AREsp 2592527 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e deu-se parcial provimento para confirmar a competência da Justiça Federal para o julgamento da ação, com fundamento no entendimento consolidado pelo Tema 1.011 do STF e na legitimidade conferida à Caixa Econômica Federal pela MP 513/2010 e Lei 12.409/2011 e suas alterações, afastando a...
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- Parties
- Agravante: TRADITIO COMPANHIA DE SEGUROS; Órgão Judicante/recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ; Parte Interessada/terceira Interessada: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo (em Recurso Especial) / Decisão Colegiada No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso para confirmar a competência da Justiça Federal para o julgamento do feito
- Legal Topics
- Competência Jurisdicional, Preclusão Pro Iudicato, Coisa Julgada, Seguro Habitacional (sfh), Legitimidade Da Caixa Econômica Federal, Tema 1.011 STF
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Parties
TRADITIO COMPANHIA DE SEGUROS
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ
Órgão Judicante/recorrido
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Parte Interessada/terceira Interessada
Procedural Posture
Agravo (em Recurso Especial) / Decisão Colegiada No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Competência da Justiça Federal versus Justiça Estadual para ações envolvendo apólice pública do seguro habitacional (Ramo 66) e interesse do FCVS
- 2 Preclusão quanto à matéria de ordem pública e limitação da rediscussão da competência
- 3 Alegação de negativa de prestação jurisdicional/omissão (art. 1.022, II, CPC/2015)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e deu-se parcial provimento para confirmar a competência da Justiça Federal para o julgamento da ação, com fundamento no entendimento consolidado pelo Tema 1.011 do STF e na legitimidade conferida à Caixa Econômica Federal pela MP 513/2010 e Lei 12.409/2011 e suas alterações, afastando a pretensão de preclusão que impediria o reconhecimento da competência federal.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso para confirmar a competência da Justiça Federal para o julgamento do feito
Orders
- Dar parcial provimento ao agravo para confirmar a competência da Justiça Federal para o julgamento do feito
- Publicar e intimar as partes
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto pela TRADITIO COMPANHIA DE SEGUROS contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, que não admitiu recurso especial fundado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional e que desafia acórdão assim ementado (e-STJ fl. 118): AGRAVO DE INSTRUMENTO. "AÇÃO DE RESPONSABILIDADE OBRIGACIONAL SECURITÁRIA". SISTEMA FINANCEIRO HABITACIONAL. SFH. DECISÃO AGRAVADA QUE DETERMINOU A REMESSA DOS AUTOS À JUSTIÇA FEDERAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL FIRMADA ANTERIORMENTE POR ESTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA, EM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. OCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO, AINDA QUE SE TRATE DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. REFORMA DA DECISÃO PARA DETERMINAR- SE O PROSSEGUIMENTO DO FEITO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONHECIDO E PROVIDO Embargos de declaração rejeitados (e-STJ fls. 214/221). No recurso especial obstaculizado, a parte recorrente apontou, além de dissídio pretoriano, violação do art. 1.022, II, do CPC/2015, aduzindo, preliminarmente, a negativa de prestação jurisdicional, e, no mérito, contrariedade das Leis 12.409/2011 e 13.000/2014, por entender que a Caixa Econômica Federal é competente para intervir no presente feito. Aduz, ainda, ofensa dos arts. 64, § 1º, 278, parágrafo único, e 505 do CPC/2015, sustentando a ausência de preclusão da questão de competência por se tratar de matéria de ordem pública. Contrarrazões às e-STJ fls. 381/389. O apelo nobre recebeu juízo negativo de admissibilidade pelo Tribunal de origem, tendo sido os fundamentos da aludida decisão atacados no recurso ora em exame. Passo a decidir. Em relação à alegada ofensa do art. 1.022, II, do CPC/2015, cumpre destacar que, ainda que o recorrente considere insubsistente ou incorreta a fundamentação utilizada pelo Tribunal nos julgamentos realizados, não há necessariamente ausência de manifestação. Não há como confundir o resultado desfavorável ao litigante com a falta de fundamentação, motivo pelo qual não se constata violação dos preceitos apontados. Consoante entendimento desta Corte, o magistrado não está obrigado a responder a todas as alegações das partes, tampouco a rebater um a um todos os seus argumentos, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como ocorre na espécie. Nesse sentido: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. DESAPROPRIAÇÃO. JULGAMENTO ULTRA PETITA. CONTROVÉRSIA RESOLVIDA, PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, À LUZ DAS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO, NA VIA ESPECIAL. RAZÕES DO AGRAVO QUE NÃO IMPUGNAM, ESPECIFICAMENTE, A DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS, NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INCONFORMISMO. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESSA EXTENSÃO, IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão que julgara recurso interposto contra decisum publicado na vigência do CPC/2015. .. IV. Não há falar, na hipótese, em violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC/2015, porquanto a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, de vez que os votos condutores do acórdão recorrido e do acórdão proferido em sede de Embargos de Declaração apreciaram fundamentadamente, de modo coerente e completo, as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida. V. Na forma da jurisprudência do STJ, não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional. Nesse sentido: STJ, EDcl no REsp 1.816.457/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 18/05/2020; AREsp 1.362.670/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 31/10/2018; REsp 801.101/MG, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/04/2008. VI. Agravo interno parcialmente conhecido, e, nessa extensão, improvido. (AgInt no AREsp n. 2.084.089/RO, Relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 12/9/2022, DJe de 15/9/2022.). No caso, o Tribunal a quo decidiu integralmente a controvérsia nos seguintes termos (e-STJ fls. 120/122): Consultando os autos de origem, verifica-se que a matéria referente à competência para o processamento e julgamento da lide já fora tratada por esta c. Câmara no bojo dos autos do Agravo de Instrumento n.º 1.237.717-2, que reconheceu a competência da Justiça Estadual ao conhecimento e julgamento da lide, senão veja-se (mov. 1.90): .. Em 20.01.17 determinou-se a baixa definitiva do recurso, com certidão de trânsito em julgado (mov. 1.24, fl. 41). É, portanto, necessário o provimento deste recurso pela existência de preclusão, que impede a rediscussão sobre a competência ao processamento e julgamento da lide. Ora, ainda que se trate de matéria de ordem pública, suscetível de apreciação em qualquer tempo e grau de jurisdição, o curso do processo não pode ser alterado ilimitadamente, consoante o preconiza o artigo 507 1 do Código de Processo Civil. .. Em suma, considerando que a competência da Justiça Estadual é matéria já decidida e que se encontra acobertada pela preclusão, é o caso de se dar provimento ao Agravo de Instrumento, cassando-se a decisão e determinando-se o prosseguimento do feito na origem pelos motivos acima expostos. Assim, inexiste omissão a sanar. Contudo, de acordo com a jurisprudência do STJ, estando em curso a lide, inexiste preclusão pro judicato para apreciação de competência absoluta (AgInt no AREsp 1.554.131/SC, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 25/4/2022, DJe de 27/4/2022). Nesse mesmo sentido: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. COISA JULGADA. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 211/STJ. INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA. PROCESSO EM CURSO. PRECLUSÃO PRO IUDICATO. INEXISTÊNCIA. LIMITE SUBJETIVO DA COISA JULGADA. REMESSA DOS AUTOS À JUSTIÇA FEDERAL. SEGURO HABITACIONAL. SFH. AÇÃO AJUIZADA APÓS A VIGÊNCIA DA MP N. 513/2010, CONVERTIDA NA LEI N. 12.409/2011. INTERESSE JURÍDICO DA CEF. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. RE N. 827.996/PR, REPERCUSSÃO GERAL. 1. Observa-se que o Tribunal de origem, ao dar provimento à apelação, limitou-se a abordar a questão da competência da Justiça Federal para o julgamento da ação que envolve apólice pública que compromete o FCVS (Ramo 66) e a ausência de preclusão pro iudicato, sem abordar a específica questão de que a competência da justiça estadual já teria sido objeto de análise no Agravo de Instrumento n. 2011.049936-9. Incidência da Súmula n. 211/STJ. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que, estando em curso o processo, inexiste preclusão pro judicato para apreciação de competência absoluta. Incidência da Súmula n. 568/STJ. 3. "Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a sentença não pode prejudicar terceiros, haja vista os limites subjetivos e objetivos da eficácia da coisa julgada" (AgInt nos EDcl no REsp n. 2.001.143/TO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/12/2023). Assim, a alegada coisa julgada relativa à competência firmada entre o agravante e a Caixa Seguradora S.A. não poderia ser oponível à Caixa Econômica Federal (CEF), que não integrou nenhum dos polos do Agravo de Instrumento n. 2011.049936-9, até porque, se assim o estivesse, somente à justiça federal caberia decidir sobre sua legitimidade, a teor da previsão contida na Súmula n. 150/STJ, e, só então, poderia o agravante eventualmente suscitar a formação de coisa julgada em desfavor da empresa pública. 4. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n. 827.996/PR, submetido a repercussão geral, decidiu que a MP n. 513/2010 (convertida na Lei n. 12.409/2011) e suas alterações posteriores (MP n. 633/2013 e Lei n. 13.000/2014) conferiram à CEF a atribuição de representar judicial e extrajudicialmente os interesses do FCVS, a qual deverá assumir sua defesa e ingressar nos feitos em andamento que discutam sinistralidade que possa atingir o referido fundo. 5. No caso em apreço, a demanda foi proposta em 2011, quando já estava em vigor a Medida Provisória n. 513/2010, convertida na Lei n. 12.409/2011, que conferiu legitimidade à CEF para integrar o polo passivo, na condição de litisconsorte ou de assistente simples, nas ações que envolvem apólice pública do seguro habitacional (Ramo 66). Inafastável competência da Justiça Federal para julgamento do feito. Agravo interno improvido.(AgInt no REsp n. 1.970.315/SC, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 29/2/2024.) (Grifos acrescidos). ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO DEMONSTRADA. COMPETÊNCIA ABSOLUTA DA JUSTIÇA FEDERAL PROCLAMADA EM ANTERIOR AGRAVO DE INSTRUMENTO. POSTERIOR DECLARAÇÃO DE SUA INCOMPETÊNCIA EM APELAÇÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRESSUPOSTO PROCESSUAL. ART. 473 DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO PRO JUDICATO. .. 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, estando em curso a lide, inexiste preclusão pro judicato diante de matérias de ordem pública, de que é exemplo a apreciação do pressuposto processual concernente à competência absoluta. Precedentes. .. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp n. 1.240.091/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 18/10/2016, DJe de 2/2/2017.) (Grifos acrescidos). AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE RECONHECEU DE OFÍCIO A INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM. INSURGÊNCIA DA PARTE DEMANDADA. 1. Nos termos da jurisprudência do STJ, havendo cumulação de pretensões distintas, sendo um pedido antecedente, de reconhecimento da natureza salarial da verba CTVA, em face da ex-empregadora (CEF), deve a ação prosseguir primeiramente na Justiça do Trabalho. 2. A incompetência absoluta pode ser conhecida de ofício em qualquer tempo ou grau de jurisdição, e não está sujeita à preclusão pro judicato. Precedentes. 3. Não cabe ao STJ o exame de dispositivos constitucionais em sede de embargos de declaração, ainda que manejados para fins de prequestionamento. Precedentes. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl nos EDcl no AgInt no AREsp n. 1.301.661/DF, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 4/5/2020, DJe de 7/5/2020.) (Grifos acrescidos). Nesse mesmo sentido: AgInt nos EDcl no AgInt no REsp 1.704.500/DF, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 28/10/2019, DJe de 30/10/2019; e REsp 1.287.317/SP, de minha relatoria, Primeira Turma, julgado em 21/9/2017, DJe de 19/12/2017. Dessa forma, deve prevalecer a combatida decisão do TJ/PR que, aplicando o entendimento firmado no Tema 1.011/STF (item 1.1), decidiu ser da Justiça Federal a competência para julgar a ação (e-STJ fls. 69/70). Ante o exposto, com base no art. 253, II, parágrafo único, "c", do RISTJ, CONHEÇO do agravo para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para confirmar a competência da Justiça Federal para o julgamento do feito (Tema 1.011 do STF - item 1.1) . Publique-se. Intimem-se. EMENTA