CC 213238 - DECISAO
Porquanto a demanda decorre de contratação sem concurso público pelo Município de Cristais, a relação é de natureza jurídico-administrativa, ainda que irregular, de modo que a competência para processar e julgar é da Justiça Comum (Juízo de Direito da 2ª Vara Cível de Campo Belo/MG), em conformidade com a orientação...
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- Parties
- Suscitante: Juízo da 2ª Vara do Trabalho de Formiga/MG; Suscitado: Juízo de Direito da 2ª Vara Cível de Campo Belo/MG; Reclamante: enfermeira (reclamante); Reclamada: Município de Cristais; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 May 2025
- Procedural Posture
- Conflito Negativo De Competência / Decisão (conhecimento E Declaração De Competência)
- Outcome
- Declaro competente o Juízo de Direito da 2ª Vara Cível de Campo Belo/MG para processar e julgar a demanda.
- Legal Topics
- Competência Jurisdicional, Contratação Sem Concurso Público, Servidor Público, Reclamação Trabalhista, Emenda Constitucional N. 45/2004, ADI 3.395/df
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Parties
Juízo da 2ª Vara do Trabalho de Formiga/MG
Suscitante
Juízo de Direito da 2ª Vara Cível de Campo Belo/MG
Suscitado
enfermeira (reclamante)
Reclamante
Município de Cristais
Reclamada
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Conflito Negativo De Competência / Decisão (conhecimento E Declaração De Competência)
Legal Issues
- 1 qual juízo é competente para processar reclamação trabalhista decorrente de contratação sem concurso público pelo Município
- 2 se a contratação irregular com o Poder Público tem natureza jurídico-administrativa e, portanto, competência da Justiça Comum
- 3 incidência da EC 45/2004 e da ADI 3.395/DF sobre a competência
Ratio Decidendi
Porquanto a demanda decorre de contratação sem concurso público pelo Município de Cristais, a relação é de natureza jurídico-administrativa, ainda que irregular, de modo que a competência para processar e julgar é da Justiça Comum (Juízo de Direito da 2ª Vara Cível de Campo Belo/MG), em conformidade com a orientação do STF na ADI 3.395/DF e precedentes do STJ.
Court Disposition
Declaro competente o Juízo de Direito da 2ª Vara Cível de Campo Belo/MG para processar e julgar a demanda.
Orders
- Conheço do conflito
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de conflito negativo de competência entre o Juízo da 2ª Vara do Trabalho de Formiga/MG ora suscitante, e o Juízo de Direito da 2ª Vara Cível de Campo Belo/MG, ora suscitado. Cinge-se a controvérsia à competência para processar e julgar reclamação trabalhista ajuizada por enfermeira que teria prestado serviço ao Município de Cristais, mediante contrato por prazo indeterminado, requerendo o recebimento do aviso prévio indenizado, das férias vencidas, o recolhimento do FGTS e o pagamento de outras verbas rescisórias e trabalhistas. Manifestou-se o Ministério Público Federal pelo conhecimento do conflito para que seja declarado competente o Juízo de Direito da 2ª Vara Cível de Campo Belo/MG (fls. 222/225). É o relatório. Com o advento da Emenda Constitucional n. 45/2004, a competência para conhecer das ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de Direito Público externo e da Administração Pública Direta e Indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, passou a ser da Justiça do Trabalho. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, no julgamento da ADI 3.395/DF, em 05/04/2006, referendou liminar anteriormente concedida para suspender qualquer interpretação do art. 114, I, da CF, alterado pela EC n. 45/2004, que atribuísse à Justiça do Trabalho a competência para apreciar as causas instauradas entre o Poder Público e seus servidores, a ele vinculados por típica relação de ordem estatutária ou de caráter jurídico-administrativo. Da análise dos autos, verifica-se que a demanda envolve a contratação sem concurso público pelo Município de Cristais, tratando-se de relação jurídico-administrativa, ainda que por contratação irregular. Nesse sentido, a competência é da Justiça comum, no caso, do Juízo de Direito da 2ª Vara Cível de Campo Belo/MG, ora suscitado. A esse respeito, confiram-se os seguintes precedentes da Seção de Direito Público do STJ: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. CONTRATAÇÃO SEM CONCURSO PÚBLICO OU PROCESSO SELETIVO. NATUREZA JURÍDICO-ADMINISTRATIVA. CONTRATAÇÃO IRREGULAR COM O PODER PÚBLICO. ATO DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM PARA RESOLVER AS CONTROVÉRSIAS PERTINENTES. I - Trata-se de conflito negativo de competência instaurado entre o Juízo de Direito da Vara Única de Pariquera-Açu/SP, suscitante, e o Juízo da Vara do Trabalho de Registro-SP, suscitado, nos autos da reclamação trabalhista proposta em face do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Ribeira-CONSAÚDE, visando ao recebimento de verbas rescisórias. II - Acentuo que o conflito comporta conhecimento, porquanto se trata de controvérsia instaurada entre juízes vinculados a Tribunais distintos, consoante o disposto no art. 105, inciso I, alínea d, da Magna Carta. III - A Emenda Constitucional n. 45/2004, que deu nova redação ao art. 114 da Carta Magna, aumentou de maneira expressiva a competência da Justiça Laboral. Entretanto, na Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 3395-6, o Supremo Tribunal Federal - STF suspendeu em parte a eficácia do inciso I do art. 114 da Constituição da República, que atribuía à Justiça do Trabalho competência para processar e julgar ações envolvendo entidades de Direito Público e seus respectivos servidores. IV - Se o vínculo estabelecido entre o Poder Publico e o servidor for estatutário, a competência será da justiça comum (estadual ou federal). Em se tratando de vínculo trabalhista, a competência caberá à justiça laboral. V - A parte reclamante defende ter sido contratada para trabalhar na função de técnico em enfermagem, sem concurso público ou processo seletivo, desde 10/12/2012, tendo permanecido vinculado ao consórcio de direito público até 09/04/2014. VI - Falece competência à Justiça do Trabalho para processar a referida demanda, em razão da natureza jurídico-administrativa existente entre o Poder Público e o servidor público, ainda que em contratações irregulares. VII - A orientação desta Corte Superior se firmou no sentido de que a contratação irregular com o poder público é ato de natureza administrativa, ensejando a competência da Justiça Comum para resolver as controvérsias pertinentes. Confira-se: AgInt no CC 147.725/PA, Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/02/2017, DJe 14/02/2017; AgRg nos EDcl no CC 144.107/MS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/05/2016, DJe 01/06/2016; AgRg no CC 108.627/MS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/02/2010, DJe 04/03/2010) VIII - Agravo interno improvido. (AgInt no CC n. 156.229/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 28/4/2020, DJe de 30/4/2020.) PROCESSUAL CIVIL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. JUÍZOS COMUM ESTADUAL E TRABALHISTA. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. CONTRATAÇÃO VERBAL, SEM CONCURSO PÚBLICO. RELAÇÃO DE NATUREZA JURÍDICO-ADMINISTRATIVA. ORIENTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRECEDENTES DO STJ. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM. 1. A controvérsia está relacionada ao juízo competente para processar e julgar demanda ajuizada por agente público em face de município, questionando o pagamento de verbas trabalhistas, em razão de contrato verbal e sem concurso público. 2. A Emenda Constitucional n. 45/2004, que deu nova redação ao art. 114 da Carta Magna, aumentou de maneira expressiva a competência da Justiça Laboral. Entretanto, na Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 3395-6, o Supremo Tribunal Federal suspendeu em parte a eficácia do inciso I do art. 114 da Constituição da República, que atribuía à Justiça do Trabalho competência para processar e julgar ações envolvendo entidades de Direito Público e seus respectivos servidores. 3 . A contratação irregular com o poder público é ato de natureza administrativa, ensejando a competência da Justiça Comum para resolver as controvérsias pertinentes. Precedentes. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EDcl no CC n. 144.107/MS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 25/5/2016, DJe de 1/6/2016.) Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XXII, do RISTJ, conheço do conflito a fim de declarar competente o Juízo de Direito da 2ª Vara Cível de Campo Belo/MG para processar e julgar a demanda . Publique-se. Intimem-se. EMENTA