AREsp 1836855 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque o recurso especial buscava discutir interpretação de norma constitucional (matéria própria para recurso extraordinário ao STF) e não foi comprovado dissídio jurisprudencial apto, tendo em vista que os acórdãos apontados como paradigmas (mandado de...
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- Parties
- Agravante/recorrente: DISTRIBUI LOGISTICA LTDA; Agravado/recorrido: Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interposto Contra Decisão De Não Admissão De Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Compensação De Créditos Com Precatórios, Dissídio Jurisprudencial, Inadmissibilidade De Recurso Especial Por Matéria Constitucional
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Parties
DISTRIBUI LOGISTICA LTDA
Agravante/recorrente
Estado de São Paulo
Agravado/recorrido
Procedural Posture
Agravo Interposto Contra Decisão De Não Admissão De Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 possibilidade de compensação de débitos de ICMS com créditos decorrentes de precatórios de natureza alimentar na ausência de lei estadual regulamentadora
- 2 admissibilidade de recurso especial para discutir interpretação de norma constitucional
- 3 aptidão de acórdãos proferidos em mandado de segurança e agravo regimental em medida cautelar para demonstrar dissídio jurisprudencial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque o recurso especial buscava discutir interpretação de norma constitucional (matéria própria para recurso extraordinário ao STF) e não foi comprovado dissídio jurisprudencial apto, tendo em vista que os acórdãos apontados como paradigmas (mandado de segurança e agravo regimental em medida cautelar) não se prestam para demonstrar divergência jurisprudencial válida para fins de admissão do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por DISTRIBUI LOGISTICA LTDA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "c", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: APELAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE ICMS COM CRÉDITOS ORIUNDOS DE PRECATÓRIOS DE NATUREZA ALIMENTAR. INEXISTÊNCIA DE LEI AUTORIZADORA. RECURSO IMPROVIDO. Quanto à controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, aponta dissídio jurisprudencial no que concerne à possibilidade de compensação de débitos tributários com créditos decorrentes de precatórios judiciais quando ausente legislação local que regulamente a compensação, com amparo no art. 78, § 2º, do ADCT, trazendo os seguintes argumentos: Versa o presente Recurso Especial sobre litígio instaurado pela Recorrente em face do Estado de São Paulo, visando o reconhecimento e a declaração do direito líquido e certo à compensação de ICMS dos meses de competência tributária de Janeiro à Junho de 2019 (da MATRIZ - Campinas) e, de Janeiro e Março de 2019 (da FILIAL - São Paulo), com os Precatórios: EP nº 7551/06 (EX 1874/07, OC 048/08), EP nº 0498/06 (EX 3076/06, OC 068/07), EP nº 7551/06 (EX 1874/07, OC 048/08), EP nº 4234/12 (EX 4234/12, OC 1398/13), EP nº 3563422/2017 (EX 1184/18, OC 1982/18), EP nº 4234/12 (EX 5917/12, OC 1398/13), no montante de R$ 309.848,00 (trezentos e nove mil, oitocentos e quarenta e oito reais), conforme ordena a recém-promulgada EC n 2 . 99/17 c/c 94/16, o Art. 78, §2º, do ADCT e inúmeros princípios constitucionais vigentes. (fls. 387). Ao julgarem a matéria, os D. Desembargadores da 07ª Câmara de Direito Público do E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo entenderam pela impossibilidade do reconhecimento e a declaração do direito líquido e certo à compensação de ICMS, negando provimento à Apelação da Recorrente, resumidamente, pela ausência de lei estadual regulamentadora. (fls. 387). Todavia, conforme se demonstrará a seguir, o acordão recorrido não merece prosperar já que é diametralmente oposto ao que restou decidido pelo C. Superior Tribunal de Justiça no Recurso em Mandado de Segrança nº 26.500 - GO (2008/0051873-8) e nos autos do AgRg na Medida Cautelar nº 13.915 - GO (2008/0048805-0). (fls. 388). 10. Com efeito, o V. Acórdão recorrido precisa ser reformado, haja vista a interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro Tribunal, notadamente, o próprio Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso em Mandado de Segurança nº 26.500 - GO (2008/0051873-8) (Doc. 01), bem como, na decisão proferida nos autos do AgRg na Medida Cautelar nº 13.915 - GO (2008/0048805-0) (Doc. 02), oportunidade em que o STJ firmou posicionamento no sentido de que a ausência de legislação específica não impossibilita a compensação de débitos tributários com créditos decorrentes de precatórios judiciais não pode servir de obstáculo a compensação pleiteada. (fls. 392). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, na espécie, é incabível o recurso especial quando visa discutir interpretação divergente de norma constitucional porque, consoante o disposto no art. 102, inciso III, da Constituição Federal, é matéria própria do apelo extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido: "Em recurso especial não cabe invocar dissídio jurisprudencial sobre interpretação de norma constitucional (arts. 236 e 37, § 6º, da CF), pois a alínea c do permissivo constitucional atribuí ao Superior Tribunal de Justiça competência para julgar o apelo extremo somente na hipótese em que o acórdão recorrido der à lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal". (AgRg no REsp 1.345.524/MG, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 8/6/2016.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: REsp 1.824.889/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 11/10/2019; AgRg no Ag 1.045.375/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe de 15/9/2008; e REsp 75.413/SP, relator Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, DJ de 8/3/1999. Ademais, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, pois acórdãos proferidos em recurso ordinário em mandado de segurança e em julgamento de agravo regimental em medida cautelar não se prestam como paradigmas, para comprovação de dissídio jurisprudencial. Nesse sentido: "é firme a jurisprudência desta Corte no sentido de que os acórdãos proferidos em sede de habeas corpus, mandado de segurança, recurso ordinário, conflito de competência e ação rescisória não se prestam a comprovar dissídio jurisprudencial". (AgRg no AREsp 1.687.507/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 10/8/2020.). Na mesma linha: "acórdão proferido no julgamento de agravo regimental em medida cautelar não se presta como paradigma, para comprovação de dissídio jurisprudencial". (REsp 830.113/SP , relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, DJ 22/10/2007). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020; REsp 1.717.263/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 14/11/2018; AgRg no AREsp 1.710.214/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 24/8/2020; e EDcl no REsp 1.254.636/ES, relator Ministro João Otávio de Noronha, Terceira Turma, DJe de 23/4/2015. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.