Recorrente na Região dos Lagos, já previa o art. 21 do Decreto Estadual n. 22.872/1996 que: "O ramal predial será assentado pela CONCESSIONÁRIA ou PERMISSIONARIA às expensas do interessado e incorporado à rede distribuidora." (fl. 271) Nesse contexto, verifica-se que o exame da controvérsia exigiria a análise de dispositivos de legislação local (Lei Estadual n. 4.901/2006 e Decretos Estaduais n. 22.872/1996 e n. 553/1976), o que é insuscetível de ser apreciado em recurso especial, conforme o Enunciado Sumular n. 280/STF ("Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário.), aplicável analogicamente. Ainda que fossem superados esses óbices, a parte recorrente apresenta alegações lastreadas em ofensa ao contrato de concessão, fundamento que, contudo, não é cabível em recurso especial, nos termos do Enunciado Sumular n. 5/STJ. Por fim, sobre o alegado não cabimento da condenação a título de danos morais, o recurso especial apresenta razões dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido, em que sequer foi apreciada a matéria, tendo sido inclusive rejeitada a pretensão autoral no particular pelo Juízo de primeira instância, sem que se aponte violação de dispositivo de lei federal.Incide, por analogia, o óbice contido no Enunciado Sumular n. 284/STF. No que se refere à divergência jurisprudencial, o não conhecimento do recurso especial pela alínea a do permissivo constitucional inviabiliza, por conseguinte, a análise do alegado dissídio (alínea c). Nesse sentido: AgInt no AREsp 1454196/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 29/4/2021; e AgInt no REsp 1890753/MA, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 6/5/2021. Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a, do RISTJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Em atenção ao disposto no art. 85, § 11, do CPC/2015 e considerando que o Tribunal de origem majorou a verba honorária para R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), majoro-a para R$ 1.750,00 (mil, setecentos e cinquenta reais), respeitados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do art. 85 do CPC/2015. Publique-se. Intimem-se.