AREsp 2518204 - DECISAO
Reconsiderando decisão anterior, o tribunal concluiu que, não tendo sido prolatada sentença de mérito até 26/11/2010, os autos devem permanecer na Justiça Federal com relação a todos os autores para que seja aferido o interesse da Caixa Econômica Federal ou da União, nos termos da tese firmada pelo STF no Tema 1.011...
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- Parties
- Agravante (agravo Interno): SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS; Recorrente/parte Autora Do Recurso Especial: TRADITIO COMPANHIA DE SEGUROS; Interveniente/administradora Do FCVS: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL; Parte Interessada: UNIÃO; Autora: APARECIDA DE SOUZA SILVÉRIO; Autora: MARLI PEREIRA PIMENTA; Tribunal De Origem: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno (sobre Decisão Que Não Conheceu Recurso Especial) / Juízo De Retratação/decisão Final Sobre Admissibilidade E Competência
- Outcome
- Decisão reconsiderada; agravo conhecido e recurso especial provido
- Legal Topics
- Competência Jurisdicional, Intervenção Da Caixa Econômica Federal, Apólice Pública (ramo 66), FCVS, Tema 1.011 Do STF, Desmembramento De Ação
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Parties
SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS
Agravante (agravo Interno)
TRADITIO COMPANHIA DE SEGUROS
Recorrente/parte Autora Do Recurso Especial
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Interveniente/administradora Do FCVS
UNIÃO
Parte Interessada
APARECIDA DE SOUZA SILVÉRIO
Autora
MARLI PEREIRA PIMENTA
Autora
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO
Tribunal De Origem
Procedural Posture
Agravo Interno (sobre Decisão Que Não Conheceu Recurso Especial) / Juízo De Retratação/decisão Final Sobre Admissibilidade E Competência
Legal Issues
- 1 aplicação do Tema 1.011 do STF
- 2 competência da Justiça Federal para ações sobre contratos vinculados ao FCVS após MP 513/2010
- 3 legitimidade da CEF para intervir como parte na defesa do FCVS
Ratio Decidendi
Reconsiderando decisão anterior, o tribunal concluiu que, não tendo sido prolatada sentença de mérito até 26/11/2010, os autos devem permanecer na Justiça Federal com relação a todos os autores para que seja aferido o interesse da Caixa Econômica Federal ou da União, nos termos da tese firmada pelo STF no Tema 1.011 e da disciplina trazida pela MP/Lei que regulam a administração do FCVS.
Court Disposition
Decisão reconsiderada; agravo conhecido e recurso especial provido
Orders
- Tornar sem efeito a decisão anterior (e-STJ fls. 1.546/1.549).
- Conhecer do agravo e dar provimento ao recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto por SUL AMÉRICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS para desafiar decisão de minha lavra, proferida às e-STJ fls. 1.546/1.549, em que conheci do agravo para não conhecer do recurso especial, por incidência da Súmula 7 do STJ. No presente agravo interno, a parte agravante sustenta que não se trata de reexame de fatos e provas e defende a aplicação do Tema 1.011 do STF. Requer, assim, a reconsideração da decisão impugnada ou a sua submissão ao Órgão colegiado. Passo a decidir. Exerço o juízo de retratação, tendo em vista os argumentos suscitados pela parte, passando a nova análise da insurgência. Cuida-se de agravo interposto por TRADITIO COMPANHIA DE SEGUROS contra decisão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, que não admitiu recurso especial, fundado na alínea "a" do permissivo constitucional, o qual desafia acórdão assim ementado (e-STJ fl. 1.075): AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. COBERTURA SECURITÁRIA. APÓLICE PÚBLICA ("RAMO 66"). TESE NO TEMA 1.011 DO E.STF. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. LEGITIMIDADE DA CEF. COMPETÊNCIA. NECESSIDADE DE DESMEMBRAMENTO. - Decorrente do sistema de precedentes adotado pela ordem constitucional e pela legislação processual civil, o juízo de retratação tem a extensão da divergência constatada entre o julgamento proferido pelas instâncias recursais ordinárias e as teses definidas pelas instâncias competentes. Por esse motivo, e em favor da unidade do direito e da pacificação dos litígios e da otimização da prestação jurisdicional, o novo julgamento deve se ater ao objeto dessa divergência (incluídos os aspectos dela obrigatoriamente derivados ou inevitavelmente conexos), respeitados os mandamentos constitucionais e legais do processo. - Em vista de o presente julgamento estar delimitado pela extensão do contido no Tema 1.011 do E. STF, cumprindo a decisão da Vice-Presidência desta Corte, passo a proferir novo voto em juízo de retratação. - Pelo contido na MP nº 513 (DOU de 26/11/2010, convertida na Lei nº 12.409/2011) e na MP nº 633 (DOU de 26/12/2013, que resultou na Lei nº 13.000/2014, incluindo o art. 1º-A na Lei 12.409/2011), e em vista do decidido pelo E.STF (RE 827.996, Tema 1.011), não há mais a limitação temporal, afirmada pelo E.STJ (REsp 1091363/SC, Temas 50 e 51), no sentido de que apenas os contratos celebrados a partir de 02/12/1988 justificariam o interesse da CEF em ingressar em lides discutindo cobertura securitária, tampouco sendo necessário que essa instituição financeira comprove o comprometimento do FCVS (com risco efetivo de exaurimento da reserva técnica do FESA). Segundo a ratio decidendi do julgado pelo E.STF, basta que os contratos estejam vinculados ao FCVS mediante apólices públicas ("ramo 66") para que a CEF intervenha como parte (autora ou ré) nas referidas ações (não como assistente simples), observando-se a data de ajuizamento do feito e de eventual sentença para fixação da competência federal ou estadual. - No caso dos autos, a ação foi ajuizada posteriormente à entrada em vigor da MP nº 513/2010. Com relação às autoras Aparecida de Souza Silvério e Marli Pereira Pimenta, inexistindo comprovação de comprometimento do FCVS, resta afastado o interesse da CEF em ingressar no feito. Os contratos dos demais autores possuem cobertura do FCVS e estão vinculados à apólice pública, legitimando a intervenção da CEF (como ré), com consequente competência da Justiça Federal. - Deverá ser providenciado o desmembramento da ação, nos termos do art. 1º-A, §8º, da Lei 12.409/2011, incluído pela Lei nº 13.000/2014, com a remessa ao Juízo Estadual no que tange às autoras Aparecida de Souza Silvério e Marli Pereira Pimenta. - Agravo de instrumento parcialmente provido. Embargos de declaração rejeitados (e-STJ fl. 1.241). No recurso especial obstaculizado, a parte recorrente apontou violação do art. 1º-A da Lei n. 12.409/2011 e defende o reconhecimento do interesse da Caixa Econômica Federal, com relação a todos os autores. Contrarrazões às e-STJ fls. 1.394/1.400. O apelo nobre recebeu juízo negativo de admissibilidade pelo Tribunal de origem, tendo sido os fundamentos da aludida decisão atacados no recurso ora em exame. Pois bem. Compulsando os autos, observo que o acórdão recorrido merece reforma. É que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Tema 1.011 sob o regime da repercussão geral, assentou que a MP n. 513/2010 (convertida na Lei n. 12.409/2011 e suas alterações posteriores - MP 633/2013 e Lei n. 13.000/2014) conferiu à Caixa Econômica Federal - CEF a atribuição de representar judicial e extrajudicialmente os interesses do FCVS, "que deverá assumir sua defesa e ingressar nos feitos em andamento que discutam sinistralidade que possa atingir o FCVS". Na ocasião, estabeleceram-se os seguintes marcos jurídicos para a definição da competência: 1) Considerando que, a partir da MP 513/2010 (que originou a Lei 12.409/2011 e suas alterações posteriores, MP 633/2013 e Lei 13.000/2014), a CEF passou a ser administradora do FCVS, é aplicável o art. 1º da MP 513/2010 aos processos em trâmite na data de sua entrada em vigor (26.11.2010): 1.1.) sem sentença de mérito (na fase de conhecimento), devendo os autos ser remetidos à Justiça Federal para análise do preenchimento dos requisitos legais acerca do interesse da CEF ou da União, caso haja provocação nesse sentido de quaisquer das partes ou intervenientes e respeitado o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011; e 1.2) com sentença de mérito (na fase de conhecimento), podendo a União e/ou a CEF intervir na causa na defesa do FCVS, de forma espontânea ou provocada, no estágio em que se encontre, em qualquer tempo e grau de jurisdição, nos termos do parágrafo único do art. 5º da Lei 9.469/1997, devendo o feito continuar tramitando na Justiça Comum Estadual até o exaurimento do cumprimento de sentença"; e 2) "Após 26.11.2010, é da Justiça Federal a competência para o processamento e julgamento das causas em que se discute contrato de seguro vinculado à apólice pública, na qual a CEF atue em defesa do FCVS, devendo haver o deslocamento do feito para aquele ramo judiciário a partir do momento em que a referida empresa pública federal ou a União, de forma espontânea ou provocada, indique o interesse em intervir na causa, observado o § 4º do art. 64 do CPC e/ou o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011. (Grifos acrescidos). Eis a ementa do aludido acórdão: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Contratos celebrados em que o instrumento estiver vinculado ao Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS) - Apólices públicas, ramo 66. 3. Interesse jurídico da Caixa Econômica Federal (CEF) na condição de administradora do FCVS. 4. Competência para processar e julgar demandas desse jaez após a MP 513/2010: em caso de solicitação de participação da CEF (ou da União), por quaisquer das partes ou intervenientes, após oitiva daquela indicando seu interesse, o feito deve ser remetido para análise do foro competente: Justiça Federal (art. 45 c/c art. 64 do CPC), observado o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011. Jurisprudência pacífica. 5. Questão intertemporal relativa aos processos em curso na entrada em vigor da MP 513/2010. Marco jurígeno. Sentença de mérito. Precedente. 6. Deslocamento para a Justiça Federal das demandas que não possuíam sentença de mérito prolatada na entrada em vigor da MP 513/2010 e desde que houvesse pedido espontâneo ou provocado de intervenção da CEF, nesta última situação após manifestação de seu interesse. 7. Manutenção da competência da Justiça Estadual para as demandas que possuam sentença de mérito proferida até a entrada em vigor da MP 513/2010. 8. Intervenção da União e/ou da CEF (na defesa do FCVS) solicitada nessa última hipótese. Possibilidade, em qualquer tempo e grau de jurisdição, acolhendo o feito no estágio em que se encontra, na forma do parágrafo único do art. 5º da Lei 9.469/1997 (DJe 21/08/2020). No caso vertente, não tendo sido prolatada a respectiva sentença (na fase de conhecimento) até 26/11/2010, é de rigor a manutenção dos autos na Justiça Federal, com relação a todos os autores, para que seja aferido o interesse da CAIXA ou da UNIÃO. Ante o exposto, RECONSIDERO a decisão de e-STJ fls. 1.546/1.549, tornando-a sem efeito, e, com base no art. 253, II, parágrafo único, "c", do RISTJ, CONHEÇO do agravo para DAR PROVIMENTO ao recurso especial para determinar a manutenção dos autos na Justiça Federal, com relação a todos os autores, consoante tese firmada pelo STF no julgamento do Tema 1.011 (item 2). Publique-se. Intimem-se. EMENTA