AREsp 2375293 - DECISAO
Com o julgamento do RE 827.996/PR (Tema 1.011) pelo STF, que fixou tese sobre o interesse jurídico da CEF e a competência da Justiça Federal para demandas envolvendo apólices vinculadas ao FCVS, o recurso especial não comporta conhecimento no STJ e deve ser julgado prejudicado, porquanto compete ao tribunal de...
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- Parties
- Agravante: Sul América Companhia Nacional de Seguros
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão De Prejudicialidade E Determinação De Retorno Dos Autos À Origem
- Outcome
- Recurso prejudicado
- Legal Topics
- Competência Jurisdicional, Interesse Jurídico Da Caixa Econômica Federal, FCVS, Repercussão Geral (tema 1.011), Intervenção Da União/cef, Modulação De Efeitos, Questão Intertemporal
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Parties
Sul América Companhia Nacional de Seguros
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão De Prejudicialidade E Determinação De Retorno Dos Autos À Origem
Legal Issues
- 1 Existência de interesse jurídico da Caixa Econômica Federal para intervir em ações que discutem seguro vinculado ao FCVS
- 2 Competência da Justiça Federal para processar e julgar demandas envolvendo apólices públicas do SFH após MP 513/2010
- 3 Efeito da repercussão geral (Tema 1.011/STF) sobre processos em curso e necessidade de reexame pelo tribunal de origem
Ratio Decidendi
Com o julgamento do RE 827.996/PR (Tema 1.011) pelo STF, que fixou tese sobre o interesse jurídico da CEF e a competência da Justiça Federal para demandas envolvendo apólices vinculadas ao FCVS, o recurso especial não comporta conhecimento no STJ e deve ser julgado prejudicado, porquanto compete ao tribunal de origem reexaminar o processo e verificar conformidade do acórdão recorrido com a orientação fixada pelo STF, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC; assim, determinou-se o retorno dos autos à origem para que seja realizado o juízo de conformação ou manutenção do acórdão local frente à tese firmada pelo Tema RG 1.011/STF.
Court Disposition
Recurso prejudicado
Orders
- Julgo prejudicado o recurso
- Determino o retorno dos autos à origem para juízo de conformação ou manutenção do acórdão local, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo manejado pela Sul América Companhia Nacional de Seguros, contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (fl. 944): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. COMPETÊNCIA. INTERESSE DA CEF. COMPROMETIMENTO DO FCVS. NÃO DEMONSTRAÇÃO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Na hipótese, conforme consignado na própria decisão recorrida, verifica-se que não há comprovação de que as apólices são garantidas pelo FCVS. 2. Destarte, se o contrato não tem cobertura pelo FCVS, resta evidenciada a ausência de interesse da Caixa Econômica Federal na lide, com a consequente incompetência da Justiça Federal para processar e julgar a ação originária. 3. Agravo interno não provido. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 976/980). A parte recorrente aponta violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC; e 1º-A da Lei 12.409/11. Sustenta, em resumo, que: (I) a despeito dos embargos de declaração, o Tribunal a quo restou omisso acerca das questões neles suscitadas; (II) há necessidade de sobrestamento do feito, em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria recursal pelo STF, no bojo do RE 827.996/DF; e (III) é necessária a intervenção da Caixa Econômica Federal nesta demanda, independentemente da data de celebração do contrato, diante da cobertura securitária pelo FCVS, declarando-se a competência da Justiça Federal para a apreciação e decisão do feito. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. De início, verifica-se que o feito contém discussão sobre o interesse jurídico da Caixa Econômica Federal na demanda em que é postulada a cobertura securitária do FCVS em imóvel financiado com recursos do Sistema Financeiro de Habitação (ramo 66), em razão de vício na construção, assim como a consequente competência da Justiça Federal. Acerca da controvérsia tratada no acórdão recorrido, ressalta-se que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da questão em epígrafe, qual seja, a existência de interesse jurídico da Caixa Econômica Federal para ingressar como parte nas ações envolvendo seguro de mútuo habitacional no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação e, por consequência, a competência da Justiça Federal para o processamento e o julgamento das ações dessa natureza. Assim, ao julgar o mérito do Tema 1.011, no bojo do RE 827.996/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, em sessão virtual ocorrida aos 29/6/2020, o Tribunal Pleno fixou as seguintes teses: 1) "Considerando que, a partir da MP 513/2010 (que originou a Lei 12.409/2011 e suas alterações posteriores, MP 633/2013 e Lei 13.000/2014), a CEF passou a ser administradora do FCVS, é aplicável o art. 1º da MP 513/2010 aos processos em trâmite na data de sua entrada em vigor (26.11.2010): 1.1.) sem sentença de mérito (na fase de conhecimento), devendo os autos ser remetidos à Justiça Federal para análise do preenchimento dos requisitos legais acerca do interesse da CEF ou da União, caso haja provocação nesse sentido de quaisquer das partes ou intervenientes e respeitado o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011; e 1.2) com sentença de mérito (na fase de conhecimento), podendo a União e/ou a CEF intervir na causa na defesa do FCVS, de forma espontânea ou provocada, no estágio em que se encontre, em qualquer tempo e grau de jurisdição, nos termos do parágrafo único do art. 5º da Lei 9.469/1997, devendo o feito continuar tramitando na Justiça Comum Estadual até o exaurimento do cumprimento de sentença"; e 2) "Após 26.11.2010, é da Justiça Federal a competência para o processamento e julgamento das causas em que se discute contrato de seguro vinculado à apólice pública, na qual a CEF atue em defesa do FCVS, devendo haver o deslocamento do feito para aquele ramo judiciário a partir do momento em que a referida empresa pública federal ou a União, de forma espontânea ou provocada, indique o interesse em intervir na causa, observado o § 4º do art. 64 do CPC e/ou o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011" O acórdão restou assim ementado: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Contratos celebrados em que o instrumento estiver vinculado ao Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS) - Apólices públicas, ramo 66. 3. Interesse jurídico da Caixa Econômica Federal (CEF) na condição de administradora do FCVS. 4. Competência para processar e julgar demandas desse jaez após a MP 513/2010: em caso de solicitação de participação da CEF (ou da União), por quaisquer das partes ou intervenientes, após oitiva daquela indicando seu interesse, o feito deve ser remetido para análise do foro competente: Justiça Federal (art. 45 c/c art. 64 do CPC), observado o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011. Jurisprudência pacífica. 5. Questão intertemporal relativa aos processos em curso na entrada em vigor da MP 513/2010. Marco jurígeno. Sentença de mérito. Precedente. 6. Deslocamento para a Justiça Federal das demandas que não possuíam sentença de mérito prolatada na entrada em vigor da MP 513/2010 e desde que houvesse pedido espontâneo ou provocado de intervenção da CEF, nesta última situação após manifestação de seu interesse. 7. Manutenção da competência da Justiça Estadual para as demandas que possuam sentença de mérito proferida até a entrada em vigor da MP 513/2010. 8. Intervenção da União e/ou da CEF (na defesa do FCVS) solicitada nessa última hipótese. Possibilidade, em qualquer tempo e grau de jurisdição, acolhendo o feito no estágio em que se encontra, na forma do parágrafo único do art. 5º da Lei 9.469/1997. (RE 827.996, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 29/06/2020, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-208 DIVULG 20-08-2020 PUBLIC 21-08-2020) Por sua vez, os embargos de declaração foram acolhidos para modular os efeitos do acórdão. Veja-se: Embargos de declaração no recurso extraordinário. 2. Repercussão geral. Sistema Financeiro da Habitação (SFH). 3. Contratos celebrados em que o instrumento estiver vinculado ao Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS). Apólices públicas, ramo 66. 3. Interesse jurídico da Caixa Econômica Federal (CEF) na condição de administradora do FCVS. 4. Competência da Justiça Federal. 5. Cabimento. Ausência de requisitos de embargabilidade. 6. Interposição de embargos visando à rediscussão de matérias devidamente enfrentadas e rebatidas pelo Plenário. Impossibilidade. Precedentes. 7. Inexistência de quaisquer dos vícios do art. 1.022 do CPC. 8. Modulação dos efeitos. Necessidade de resguardo da segurança jurídica para manter a eficácia preclusiva da coisa julgada em relação aos processos já transitados em julgado, na fase de conhecimento, até a publicação do resultado do julgamento de mérito deste RE no Diário de Justiça Eletrônico (13.7.2020). 9. Embargos de declaração acolhidos, em parte, tão somente para modular os efeitos da tese firmada nesta RG (tema 1.011), mantendo a eficácia preclusiva da coisa julgada envolvendo os processos transitados em julgado, na fase de conhecimento, antes da publicação do resultado do julgamento de mérito no Diário de Justiça Eletrônico (13.7.2020) e restando inadmitida, desde já, futura ação rescisória. (RE 827.996 ED-segundos, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 09-11-2022, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 15-03-2023 PUBLIC 16-03-2023) Dessarte, ultimada a resolução da controvérsia em repercussão geral, resta patente que o presente caso não comporta solução na seara do presente recurso especial. Isso porque, nos termos do art. 1.040, II, do CPC, após o julgamento do recurso extraordinário submetido ao regime de repercussão geral ou do recurso especial submetido ao regime dos recursos repetitivos, "o órgão que proferiu o acórdão recorrido, na origem, reexaminará o processo de competência originária, a remessa necessária ou o recurso anteriormente julgado, se o acórdão recorrido contrariar a orientação do tribunal superior". De acordo com o art. 1.041 do CPC, somente no caso em que for mantido o acórdão divergente pelo órgão colegiado do Tribunal de origem, é que o recurso especial ou o extraordinário será remetido ao respectivo Tribunal Superior, na forma do art. 1.036, § 1º, do CPC. A respeito do tema, destacam-se os seguintes julgados desta Corte Superior: EDcl no AgInt no REsp 1.624.086/GO, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 18/06/2018; AgInt no REsp 1.374.542/SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe 14/5/2018; EDcl no AgInt no AREsp 524.004/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 08/06/2018. ANTE O EXPOSTO, julgo prejudicado o recurso e determino o retorno dos autos à origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação ou manutenção do acórdão local, frente ao que foi decidido pela Excelsa Corte sob o Tema RG 1.011/STF. Publique-se. EMENTA