AREsp 1750311 - DECISAO
Conheceu-se do agravo por satisfazer os requisitos de admissibilidade e, em exame do recurso especial, concluiu-se que não houve omissão do acórdão recorrido; manteve-se o entendimento de que, em litisconsórcio ativo facultativo, a competência dos Juizados Especiais se determina pelo valor da causa de cada autor...
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- Parties
- Agravante: Eduardo Alexandre Longoeoutros; Autores: Eduardo Alexandre Longo e outros; Réu: Fazenda do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 March 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Acerca Da Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar-lhe provimento.
- Legal Topics
- Competência Dos Juizados Especiais, Valor Da Causa, Litisconsórcio Ativo Facultativo, Inadmissão De Recurso Especial, Embargos De Declaração
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Parties
Eduardo Alexandre Longoeoutros
Agravante
Eduardo Alexandre Longo e outros
Autores
Fazenda do Estado de São Paulo
Réu
Procedural Posture
Agravo / Decisão Acerca Da Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegação de omissão do acórdão (art. 1.022, II, CPC/2015)
- 2 fixação da competência dos Juizados Especiais em face de litisconsórcio ativo facultativo
- 3 aplicabilidade do valor individual de cada litisconsorte para fins de competência
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo por satisfazer os requisitos de admissibilidade e, em exame do recurso especial, concluiu-se que não houve omissão do acórdão recorrido; manteve-se o entendimento de que, em litisconsórcio ativo facultativo, a competência dos Juizados Especiais se determina pelo valor da causa de cada autor individualmente (jurisprudência pacífica e Súmula 83/STJ), razão pela qual negou-se provimento ao recurso especial na parte conhecida.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar-lhe provimento.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por Eduardo Alexandre Longoeoutros contra decisão que inadmitiu o recurso especial fundado no art. 105, III, a, da Constituição Federal. Na origem, Eduardo Alexandre Longo e outros, servidores públicos estaduais, ajuizaram ação ordinária contra a Fazenda do Estado de São Paulo, objetivando o recálculo de seus vencimentos integrais, nos termosda Constituição Estadual. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo determinou a redistribuição da ação a uma das Varas do Juizado Especial da Fazenda Pública, competente para conhecer, processar e decidir da lide, considerando que o valor da causa deve ser considerado individualmente na hipótese de litisconsórcio ativo facultativo. Da decisão foi interposto agravo de instrumento contra decisão interlocutória proferida em primeira instância pela Vara Comum da Fazenda Pública, que declinou da competência para o Juizado Especial da Fazenda Pública. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo negou provimento ao recurso, conforme acórdão assim ementado (fl. 191): PROCEDIMENTO COMUM. DIFERENÇAS SALARIAIS. Pleito voltado à revisão das aposentadorias dos autores para reconhecimento do direito à paridade e (correspondendo à totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se deu a aposentação). O valor da causa deve corresponder ao proveito econômico pretendido pelo autor. Critérios estabelecidos no artigo 292, §§1º e 2º do NCPC. Valor atribuído à causa pelos autores mediante critério por eles eleito e que deve ser presumido como valor da pretensão a servir de parâmetro para fixação da competência do juízo. Matéria objeto de IRDR admitido sem suspensão das demandas e mandamento. Decisão que determinou a redistribuição dos autos a uma das Varas do Juizado Especial da Fazenda Pública mantida. Recurso não provido. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados(fls. 213-219). Contra a decisão cuja ementa se encontra acima transcrita, Eduardo Alexandre Longoeoutros interpuseram o presente recurso especial, apontando violação do art. 1.022, II, do CPC/2015, sob o argumento de que o acórdão recorrido deixou de se manifestar sobre questão essencial ao deslinde da controvérsia. Alegam ainda violação dos arts. 38, parágrafo único, 52, I, da Lei n. 9.099/1995,27 da Lei n. 12.153/2009, 987, capute § 1º, do CPC/2015, em razão da fixação de competência do Juizado Especial da Fazenda Pública, alegando tratar-se de ação cujo pedido é ilíquido. Após decisão que inadmitiu o recurso especial, foi interposto o presente agravo, tendo os recorrentes apresentado argumentos visando rebater os fundamentos da decisão agravada. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não provimento do recurso especial em parecer de fls. 288-298. É o relatório. Decido. Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n. 3/STJ: "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". Considerando que os agravantes, além de atenderem aos demais pressupostos de admissibilidade deste agravo, lograramimpugnar a fundamentação da decisão agravada, passo ao exame do recurso especial interposto. De início, da análise do acórdão, no que tange à indicada violação doart.1022do CPC/2015, não se vislumbra a alegação de que o acórdão recorrido não se manifestou acerca de pontos tidos como essenciais para o julgamento da lide. De acordo com a orientação do Superior Tribunal de Justiça, os embargos de declaração destinam-se a suprir eventual omissão, obscuridade ou contradição, não tendo o Órgão Julgador a obrigação de se manifestar expressamente acerca de todos as disposições legais que as partes entendam ser aplicáveis, devendo, é claro, motivar suas decisões, de maneira fundamentada. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO DA SÚMULA 106/STJ. REEXAME PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. ART. 1.022 DO CPC/2015. ERRO MATERIAL, OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. AUSÊNCIA. 1. Os embargos declaratórios, nos termos do art. 1.022, e seus incisos, do CPC/2015, são cabíveis quando houver: a) obscuridade; b) contradição; c) omissão no julgado, incluindo-se nesta última as condutas descritas no art. 489, § 1º, que configurariam a carência de fundamentação válida; ou d) o erro material. No caso dos autos, tais hipóteses não estão presentes. 2. Não há vício de fundamentação quando o aresto recorrido decide integralmente a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, tal qual se constata no caso concreto. 3. A análise da tese recursal que busca afastar a aplicação da Súmula 106/STJ demanda incursão na seara probatória, o que não é cabível na via especial. Incidência da Súmula 7/STJ. 4. Esta Corte Superior possui entendimento de que a existência de penhora no rosto dos autos do processo falimentar impõe à Fazenda Pública a paralisação do executivo fiscal até que se verifique a possibilidade de satisfação do crédito, sem que essa paralisação seja imputada à inércia do ente público. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgInt no AREsp 600.416/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/2017, DJe 27/03/2017.) Nesse panorama, a oposição dos embargos declaratórios caracterizou, tão somente, a irresignação dos embargantes diante de decisão contrária a seus interesses, o que não viabiliza o referido recurso. No mais, com relação aos dispositivos tidos por violados, não merece reparos o julgado ora recorrido, porquanto encontra-se em consonância com o entendimento desta Corte Superior, o qual é pacífico no sentido de que se tratando de litisconsórcio ativo facultativo, a fixação da competência dos Juizados Especiais, leva em consideração o valor da causa de cada autor, de forma individual, não importando se a soma ultrapassa o limite dos 60 (sessenta) salários mínimos. Nesse sentido: JUIZADOS ESPECIAIS. VALOR DA CAUSA INFERIOR A SESSENTA SALÁRIOS MÍNIMOS. LITISCONSÓRCIO ATIVO. VALOR INDIVIDUAL DE CADA LITISCONSORTE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Em se tratando de litisconsórcio ativo facultativo, para que se fixe a competência dos Juizados Especiais, deve ser considerado o valor de cada autor, individualmente, não importando se a soma ultrapassa o limite dos 60 (sessenta) salários mínimos. 2. O Tribunal a quo decidiu de acordo com jurisprudência desta Corte, de modo que se aplica à espécie a Súmula 83/STJ, verbis: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." 3. Recurso Especial não conhecido. (REsp 1658347/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/05/2017, DJe 16/06/2017.) PROCESSUAL CIVIL. SEGURO HABITACIONAL. INTERESSE JURÍDICO DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. INCIDENTE DE PROCESSO REPETITIVO. ART. 543-C DO CPC. VALOR INDIVIDUAL DA CAUSA INFERIOR A SESSENTA SALÁRIOS MÍNIMOS. COMPETÊNCIA ABSOLUTA DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL. SÚMULA 83/STJ. EXISTÊNCIA DE REQUISITOS FÁTICOS PARA RECONHECIMENTO DE LITISCONSÓRCIO PASSIVO. SÚMULA 7/STJ. LITISCONSÓRCIO ATIVO. 1. "Nos feitos em que se discute a respeito de contrato de seguro adjeto a contrato de mútuo, por envolver discussão entre seguradora e mutuário, e não afetar o FCVS (Fundo de Compensação de Variações Salariais), inexiste interesse da Caixa Econômica Federal a justificar a formação de litisconsórcio passivo necessário, sendo, portanto, da Justiça Estadual a competência para o seu julgamento" (REsp 1.091.363/SC, submetido ao regime do art. 543-C do CPC, SEGUNDA SEÇÃO, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJe 25/5/2009). 2. Em relação à competência do Juizado Especial Federal, na hipótese de litisconsórcio ativo, o valor da causa para fins de fixação da competência é calculado a partir da divisão do montante total pelo número de litisconsortes, sendo despiciendo verificar se a soma ultrapassa o valor de sessenta salários mínimos, previsto no art.3º , caput e § 3º, da Lei n. 10.259/2001. Precedente: AgRg no REsp 1.376.544/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 5/6/2013). 3. Com base nos fatos e provas tendentes a indicar o interesse da CEF no feito, o Tribunal de origem entendeu que não estavam presentes os critérios para reconhecimento da competência da Justiça Estadual, mas tão somente da Justiça Federal. Insuscetível de revisão o referido entendimento, por demandar reexame do conjunto fático-probatório, atraindo a aplicação da Súmula 7/STJ. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1503716/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/03/2015, DJe 11/03/2015.) Desta forma, aplica-se, à espécie, o enunciado da Súmula n. 83/STJ: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." Ressalte-se que o teor do referido enunciado aplica-se, inclusive, aos recursos especiais interpostos com fundamento na alínea a do permissivo constitucional. Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, a e b, do RISTJ, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se.