AREsp 1949962 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentadamente concluiu que, estando a execução individual direcionada apenas contra o Banco do Brasil, incide a competência da Justiça Estadual (conforme art. 109, I, CF e súmulas do STF), o chamamento ao processo não é...
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- Parties
- Agravante: BANCO DO BRASIL S.A.; Autor (na Ação Civil Pública Nº 94.008514 1): Ministério Público Federal; Parte (na Ação Civil Pública Nº 94.008514 1): União Federal; Parte (na Ação Civil Pública Nº 94.008514 1): Banco Central do Brasil
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Conhecido E Negado Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido e negado provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Competência (justiça Estadual X Justiça Federal), Cumprimento Individual De Sentença Coletiva, Chamamento Ao Processo Na Fase De Execução, Solidariedade Entre Devedores, Cessão/transferência De Crédito, Prequestionamento
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Parties
BANCO DO BRASIL S.A.
Agravante
Ministério Público Federal
Autor (na Ação Civil Pública Nº 94.008514 1)
União Federal
Parte (na Ação Civil Pública Nº 94.008514 1)
Banco Central do Brasil
Parte (na Ação Civil Pública Nº 94.008514 1)
Procedural Posture
Agravo / Conhecido E Negado Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Competência prevista no art. 109, I, da Constituição Federal
- 2 Prequestionamento e aplicação da Súmula 211/STJ
- 3 Aplicabilidade da Medida Provisória nº 2.196-3/2001 (art. 2º, IV) não apreciada
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentadamente concluiu que, estando a execução individual direcionada apenas contra o Banco do Brasil, incide a competência da Justiça Estadual (conforme art. 109, I, CF e súmulas do STF), o chamamento ao processo não é cabível na fase de cumprimento de sentença e a matéria relativa à cessão do crédito à União não foi prequestionada para exame em recurso especial.
Court Disposition
Agravo conhecido e negado provimento ao recurso especial
Orders
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial
- Deixo de majorar os honorários recursais nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto por BANCO DO BRASIL S.A. contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, impugna acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul assim ementado: "ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. CONSTITUCIONAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA Nº 94.008514-1. CÉDULA RURAL PIGNORATÍCIA. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA. LEGITIMIDADE PASSIVA BANCO DO BRASIL. MP 2.196-3/2001. SOLIDARIEDADE ENTRE OS DEVEDORES. LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO. DESNECESSIDADE. CHAMAMENTO AO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE NA FASE EXECUTIVA. EXECUÇÃO DIRECIONADA APENAS CONTRA O BANCO DO BRASIL. COMPETÊNCIA. ART. 109, I. CF/88. SÚMULAS 508 E 556 DO STF. PRECEDENTES DO STJ. 1. Na Ação Civil Pública nº 94.008514-1, ajuizada pelo Ministério Público Federal perante a Justiça Federal do Distrito Federal, foi reconhecida que, para os financiamentos rurais pignoratícios tomados com recursos da poupança, deveriam ser reajustados, para o mês de março de 1990, pelo BTNF (correspondente ao percentual de 41,28%), e não pelo IPC (de 84,32%). 2. Embora tenha sido reconhecida, na ação civil pública originária, a solidariedade entre o Banco do Brasil, União e Banco Central, não há necessidade de formação de litisconsórcio passivo necessário para buscar a cobrança dos valores devidos com fundamento no título judicial (art. 275 do CC e precedentes desta Corte). 3. Logo, mesmo sendo o caso de solidariedade entre os devedores, porém estando o credor autorizado contra quem deseja direcionar a execução, pois afastada a exigência de formação do litisconsórcio passivo necessário, e tendo optando por ajuizar apenas em face do Banco do Brasil, sociedade de economia mista, não há fundamento, à luz do disposto no art. 109, I, da CF/88, que justifique a atração da demanda para a Justiça Federal. Por outro lado, ainda que se busque apoio no art. 516, inc. II, do CPC/2015, tal dispositivo legal não pode constituir fundamento para superar o comando de natureza constitucional, este aplicável somente aos casos expressamente nele previstos, ou seja, quando houver o interesse dos entes lá elencados. 4. A jurisprudência do STJ é assente no sentido da impossibilidade de chamamento ao processo na fase de execução (cumprimento) de sentença, e, ainda que fosse possível, não poderia ser admitido em face da inexistência de identidade de ritos. Ou seja, enquanto a União e o BACEN estão submetidos ao regime de precatório, o Banco do Brasil segue o regime de execução comum. 5. Na mesma direção do comando constitucional, o STF editou a Súmula nº 508 (Compete à Justiça Estadual, em ambas as instâncias, processar e julgar as causas em que for parte o Banco do Brasil S.A.), cuja leitura, em conjunto com a Súmula 556 do mesmo Tribunal (É competente a Justiça Comum para julgar as causas em que é parte sociedade de economia mista), confirma a necessária revisão de entendimento acerca da competência sobre a questão. 6. Embora este Tribunal venha admitindo o processamento na Justiça Federal do cumprimento individual da sentença proferida na Ação Civil Pública nº 94.008514-1, necessário revisar o entendimento para adequar-se à posição do STJ no sentido de atribuir a competência para o julgamento dos feitos em que o exequente optou por ajuizar apenas em face do Banco do Brasil à Justiça Estadual (AREsp 1642795/RS, REsp 1812319/RS, AREsp 1608199/RS, AREsp 1531963/RS, AREsp 1361998/SP, AREsp1608188/RS, AREsp 1518676/D, REsp 1812394/RS, REsp 1822728/RS e AREsp 1532021/RS)" (e-STJ fls. 109/110). Os embargos de declaração opostos pelo agravante foram rejeitados (e-STJ fls. 162/169). No especial (e-STJ fls. 176/227), além de divergência jurisprudencial, o recorrente alega violação dos artigos 2º, IV, da Medida Provisória nº 2.196-3/2001; 109, I, da Constituição Federal; 10, 43,130, III, 131, 516, II, 1.022 e 1.025 do Código de Processo Civil de 2015 e93 e 98,§ 2º, I, do Código de Defesa do Consumidor. Afirma que o Tribunal de origem incorreu em negativa de prestação jurisdicional ao deixar de se manifestar a respeito da alegação de que, por força de lei, a operação objeto da ação foi cedida para a União. Aduz que a ausência de intimação a respeito da decisão que declinou a competência para a justiça estadual importa em decisão surpresa. Afirma que, por se tratar de litisconsórciounitário, o credor não possuiliberalidade parapropor a ação contra qualquer um dos devedores. Sustenta que o título que embasa o cumprimento é oriundo de demanda coletiva ajuizada perante a justiça federal, sendo, portanto, incompetente a justiça estadual. Defende que o juízo da liquidação ou da ação condenatóriaé o competente para a execução individual de sentença coletiva. Aponta acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais como precedente paradigma da controvérsia. Assinala que o Banco Central do Brasil e a União Federal devem ser chamados ao processo. Ao final, requer o provimento do recurso. O recurso foi inadmitido na origem, sobrevindo daí o presente agravo. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame direto do recurso especial. O acórdão impugnado pelo presente recurso especial foi publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). A irresignação não merece prosperar. De início, no tocante ao artigo 109, I, da Constituição Federal, é cediço que não compete ao Superior Tribunal de Justiça o exame de dispositivos constitucionais em recurso especial, sob pena de invasão da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal. Quanto aoartigo2º, IV, da Medida Provisória nº 2.196-3/2001, observa-se que referidodispositivolegalnão foiobjeto de debate nas instâncias ordinárias. Assim, ausente o requisito do prequestionamento, embora opostos embargos de declaração, incide o disposto na Súmula nº 211/STJ, segundo a qual é: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo". Registra-se que a instância ordinária não enfrentou aludida matéria por entender que cabe ao juiz competente decidir sobre ela, conforme demonstra a leitura dos seguintes trechos do voto condutor do acórdão: "(..) Além disso, eventual alegação de ter sido o crédito transferido para a União, até porque sequer aventado na inicial e não dispondo de elementos para aferição, deve ser suscitada e apreciada pela Justiça que se mostra, no momento, competente para apreciar a questão. Alterações das circunstâncias fática e jurídicas ocorridas no processamento podem até mesmo resultar no redirecionamento da execução para a Justiça Federal. Porém, somente mediante decisão do juízo competente enquanto apenas o Banco do Brasil figurar como parte executada por opção do Exequente quando do ajuizamento da ação" (e-STJ fls. 129/130). Como se vê, o Tribunal de origem indicou adequadamente os motivos que lhe formaram o convencimento, analisando de forma clara, precisa e completa as questões relevantes do processo e solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Não há falar, portanto, em existência de omissão apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. No mais,a instância ordinária dirimiu a controvérsia nos seguintes termos: "(..) Não se desconhece ter havido a condenação solidária do Banco do Brasil, União e BACEN na ACP 94.008514-1. A própria decisão hostilizada trata da questão como forma de rememorar o posicionamento prevalente no Tribunal. Por outro lado, embora reconhecida a solidariedade da dívida, constou claramente caber ao Exequente escolher contra quem pretende cobrar a diferença resultante da aplicação do índice definido no título judicial da ação coletiva. Não há, com efeito, necessidade de formação de litisconsórcio passivo necessário, conforme precedentes das Turmas da 2ª Seção. Diante disso, tendo sido direcionada a execução apenas e tãosomente contra o Banco do Brasil, reitera-se a compreensão de que a competência para seu processamento recai sobre a Justiça Estadual. (..) Não é cabível o chamamento ao processo no caso, porque o chamamento ao processo é instituto típico da fase de cognição, que visa à formação de litisconsórcio passivo facultativo por vontade do réu, a fim de facilitar a futura cobrança do que for pago ao credor em face dos codevedores solidários ou do devedor principal, por meio da utilização de sentença de procedência como título executivo (art. 132, do CPC/2015). Não cabe sua aplicação, assim, em fase de cumprimento de sentença, que se faz no interesse do credor, a quem, como dito, é dada a faculdade de exigir, de um ou mais codevedores, parcial ou totalmente, a dívida comum (art. 275, do CC)" (e-STJ fls. 129/130). Não há reparo a fazer a tal entendimento, porquanto está em sintonia com a orientação desta Corte. A propósito: "DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. IMPUGNAÇÃO À FASE DE CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. CÉDULA RURAL. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Esta Corte tem decidido reiteradamente não se justificar o deslocamento da competência do feito e remessa dos autos à Justiça Federal, quando nenhum dos entes indicados no inciso I do art. 109 da Constituição Federal integram a lide, sendo, pois, competente a Justiça Estadual para o julgamento da demanda, quando figura como parte apenas o Banco do Brasil com instituição financeira que celebrou a avença com a parte. 2. Reconhecida a solidariedade entre União, Banco Central e o banco agravante, é possível o direcionamento do cumprimento provisório a qualquer um dos devedores solidários. É possível que a parte persiga seu crédito contra a instituição financeira com quem celebrou a avença, desde que não haja qualquer prova nos autos sobre a noticiada transferência do crédito à União. 3. Agravo interno não provido" (AgInt no AREsp 1.309.643/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 29/04/2019, DJe 02/05/2019). "AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. CHAMAMENTO DE DEVEDOR SOLIDÁRIO AO PROCESSO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. APLICAÇÃO DA SÚMULA 83/STJ. 1. O recurso especial é inviável quando o tribunal de origem decide em consonância com a jurisprudência do STJ (Súmula 83/STJ). 2. Agravo interno a que se nega provimento" (AgInt nos EDcl no AREsp 1.769.719/RS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 21/06/2021, DJe 24/06/2021). Incide ao portanto, a Súmula nº 568/STJ. Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Deixo de majorar os honorários recursais nos termos do artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, considerando que o acórdão recorrido é proveniente de julgamento de agravo de instrumento sem o arbitramento de honorários advocatícios. Publique-se. Intimem-se.