AREsp 2190906 - DECISAO
Verificada omissão do Tribunal de origem quanto à matéria suscitada nos embargos (art. 1.022 CPC), reconheceu-se o prequestionamento ficto (art. 1.025 CPC) por se tratar de omissão de natureza jurídica; no mérito, consolidada jurisprudência desta Turma entende que, se a sentença coletiva não limita subjetivamente...
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- Parties
- Agravante/recorrente: RAIMUNDO ANASTÁCIO RIBEIRO; Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (agravo Interno) / Decisão Interlocutória De Conhecimento E Provimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido e provido para dar provimento ao Recurso Especial
- Legal Topics
- Coisa Julgada Coletiva, Legitimidade Para Execução Individual De Sentença Coletiva, Emenda À Inicial, Preclusão, Omissão Em Acórdão E Embargos De Declaração, Liquidação De Sentença, Unicidade Sindical, Prequestionamento Ficto
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Parties
RAIMUNDO ANASTÁCIO RIBEIRO
Agravante/recorrente
Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (agravo Interno) / Decisão Interlocutória De Conhecimento E Provimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 violação do art. 1.022 do CPC/2015 (omissão)
- 2 caráter do prequestionamento ficto (art. 1.025 CPC)
- 3 alcance da coisa julgada coletiva quando não há limitação subjetiva
Ratio Decidendi
Verificada omissão do Tribunal de origem quanto à matéria suscitada nos embargos (art. 1.022 CPC), reconheceu-se o prequestionamento ficto (art. 1.025 CPC) por se tratar de omissão de natureza jurídica; no mérito, consolidada jurisprudência desta Turma entende que, se a sentença coletiva não limita subjetivamente seus efeitos, a coisa julgada alcança todas as pessoas da categoria profissional abrangida, inclusive não filiados ou vinculados a outro sindicato, de modo que não se pode extinguir a execução por ausência de emenda à inicial quando a legitimidade e o trânsito em julgado da homologação da liquidação já se encontram cobertos pela coisa julgada; assim, conheceu-se do agravo e...
Court Disposition
Agravo conhecido e provido para dar provimento ao Recurso Especial
Orders
- Reconsiderar a decisão agravada e conhecer do agravo
- Dar provimento ao Recurso Especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Agravo Interno no Agravo Interno contra decisão da Ministra Assusete Magalhães que conheceu do Agravo para conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Tendo em conta os fundamentos da parte agravante, bem como a faculdade prevista no art. 259 do RISTJ, RECONSIDERO a decisão agravada e passo, a seguir, a novo exame do Agravo em Recurso Especial. Trata-se de Agravo em Recurso Especial, interposto por RAIMUNDO ANASTÁCIO RIBEIRO contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão que inadmitiu o Recurso Especial, manejado em face de acórdão assim ementado: AGRAVO INTERNO. EMENDA À INICIAL. INÉRCIA DA PARTEINTERESSADA. MANTIDA DECISÃO MONOCRÁTICA. I. A demanda foi extinta em virtude do não cumprimento da decisão que determinou a emenda à inicial, no sentido de que fosse juntada a lista indicando o nome do exequente dentre os substituídos que tiveram seus cálculos julgados pela Contadoria Judicial e homologados no processo originário nº. 6542/2005, uma vez que não foi aceita a tabela geral apresentada pelo exequente dos índices distribuídos por categorias. II. Não cumprida a diligência pela parte interessada, agiu corretamente o magistrado ao extinguir o feito sem resolução de mérito, em obediência ao art.321, parágrafo único, do CPC. Precedentes do STJ. III. Agravo Interno conhecido e não provido. O acórdão em questão foi objeto de Embargos de Declaração, os quais restaram rejeitados. Nas razões do Recurso Especial, interposto com base no art. 105, inciso III, alínea a e c, da Constituição Federal, a parte ora agravante aponta, além da divergência jurisprudencial, violação dos arts. 321, 489, § 1º, inciso IV, e 1.022, incisos I e II, todos do CPC/2015. Sustenta, em síntese: .. que qualquer servidor público estadual poderá promover liquidação ou cumprimento de sentença, bastando comprovar estar contido dentro da categoria profissional abarcada pela entidade sindical autora da demanda coletiva, independentemente de filiação ou de ter feito parte da lista de substituídos constante na ação coletiva. Contrarrazões apresentadas. Inadmitido o Recurso Especial, foi interposto o presente Agravo. Contraminuta apresentada. É o relatório. Decido. De início, resta configurada a violação do art. 1.022 do CPC/2015. No caso dos autos, a Recorrente insurgiu-se, oportunamente, contra a impossibilidade de proceder à emenda da inicial. Sendo assim, devia o Tribunal de origem ter se manifestado especificamente sobre o tema no julgamento do apelo defensivo e, ao não fazê-lo - nem suprir a referida omissão por ocasião da análise dos aclaratórios defensivos -, incorreu em ofensa ao Diploma Processual Civil, devidamente apontada no apelo nobre. Contudo, tendo em v ista que a omissão que caracterizou a suscitada violação diz respeito à tema exclusivamente de natureza jurídica, não é caso de retorno dos autos para novo julgamento dos embargos de declaração, mas está caracterizado o prequestionamento ficto, nos termos do art. 1.025 do Código de Processo Civil, razão pela qual passo ao exame da matéria, em obediência à economia processual e à primazia do julgamento de mérito. Pois bem. Com razão à Agravante. Em recente acórdão de minha relatoria, esta Turma julgadora entendeu, em caso idêntico ao retratado nos autos, que: .. caso a sentença coletiva não tenha uma delimitação expressa dos seus limites subjetivos, especificando os beneficiários do título executivo judicial, a coisa julgada advinda da ação coletiva deve alcançar todas as pessoas abrangidas pela categoria profissional, e não apenas os seus filiados, podendo, ainda, ser aproveitada por trabalhadores vinculados a outro ente sindical, desde que contidos no universo daquele mais abrangente. Vejamos a ementa do julgado: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA ESTADUAL. AÇÃO AJUIZADA PELO SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS ESTADUAIS. SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL. PLEITO DE REAJUSTE SALARIAL. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. REGRA DA UNICIDADE SINDICAL. DECLARAÇÃO DE OFÍCIO NA FASE DE EXECUÇÃO. IMPOSSIBILID ADE. RECONHECIMENTO DO DIREITO PELO ESTADO NA FASE DE LIQUIDAÇÃO. PRECLUSÃO DA MATÉRIA. OFENSA À COISA JULGADA. OMISSÃO CONFIGURADA. PREQUESTIONAMENTO FICTO. PRIMAZIA DO JULGAMENTO DE MÉRITO. AUSÊNCIA DE EXPRESSA LIMITAÇÃO SUBJETIVA DOS EFEITOS NO TÍTULO JUDICIAL. MÁXIMO BENEFÍCIO DA COISA JULGADA COLETIVA. LIQUIDAÇÃO HOMOLOGADA EM FAVOR DA EXEQUENTE PERTENCENTE A SINDICATO MAIS ESPECÍFICO. RESPEITO À SEGURANÇA JURÍDICA, PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA E IGUALDADE MATERIAL. PROSSEGUIMENTO DO FEITO EXECUTIVO. AGRAVO INTERNO PROVIDO. 1. No caso dos autos, a Recorrente insurgiu-se, oportunamente, contra a preclusão da matéria. Sendo assim, devia o Tribunal de origem ter se manifestado especificamente sobre o tema no julgamento do apelo defensivo e, ao não fazê-lo - nem suprir a referida omissão por ocasião da análise dos aclaratórios defensivos -, incorreu em ofensa ao Diploma Processual Civil, devidamente apontada no apelo nobre. 2. Contudo, tendo em vista que a omissão que caracterizou a suscitada violação diz respeito à tema exclusivamente de natureza jurídica, não é caso de retorno dos autos para novo julgamento dos embargos de declaração, mas está caracterizado o prequestionamento ficto, nos termos do art. 1.025 do Código de Processo Civil, razão pela qual passo ao exame da matéria, em obediência à economia processual e à primazia do julgamento de mérito. 3. In casu, o juízo de primeiro grau extinguiu a execução de ofício após intimar a parte exequente para se manifestar acerca da sua legitimidade ativa ad causum ante a possibilidade de haver um sindicato específico da sua categoria, por força da regra da unicidade sindical. No entanto, a hipótese possui particularidades, porquanto a Agravante possui título judicial transitado em julgado em seu favor, sem oposição do estado. 4. Tendo a exequente participado da liquidação coletiva da ação na qual foi produzido o título judicial em desfavor do executado, não cabe reconhecer a ilegitimidade ativa daquela na fase de execução da sentença, pois a questão se encontra coberta pelo manto da coisa julgada. Isso porque, naquela fase processual, não se discute apenas o quantum debeatur (o quanto devido), mas também o cui debeatur (a quem é devido), ocasião em que deveria ter sido debatida a legitimidade da parte liquidante. 5. A parte figura nos autos desde 2009 como requerente da liquidação por arbitramento sem qualquer objeção da fazenda pública, fazendo constar o seu nome na relação apresentada pela contadoria judicial, havendo, inclusive, o trânsito em julgado da decisão de homologação judicial dos valores contidos nesta listagem, sendo irrelevante o fato de estar na lista inicial ou estar filiada a outro sindicato no momento da propositura da ação. A matéria resta, portanto, preclusa. 6. Registro ainda o fato de se tratar de execução individual advinda de título proferido em ação coletiva em que não houve a limitação subjetiva da coisa julgada apenas aos integrantes do sindicato promovente. Pela simples leitura da sentença e do acórdão originários, percebe-se que o reajuste salarial foi concedido a todos os servidores públicos estaduais, e não somente a uma classe específica de profissionais. 7. Logo, é inviável restringir os efeitos da decisão apenas aos filiados à mesma entidade sindical promotora do litígio coletivo, ainda mais quando o Estado reconheceu, na fase de liquidação, o direito da recorrente sindicalizada em categoria abrangida por aquela, em homenagem aos princípios do máximo benefício da coisa julgada coletiva e da máxima efetividade do processo coletivo. 8. A jurisprudência desta Corte está sedimentada no sentido de que os sindicatos, na qualidade de substitutos processuais, têm ampla legitimidade extraordinária para atuar judicialmente na defesa dos interesses coletivos de toda a categoria que representam, estejam eles nominados ou não em listagem, seja para promover a ação de conhecimento ou mesmo a execução do julgado. 9. Portanto, caso a sentença coletiva não tenha uma delimitação expressa dos seus limites subjetivos, especificando os beneficiários do título executivo judicial, a coisa julgada advinda da ação coletiva deve alcançar todas as pessoas abrangidas pela categoria profissional, e não apenas os seus filiados, podendo, ainda, ser aproveitada por trabalhadores vinculados a outro ente sindical, desde que contidos no universo daquele mais abrangente. 10. Agravo interno provido. (AgInt no AREsp n. 2399352/MA, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 23/4/2024, DJe de 25/4/2024.) Por essa razão, a irresignação recursal merece prosperar. Ante o exposto, com fulcro no art. 253, parágrafo único, inciso II, alíneas a e b, do RISTJ, conheç o do agravo para DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial, para determinar o prosseguimento do cumprimento de sentença na instância originária . Publique-se. Intimem-se. EMENTA