CC 200857 - DECISAO
Concluiu-se que, tendo em vista que as espécies atingidas (Cedro - Cedrela dissilis e Pinheiro brasileiro - Araucaria angustifolia) constam da Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção (Portaria MMA n. 443/2014) e em razão da jurisprudência do STJ que reconhece que a inclusão na lista nacional evidencia...
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- Parties
- Réu: Tiago Maidanchem; Denunciante: Ministério Público de Santa Catarina; Suscitante: Juízo de Direito da Vara Única da Comarca de Papanduva/SC; Suscitado: Juízo Federal da 1ª Vara de Joinville - SJ/SC; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 March 2024
- Procedural Posture
- Conflito Negativo De Competência / Decisão Sobre Conflito De Competência (conhecimento E Declaração De Competência)
- Outcome
- Conhecido o conflito e declarada competente para julgar a ação penal o Juízo Federal da 1ª Vara de Joinville - SJ/SC (suscitado).
- Legal Topics
- Competência Jurisdicional, Crimes Ambientais, Espécies Ameaçadas De Extinção, Conflito De Competência
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Parties
Tiago Maidanchem
Réu
Ministério Público de Santa Catarina
Denunciante
Juízo de Direito da Vara Única da Comarca de Papanduva/SC
Suscitante
Juízo Federal da 1ª Vara de Joinville - SJ/SC
Suscitado
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Conflito Negativo De Competência / Decisão Sobre Conflito De Competência (conhecimento E Declaração De Competência)
Legal Issues
- 1 Se é da Justiça Federal ou Estadual a competência para julgar ação penal que imputa ao réu crimes previstos nos arts. 38-A c/c 53, II, c, da Lei 9.605/98 envolvendo supressão de espécies da flora ameaçadas de extinção
Ratio Decidendi
Concluiu-se que, tendo em vista que as espécies atingidas (Cedro - Cedrela dissilis e Pinheiro brasileiro - Araucaria angustifolia) constam da Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção (Portaria MMA n. 443/2014) e em razão da jurisprudência do STJ que reconhece que a inclusão na lista nacional evidencia interesse direto e específico da União, a competência para processar e julgar a ação penal é da Justiça Federal (Juízo Federal da 1ª Vara de Joinville - SJ/SC).
Court Disposition
Conhecido o conflito e declarada competente para julgar a ação penal o Juízo Federal da 1ª Vara de Joinville - SJ/SC (suscitado).
Orders
- Dê-se ciência aos Juízes em conflito.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de conflito negativo de competência suscitado pelo Juízo de Direito da Vara única da Comarca de Papanduva/SC em face de decisão do Juízo Federal da 1ª Vara Joinville - SJ/SC que se reputou incompetente para processar e julgar ação penal (n. 5003889-47.2023.4.04.7201 - numeração da Justiça Federal; ou n. 0000012-97.2018.8.24.0047 - numeração da Justiça Estadual), na qual se imputa a TIAGO MAIDANCHEM a prática do delito do art. 38-A, c/c art. 53, II, c, ambos da Lei nº 9.605/1998. De acordo com a denúncia ofertada pelo Ministério Público de Santa Catarina (e-STJ fls. 76/78), em fiscalização realizada no dia 03/03/2017, na propriedade do denunciado, situada na localidade de Coqueiros, interior do Município de Papanduva/SC, a Polícia Militar Ambiental constatou que o denunciado Tiago Maidanchem destruiu e danificou uma área de 0,80 ha de vegetação secundária nativa, em estágio médio de regeneração natural, em área de floresta ombrófila mista, inserida no Bioma Mata Atlântica, conforme disposto no artigo 2.º da Lei 11.428/2006, atingindo espécies nativas como Cuvitinga (Solanum granulosoleprosum Dunal), Vassourão, Palmeira-jerivá (Syagrus romanzoffiana), Cedro (Cedrela dissilis) e Pinheiro brasileiro (Araucaria angustifolia), sem prévia licença ou autorização do órgão ambiental competente. Salientou-se, na ocasião, que o Pinheiro brasileiro e o Cedro são espécies vegetais ameaçadas de extinção, devidamente catalogada na Instrução Normativa n. 06/2008 do Ministério do Meio Ambiente. Para o Juízo suscitado (da Justiça Federal), a despeito de o feito envolver a supressão de espécies da flora nacional ameaçadas de extinção, a conservação de espécies ameaçadas, ainda que listadas em ato federal, não significa interesse específico da União, mas de toda a comunidade brasileira. Ponderou, na ocasião, que "Em que pese o entendimento extraído do julgado no HC 121.681/RS, Rel. Min. Rosa Weber, DJe 21/09/2018, assim como de outros tribunais, cumpre ressaltar a ausência de posicionamento do colegiado do Supremo Tribunal Federal no que concerne à presença de interesse federal direto e específico da União em caso de lesão à espécie da flora ou fauna brasileira ameaçada de extinção" (e-STJ fl. 368); Concluiu, assim, que, tendo em vista que não há interesse jurídico direto e específico da União, suas autarquias e fundações (art. 109, inciso IV, da CF/88) a atrair a competência da Justiça Federal, reconsidero a de a decisão do evento 8.1, e DECLINO DA COMPETÊNCIA para processar e julgar os fatos objeto da presente ação penal em favor do juízo da Vara Única da Comarca de Papanduva/SC. Por sua vez, o Juízo suscitante (da Justiça Estadual), amparado em julgados do TRF da 4ª Região e do STJ, defendeu ser da Justiça Federal a competência para julgar crimes ambientais contra espécies ameaçadas de extinção. Instado a se manifestar sobre a controvérsia, o órgão do Ministério Público Federal que atua perante esta Corte opinou pela competência da Justiça Federal. É o relatório. Passo a decidir. O conflito merece ser conhecido, uma vez que os Juízos que suscitam a incompetência estão vinculados a Tribunais diversos, sujeitando-se, portanto, à jurisdição desta Corte, a teor do disposto no art. 105, inciso I, alínea "d", da Constituição Federal. Questiona-se nos autos se é da Justiça Federal ou Estadual a competência para o julgamento de ação penal na qual se imputa ao réu o cometimento de delitos previstos nos arts. 38-A c/c art. 53, II, alínea "c", ambos da Lei 9.605/98. De acordo com o Auto de constatação n. 007/3ªCIA/2ºBPMA 2017, datado de 03/03/2017 e assinado por três sargentos da Polícia Militar Ambiental da 3ª Companhia de Polícia Ambiental de Canoinhas/SC, no imóvel de propriedade do réu, um trator de esteira teria suprimido a totalidade da vegetação existente numa área de 0,80 hectares, fora de área considerada de preservação permanente. A vegetação em questão apresentava tipologia florestal (floresta ombrófila mista), com vegetação secundária em estágio médio de regeneração pertencente ao Bioma Mata Atlântica e "Dentre as espécies atingidas pelo dano podemos destacar Cuvetinga, Vassorão, Palmeira gerivá, Cedro e Pinheiro Brasileiro, sendo estas duas últimas espécies ameaçadas de extinção, por força da portaria nº 443/14 do Ministério do Meio Ambiente - MMA.)" (e-STJ fl. 28 - negritei). Como se sabe, a Justiça Federal somente detém competência para julgar crimes ambientais quando praticados em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, de suas entidades autárquicas ou de empresas públicas federais, hipóteses que se inserem no âmbito da competência genérica que lhe foi atribuída pelo art. 109, IV, da CF/88. Isso porque a preservação do meio ambiente é matéria de competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nos termos do art. 23, incisos VI e VII, da Constituição Federal. Consequência disso é que a competência do foro criminal federal não advém apenas do interesse genérico que tenha a União na preservação do meio ambiente. É necessário que a ofensa atinja interesse direto e específico da União, de suas entidades autárquicas ou de empresas públicas federais. Ou seja, inexistindo lesão a bens, serviços ou interesses da União ou de seus entes, afasta-se competência da Justiça Federal. Isso posto, o Pleno do Supremo Tribunal Federal - STF, apreciando o tema 648 da repercussão geral, fixou a seguinte tese: "Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime ambiental de caráter transnacional que envolva animais silvestres, ameaçados de extinção e espécimes exóticas ou protegidas por Tratados e Convenções internacionais". Referido julgado recebeu a seguinte ementa: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL PENAL. CRIME AMBIENTAL TRANSNACIONAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. INTERESSE DA UNIÃO RECONHECIDO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 1. As florestas, a fauna e a flora restam protegidas, no ordenamento jurídico inaugurado pela Constituição de 1988, como poder-dever comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (art. 23, VII, da Constituição da República). 2. Deveras, a Carta Magna dispõe que "todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações" (CF/88, art. 225, caput), incumbindo ao Poder Público "proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade" (CF/88, art. 225, § 1º, VII). 3. A competência de Justiça Estadual é residual, em confronto com a Justiça Federal, à luz da Constituição Federal e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. 4. A competência da Justiça Federal aplica-se aos crimes ambientais que também se enquadrem nas hipóteses previstas na Constituição, a saber: (a) a conduta atentar contra bens, serviços ou interesses diretos e específicos da União ou de suas entidades autárquicas; (b) os delitos, previstos tanto no direito interno quanto em tratado ou convenção internacional, tiverem iniciada a execução no país, mas o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro - ou na hipótese inversa; (c) tiverem sido cometidos a bordo de navios ou aeronaves; (d) houver grave violação de direitos humanos; ou ainda (e) guardarem conexão ou continência com outro crime de competência federal; ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral, conforme previsão expressa da Constituição. 5. As violações ambientais mais graves recentemente testemunhadas no plano internacional e no Brasil, repercutem de modo devastador na esfera dos direitos humanos e fundamentais de comunidades inteiras. E as graves infrações ambientais podem constituir, a um só tempo, graves violações de direitos humanos, máxime se considerarmos que o núcleo material elementar da dignidade humana "é composto do mínimo existencial, locução que identifica o conjunto de bens e utilidades básicas para a subsistência física e indispensável ao desfrute da própria liberdade. Aquém daquele patamar, ainda quando haja sobrevivência, não há dignidade". 6. A Ecologia, em suas várias vertentes, reconhece como diretriz principal a urgência no enfrentamento de problemas ambientais reais, que já logram pôr em perigo a própria vida na Terra, no paradigma da sociedade de risco. É que a crise ambiental traduz especial dramaticidade nos problemas que suscita, porquanto ameaçam a viabilidade do "continuum das espécies". Já, a interdependência das matrizes que unem as diferentes formas de vida, aliada à constatação de que a alteração de apenas um dos fatores nelas presentes pode produzir consequências significativas em todo o conjunto, reclamam uma linha de coordenação de políticas, segundo a lógica da responsabilidade compartilhada, expressa em regulação internacional centrada no multilateralismo. 7. (a) Os compromissos assumidos pelo Estado Brasileiro, perante a comunidade internacional, de proteção da fauna silvestre, de animais em extinção, de espécimes raras e da biodiversidade, revelaram a existência de interesse direto da União no caso de condutas que, a par de produzirem violação a estes bens jurídicos, ostentam a característica da transnacionalidade. (b) Deveras, o Estado Brasileiro é signatário de Convenções e acordos internacionais como a Convenção para a Proteção da Flora, da Fauna e das Belezas Cênicas Naturais dos Países da América (ratificada pelo Decreto Legislativo nº 3, de 1948, em vigor no Brasil desde 26 de novembro de 1965, promulgado pelo Decreto nº 58.054, de 23 de março de 1966); a Convenção de Washington sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES ratificada pelo Decreto-Lei nº 54/75 e promulgado pelo Decreto nº 76.623, de novembro de 1975) e a Convenção sobre Diversidade Biológica CDB (ratificada pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo nº 2, de 8 de fevereiro de 1994), o que destaca o seu inequívoco interesse na proteção e conservação da biodiversidade e recursos biológicos nacionais. (c) A República Federativa do Brasil, ao firmar a Convenção para a Proteção da Flora, da Fauna e das Belezas Cênicas Naturais dos Países da América, em vigor no Brasil desde 1965, assumiu, dentre outros compromissos, o de "tomar as medidas necessárias para a superintendência e regulamentação das importações, exportações e trânsito de espécies protegidas de flora e fauna, e de seus produtos, pelos seguintes meios: a) concessão de certificados que autorizem a exportação ou trânsito de espécies protegidas de flora e fauna ou de seus produtos". (d) Outrossim, o Estado Brasileiro ratificou sua adesão ao Princípio da Precaução, ao assinar a Declaração do Rio, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (RIO 92) e a Carta da Terra, no "Fórum Rio 5"; com fulcro neste princípio fundamental de direito internacional ambiental, os povos devem estabelecer mecanismos de combate preventivos às ações que ameaçam a utilização sustentável dos ecossistemas, biodiversidade e florestas, fenômeno jurídico que, a toda evidência, implica interesse direto da União quando a conduta revele repercussão no plano internacional. 8. A ratio essendi das normas consagradas no direito interno e no direito convencional conduz à conclusão de que a transnacionalidade do crime ambiental, voltado à exportação de animais silvestres, atinge interesse direto, específico e imediato da União, voltado à garantia da segurança ambiental no plano internacional, em atuação conjunta com a Comunidade das Nações. 9. (a) Atrai a competência da Justiça Federal a natureza transnacional do delito ambiental de exportação de animais silvestres, nos termos do art. 109, IV, da CF/88; (b) In casu, cuida-se de envio clandestino de animais silvestres ao exterior, a implicar interesse direto da União no controle de entrada e saída de animais do território nacional, bem como na observância dos compromissos do Estado brasileiro perante a Comunidade Internacional, para a garantia conjunta de concretização do que estabelecido nos acordos internacionais de proteção do direito fundamental à segurança ambiental. 10. Recurso extraordinário a que se dá provimento, com a fixação da seguinte tese: "Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime ambiental de caráter transnacional que envolva animais silvestres, ameaçados de extinção e espécimes exóticas ou protegidas por Tratados e Convenções internacionais". (RE 835558, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 09-02-2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-174 DIVULG 07-08-2017 PUBLIC 08-08-2017) Como se vê, o Pretório Excelso, na tese fixada no Tema 648 da sistemática da repercussão geral, reconheceu a competência da Justiça Federal na hipótese descrita no art. 109, inciso V, da Constituição Federal - CF. Isso posto, é de se observar, também, que, desde o cancelamento da súmula 91/STJ, a jurisprudência da Terceira Seção desta Corte vem entendendo que a inclusão de determinado animal na Lista Nacional de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção evidencia interesse direto e específico da União na apuração de condutas criminosas que atinjam espécies em risco de extinção. Nessa linha, cito, a título de exemplo, os seguintes julgados: CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. JUSTIÇA FEDERAL X JUSTIÇA ESTADUAL. PROCEDIMENTO INVESTIGATIVO. MANUTENÇÃO EM CATIVEIRO DE PÁSSAROS SILVESTRES SEM AUTORIZAÇÃO DOS ÓRGÃOS AMBIENTAIS. UMA DAS ESPÉCIES DE AVE APREENDIDA FIGURA NA LISTA NACIONAL DE ESPÉCIES DA FAUNA BRASILEIRA AMEAÇADA DE EXTINÇÃO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. 1. A preservação do meio ambiente é matéria de competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nos termos do art. 23, incisos VI e VII, da Constituição Federal. 2. A competência do foro criminal federal não advém apenas do interesse genérico que tenha a União na preservação do meio ambiente. É necessário que a ofensa atinja interesse direto e específico da União, de suas entidades autárquicas ou de empresas públicas federais. 3. Diante de tal entendimento, advindo após a edição da Lei n. 9.605/98, foi cancelado enunciado n. 91 da Súmula do STJ, que, editada com fundamento na Lei 5.107/67, atribuía à Justiça Federal a competência para processar e julgar os crimes cometidos contra a fauna. 4. Situação em que uma das seis espécies de aves apreendidas (Sporophila frontalis, conhecida popularmente como "Pixoxó" ou "Chanchão"), a par de constar em listas estaduais de espécies ameaçadas de extinção, figura, também, na Lista Nacional de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (Instrução Normativa n. 3, de 27 de maio de 2003, do Ministério do Meio Ambiente), o que evidencia prejuízo direto a interesse da União e, por consequência, a competência da Justiça Federal. 5. Conflito conhecido, para declarar competente para a condução procedimento investigativo o Juízo Federal da 1ª Vara de Petrópolis - Seção Judiciária do Rio de Janeiro, o Suscitante. (CC n. 143.880/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 13/4/2016, DJe de 25/4/2016.) PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CRIME CONTRA A FAUNA. ESPÉCIE DE AVE QUE FIGURA EM LISTA NACIONAL DE EXTINÇÃO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. 1. Tratando-se de matéria de competência comum, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, nos termos do art. 23, incisos VI e VII, da Constituição Federal, compete a preservação do meio ambiente. 2. Ressaindo interesse direto da União, a competência para processar e julgar crime contra a fauna é da Justiça Federal. No caso, tal situação está caracterizada, pois a ave objeto da ação delitiva figura em lista de ameaça de extinção editada pelo Ministério do Meio Ambiente (Portaria n. 444/2014). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no CC n. 151.367/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Terceira Seção, julgado em 13/6/2018, DJe de 22/6/2018.) Portanto, a inclusão de determinado animal em Lista Nacional de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção demonstra especial cuidado da União e de sua autarquia para com aquela espécie e, consequente, interesse direto em apurar crime que possa agravar a situação de perigo de desaparecimento na qual se encontra. Assim, tal circunstância é tida como suficiente, pela jurisprudência da Terceira Seção do STJ, para fixar a competência da Justiça Federal. Sobre o tema, há ainda recentes decisões monocráticas do STJ proferidas após o julgamento do RE 835558 pelo STF: CC n. 200.860/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 28/11/2023; CC n. 200.807/SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe de 16/11/2023; CC n. 200.859/SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, DJe de 09/11/2023; CC n. 189.620, Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 02/08/2022 e CC n. 163.944, Ministro Felix Fischer, DJe de 11/03/2019. O caso ora em análise não trata de crime praticado contra a fauna, mas sim contra a flora, contudo, por identidade de razões, o mesmo raciocínio deve ser aplicado, não sendo possível sustentar que a Lista Nacional de Espécies da Fauna Brasileira em Extinção tenha maior relevância que a Lista Nacional de Espécies da Flora Brasileira em Extinção. Em outras palavras, seria ilógico e incoerente inferir interesse direto e específico da União ou do IBAMA em preservar a fauna ameaçada de extinção e interesse meramente reflexo no caso da flora ameaçada de extinção. Nessa linha intelectiva, malgrado o caso concreto não trate de delito transnacional, tomo de empréstimo os tratados internacionais mencionados pelo STF no precedente do RE 835.558, com repercussão geral reconhecida (Tema 648), para demonstrar que o Brasil firmou o compromisso de proteger igualmente a fauna e a flora, sendo imprescindível a proteção de toda a biodiversidade em perigo de extinção. De se lembrar que, nos termo s do art. 53 da Lei 9.985/00 "o IBAMA elaborará e divulgará periodicamente uma relação revista e atualizada das espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção no território brasileiro". Adotando esse entendimento, confiram-se, entre outras, as seguintes decisões: CC n. 200.807/SC, Rel. Min. JOEL ILAN PACIORNIK, DJe de 16/11/2023; CC n. 200.856/SC, Rel. Min. JOEL ILAN PACIORNIK; CC n. 200.859/SC, Rel. Min. ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, DJe de 09/11/2023 ; Tudo isso posto, é incontroverso, nos autos, que as espécies da flora nativa Cedro (Cedrela dissilis) e Pinheiro brasileiro (Araucaria angustifolia) constam na lista de espécies ameaçadas de extinção, conforme relação descrita na Portaria do Ministério do Meio Ambiente n. 443, de 17/12/2014. Ante o exposto, amparado no art. 34, XXII, do Regimento Interno do STJ, conheço do conflito, para declarar competente para julgar a ação penal o Juízo Federal da 1ª Vara de Joinville - SJ/SC, o suscitado. Dê-se ciência aos Juízes em conflito. Intimem-se. EMENTA