AREsp 2663569 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem corretamente concluiu que havia identidade entre o pedido já decidido nos embargos à execução e o veiculado na ação ordinária, configurando coisa julgada material e eficácia preclusiva (art.485,V e art.508 do CPC). Além disso, a matéria de mérito exigiria...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 October 2024
- Procedural Posture
- Ação Anulatória E De Repetição De Indébito / Recurso Especial: Não Conhecido (decisão De Conhecimento Parcial Do Agravo)
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Coisa Julgada Material, Efeito Preclusivo, Reexame Fático Probatório (súmula 7/stj), Prequestionamento, Divergência Jurisprudencial, Honorários Advocatícios
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Procedural Posture
Ação Anulatória E De Repetição De Indébito / Recurso Especial: Não Conhecido (decisão De Conhecimento Parcial Do Agravo)
Legal Issues
- 1 Identidade de pedido e causa de pedir entre embargos à execução e ação ordinária
- 2 Incidência do art. 485, V do CPC (extinção sem resolução do mérito por coisa julgada)
- 3 Eficácia preclusiva da coisa julgada e aplicação do art. 508 do CPC
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem corretamente concluiu que havia identidade entre o pedido já decidido nos embargos à execução e o veiculado na ação ordinária, configurando coisa julgada material e eficácia preclusiva (art.485,V e art.508 do CPC). Além disso, a matéria de mérito exigiria reexame de prova, vedado pela Súmula 7 do STJ, e o recurso não demonstrou prequestionamento nem divergência jurisprudencial nos termos exigidos, inviabilizando o conhecimento; decidiu-se ainda pela majoração de honorários em 1% nos termos do art.85, §11 do CPC/2015.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação anulatória e de repetição de indébito. Na sentença, julgou-se extinto o feito, sem resolução de mérito, com base no art. 485, V do CPC (coisa julgada). No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 37.206,72 (trinta e sete mil, duzentos e seis reais e setenta e dois centavos). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EFEITOS DA COISA JULGADA. AÇÃO DE EMBARGOS Ã EXECUÇÃO FISCAL TRANSITADA EM JULGADO. NOVA PRETENSÃO ATRAVÉS DE AÇÃO ORDINÁRIA. QUESTÕES JÁ DEBATIDAS OU QUE PODERIAM TER SIDO SUSCITADAS NA PRIMEIRA AÇÃO. MESMA CAUSA DE PEDIR, MAS SOB OUTRA ALEGAÇÃO. EFICÁCL PRECLUSIVA DA COISA JULGADA. INCIDÊNCIA DO ART. 508 DO CPC. APELAÇÃO NÃO PROVIDA. 1. Muito embora se tratem de ações com procedimentos distintos, e o pedido na ação ordinária seja mais amplo, o fato é que a pretensão é idêntica, impondo a extinção do feito, sem cogitação do mérito, por força do artigo 485, inciso V do NCPC. 2. Assim, transitada em julgado a sentença de mérito, faz-se coisa julgada material, operando-se o fenômeno da eficácia preclusiva, conforme previsão do artigo 508 do CPC. 3. Por outro lado, o recurso apresentado pela apelante nada trouxe de novo que pudesse infirmar o quanto decidido, motivo pelo qual de rigor a manutenção da sentença, por seus próprios fundamentos. 4. Apelação não provida. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: depreende-se da leitura dos autos, que o pedido formulado nos embargos à execução guarda identidade com o veiculado na presente ação ordinária, inclusive tratando-se aqui de coisa julgada, matéria de ordem pública. Por outro lado, o recurso apresentado pela apelante nada trouxe de novo que pudesse infirmar o quanto decidido, motivo pelo qual de rigor a manutenção da sentença, por seus próprios fundamentos. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (artigos 502, 504, 525, III, §§ 12 e 14, do CPC; 24 parágrafo único, da Lei n. 3.820/60), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA