AREsp 2467643 - DECISAO
Reconhecida omissão do tribunal de origem quanto ao art. 1.022 do CPC/2015 e, diante do prequestionamento ficto, concluiu-se que a agravante, por ter participado da liquidação e havendo homologação dos cálculos sem limitação subjetiva da coisa julgada, viu sua legitimidade para prosseguir na execução individual...
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- Parties
- Agravante: Ivonete Sampaio; Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Provimento Do Recurso Especial Para Determinação De Prosseguimento Da Execução
- Outcome
- Conheço do agravo e dou provimento ao Recurso Especial para determinar o prosseguimento do cumprimento de sentença na instância originária.
- Legal Topics
- Coisa Julgada Coletiva, Unicidade Sindical, Legitimidade Ativa Ad Causam, Liquidação De Sentença, Preclusão, Prescrição, Omissão Em Acórdão, Prequestionamento
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Parties
Ivonete Sampaio
Agravante
Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Provimento Do Recurso Especial Para Determinação De Prosseguimento Da Execução
Legal Issues
- 1 existência de coisa julgada decorrente da homologação dos cálculos em liquidação e seus efeitos sobre a legitimidade para executar
- 2 alcance da coisa julgada coletiva quanto a filiados de outro sindicato ou de sindicato mais específico
- 3 omissão do tribunal de origem quanto ao art. 1.022 do CPC/2015 e prequestionamento ficto
Ratio Decidendi
Reconhecida omissão do tribunal de origem quanto ao art. 1.022 do CPC/2015 e, diante do prequestionamento ficto, concluiu-se que a agravante, por ter participado da liquidação e havendo homologação dos cálculos sem limitação subjetiva da coisa julgada, viu sua legitimidade para prosseguir na execução individual coberta pela coisa julgada coletiva; portanto, conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial para determinar o prosseguimento do cumprimento de sentença na instância originária.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou provimento ao Recurso Especial para determinar o prosseguimento do cumprimento de sentença na instância originária.
Orders
- Determinar o prosseguimento do cumprimento de sentença na instância originária
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Agravo Interno contra decisão da Ministra Assusete Magalhães que conheceu do agravo em recurso especial para negar provimento ao respectivo recurso especial (fls. 665-668). Tendo em conta os fundamentos da parte agravante, bem como a faculdade prevista no art. 259 do RISTJ, RECONSIDERO a decisão agravada e passo, a seguir, a novo exame do Agravo em Recurso Especial. Trata-se de Agravo em Recurso Especial interposto por Ivonete Sampaio contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão que inadmitiu o Recurso Especial, manejado em face de acórdão assim ementado: AGRAVO INTERNO. APELAÇÃO CÍVEL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DESENTENÇA COLETIVA Nº. 6.542/2005. PROSSEGUIMENTO DO FEITOEXECUTÓRIO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. ILEGITIMIDADE ATIVAVERIFICADA. I - No tocante ao prazo prescricional, conforme entendimento consolidado pelo STJ "o ajuizamento de ação de execução coletiva pelo sindicato interrompe a contagem do prazo prescricional, que volta a fluir pela metade, a partir do último ato processual da causa interruptiva, qual seja, do trânsito em julgado da execução coletiva (v.g.: AgRg nos EREsp n. 1.175.018/RS, Rel. Ministro Felix Fischer, Corte Especial, DJe 11/9/2015)" II - A nova contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos somente teve início em 15.10.2018, com a homologação dos cálculos apurados em liquidação. Tendo a ação sido ajuizada no ano de 2021, não há que se falar em prescrição. III - No que se refere à ilegitimidade da parte a mesma resta configurada, poisa exequente é auxiliar de serviços gerais vinculada ao SINDSAUDEMA. IV - Agravo interno parcialmente provido. O acórdão em questão foi objeto de Embargos de Declaração, os quais restaram rejeitados. Nas razões do Recurso Especial, interposto com base no art. 105, inciso III, alínea a e c, da Constituição Federal, a parte ora agravante aponta, além da divergência jurisprudencial, violação dos arts. 508, 535, 485, inciso VI, § 3º, 489, § 1º, inciso IV, e 1.022, incisos I e II, todos do CPC/2015. Sustenta, em síntese, que "uma vez existindo a coisa julgada da decisão que homologou os cálculos, sendo a Recorrente participante dessa fase de liquidação, a coisa julgada passou a vinculá-la, e o título e sua liquidez passou a ser seu patrimônio jurídico", estando sujeita à preclusão. Contrarrazões apresentadas. Inadmitido o Recurso Especial, foi interposto o presente Agravo. Contraminuta apresentada. É o relatório. Decido. De início, resta configurada a violação ao art. 1.022 do CPC/2015. No caso dos autos, a Recorrente insurgiu-se, oportunamente, contra a preclusão da matéria. Sendo assim, devia o Tribunal de origem ter se manifestado especificamente sobre o tema no julgamento do apelo defensivo e, ao não fazê-lo - nem suprir a referida omissão por ocasião da análise dos aclaratórios defensivos -, incorreu em ofensa ao Diploma Processual Civil, devidamente apontada no apelo nobre. Contudo, tendo em vista que a omissão que caracterizou a suscitada violação diz respeito ao tema exclusivamente de natureza jurídica, não é caso de retorno dos autos para novo julgamento dos embargos de declaração, mas está caracterizado o prequestionamento ficto, nos termos do art. 1.025 do Código de Processo Civil, razão pela qual passo ao exame da matéria, em obediência à economia processual e à primazia do julgamento de mérito. Pois bem. Com razão à Agravante. Em recente acórdão de minha relatoria, esta Turma julgadora entendeu, em caso idêntico ao retratado nos autos, que as regras da unicidade e especificidade sindicais, descritas na legislação trabalhista, não tangenciam o instituto da coisa julgada coletiva, de modo que os filiados a outro sindicato, mas pertencentes à mesma categoria profissional, podem se beneficiar dos efeitos do título judicial, desde que não haja expressa limitação subjetiva dos substituídos. Vejamos a ementa do julgado: AGRAVO INTE RNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA ESTADUAL. AÇÃO AJUIZADA PELO SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS ESTADUAIS. SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL. PLEITO DE REAJUSTE SALARIAL. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. REGRA DA UNICIDADE SINDICAL. DECLARAÇÃO DE OFÍCIO NA FASE DE EXECUÇÃO. IMPOSSIBILID ADE. RECONHECIMENTO DO DIREITO PELO ESTADO NA FASE DE LIQUIDAÇÃO. PRECLUSÃO DA MATÉRIA. OFENSA À COISA JULGADA. OMISSÃO CONFIGURADA. PREQUESTIONAMENTO FICTO. PRIMAZIA DO JULGAMENTO DE MÉRITO. AUSÊNCIA DE EXPRESSA LIMITAÇÃO SUBJETIVA DOS EFEITOS NO TÍTULO JUDICIAL. MÁXIMO BENEFÍCIO DA COISA JULGADA COLETIVA. LIQUIDAÇÃO HOMOLOGADA EM FAVOR DA EXEQUENTE PERTENCENTE A SINDICATO MAIS ESPECÍFICO. RESPEITO À SEGURANÇA JURÍDICA, PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA E IGUALDADE MATERIAL. PROSSEGUIMENTO DO FEITO EXECUTIVO. AGRAVO INTERNO PROVIDO. 1. No caso dos autos, a Recorrente insurgiu-se, oportunamente, contra a preclusão da matéria. Sendo assim, devia o Tribunal de origem ter se manifestado especificamente sobre o tema no julgamento do apelo defensivo e, ao não fazê-lo - nem suprir a referida omissão por ocasião da análise dos aclaratórios defensivos -, incorreu em ofensa ao Diploma Processual Civil, devidamente apontada no apelo nobre. 2. Contudo, tendo em vista que a omissão que caracterizou a suscitada violação diz respeito à tema exclusivamente de natureza jurídica, não é caso de retorno dos autos para novo julgamento dos embargos de declaração, mas está caracterizado o prequestionamento ficto, nos termos do art. 1.025 do Código de Processo Civil, razão pela qual passo ao exame da matéria, em obediência à economia processual e à primazia do julgamento de mérito. 3. In casu, o juízo de primeiro grau extinguiu a execução de ofício após intimar a parte exequente para se manifestar acerca da sua legitimidade ativa ad causum ante a possibilidade de haver um sindicato específico da sua categoria, por força da regra da unicidade sindical. No entanto, a hipótese possui particularidades, porquanto a Agravante possui título judicial transitado em julgado em seu favor, sem oposição do estado. 4. Tendo a exequente participado da liquidação coletiva da ação na qual foi produzido o título judicial em desfavor do executado, não cabe reconhecer a ilegitimidade ativa daquela na fase de execução da sentença, pois a questão se encontra coberta pelo manto da coisa julgada. Isso porque, naquela fase processual, não se discute apenas o quantum debeatur (o quanto devido), mas também o cui debeatur (a quem é devido), ocasião em que deveria ter sido debatida a legitimidade da parte liquidante. 5. A parte figura nos autos desde 2009 como requerente da liquidação por arbitramento sem qualquer objeção da fazenda pública, fazendo constar o seu nome na relação apresentada pela contadoria judicial, havendo, inclusive, o trânsito em julgado da decisão de homologação judicial dos valores contidos nesta listagem, sendo irrelevante o fato de estar na lista inicial ou estar filiada a outro sindicato no momento da propositura da ação. A matéria resta, portanto, preclusa. 6. Registro ainda o fato de se tratar de execução individual advinda de título proferido em ação coletiva em que não houve a limitação subjetiva da coisa julgada apenas aos integrantes do sindicato promovente. Pela simples leitura da sentença e do acórdão originários, percebe-se que o reajuste salarial foi concedido a todos os servidores públicos estaduais, e não somente a uma classe específica de profissionais. 7. Logo, é inviável restringir os efeitos da decisão apenas aos filiados à mesma entidade sindical promotora do litígio coletivo, ainda mais quando o Estado reconheceu, na fase de liquidação, o direito da recorrente sindicalizada em categoria abrangida por aquela, em homenagem aos princípios do máximo benefício da coisa julgada coletiva e da máxima efetividade do processo coletivo. 8. A jurisprudência desta Corte está sedimentada no sentido de que os sindicatos, na qualidade de substitutos processuais, têm ampla legitimidade extraordinária para atuar judicialmente na defesa dos interesses coletivos de toda a categoria que representam, estejam eles nominados ou não em listagem, seja para promover a ação de conhecimento ou mesmo a execução do julgado. 9. Portanto, caso a sentença coletiva não tenha uma delimitação expressa dos seus limites subjetivos, especificando os beneficiários do título executivo judicial, a coisa julgada advinda da ação coletiva deve alcançar todas as pessoas abrangidas pela categoria profissional, e não apenas os seus filiados, podendo, ainda, ser aproveitada por trabalhadores vinculados a outro ente sindical, desde que contidos no universo daquele mais abrangente. 10. Agravo interno provido. (AgInt no AREsp n. 2399352/MA, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, julgado em 23/4/2024, DJe de 25/4/2024.) Por essa razão, a irresignação recursal merece prosperar. Ante o exposto, com fulcro no art. 253, parágrafo único, inciso II, alíneas a e b, do RISTJ, conheço do agravo e DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial, para determinar o prosseguimento do cumprimento de sen tença na instância originária. Publique-se. Intimem-se. EMENTA