CC 212765 - DECISAO
Conhecer do conflito e declarar competente a Justiça comum estadual (Juízo de Direito da 5ª Vara Cível de São Caetano do Sul) porque a demanda tem como causa de pedir a alegação de má-fé/ fraude no contrato de prestação de serviços, exigindo-se análise prévia da validade do negócio jurídico pela Justiça Comum antes...
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- Parties
- Reclamante: VALDEMIR JOSÉ PIRES; Reclamado: 3CON CONSULTORIA E SISTEMAS S.A.; Reclamados: OUTROS; Suscitante: JUÍZO DE DIREITO DA 5ª VARA CÍVEL DE SÃO CAETANO DO SUL (SP); Suscitado: JUÍZO DA 3ª VARA DO TRABALHO DE SÃO CAETANO DO SUL (SP); Interveniente: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 May 2025
- Procedural Posture
- Conflito Negativo De Competência / Decisão
- Outcome
- Conheço do conflito e declaro competente o Juízo de Direito da 5ª Vara Cível de São Caetano do Sul (SP), o suscitante.
- Legal Topics
- Competência Jurisdicional, Reconhecimento De Vínculo Empregatício, Contrato De Prestação De Serviços, Anulação Do Negócio Jurídico, Fraude/ Má Fé Na Contratação
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Parties
VALDEMIR JOSÉ PIRES
Reclamante
3CON CONSULTORIA E SISTEMAS S.A.
Reclamado
OUTROS
Reclamados
JUÍZO DE DIREITO DA 5ª VARA CÍVEL DE SÃO CAETANO DO SUL (SP)
Suscitante
JUÍZO DA 3ª VARA DO TRABALHO DE SÃO CAETANO DO SUL (SP)
Suscitado
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interveniente
Procedural Posture
Conflito Negativo De Competência / Decisão
Legal Issues
- 1 definição da competência para processar reclamação trabalhista que busca reconhecimento de vínculo empregatício quando há alegação de fraude no contrato de prestação de serviços
- 2 se é necessária análise prévia da validade do contrato pela justiça comum antes da atuação da Justiça do Trabalho
- 3 aplicabilidade do Tema n. 725 do STF e precedentes do STJ
Ratio Decidendi
Conhecer do conflito e declarar competente a Justiça comum estadual (Juízo de Direito da 5ª Vara Cível de São Caetano do Sul) porque a demanda tem como causa de pedir a alegação de má-fé/ fraude no contrato de prestação de serviços, exigindo-se análise prévia da validade do negócio jurídico pela Justiça Comum antes de eventual reconhecimento de vínculo empregatício pela Justiça do Trabalho.
Court Disposition
Conheço do conflito e declaro competente o Juízo de Direito da 5ª Vara Cível de São Caetano do Sul (SP), o suscitante.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de conflito negativo de competência entre o JUÍZO DE DIREITO DA 5ª VARA CÍVEL DE SÃO CAETANO DO SUL (SP) e o JUÍZO DA 3ª VARA DO TRABALHO DE SÃO CAETANO DO SUL (SP) para definir a competência para processamento e julgamento de reclamação trabalhista ajuizada por VALDEMIR JOSÉ PIRES em desfavor de 3CON CONSULTORIA E SISTEMAS S.A. e OUTROS, objetivando o reconhecimento de vínculo empregatício e a condenação dos reclamados ao pagamento das verbas trabalhistas. O JUÍZO DA 3ª VARA DO TRABALHO DE SÃO CAETANO DO SUL (SP), no qual a ação foi proposta, com fundamento no Tema n. 725 do STF, declinou de sua competência e determinou a remessa dos autos à Justiça comum (fls. 91-93). O JUÍZO DE DIREITO DA 5ª VARA CÍVEL DE SÃO CAETANO DO SUL (SP), por sua vez, suscitou o presente conflito (fls. 94-96). O Ministério Público Federal manifestou-se pelo conhecimento do conflito negativo de competência e, no mérito, pela competência do Juízo da 3ª Vara do Trabalho de São Caetano do Sul (SP), o suscitado, para processar e julgar a demanda (fls. 102-108). É o relatório. Decido. Inicialmente, conheço do conflito, porquanto envolve juízos vinculados a tribunais diversos, nos moldes delineados pelo art. 105, I, d, da Constituição Federal. Segundo a iterativa jurisprudência desta Corte, a definição da competência em razão da matéria está adstrita à natureza jurídica da demanda, definida em função do pedido e da causa de pedir deduzidos em juízo. No caso, a pretensão veiculada na inicial (fl. 3-90) - reclamação trabalhista -, por sua natureza, está lastreada em uma discussão a respeito da relação de trabalho, mas fundamentada essencialmente na alegação de reconhecimento do vínculo empregatício e na condenação ao pagamento das verbas trabalhistas. Assim, a controvérsia cinge-se a definir o órgão competente para apreciar ação que se baseia na alegação de desvirtuamento do contrato de natureza autônoma mantido com 3CON Consultoria e Sistemas S.A. e outros, objetivando a parte autora o reconhecimento, em seu lugar, de vínculo empregatício. A propósito, o Juízo suscitado destaca o seguinte (fl. 92): Ocorre que o STF vem reconhecendo, de forma reiterada, em lides que envolvem a discussão do preenchimento dos requisitos exigidos pela Lei nº 11.442/2007, que o exame preliminar da natureza jurídidca da relação das partes (prestador e tomador de serviços), é da comp etência da Justiça Comum, sendo da Justiça do Trabalho apenas a competência residual (p.ex. Reclamação Constitucional 58.069). Esta Corte já decidiu sobre a matéria, entendendo que, nessa hipótese, o deslinde da questão necessita, no âmbito da Justiça comum, da análise prévia da alegação de fraude no negócio vigente entre as partes para, posteriormente, ensejar a análise pela Justiça especializada. Isso porque não há como reconhecer a caracterização de relação de emprego sem antes verificar a validade ou não do contrato de prestação de serviços do qual a parte autora participou como contratada. Assim, a causa de pedir está fundada na existência de má-fé da empresa na entabulação do contrato originário, de modo que é inviável decidir o pleito principal de reconhecimento de vínculo empregatício sem adentrar a causa de pedir deduzida na ação. Feitas essas considerações, impõe-se o reconhecimento da competência da Justiça comum estadual para processar e julgar a presente demanda, pois, apenas após reconhecido eventual vício de consentimento ou social, com a consequente anulação do negócio jurídico preexistente, é que haverá a possibilidade de se pleitear, na Justiça do Trabalho, o reconhecimento do alegado vínculo empregatício. A propósito, confira-se o seguinte precedente: AgInt no CC n. 191.676/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Segunda Seção, julgado em 8/3/2023, DJe de 13/3/2023. No mesmo sentido, as seguintes decisões monocráticas: CC n. 208.944/MG, relatora Ministra Nancy Andrighi, DJe de 12/11/2024; CC n. 205.029/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, DJe de 29/5/2024. Ante o exposto, conheço do conflito para declarar competente o Juízo de Direito da 5ª Vara Cível de São Caetano do Sul (SP ) , o suscitante. Publique-se. Intimem-se. EMENTA