CC 181360 - DECISAO
Conquanto exista orientação do STF e do STJ sobre responsabilidade solidária entre entes federativos no fornecimento de medicamentos, tendo o juízo federal excluído a União do polo passivo por reconhecer sua ilegitimidade, impõe-se aplicar as Súmulas 150 e 254 do STJ, de modo que não cabe reexame dessa decisão pelo...
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- Parties
- Autor: Aparecida Cândido Franco; Réu: Estado de Minas Gerais; Réu: União
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 September 2021
- Procedural Posture
- Conflito De Competência / Conflito Decidido
- Outcome
- Conheço do conflito e declaro competente o Juízo de Direito de Poço Fundo/MG.
- Legal Topics
- Competência Da Justiça Federal Vs Justiça Estadual, Fornecimento De Medicamentos Pelo SUS, Litisconsórcio Facultativo, Registro ANVISA, Súmulas Do STJ
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Parties
Aparecida Cândido Franco
Autor
Estado de Minas Gerais
Réu
União
Réu
Procedural Posture
Conflito De Competência / Conflito Decidido
Legal Issues
- 1 Se a União deve ser incluída obrigatoriamente no polo passivo em ações de fornecimento de medicamento não incorporado ao RENAME
- 2 Qual juízo (estadual ou federal) é competente quando o juízo federal excluiu a União do polo passivo
- 3 Aplicabilidade das Súmulas 150, 224 e 254 do STJ
Ratio Decidendi
Conquanto exista orientação do STF e do STJ sobre responsabilidade solidária entre entes federativos no fornecimento de medicamentos, tendo o juízo federal excluído a União do polo passivo por reconhecer sua ilegitimidade, impõe-se aplicar as Súmulas 150 e 254 do STJ, de modo que não cabe reexame dessa decisão pelo juízo estadual; assim, conheceu-se do conflito e declarou-se competente o Juízo de Direito de Poço Fundo/MG, determinando o arquivamento após as providências cabíveis.
Court Disposition
Conheço do conflito e declaro competente o Juízo de Direito de Poço Fundo/MG.
Orders
- Declaro competente o Juízo de Direito de Poço Fundo/MG.
- Após as providências cabíveis, arquivem-se os autos.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de conflito de competência suscitado pelo Juízo de Direito de Poço Fundo/MGem face do Juízo Federal da Primeira Vara de Pouso Alegre/MG, nos autosdaAção de Obrigação de Fazer n. 1005014-61.2021.401.3810, proposta por Aparecida Cândido Franco emface do Estado de Minas Gerais, objetivando o fornecimento do medicamentoPEMBROLIZUMABE, 100mg/4ml, na proporção de 200mg, endovenoso lento, ou correspondente de mesmo princípio ativo, e continue a disponibilizá-lo a cada 21 (vinte e um) dias, por toda a duração do tratamento da Requerente. Ajuizada perante o Juízo estadual suscitante, o qualproferiu decisão determinando a inclusão da União no polo passivo, por entender que nas ações em que se objetiva o fornecimento de medicamento não incluído nas políticas públicas de saúde (RENAME), seria obrigatória a presença da União no polo passivo, declinando do feito para a Justiça Federal, com fundamento no Recurso Extraordinário n. 855.178/SE. Pos sua vez, oJuízo Federal proferiu decisão declinatória do feito à Justiça Estadual, sob argumento de ausência da União no polo passivo e falta de elementos a indicar que o referido ente político teria legitimidade para fornecimento dos medicamentos (fls. 05e). OJuízo de Direito de Poço Fundo/MG, entendendo que a União deve ser incluída da lide suscitou o presente Conflito de Competência para o processamento e julgamento do feito, vez que (fls. 02/03e): Cumpre-me informar que APARECIDA CÂNDIDA FRANCO ajuizou ação or- dinária contra o ESTADO DE MINAS GERAIS, pleiteando a concessão do medicamentoPEMBROLIZUMABE (100MG), que possui registro na ANVISA. O processo foi ajuizado na Vara Única da Comarca de Poço Fundo/MG, tendo o e. TJMG, ao analisar agravo de instrumento interposto pelo Estado de MG, determinado ao Juízo de 1º grau a inclusão da União no polo passivo, sob o argumento de que o fármaco não foi incorporado no RE- NAME/SUS. Ao receber o processo, determinei a exclusão da União do polo passivo e o retorno dos autos à Justiça Estadual, com fundamento no enunciado da Súmula no. 224 deste e. Superior Tribunal de Justiça, uma vez que o medicamento pleiteado pela autora possui registro na ANVISA. Pontuo que a decisão por mim tomada tem respaldo na jurisprudência do e. STJ, que tem adotado o entendimento de que a União não deve figurar obrigatoria- mente no polo passivo de ações que tenham como objeto o fornecimento de fármacos re- gistrados na ANVISA (por exemplo, CC 179.563/PR, 20.05.2021)." (e-STJ, fl. 150) "Nos termos do art. 66, parágrafo único, do CPC/2015, o mais adequado é que o juízo federal houvesse suscitado o conflito de competência. Apesar disso, a fim de evitar prejuízo à parte, e considerando: (a) que o declínio de competência à Justiça Federal adveio de determinação do E. TJMG, no âmbito de recurso interposto pelo Réu, não obstante o entendimento pessoal em contrário desta magistrada de primeiro grau; (b) que o Autor já emendou a inicial para incluir a União no pólo passivo; (c) o disposto no art. 105, inciso I, alínea "d", da Constituição da República (CR), Formalizo o conflito de competência. REMETAM-SE os autos ao E. STJ para a solução do conflito. O Sr. Ministro Vice-presidente desta Corte, no recesso judiciário, solicitouinformações aos Juízos e determinoua aberturavista dos autos ao Ministério Público Federal (fl. 141e). As informações foram prestadas (fls. 150/152e). O Ministério Público Federal opinou pela competência do Juízo estadual (fls. 154/157e). É o relatório. Decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. O art. 955, parágrafo único, I, do Código de Processo Civil, determina ser possível o julgamento do conflito de competência por decisão monocrática quando a decisão fundar-se em tese firmada em súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte. Nessa linha, o enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. Tratando-se de incidente instaurado entre juízos vinculados a tribunais diversos, conheço do presente conflito de competência, nos termos do art. 105, I, d, da Constituição da República. Consoante inteligência do art. 109, I, da Carta Política, como regra, a competência da Justiça Federal, em matéria cível, é estabelecida em razão da pessoa, abrangendo as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho. De fato, cumpre destacar que a jurisprudência desta Corte Superior é assente no sentido de que as ações relativas à assistência à saúde pelo Sistema Único de Saúde (fornecimento de medicamentos) podem ser propostas em face de qualquer dos entes componentes da Federação Brasileira (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), sendo todos legitimados passivos para responderem a elas, individualmente ou em conjunto. No caso,Aparecida Cândido Franco ajuizou a Ação de Obrigação de Fazer n. 1005014-61.2021.401.3810, em face do Estado de Minas Gerais, objetivando o fornecimento do medicamento PEMBROLIZUMABE, 100mg/4ml, na proporção de 200mg, endovenoso lento, ou correspondente de mesmo princípio ativo, e continue a disponibilizá-lo a cada 21 (vinte e um) dias, por toda a duração do tratamento da Requerente. Distribuídaperante o Juízo estadual suscitante, o qual proferiu decisão determinando a inclusão da União no polo passivo, por entender que nas ações em que se objetiva o fornecimento de medicamento não incluído nas políticas públicas de saúde (RENAME), seria obrigatória a presença da União no polo passivo, declinando do feito para a Justiça Federal, com fundamento no Recurso Extraordinário n. 855.178/SE. Pos sua vez, o Juízo Federal proferiu decisão declinatória do feito à Justiça Estadual, sob argumento de ausência da União no polo passivo e falta de elementos a indicar que o referido ente político teria legitimidade para fornecimento dos medicamentos (fls. 05e). O Juízo de Direito de Poço Fundo/MG, entendendo que a União deve ser incluída da lide suscitou o presente Conflito de Competência para o processamento e julgamento do feito, vez que (fls. 02/03e): Cumpre-me informar que APARECIDA CÂNDIDA FRANCO ajuizou ação or- dinária contra o ESTADO DE MINAS GERAIS, pleiteando a concessão do medicamento PEMBROLIZUMABE (100MG), que possui registro na ANVISA. O processo foi ajuizado na Vara Única da Comarca de Poço Fundo/MG, tendo o e. TJMG, ao analisar agravo de instrumento interposto pelo Estado de MG, determinado ao Juízo de 1º grau a inclusão da União no polo passivo, sob o argumento de que o fármaco não foi incorporado no RE- NAME/SUS. Ao receber o processo, determinei a exclusão da União do polo passivo e o retorno dos autos à Justiça Estadual, com fundamento no enunciado da Súmula no. 224 deste e. Superior Tribunal de Justiça, uma vez que o medicamento pleiteado pela autora possui registro na ANVISA. Pontuo que a decisão por mim tomada tem respaldo na jurisprudência do e. STJ, que tem adotado o entendimento de que a União não deve figurar obrigatoria- mente no polo passivo de ações que tenham como objeto o fornecimento de fármacos re- gistrados na ANVISA (por exemplo, CC 179.563/PR, 20.05.2021)." (e-STJ, fl. 150) "Nos termos do art. 66, parágrafo único, do CPC/2015, o mais adequado é que o juízo federal houvesse suscitado o conflito de competência. Apesar disso, a fim de evitar prejuízo à parte, e considerando: (a) que o declínio de competência à Justiça Federal adveio de determinação do E. TJMG, no âmbito de recurso interposto pelo Réu, não obstante o entendimento pessoal em contrário desta magistrada de primeiro grau; (b) que o Autor já emendou a inicial para incluir a União no pólo passivo; (c) o disposto no art. 105, inciso I, alínea "d", da Constituição da República (CR), Formalizo o conflito de competência. REMETAM-SE os autos ao E. STJ para a solução do conflito. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que o chamamento ao processo da União pelo Estado "revela-se medida meramente protelatória que não traz nenhuma utilidade ao processo, além de atrasar a resolução do feito, revelando-se meio inconstitucional para evitar o acesso aos remédios necessários para o restabelecimento da saúde da recorrida" (Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n. 607.381, 1ª T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ 17.6.2011). No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO MATÉRIA DECIDIDA SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC E DA RESOLUÇÃO STJ 8/2008. SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS. AÇÃO MOVIDA CONTRA O ESTADO. CHAMAMENTO DA UNIÃO AO PROCESSO. ART. 77, III, DO CPC. DESNECESSIDADE. VOTO CONDUTOR. MATÉRIA ESTRANHA AO CASO. DECOTE. REDISCUSSÃO DA CONTROVÉRSIA IMPOSSIBILIDADE . Trata-se de Embargos de Declaração apresentados contra acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008, que assim decidiu a matéria controvertida: "o chamamento ao processo da União com base no art. 77, III, do CPC, nas demandas propostas contra os demais entes federativos responsáveis para o fornecimento de medicamentos ou prestação de serviços de saúde, não é impositivo, mostrando-se inadequado opor obstáculo inútil à garantia fundamental do cidadão à saúde". 2. Merece reparo o voto condutor tão somente para decotar os trechos sem relação com o presente caso. 3. No mérito da controvérsia, esta Turma desproveu o recurso com fundamento claro e suficiente, e os argumentos do embargante denotam mero inconformismo e intuito de rediscutir a controvérsia, não se prestando os aclaratórios a esse fim. 4. Sob pena de invasão da competência do STF, descabe analisar questão constitucional (arts. 196 e 198, §1º, da CF) em Recurso Especial, mesmo que para viabilizar a interposição de Recurso Extraordinário. 5. Embargos de Declaração parcialmente acolhidos, sem efeito infringente. (EDcl no REsp 1203244/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/03/2016, DJe 25/05/2016). Por fim, em que pese a orientação do Supremo Tribunal Federal e desta Corte Superior, no sentido da responsabilidade solidária da União, Estados e Municípios pelo fornecimento de medicamentos e tratamentos indispensáveis a saúde das pessoas, tendo o Juízo Federal decidido que não há interesse jurídico que justifique a presença da União no polo passivo da ação, não cabe ao Juízo Estadual reexaminar tal decisão, conforme estabelecem as Súmulas 150 e 254 desta Corte. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CONFLITO NEGATIVO INSTAURADO ENTRE JUÍZOS ESTADUAL E FEDERAL. DIREITO À SAÚDE. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS. INTERESSE JURÍDICO DE ENTIDADES FEDERAISAFASTADO PELA JUSTIÇA FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DA REFERIDA DECISÃO PELO JUÍZO ESTADUAL.INCIDÊNCIA SÚMULAS 150, 224 E 254/STJ. PRECEDENTES DO STJ.COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Trata-se de conflito negativo de competência suscitado pelo Juízo Estadual 2ª Vara da Fazenda Pública de Chapecó/SC em face do Juízo Federal da 2ª Vara de Chapecó/SC em a ação ordinária, ajuizada visando o fornecimento do medicamento Anastrozol. A demanda foi ajuizada perante o Juízo Estadual que declinou sua competência para a Justiça Federal, ao argumento de que, tratando-se de medicamento não padronizado, era necessária a participação da União. O Juízo Federal, por sua vez, determinou a exclusão da União do polo passivo da demanda e a devolução dos autos ao juízo estadual de origem. Consignou que, havendo o registro na Anvisa do medicamento pleiteado, não há que se falar em litisconsórcio passivo necessário da União. Devolvidos os autos, o Juízo Estadual suscitou o presente conflito negativo de competência, por entender que o Juízo competente para o processo e julgamento é o Juízo Federal da 2ª Vara de Chapecó/SC, pois o fornecimento de tratamentos não padronizados é de responsabilidade da União. 2. Efetivamente, dispõe o art. 109, I, da Constituição Federal, que cumpre aos juízes federais processar e julgar "as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou opoentes, exceto as de falência, as de acidente de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e a Justiça do Trabalho". Assim, para que esteja caracterizada a competência da Justiça Federal é necessária a efetiva presença de alguma dessas pessoas na relação processual, figurando, necessariamente, na condição de autor, réu, assistente ou opoente. 3. A conclusão da Justiça Federal no sentido de que a União é parte ilegítima para figurar no polo passivo do feito foi equivocadamente questionada pelo Juízo Estadual, de modo que incide ao caso o contido nas Súmulas 150/STJ ("Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas"), 224/STJ ("Excluído do feito o ente federal, cuja presença levara o Juiz Estadual a declinar da competência, deve o Juiz Federal restituir os autos e não suscitar conflito de competência"); 254/STJ ("A decisão do Juízo Federal que exclui da relação processual ente federal não pode ser reexaminada no Juízo Estadual"). 4. Destaque-se que o fato de o presente processo envolver o fornecimento de medicamentos não altera a conclusão de que a competência para julgamento do processo é da Justiça Estadual ante a exclusão da União do polo passivo da ação pela Justiça Federal. Ora, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que "no âmbito do conflito de competência, não se discute o mérito da ação, tampouco qual seria o rol de responsabilidades atribuído a cada ente federativo em relação ao Sistema Único de Saúde. Cumpre apenas a análise do juízo competente para o exame do litígio, nos termos em que apresentados o pedido e a causa de pedir." (AgInt no CC 166.964/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/10/2019, DJe 19/11/2019). 5. Agravo interno não provido. (AgInt no CC 171.372/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 30/06/2020, DJe 03/08/2020). PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS. JUSTIÇA ESTADUAL E JUSTIÇA FEDERAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA 150 DO STJ. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. 1. Hipótese em que o Juízo Federal afastou a União do polo passivo da lide, uma vez que sua inclusão não foi uma escolha da parte, mas decorreu do atendimento de uma decisão judicial. 2. De acordo com a decisão proferida pelo Juízo Federal, não há litisconsórcio necessário nas ações que buscam o fornecimento de medicamentos, não sendo possível ao magistrado estadual determinar a emenda da inicial para a inclusão da União no litígio. 3. Dessa forma, tendo o Juízo Federal reconhecido a ilegitimidade da União para figurar no polo passivo do litigio, é de rigor a aplicação da Súmula 150 do STJ: "Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas." 4. Afastada a legitimidade da União para figurar no polo passivo da demanda pela Justiça Federal, deve-se reconhecer a competência da Justiça Estadual para o deslinde da controvérsia. 5. Consigne-se que a tese firmada no julgamento do Tema 793 pelo Supremo Tribunal Federal, quando estabelece a necessidade de se identificar o ente responsável a partir dos critérios constitucionais de descentralização e hierarquização do SUS, relaciona-se ao cumprimento de sentença e às regras de ressarcimento aplicáveis a quem suportou o ônus financeiro decorrente do provimento jurisdicional que assegurou o direito à saúde. 6. Portanto, o julgamento do Tema 793 não modifica a interpretação da Súmula 150/STJ, mormente no presente caso, haja vista que o Juízo Federal não afastou a solidariedade entre os entes federativos, mas apenas reconheceu a existência do litisconsórcio facultativo, tendo considerado inadequada a decisão exarada pela Justiça Estadual que determinou a emenda da petição inicial para que fosse incluída a União no polo passivo da demanda. 7. Registre-se, ainda, que, no âmbito do Conflito de Competência, não se discute o mérito da ação, cumpre apenas a análise do juízo competente para o exame do litígio. 8. Agravo Interno não provido. (AgInt no CC 166.929/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 16/06/2020, DJe 23/06/2020). PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS. JUSTIÇA ESTADUAL QUE DETERMINA A EMENDA DA INICIAL PARA INCLUSÃO DA UNIÃO. JUSTIÇA FEDERAL. RECONHECIMENTO DO LITISCONSÓRCIO FACULTATIVO. AFASTAMENTO DA UNIÃO DO POLO PASSIVO. SÚMULA 150/STJ. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. 1. Afastada a legitimidade da União para figurar no polo passivo da demanda pela Justiça Federal, deve-se reconhecer a competência da Justiça Estadual para o deslinde da controvérsia, na linha da Súmula 150/STJ e dos inúmeros precedentes desta Corte Superior. 2. No caso, a Justiça Federal excluiu a União da lide, pois a Justiça Estadual não poderia ter determinado a emenda da inicial para que houvesse a inclusão do referido ente público federal no litígio, haja vista que se está diante de um litisconsórcio facultativo. 3. A tese firmada no julgamento do Tema 793 pelo Supremo Tribunal Federal, quando estabelece a necessidade de se identificar o ente responsável a partir dos critérios constitucionais de descentralização e hierarquização do SUS, relaciona-se ao cumprimento de sentença e às regras de ressarcimento aplicáveis ao ente público que suportou o ônus financeiro decorrente do provimento jurisdicional que assegurou o direito à saúde. Logo, a referida orientação jurisprudencial não modifica a interpretação da Súmula 150/STJ, mormente porque o Juízo Federal, na situação em apreço, não afastou a solidariedade entre os entes federativos, mas apenas reconheceu a existência do litisconsórcio facultativo. 4. Ademais, no âmbito do conflito de competência, não se discute o mérito da ação, tampouco qual seria o rol de responsabilidades atribuído a cada ente federativo em relação ao Sistema Único de Saúde. Cumpre apenas a análise do juízo competente para o exame do litígio, nos termos em que apresentados o pedido e a causa de pedir. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no CC 166.964/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/10/2019, DJe 19/11/2019). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015.APLICABILIDADE. COMPETÊNCIA. JUÍZO FEDERAL E JUÍZO ESTADUAL. AÇÃO OBJETIVANDO FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS. MANIFESTAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL PELA ILEGITIMIDADE PASSIVA DE PARTE DA UNIÃO NO PRESENTE FEITO. ARTIGO 109, I, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 150 E 254 DESTA CORTE SUPERIOR. DESCABIMENTO DO INCIDENTE COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - No caso examinado, conforme relatado, a ação foi ajuizada perante o Juízo Federal, que reconheceu a ilegitimidade passiva de parte da União e, em consequência, a incompetência da Justiça Federal. III - Enunciados das Súmulas 150 e 254/STJ: "Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas."; "A decisão do Juízo Federal que exclui da relação processual ente federal não pode ser reexaminada no Juízo Estadual". IV - Portanto, em que pese a orientação do Supremo Tribunal Federal e desta Corte Superior, no sentido da responsabilidade solidária da União, Estados e Municípios pelo fornecimento de medicamentos e tratamentos indispensáveis a saúde das pessoas, tendo o Juízo Federal decidido que não há legitimidade passiva que justifique a presença da União no polo passivo da ação, não cabe ao Juízo Estadual reexaminar tal decisão, conforme estabelecem as Súmulas 150 e 254 desta Corte. V - O inconformismo pautado na alegada necessidade de envio dos autos ao juízo competente não encontra no conflito de competência o remédio jurisdicional adequado, porquanto o incidente não pode ser utilizado como sucedâneo recursal. VI - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VII - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VIII - Agravo Interno improvido. (AgInt no CC 169.337/PR, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 17/03/2020, DJe 23/03/2020). Posto isso, nos termos do art. 955, parágrafo único, I, do Código de Processo Civil, conheço do conflito paradeclarar competente o juízo suscitante, oJuízo de Direito de Poço Fundo/MG. Após as providências cabíveis, arquivem-se os autos. Publique-se. Intime-se. Comunique-se.