REsp 1944425 - DECISAO
O Recurso Especial não foi conhecido por falta de prequestionamento dos dispositivos do ECA apontados pelo recorrente, não tendo a tese recursal sido enfrentada no acórdão recorrido, o que torna inadmissível a via especial à luz da Súmula 282 do STF e da jurisprudência citada; com fundamento no art. 255, §4º, I, do...
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- Parties
- Recorrente: M JDA S G
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 September 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido Pelo STJ (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- Não conheço do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Competência Jurisdicional, Juizado Especial Da Fazenda Pública, Vara Da Infância E Da Juventude, Prequestionamento, Súmulas E Jurisprudência, Honorários Advocatícios
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Parties
M JDA S G
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido Pelo STJ (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 competência da Vara da Infância e Juventude versus competência do Juizado Especial da Fazenda Pública
- 2 prequestionamento e insuficiência de fundamentação para recurso especial
- 3 aplicação da Súmula 282 do STF e vedação de recurso extraordinário sem debate da questão federal no acórdão recorrido
Ratio Decidendi
O Recurso Especial não foi conhecido por falta de prequestionamento dos dispositivos do ECA apontados pelo recorrente, não tendo a tese recursal sido enfrentada no acórdão recorrido, o que torna inadmissível a via especial à luz da Súmula 282 do STF e da jurisprudência citada; com fundamento no art. 255, §4º, I, do RISTJ, o recurso foi não conhecido.
Court Disposition
Não conheço do Recurso Especial.
Orders
- Não conheço do Recurso Especial.
- Deixo de majorar os honorários advocatícios.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial, interposto por M JDA S G, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DEMATO GROSSO, assim ementado: "AGRAVO INTERNO - SAÚDE - DECISÃO MONOCRÁTICA - JUSTIÇA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE - INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS Nº. 85560/2016 - COMPETÊNCIA DO JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA - RECURSO DESPROVIDO - DECISÃO MANTIDA. 1.No julgamento do Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas nº. 85560/2016, restou decidido que compete ao Juizado Especial da Fazenda Pública processar e julgar as ações que não ultrapassem o valor de 60 (sessenta) salários mínimos, independente da complexidade da matéria e necessidade de produção de prova pericial. 2. O Superior Tribunal de Justiça ao analisar um caso concreto, no REsp 1372034/RO, constatouque a Lei dos Juizados Especiais da Fazenda Pública (Lei 12.153/09), no seu artigo 5º, inciso I, ao tratar de legitimidade ativa para as demandas que lhe são submetidas, faz alusão, tão somente, às pessoas físicas, não impondo qualquer restrição à capacidade das pessoas. 3. É possível inferir do exposto acima que, a Lei do Juizado Especial da Fazenda Pública disciplina de forma suficiente o tema referente a legitimidade para figurar em um dos polos de demanda sob o seu rito, não havendo restrição quanto aos incapazes" (fls. 205/206e). Nas razões do Recurso Especial, interposto com base no art. 105, III, a, da Constituição Federal, a parte ora recorrente aponta violação aos arts. 98, I, 148, IV, 208, VII e 209 do ECA, sustentando, em síntese, que, "apesar de o valor atribuído à causa não superar o teto de 60 de salários mínimos, previsto no art. 2º da Lei nº. 12.153/2009, não se aplica o rito dos Juizados Especiais da Fazenda Pública neste caso concreto, pois se trata de demanda que envolve interesse individual de titularidade de criança/adolescente, visando assegurar seu direito à saúde e, por isso, fixa-se a COMPETÊNCIA ABSOLUTA da Vara da Infância e Juventude" (fl. 227e). Por fim, requer o provimento do Recurso Especial. Não foram apresentadas contrarrazões. O Recurso Especial foi admitido, pelo Tribunal de origem (fls. 242/246e). A irresignação não merece conhecimento. Quanto à alegada ofensa aos arts.98, I, 148, 208, VII e 209 do ECA, o Recurso Especial não ultrapassa a admissibilidade, ante o óbice da Súmula 282 do Supremo Tribunal Federal ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada"). Isso porque, para que se configure o prequestionamento, não basta que o recorrente devolva a questão controvertida para o Tribunal, é necessário que a causa tenha sido decidida à luz da legislação federal indicada, bem como seja exercido juízo de valor sobre os dispositivos legais indicados e a tese recursal a eles vinculada, interpretando-se a sua aplicação ou não ao caso concreto. Nesse contexto, por simples cotejo das razões recursais e os fundamentos do acórdão, percebe-se que a tese recursal vinculada aosdispositivostidoscomo violadosnão foi apreciada no voto condutor, sequer de modo implícito, não tendo servido de fundamento à conclusão adotada pelo Tribunal de origem. A propósito: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO DO RECURSO. SÚMULA N. 284 DO STF. PREQUESTIONAMENTO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SUMULA N. 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. A deficiência na fundamentação do recurso, de modo a impedir a compreensão da suposta ofensa ao dispositivo legal invocado, obsta o conhecimento do recurso especial (Súmula n. 284/STF). 2. A simples indicação dos dispositivos legais tidos por violados, sem que o tema tenha sido enfrentado pelo acórdão recorrido, obsta o conhecimento do recurso especial, por falta de prequestionamento, a teor da Súmula n. 282 do STF. 3. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos ou interpretação de cláusula contratual, a teor do que dispõem as Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 4. No caso dos autos, a modificação das conclusões do acórdão recorrido, a respeito da conduta protelatória do agravante, para fins de afastamento da multa por litigância de má-fé, demandaria análise do conteúdo fático dos autos. 5. Agravo interno a que se nega provimento" (STJ, AgInt no AREsp 273.612/RJ, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, DJe de 23/03/2018). Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do Recurso Especial. Não obstante o disposto no art. 85, § 11, do CPC/2015 e no Enunciado Administrativo 7/STJ ("Somente nos recursos interpostos contra decisão publicada a partir de 18 de março de 2016 será possível o arbitramento de honorários sucumbenciais recursais, na forma do art. 85, § 11, do NCPC"), deixo de majorar os honorários advocatícios, tendo em vista que, na origem, não houve prévia fixação de honorários sucumbenciais. I.