REsp 1862800 - DECISAO
Admitido o IAC no REsp 1.860.219/SC que discute a mesma questão de direito (rediscussão da coisa julgada coletiva em ações individuais posteriores), impõe-se a suspensão/afetação das matérias idênticas e a devolução dos autos ao tribunal de origem para que, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015, seja...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente No Recurso Especial: Universidade Federal de Santa Catarina; Agravante No Agravo Interno: parte autora/agravante
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Interposto Contra Decisão Em Recurso Especial / Decisão Que Julgou Prejudicados Os Agravos Internos E O Recurso Especial E Determinou Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação, Em Razão De Incidente De Assunção De Competência (iac) Em Trâmite No STJ
- Outcome
- Torno sem efeito a decisão de fls. 1.421/1.429 e julgo prejudicados os agravos internos e o recurso especial, determinando a devolução dos autos ao Tribunal de origem para juízo de conformação conforme arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015.
- Legal Topics
- Coisa Julgada Coletiva, Tutela Provisória, Incidente De Assunção De Competência (iac), Devolução De Valores Pagos, Honorários Sucumbenciais, Competência Jurisdicional
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Universidade Federal de Santa Catarina
Recorrente No Recurso Especial
parte autora/agravante
Agravante No Agravo Interno
Procedural Posture
Agravo Interno Interposto Contra Decisão Em Recurso Especial / Decisão Que Julgou Prejudicados Os Agravos Internos E O Recurso Especial E Determinou Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação, Em Razão De Incidente De Assunção De Competência (iac) Em Trâmite No STJ
Legal Issues
- 1 possibilidade de rediscussão da coisa julgada coletiva em ações individuais ajuizadas após formação de título judicial coletivo
- 2 suspensão e afetação de processos em razão de IAC
- 3 aplicação dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015 para devolução e sobrestamento de feitos
Ratio Decidendi
Admitido o IAC no REsp 1.860.219/SC que discute a mesma questão de direito (rediscussão da coisa julgada coletiva em ações individuais posteriores), impõe-se a suspensão/afetação das matérias idênticas e a devolução dos autos ao tribunal de origem para que, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015, seja realizado o juízo de conformação ou manutenção do acórdão local, de modo que os agravos internos e o recurso especial do feito foram julgados prejudicados até o pronunciamento definitivo no referido IAC.
Court Disposition
Torno sem efeito a decisão de fls. 1.421/1.429 e julgo prejudicados os agravos internos e o recurso especial, determinando a devolução dos autos ao Tribunal de origem para juízo de conformação conforme arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015.
Orders
- Torno sem efeito a decisão de fls. 1.421/1.429.
- Julgar prejudicados os agravos internos de fls. 1.516/1.533 e 1.558/1.574, e o próprio recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que deu parcial provimento ao recurso especial manejado pela Universidade Federal de Santa Catarina, "para ressalvar a possibilidade de a Administração cobrar os valores pagos às recorridas no período em que vigorou a decisão liminar, ou seja, entre 17/7/2001 e 9/8/2002, decotando-se o valor correspondente da base de cálculo dos honorários sucumbenciais fixados nas instâncias ordinárias (que levava em conta o valor atribuído à causa, o qual até então correspondia ao integral proveito econômico buscado pelos demandantes, agora redimensionado mediante o provimento parcial deste recurso)." Opostos, sucessivamente, dois embargos declaratórios, foram ambos rejeitados. Em suas razões, a parte autora/agravante sustenta, em síntese, que o apelo especial interposto pela Universidade recorrida não poderia ser conhecido em razão da existência de obstáculos à sua admissibilidade. Aduz ainda que, se pudesse ser conhecido, o recurso deveria ser improvido, na medida em que há clara distinção entre a situação fática versada nestes autos e aquela que deu origem aos precedentes aplicados, sustentando que "não há espaço para incidência do modelo decisório aplicado. Ao contrário do que pede o modelo, no caso dos autos, nunca esteve ausente "a crença na definitividade do pagamento" que, no caso de tutelas de urgência ou mesmo decisões sujeitas a recurso, "só surge com o trânsito em julgado". Mês a mês, a Universidade e o SIAPE informaram aos docentes da UFSC, através de seus contracheques, que a parcela estava sendo paga por força de decisão judicial transitada em julgado e não de decisão precária ou de algum modo sujeita a reforma. Em verdade, está presente a hipótese fática oposta! Os professores sempre tiveram a "inequívoca compreensão do caráter legal e definitivo do pagamento", em razão do que a Universidade e o SIAPE inscreveram em seus contracheques. A Administração, reiteradamente, informou aos professores que estava pagando a URP em virtude de "decisão judicial transitada em julgado", levando-os a crer que os pagamentos eram definitivos!". É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Sobre a matéria discutida nos presentes autos, a Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, na sessão de julgamento concluída em 28/05/2024, acolheu requerimento de admissão de Incidente de Assunção de Competência (IAC) nos autos do Recurso Especial 1.860.219/SC, Relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, em que se decidirá a questão de direito controvertida assim delimitada: "possibilidade, ou não, de rediscussão da coisa julgada coletiva em ações individuais ajuizadas posteriormente à formação do título judicial coletivo, no qual se consignou a determinação expressa de devolução de valores recebidos por decisão precária posteriormente revogada pelos beneficiários da tutela provisória." Na mesma assentada de julgamento, determinou-se, ainda, a "suspensão da tramitação apenas dos processos pendentes no STJ ou nas instâncias de origem que guardem identidade para com a presente causa, com aplicação extensiva da regra do art. 1.040 do CPC aos processos em curso neste Tribunal Superior, inclusive para fins de devolução à origem para sobrestamento." Nesse contexto, impõe-se aguardar o exaurimento da jurisdição do Tribunal a quo, a qual apenas se esgotará com a fixação da tese no mencionado IAC, oportunidade em que a Corte de origem, relativamente ao recurso especial lá sobrestado, haverá de observar o iter delineado nos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015. A propósito, confira-se: PROCESSUAL CIVIL. INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA (IAC). PROPOSTA DE AFETAÇÃO (PROAF). COMPETÊNCIA DE VARA ESPECIALIZADA EM LIDES CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. CONFLITO ENTRE NORMA INFRALEGAL OU LEI ESTADUAL COM A PREVISÃO DE LEI FEDERAL. DIREITOS COLETIVOS E INDIVIDUAIS EM GERAL, DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES, IDOSOS E EM MATÉRIA DE SAÚDE. LIMINAR. SUSPENSÃO DA REDISTRIBUIÇÃO DE FEITOS COM BASE NA RESOLUÇÃO N.º 9/2019/OE/TJMT E RETORNO DOS JÁ REDISTRIBUÍDOS. SUSPENSÃO DA RESOLUÇÃO, NO PONTO. DEVOLUÇÃO AO TJMT DOS RECURSOS ESPECIAIS E ORDINÁRIOS ALUSIVOS À MATÉRIA. 1. Tema afetado em IAC: "Fixação da competência prevalecente para julgamento de matérias de direitos coletivos e individuais quando haja conflito entre norma infralegal ou lei estadual e a previsão de leis federais, no que tange a foro especializado em lides contra a Fazenda Pública." 2. Ordem liminar: i) suspensão imediata da redistribuição à 1ª Vara Especializada da Fazenda Pública da Comarca de Várzea Grande/MT dos feitos propostos ou em tramitação em comarcas diversas ou juizados especiais, cujo fundamento, expresso ou implícito, seja a Resolução 9/2019/TJMT ou normativo similar, independentemente da matéria ou sujeitos envolvidos, até julgamento definitivo deste incidente; ii) retorno aos juízos de origem dos feitos redistribuídos com fundamento nessa norma; iii) fixação provisória da competência nos respectivos juízos de origem, inclusive no que diz respeito ao julgamento de mérito; iv) afastamento da incidência da resolução no ponto; v) fixação no caso concreto, desde logo, da competência do Juízo da Primeira Vara Especializada da Infância e Juventude da Comarca de Primavera do Leste. 3. Por economia processual, devem ser devolvidos os recursos especiais e ordinários alusivos à matéria e em trâmite nesta Corte ao TJMT, para fins de incidência analógica dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/15 e cumprimento, no ínterim, da ordem liminar. 4. Afetam-se em conjunto os seguintes processos: RMS 64531, RMS 65286, RMS 64625, RMS 64525, REsp 1903920 e REsp 1896379. 5. Proposta de afetação acolhida. (ProAfR no REsp n. 1.896.379/MT, relator Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, julgado em 16/3/2021, DJe de 19/3/2021.) ANTE O EXPOSTO, torno sem efeito a decisão de fls. 1.421/1.429, em ordem a julgar prejudicados os agravos internos de fls. 1.516/1.533, 1.558/1.574, e bem assim o próprio recurso especial, determinando a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015, deverá ser realizado o juízo de conformação ou manutenção do acórdão local, frente ao que vier a ser decidido por este Superior Tribunal de Justiça no referido IAC no REsp 1.860.219/SC. Publique-se. EMENTA