RHC 232451 - ACORDAO
O Superior Tribunal de Justiça não conhece de recurso ordinário em habeas corpus quando o tribunal de origem não conhece do writ por ausência de decisão denegatória, nos termos do art. 105, II, alínea a, da Constituição Federal; diante disso, e inexistindo manifesta ilegalidade ou coação ilegal flagrante ou...
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- Parties
- Recorrente: DANIEL REIS BOITA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Recurso Em Habeas Corpus / Julgado (agravo Regimental Desprovido)
- Outcome
- Agravo regimental desprovido, mantido o não conhecimento do recurso em habeas corpus.
- Legal Topics
- Competência Do Superior Tribunal De Justiça, Habeas Corpus, Revisão Criminal, Dosimetria Da Pena, Concessão De Ofício
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Parties
DANIEL REIS BOITA
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Recurso Em Habeas Corpus / Julgado (agravo Regimental Desprovido)
Legal Issues
- 1 Cabimento de recurso ordinário em habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça quando o tribunal de origem não conhece do writ por considerá-lo substitutivo de revisão criminal ajuizada após o trânsito em julgado.
- 2 Existência de coação ilegal flagrante ou teratologia na dosimetria da pena apta a justificar a concessão de habeas corpus de ofício pelo Superior Tribunal de Justiça.
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça não conhece de recurso ordinário em habeas corpus quando o tribunal de origem não conhece do writ por ausência de decisão denegatória, nos termos do art. 105, II, alínea a, da Constituição Federal; diante disso, e inexistindo manifesta ilegalidade ou coação ilegal flagrante ou teratologia na condenação ou na dosimetria da pena, deve ser mantida a decisão que não conheceu do recurso, com desprovimento do agravo regimental.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido, mantido o não conhecimento do recurso em habeas corpus.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a decisão monocrática que não conheceu do recurso em habeas corpus.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 16/04/2026 a 22/04/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. EMENTA Direito processual penal. Agravo regimental em recurso em habeas corpus. Competência do Superior Tribunal de Justiça. Recurso ordinário em habeas corpus contra acórdão que não conheceu do writ por substituição de revisão criminal. Inexistência de decisão denegatória. Agravo desprovido. I. Caso em exame 1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de recurso em habeas corpus, por ausência de decisão denegatória da ordem proferida pelo Tribunal de origem. 2. Fato relevante. Recorrente definitivamente condenado, em ação penal de competência de vara única, pela prática do crime previsto no art. 157, caput, c/c art. 61, inciso II, alínea h, ambos do Código Penal, à pena de 6 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto. Após o trânsito em julgado, a defesa impetrou habeas corpus perante Tribunal estadual requerendo revisão da pena, writ não conhecido por ter natureza de substitutivo de revisão criminal, decisão mantida em agravo interno. 3. As decisões anteriores. Interposto recurso em habeas corpus perante o Superior Tribunal de Justiça contra o acórdão que negara provimento ao agravo interno, o recurso não foi conhecido, ao fundamento de que não havia decisão denegatória de habeas corpus proferida pelo Tribunal de origem. No agravo regimental, a defesa busca o conhecimento e o provimento do recurso em habeas corpus, com redimensionamento da pena, alegando ilegalidades na dosimetria (bis in idem, consequências do crime e confissão espontânea). II. Questão em discussão 4. Há duas questões em discussão: (i) saber se é cabível recurso em habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça quando o Tribunal de origem não conhece do writ, por considerá-lo substitutivo de revisão criminal ajuizada após o trânsito em julgado, de modo a inexistir decisão denegatória da ordem; e (ii) saber se, não obstante a inadmissibilidade do recurso, haveria coação ilegal flagrante ou teratologia na dosimetria da pena apta a justificar a concessão de habeas corpus de ofício. III. Razões de decidir 5. O Superior Tribunal de Justiça possui competência taxativa, prevista no art. 105, II, alínea a, da Constituição Federal, para julgar, em recurso ordinário, apenas habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória, o que não ocorre quando o writ não é conhecido. 6. No caso concreto, o habeas corpus originário não foi conhecido pelo Tribunal estadual por ter sido impetrado após o trânsito em julgado da condenação e ostentar caráter de substitutivo de revisão criminal, razão pela qual não há decisão denegatória da ordem apta a ensejar a interposição de recurso ordinário em habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça. 7. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça afasta o conhecimento de recurso ordinário em habeas corpus quando o tribunal de origem não conhece do writ, limitando-se a atuação desta Corte, em tais hipóteses, à eventual concessão de ordem de ofício, em caso de manifesta ilegalidade. 8. Não se verifica, de plano, coação ilegal flagrante ou teratologia na condenação ou na dosimetria da pena que autorize a concessão de habeas corpus de ofício, nos termos do art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal, de modo que as alegações relativas a bis in idem, consequências do crime e confissão espontânea não podem ser examinadas nesta via estreita. 9. Diante da inexistência de pressuposto constitucional de admissibilidade do recurso em habeas corpus e da ausência de ilegalidade manifesta, impõe-se a manutenção da decisão monocrática que não conheceu do recurso, com o consequente desprovimento do agravo regimental. IV. Dispositivo e tese 6. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido, mantido o não conhecimento do recurso em habeas corpus. Tese de julgamento: 1. O Superior Tribunal de Justiça não conhece de recurso ordinário em habeas corpus quando o tribunal de origem não conhece do writ, por ausência de decisão denegatória prevista no art. 105, II, alínea a, da Constituição Federal. 2. A impetração de habeas corpus após o trânsito em julgado da condenação, com nítido caráter de substitutivo de revisão criminal, é inviável, admitindo-se apenas a concessão de ordem de ofício em hipóteses de manifesta ilegalidade. 3. A inexistência de coação ilegal flagrante ou teratologia na condenação ou na dosimetria da pena impede a concessão de habeas corpus de ofício pelo Superior Tribunal de Justiça. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, II, alínea a; CPP, art. 654, § 2º; CP, art. 157, caput; CP, art. 61, II, h. Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 140.807/SP, Sexta Turma, j. 13.12.2011; STJ, AgRg no HC 711.127/SP, rel. Min. Joel Ilan Paciornik, j. 22.02.2022; STJ, AgRg no RHC 216.425/MT, rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, j. 17.12.2025, DJe 22.12.2025.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental (fls. 88-94) interposto por DANIEL REIS BOITA em face de decisão monocrática que não conheceu do recurso em habeas corpus (fls. 82-84). Consta dos autos que o recorrente foi definitivamente condenado pelo Juízo da Vara Única da Comarca de Itapiranga, na ação penal n. 5001115-25.2020.8.24.0034, ao cumprimento da pena privativa de liberdade de 6 (seis) anos, 2 (dois) meses e 20 (vinte) dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, pela prática do crime previsto no artigo 157, caput, combinado com o artigo 61, inciso II, alínea h, ambos do Código Penal (fls. 16-27). Após o trânsito em julgado, a defesa impetrou o HC n. 5108149-88.2025.8.24.0000 perante o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, indicando como autoridade coatora o Juízo da Vara Única da Comarca de Itapiranga e requerendo a revisão da pena privativa de liberdade. O habeas corpus não foi conhecido pelo relator (fls. 34-36). Interposto agravo interno, foi negado provimento (fls. 49-53). Sobreveio a interposição de recurso em habeas corpus (fls. 55-61), no qual se buscava a reforma do acórdão que negara provimento ao agravo interno (fls. 49-53). O recurso em habeas corpus não foi conhecido (fls. 82-84). No regimental (fls. 88-94), busca-se a reforma da decisão agravada para que o recurso em habeas corpus seja conhecido e provido, reiterando-se o pedido de revisão da pena fixada pelo Juízo da Vara Única da Comarca de Itapiranga, tal como formulado inicialmente. É o relatório. EMENTA Direito processual penal. Agravo regimental em recurso em habeas corpus. Competência do Superior Tribunal de Justiça. Recurso ordinário em habeas corpus contra acórdão que não conheceu do writ por substituição de revisão criminal. Inexistência de decisão denegatória. Agravo desprovido. I. Caso em exame 1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de recurso em habeas corpus, por ausência de decisão denegatória da ordem proferida pelo Tribunal de origem. 2. Fato relevante. Recorrente definitivamente condenado, em ação penal de competência de vara única, pela prática do crime previsto no art. 157, caput, c/c art. 61, inciso II, alínea h, ambos do Código Penal, à pena de 6 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto. Após o trânsito em julgado, a defesa impetrou habeas corpus perante Tribunal estadual requerendo revisão da pena, writ não conhecido por ter natureza de substitutivo de revisão criminal, decisão mantida em agravo interno. 3. As decisões anteriores. Interposto recurso em habeas corpus perante o Superior Tribunal de Justiça contra o acórdão que negara provimento ao agravo interno, o recurso não foi conhecido, ao fundamento de que não havia decisão denegatória de habeas corpus proferida pelo Tribunal de origem. No agravo regimental, a defesa busca o conhecimento e o provimento do recurso em habeas corpus, com redimensionamento da pena, alegando ilegalidades na dosimetria (bis in idem, consequências do crime e confissão espontânea). II. Questão em discussão 4. Há duas questões em discussão: (i) saber se é cabível recurso em habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça quando o Tribunal de origem não conhece do writ, por considerá-lo substitutivo de revisão criminal ajuizada após o trânsito em julgado, de modo a inexistir decisão denegatória da ordem; e (ii) saber se, não obstante a inadmissibilidade do recurso, haveria coação ilegal flagrante ou teratologia na dosimetria da pena apta a justificar a concessão de habeas corpus de ofício. III. Razões de decidir 5. O Superior Tribunal de Justiça possui competência taxativa, prevista no art. 105, II, alínea a, da Constituição Federal, para julgar, em recurso ordinário, apenas habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória, o que não ocorre quando o writ não é conhecido. 6. No caso concreto, o habeas corpus originário não foi conhecido pelo Tribunal estadual por ter sido impetrado após o trânsito em julgado da condenação e ostentar caráter de substitutivo de revisão criminal, razão pela qual não há decisão denegatória da ordem apta a ensejar a interposição de recurso ordinário em habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça. 7. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça afasta o conhecimento de recurso ordinário em habeas corpus quando o tribunal de origem não conhece do writ, limitando-se a atuação desta Corte, em tais hipóteses, à eventual concessão de ordem de ofício, em caso de manifesta ilegalidade. 8. Não se verifica, de plano, coação ilegal flagrante ou teratologia na condenação ou na dosimetria da pena que autorize a concessão de habeas corpus de ofício, nos termos do art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal, de modo que as alegações relativas a bis in idem, consequências do crime e confissão espontânea não podem ser examinadas nesta via estreita. 9. Diante da inexistência de pressuposto constitucional de admissibilidade do recurso em habeas corpus e da ausência de ilegalidade manifesta, impõe-se a manutenção da decisão monocrática que não conheceu do recurso, com o consequente desprovimento do agravo regimental. IV. Dispositivo e tese 6. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido, mantido o não conhecimento do recurso em habeas corpus. Tese de julgamento: 1. O Superior Tribunal de Justiça não conhece de recurso ordinário em habeas corpus quando o tribunal de origem não conhece do writ, por ausência de decisão denegatória prevista no art. 105, II, alínea a, da Constituição Federal. 2. A impetração de habeas corpus após o trânsito em julgado da condenação, com nítido caráter de substitutivo de revisão criminal, é inviável, admitindo-se apenas a concessão de ordem de ofício em hipóteses de manifesta ilegalidade. 3. A inexistência de coação ilegal flagrante ou teratologia na condenação ou na dosimetria da pena impede a concessão de habeas corpus de ofício pelo Superior Tribunal de Justiça. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, II, alínea a; CPP, art. 654, § 2º; CP, art. 157, caput; CP, art. 61, II, h. Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 140.807/SP, Sexta Turma, j. 13.12.2011; STJ, AgRg no HC 711.127/SP, rel. Min. Joel Ilan Paciornik, j. 22.02.2022; STJ, AgRg no RHC 216.425/MT, rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, j. 17.12.2025, DJe 22.12.2025. VOTO A defesa interpõe agravo regimental buscando a reforma da decisão monocrática que não conheceu do recurso em habeas corpus, afirmando que as ilegalidades apontadas na dosimetria da pena podem ser examinadas a partir das provas pré-constituídas. Sustenta que o Superior Tribunal de Justiça admite o exame dessas questões quando interferem diretamente na liberdade do paciente, mencionando precedentes que redimensionaram penas em situações similares. Argumenta, inicialmente, a ocorrência de bis in idem, pois a idade avançada da vítima foi utilizada para negativar a culpabilidade na primeira fase da dosimetria e, novamente, para aplicar agravante na segunda fase. Em seguida, afirma que a negativação das consequências do crime é indevida, por se basear em prejuízo econômico não comprovado e inerente ao tipo penal, entendimento já assentado pelo Superior Tribunal de Justiça em delitos patrimoniais. Por fim, defende a incidência da atenuante da confissão espontânea, tendo em vista que a própria sentença utilizou a admissão dos fatos para fundamentar a autoria, além de a tese firmada no Tema Repetitivo 1194 reconhecer sua aplicação mesmo quando a confissão é parcial. Ao final, requer a reconsideração da decisão ou o provimento do agravo pelo colegiado, com o redimensionamento da pena conforme pleiteado. A decisão agravada restou assim fundamentada (fls. 82-84): .. A competência do Superior Tribunal de Justiça é taxativamente estabelecida no artigo 105, II, alínea "a", da Constituição Federal, que lhe confere a atribuição de julgar, em recurso ordinário, os decididos em única ou última instância habeas corpus pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória. No caso concreto, o impetrado na origem não foi conhecido, habeas corpus uma vez que foi impetrado como substitutivo de revisão criminal. O acórdão restou assim ementado (fl. 53): AGRAVO INTERNO EM HABEAS CORPUS - ROUBO COMETIDO CONTRA IDOSO - CAPUT, II, ART. 157, C/C ART. 61, ALÍNEA "H", AMBOS DO CP - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NÃO CONHECEU DO PEDIDO - TESE DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL ORIUNDO DE ERROS NA DOSIMETRIA DA PENA NA SENTENÇA CONDENATÓRIA - REJEIÇÃO - SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO QUE SÓ PODE SER OBJETO DE REVISÃO CRIMINAL - INEXISTÊNCIA DE MANIFESTA ILEGALIDADE - HABEAS CORPUS QUE NÃO PODE SER SUBSTITUTO DE RECURSO OU REVISÃO CRIMINAL - IMPETRAÇÃO INVIÁVEL - RECURSO DESPROVIDO. "É imperiosa a necessidade de racionalização do habeas corpus, a bem de se prestigiar a lógica do sistema recursal. As hipóteses de cabimento do writ são restritas, não se admitindo que o remédio constitucional seja utilizado em substituição a recursos ordinários (apelação, agravo em execução, recurso especial), tampouco como sucedâneo de revisão criminal" (STJ, Habeas Corpus n. rel.140.807/SP, Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, j. em 13-12-2011). "Não deve ser conhecido o habeas corpus substitutivo de recurso próprio, mostrando-se possível tão somente a verificação sobre a existência de eventual constrangimento ilegal que autorize a concessão da ordem de ofício" (AgRg no HC n. 711.127, de São Paulo, rel. Min. Joel Ilan Paciornik, j. em 22-2- 2022). Também não verifico, de plano, a presença de coação ilegal ou teratologia que justifique a concessão da ordem na forma do § 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. .. A competência do Superior Tribunal de Justiça é taxativamente estabelecida no artigo 105, II, alínea a, da Constituição Federal, que lhe atribui julgar, em recurso ordinário, os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória. No caso concreto, o habeas corpus impetrado na origem não foi conhecido, por ter sido ajuizado após o trânsito em julgado e apresentar natureza de substitutivo de revisão criminal. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça estabelece que não se conhece de recurso ordinário em habeas corpus quando o tribunal de origem não conhece do writ, inexistindo decisão denegatória apta a ensejar a interposição do recurso ordinário. A esse respeito: DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. RECURSO NÃO CONHECIDO. .. III. RAZÕES DE DECIDIR .. 4. No caso, a decisão agravada fundamentou o não conhecimento do recurso em habeas corpus no fato de que é inadmissível a interposição de recurso ordinário contra decisão que indefere pedido liminar, sendo ele cabível, apenas, contra decisão denegatória da ordem. Ocorre que o agravante deixou de impugnar, especificamente, esse fundamento, limitando-se a sustentar afirmações diretamente relacionadas à pretendida revogação da custódia cautelar. IV. DISPOSITIVO E TESE 5. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no RHC n. 216.425/MT, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/12/2025, DJEN de 22/12/2025.) De todo modo, não se verifica, de plano, coação ilegal flagrante ou teratologia na condenação ou na dosimetria da pena que autorize a concessão de habeas corpus de ofício, nos termos do art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal, de modo que as alegações relativas a bis in idem , consequências do crime e confissão espontânea não podem ser examinadas nesta via estreita. Assim, a decisão agravada deverá ser mantida por seus próprios fundamentos. Com essas considerações, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.