CC 211236 - DECISAO
Havendo decisões conflitantes entre o juízo da recuperação (que deferiu o processamento da recuperação e determinou a suspensão das ações e execuções pelo prazo do stay period) e o juízo executivo local que determinou o prosseguimento da execução, aplica-se a jurisprudência do STJ segundo a qual compete ao juízo da...
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- Parties
- Suscitante: 123 VIAGENS E TURISMO LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL); Juízo Da Recuperação: JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA EMPRESARIAL DE BELO HORIZONTE (MG); Suscitado: JUÍZO DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL DE OSASCO (SP); Autor/executor: THIAGO MOTA CORDEIRO; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 May 2025
- Procedural Posture
- Conflito De Competência / Decisão
- Outcome
- Conheço do conflito e declaro competente o JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA EMPRESARIAL DE BELO HORIZONTE (MG).
- Legal Topics
- Competência Do Juízo Da Recuperação, Atos De Constrição Patrimonial, Suspensão De Execuções (stay Period), Crédito Extraconcursal, Juízo Universal
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Parties
123 VIAGENS E TURISMO LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL)
Suscitante
JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA EMPRESARIAL DE BELO HORIZONTE (MG)
Juízo Da Recuperação
JUÍZO DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL DE OSASCO (SP)
Suscitado
THIAGO MOTA CORDEIRO
Autor/executor
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Conflito De Competência / Decisão
Legal Issues
- 1 Se compete ao juízo da recuperação judicial deliberar sobre atos constritivos que envolvam o patrimônio da empresa em recuperação
- 2 Efeito da suspensão/stay period decretada pelo juízo da recuperação sobre execuções promovidas em outro juízo
- 3 Se atos de execução relativos a créditos extraconcursais devem submeter-se ao juízo da recuperação
Ratio Decidendi
Havendo decisões conflitantes entre o juízo da recuperação (que deferiu o processamento da recuperação e determinou a suspensão das ações e execuções pelo prazo do stay period) e o juízo executivo local que determinou o prosseguimento da execução, aplica-se a jurisprudência do STJ segundo a qual compete ao juízo da recuperação (juízo universal) decidir sobre atos de constrição patrimonial, inclusive quanto à natureza concursal ou extraconcursal do crédito e à liberação de bens, razão pela qual se conhece do conflito e se declara competente o JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA EMPRESARIAL DE BELO HORIZONTE (MG).
Court Disposition
Conheço do conflito e declaro competente o JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA EMPRESARIAL DE BELO HORIZONTE (MG).
Orders
- Concedida liminar para determinar a suspensão de todos os atos constritivos nos autos do Cumprimento de Sentença n. 0006310-34.2024.8.26.0405, em trâmite no Juízo da 2ª Vara Cível de Osasco (conforme decisão de fls. 173-176).
- Comunique-se aos Juízos envolvidos o teor desta decisão.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de conflito de competência suscitado 123 VIAGENS E TURISMO LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL) com pedido de liminar, envolvendo o JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA EMPRESARIAL DE BELO HORIZONTE (MG), onde tramita seu pedido de recuperação judicial, e o JUÍZO DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL DE OSASCO (SP), onde tramita o Cumprimento de Sentença n. 0006310-34.2024.8.26.0405, ajuizado por THIAGO MOTA CORDEIRO. Alega a suscitante que, em 29/8/2023, juntamente com outras empresas do Grupo 123 Milhas, ajuizou pedido de recuperação judicial, autuado sob o n. 5194147-26.2023.8.13.0024, o qual foi distribuído ao Juízo da recuperação, o da 1ª Vara Empresarial da Comarca de Belo Horizonte, que, verificando estarem presentes os pressupostos e condições estipuladas pela Lei n. 11.101/2005, deferiu seu processamento em 31/8/2023, ordenando a suspensão de todas as ações e execuções promovidas contra as recuperandas, pelo prazo de 180 dias, que foi prorrogado em 1º/3/2024 e novamente em 19/9/2024. Sustenta ainda que, em 3/4/2024, o Juízo da recuperação declarou sua competência para deliberar sobre o patrimônio das devedoras, incluindo a suscitante, consignando a impossibilidade de realização de atos constritivos contra seu patrimônio oriundos de execução cuja verba tenha fato gerador anterior ao pedido de recuperação judicial (29/8/2023), determinando a liberação dos bens eventualmente bloqueados. Destaca que, mesmo tendo ciência do deferimento da recuperação judicial e da vigência do stay period, o Juízo da 2ª Vara Cível de Osasco determinou o prosseguimento da execução. Desse modo, entende ser da competência do Juízo da recuperação deliberar sobre qualquer ato de constrição patrimonial e, portanto, liminarmente, requer a expedição de ofício ao Juízo de Osasco com as seguintes ordens (fl. 10): (a) suspensão de todos os atos constritivos nos autos do Cumprimento de Sentença n. 0006310-34.2024.8.26.0405; e (b) a fixação do Juízo da 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte para decidir sobre as medidas urgentes que interfiram no patrimônio da empresa. No mérito, requer seja este conflito positivo de competência julgado integralmente procedente, declarando-se a competência do Juízo da 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte para decidir sobre qualquer medida que afete o patrimônio da suscitante. Foi concedida a liminar para determinar a suspensão de todos os atos constritivos nos autos do Cumprimento de Sentença n. 0006310-34.2024.8.26.0405, em trâmite no Juízo da 2ª Vara Cível de Osasco, designando-se o Juízo de Direito da 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte para resolver, em caráter provisório, as medidas urgentes (fls. 173-176) . O Ministério Público Federal manifestou-se pelo conhecimento do conflito de competência e, no mérito, pela competência do Juízo de Direito da 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte (fls. 187-790). É o relatório. Decido. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, os atos de execução dos créditos individuais promovidos contra empresas falidas ou em recuperação judicial, bem como quaisquer outros atos judiciais que envolvam o patrimônio das referidas empresas, tanto sob a égide do Decreto-Lei n. 7.661/1945 quanto da Lei n. 11.101/2005, devem ser realizados pelo juízo universal. Esta Corte também tem-se manifestado no sentido de que, enquanto não transitada em julgado a sentença de encerramento da recuperação judicial, em razão do recebimento da apelação com efeito suspensivo, permanece a competência do juízo da recuperação judicial para decidir sobre o patrimônio da empresa (AgInt no CC n. 172.707/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 29/9/2020, DJe de 2/10/2020). No caso, a decisão do Juízo de Osasco que determinou o prosseguimento da execução (fls. 152-153) é contraditória à decisão do Juízo da recuperação que deferiu o processamento da recuperação e ordenou a suspensão, pelo prazo de 180 dias, contados da publicação da decisão, de todas as ações e execuções contra a sociedade devedora, cabendo às recuperandas e a outros meios de comunicação institucional entre tribunais comunicá-la aos Juízos competentes (fls. 44-54 ). Assim, evidenciado está que o Juízo da recuperação opõe-se, pelo menos por ora, aos atos constritivos nela determinados. A existência de decisões conflitantes entre os dois Juízos impõe o reconhecimento do conflito. Nos termos da jurisprudência desta Corte, é competência do juízo em que se processa a recuperação judicial o julgamento de causas em que estejam envolvidos interesses e bens da empresa em recuperação, inclusive para o prosseguimento dos atos de execução, que devem submeter-se ao plano, sob pena de ficar inviabilizada a recuperação. No mesmo sentido: AGRAVO INTERNO NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. LIMINAR CONCEDIDA. DEFERIMENTO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. MEDIDAS DE CONSTRIÇÃO DO PATRIMÔNIO DA EMPRESA. CRÉDITO EXTRACONCURSAL. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Os atos de execução dos créditos promovidos contra empresas falidas ou em recuperação judicial, sob a égide do Decreto-Lei n. 7.661/45 ou da Lei n. 11.101/05, bem como os atos judiciais que envolvam o patrimônio dessas empresas, devem ser realizados pelo Juízo universal. 2. Ainda que o crédito exequendo tenha sido constituído depois do deferimento do pedido de recuperação judicial (crédito extraconcursal), a jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que, também nesse caso, o controle dos atos de constrição patrimonial deve prosseguir no Juízo da recuperação. Precedentes. 3. A deliberação acerca da natureza concursal ou extraconcursal do crédito se insere na competência do Juízo universal, cabendo-lhe, outrossim, decidir acerca da liberação ou não de bens eventualmente penhorados e bloqueados, uma vez que se trata de juízo de valor vinculado à aferição da essencialidade do bem em relação ao regular prosseguimento do processo de recuperação. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no CC n. 178.571/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 15/2/2022, DJe de 18/2/2022.) Ante o exposto, conheço do conflito para declarar competente o J uízo da recuperação, ou seja, o JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA EMPRESARIAL DE BELO HORIZONTE (MG). Comunique-se aos Juízos envolvidos o teor desta decisão. Publique-se. Intimem-se. EMENTA