REsp 2251597 - DECISAO
Concluiu-se que o prazo de cinco anos conta-se em relação à apresentação da primeira declaração de compensação do crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado; se a primeira declaração for apresentada dentro desse prazo, declarações subsequentes podem ser apresentadas posteriormente até o...
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- Parties
- Recorrente: União (Fazenda Nacional); Impetrante: contribuinte
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 April 2026
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Prejudicada; Devolução Ao Tribunal De Origem
- Outcome
- Análise prejudicada; devolução dos autos ao Tribunal de origem para sobrestamento até a publicação do acórdão do recurso representativo da controvérsia (Tema 1.428/STJ).
- Legal Topics
- Compensação De Créditos Tributários, Prescrição, Habilitação De Crédito, Instrução Normativa, Recursos Repetitivos (afetação)
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Parties
União (Fazenda Nacional)
Recorrente
contribuinte
Impetrante
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Prejudicada; Devolução Ao Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 Qual é o termo final do prazo de cinco anos para apresentação da primeira e de declarações subsequentes de compensação de crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado?
- 2 Se o prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN e nas normas infralegais aplica-se ao início do procedimento compensatório ou à sua integral conclusão.
- 3 Quais os efeitos do pedido administrativo de habilitação de crédito na contagem do prazo prescricional?
Ratio Decidendi
Concluiu-se que o prazo de cinco anos conta-se em relação à apresentação da primeira declaração de compensação do crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado; se a primeira declaração for apresentada dentro desse prazo, declarações subsequentes podem ser apresentadas posteriormente até o esgotamento do crédito. No caso concreto, embora o Tribunal Regional Federal tenha decidido pelo entendimento favorável ao contribuinte, o Superior Tribunal de Justiça declarou prejudicada a análise do recurso no mérito em razão da afetação do tema ao rito dos recursos repetitivos (Tema 1.428/STJ) e determinou a devolução dos autos ao tribunal de origem para sobrestamento e juízo de...
Court Disposition
Análise prejudicada; devolução dos autos ao Tribunal de origem para sobrestamento até a publicação do acórdão do recurso representativo da controvérsia (Tema 1.428/STJ).
Orders
- Devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, com baixa, para que permaneçam suspensos até a publicação do acórdão a ser proferido nos autos do recurso representativo da controvérsia (Tema 1.428/STJ).
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado pela União (Fazenda Nacional), com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (fls. 878/880): DIREITO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ART. 106 DA IN RFB 2.055/2021 E ART. 74-A, § 2º, DA LEI 9.430/1996. APRESENTAÇÃO DA PRIMEIRA DCOMP DENTRO DO PRAZO DE CINCO ANOS PARA PLEITEAR A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE APRESENTAR NOVAS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO ATÉ O ESGOTAMENTO DO CRÉDITO. RECURSO DA UNIÃO IMPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Remessa oficial e apelação interposta pela União contra sentença que concedeu parcialmente a segurança para o seguinte fim: determinar que a autoridade impetrada analise o requerimento para habilitação do crédito referente a decisão judicial, independentemente do decurso de prazo superior a cinco anos desde o trânsito em julgado. 2. O contribuinte informa ter obtido decisão judicial, nos autos da ação 95.0053285-9, que lhe reconheceu o direito a compensações de débitos do INSS. Aduz que a decisão em apreço transitou em julgado em 09/12/2003 e que iniciou suas compensações em junho de 2005, informando-as por meio do SEFIP. 3. Salienta que, no ano de 2019, em razão da impossibilidade de continuar a informar as compensações via SEFIP (superveniente necessidade de utilização do eSocial e entrega da DCTFWeb), foi orientado pela Receita Federal a fazer um pedido de Habilitação de Crédito Decorrente de Decisão Judicial Transitada em Julgado, entretanto seu pleito foi indeferido por se considerar descumprido o inciso IV do art. 101 da IN RFB 1.717/2017 (o pedido teria sido formalizado após o prazo de cinco anos, contado da data do trânsito em julgado da decisão). II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. Discute-se qual o termo final do prazo de cinco anos para apresentação de declarações de compensação, relativas a créditos reconhecidos em decisões judiciais transitadas em julgado, nas hipóteses em que a apresentação da primeira declaração de compensação não esgota o direito creditório. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. A matéria é disciplinada pelo art. 106 da Instrução Normativa RFB 2.055/2021, que estabelece um prazo de cinco anos, contado da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial, para que a respectiva declaração de compensação seja apresentada. O prazo em apreço, consoante detalhado no parágrafo único do art. 106 da IN RFB 2.055/2021, fica suspenso no período compreendido entre a data da protocolização do pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a data da ciência do seu deferimento. 6. À época da IN RFB 1.717/2017, havia idêntica previsão em seu art. 103. 7. Na hipótese vertente, não há dúvidas de que, entre o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o crédito (09/12/2003) e a apresentação da primeira declaração de compensação (ano de 2005), não houve o transcurso de prazo superior a cinco anos. A controvérsia está centrada na possibilidade de se apresentar novas declarações de compensação para o mesmo crédito judicial após o escoamento do prazo previsto no art. 106 da IN SRF 2.055/2021. 8. A leitura do caput do art. 106 da IN SRF permite inferir que ele se refere, em específico, a hipóteses em que apenas uma declaração de compensação é apresentada, não sendo suficiente para pacificar o entendimento a ser seguido nas situações em que o contribuinte necessita apresentar declarações subsequentes até que reste esgotado o seu direito creditório. 9. A questão comporta solução pela exegese de dispositivo legal acrescentado à Lei 9.430/1996 pela Medida Provisória 1.202/2023, convertida na Lei 14.873/2024. Trata-se do art. 74-A, § 2º, o qual estabelece que, com relação à compensação de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, a primeira declaração de compensação deverá ser apresentada no prazo de até 5 (cinco) anos, contado da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial. 10. É possível concluir, da leitura do dispositivo legal em apreço, que o prazo prescricional deverá ser observado apenas com relação à primeira declaração de compensação, máxime ao se considerar que inexiste previsão legal de que as declarações subsequentes não possam ser apresentadas após esse prazo. 11. Esse entendimento já vinha sendo manifestado pelo Superior Tribunal de Justiça antes mesmo do advento do art. 74-A, § 2º, da Lei 9.430/1996, sendo, por conseguinte plenamente aplicável ao caso concreto, independentemente do montante que remanesce para ser compensado. 12. Conforme já decidiu a Segunda Turma do STJ, dispõe a contribuinte de cinco anos para iniciar a compensação, contados do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito ao crédito, de modo que o prazo do art. 168, caput, do CTN é para pleitear a compensação, e não para realizá-la integralmente (AgRg no REsp n. 1.469.926/PR, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/4/2015, DJe de 13/4/2015). 13. Apresentada a primeira declaração de compensação dentro do lustro prescricional explicitado acima, podem as eventuais declarações subsequentes serem apresentadas posteriormente, até que ocorra o exaurimento do crédito reconhecido na respectiva decisão judicial transitada em julgado. IV. DISPOSITIVO 14. Remessa oficial e apelação da União improvidas. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 915/923). A parte recorrente aponta violação aos arts. 489, § 1º, IV e V, e 1.022, II e parágrafo único, I e II, do CPC; arts. 168, caput e II, e 170 do CTN; art. 1º do Decreto n. 20.910/1932; e arts. 74, §§ 1º e 14, da Lei n. 9.430/1996. Sustenta a ocorrência de negativa de prestação jurisdicional e defende a impossibilidade de o contribuinte apresentar novas declarações de compensação após o transcurso do prazo prescricional de 5 anos do trânsito em julgado, não havendo que se falar em imprescritibilidade do direito à compensação administrativa. Contrarrazões às fls. 997/1.006. O Ministério Público Federal apresentou parecer às fls. 1.052/1.058. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Cinge-se a presente controvérsia a definir se o prazo prescricional de cinco anos para o exercício do direito de compensação de créditos tributários reconhecidos judicialmente, previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional, aplica-se ao início do procedimento compensatório ou à sua integral conclusão, bem como aferir os efeitos do pedido administrativo de habilitação de crédito na contagem desse prazo. Ocorre que a matéria foi afetada à Primeira Seção do STJ pelo rito do artigo 1.036 do CPC (Tema 1.428/STJ, REsp n. 2.227.090/CE, REsp n. 2.227.299/SE, REsp n. 2.204.190/AL e REsp n. 2.217.950/PE, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, DJeN 17/04/2026), mostrando-se conveniente, em observância ao princípio da economia processual e à própria finalidade do CPC, determinar o retorno dos autos à origem, onde ficarão sobrestados até a publicação do acórdão a ser proferido nos autos do recurso representativo da controvérsia. Confira-se, a propósito, esclarecedor precedente desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TEMA 1.190/STJ AFETADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM. 1. A presente controvérsia envolve a discussão de tema afetado ao rito dos Recursos Especiais Repetitivos: "Possibilidade de fixação de honorários advocatícios sucumbenciais em cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública, independentemente de existência de impugnação à pretensão executória, quando o crédito estiver sujeito ao regime da Requisição de Pequeno Valor - RPV" (ProAfR no REsp 2.031.118/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 27.4.2023). 2. Em tal circunstância, deve ser prestigiado o escopo perseguido na legislação processual, isto é, a criação de mecanismo que oportunize às instâncias de origem o juízo de retratação na forma dos arts. 1.040 e seguintes do CPC/2015, conforme o caso. 3. "Mostra-se conveniente, em observância ao princípio da economia processual e à própria finalidade do CPC/2015, determinar o retorno dos autos à origem, onde ficarão sobrestados até a publicação do acórdão a ser proferido nos autos dos recursos representativos da controvérsia. ( ) Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para tornar sem efeito as decisões anteriores, com a restituição dos autos ao Tribunal de origem, para que lá se observe o iter delineado nos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015." (EDcl nos EDcl no AgInt no AREsp 1.666.390/RS, Rel. Min. Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 8.4.2021) 4. Embargos de Declaração acolhidos para tornar sem efeito as decisões anteriores e determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa, para que lá se observem as regras dos arts. 1.040 e seguintes do Código Processual Civil de 2015 após a publicação do acórdão do respectivo recurso excepcional representativo da controvérsia. (EDcl no AgInt no REsp n. 2.055.294/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/9/2023.) Ressalte-se que, nos termos do art. 256-L, I, do RISTJ: "Publicada a decisão de afetação, os demais recursos especiais em tramitação no STJ fundados em idêntica questão de direito: I - se já distribuídos, serão devolvidos ao Tribunal de origem, para nele permanecerem suspensos, por meio de decisão fundamentada do relator". Observa-se, ainda, que, de acordo com o artigo 1.041, § 2º, do referido diploma legal, "quando ocorrer a hipótese do inciso II do caput do art. 1.040 e o recurso versar sobre outras questões, caberá ao presidente ou ao vice-presidente do Tribunal recorrido, depois do reexame pelo órgão de origem e independentemente de ratificação do recurso, sendo positivo o juízo de admissibilidade, determinar a remessa do recurso ao tribunal superior para julgamento das demais questões", cuja diretriz metodológica, por certo, deve alcançar também aqueles feitos que já tenham ascendido a este STJ. ANTE O EXPOSTO, julgo prejudicada a análise do recurso e determino a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1. 041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação ou a manutenção do acórdão local frente ao que vier a ser decidido por este Superior Tribunal de Justiça sobre o tema recursal, na sistemática dos recursos repetitivos (Tema 1.428/STJ). Publique-se. EMENTA