REsp 2156875 - DECISAO
Verificada omissão do Tribunal de origem quanto a pontos suscitados nos embargos de declaração (impossibilidade de extinção do processo sem julgamento do mérito e necessidade de remessa dos autos ao juízo competente), configurou-se violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC; por isso, o acórdão regional foi anulado...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: NAUR PIMENTA; Recorrido: ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 July 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Deque-se provimento ao recurso especial para determinar o retorno dos autos à origem para novo exame dos embargos de declaração
- Legal Topics
- Competência Jurisdicional, Auto Organização Dos Entes Federados, Omissão, Contradição E Obscuridade Nos Acórdãos (arts. 489 E 1.022 Do Cpc), Remessa Dos Autos Ao Juízo Competente, Prequestionamento
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
NAUR PIMENTA
Recorrente
ESTADO DE SÃO PAULO
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Se a declaração de incompetência absoluta pelo tribunal de origem impõe a remessa dos autos ao juízo competente ou permite a extinção do processo
- 2 Se o acórdão do Tribunal de origem padece de omissão, contradição ou obscuridade nos termos dos arts. 489 e 1.022 do CPC
- 3 Aplicação do entendimento do STF (ADI 5737/DF e ADI 5492) sobre competência para ações contra pessoa jurídica de direito público de outro ente federado
Ratio Decidendi
Verificada omissão do Tribunal de origem quanto a pontos suscitados nos embargos de declaração (impossibilidade de extinção do processo sem julgamento do mérito e necessidade de remessa dos autos ao juízo competente), configurou-se violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC; por isso, o acórdão regional foi anulado quanto ao exame dos embargos e os autos foram remetidos de volta à origem para novo julgamento dos embargos de declaração.
Court Disposition
Deque-se provimento ao recurso especial para determinar o retorno dos autos à origem para novo exame dos embargos de declaração
Orders
- Determinar o retorno dos autos à origem para novo exame dos embargos de declaração
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por NAUR PIMENTA, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, no qual se insurge contra o acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS assim ementado (fl. 225): APELAÇÃO - AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE DÉBITO FISCAL - IPVA - PARTE RÉ - ESTADO DE SÃO PAULO - INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL DE MINAS GERAIS - RECONHECIDA DE OFICIO - AUTO ORGANIZAÇÃO DOS ENTES FEDERADOS - STF - ADI 5737/DF - PROCESSO EXTINTO. - Considerando a prerrogativa constitucional de auto-organização (CF/1988, arts. 18, 25 e 125) dos entes federados, bem como o entendimento firmado pelo STF, no julgamento da ADI 5737/DF, a ação ajuizada contra pessoa jurídica de direito público que não pertence ao Estado de Minas Gerais deverá ser processada e julgada no foro do domicílio do respectivo ente federativo. - O Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADI 5737 declarou inconstitucional a regra de competência do Código de Processo Civil que permitia que os Estados e o Distrito Federal pudessem responder as ações em qualquer comarca do país. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fl. 246): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO, OBSCURIDADE E CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO - INEXISTÊNCIA - EMBARGOS REJEITADOS. 1. Não observada qualquer omissão, obscuridade ou contradição no v. acórdão embargado, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração que visam, essencialmente, o reexame e consequente reforma da decisão contida no v. acórdão guerreado ou prequestionamento com o fito de interposição de recurso à instância superior. Nas razões de seu recurso, a parte recorrente alega violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, I e II, e parágrafo único, II, do Código de Processo Civil (CPC). Argumenta que o Tribunal de origem não realizou a prestação jurisdicional reclamada, ao não se manifestar sobre questões essenciais à solução da lide, especificamente sobre a norma contida no art. 64, § 3º, do CPC. No mérito, a ponta ofensa ao art. 64, § 3º, do CPC. Assevera que, tendo ocorrido o reconhecimento da incompetência do órgão julgador perante o qual foi ajuizada a ação, ainda que se trate de incompetência absoluta, deve ocorrer a remessa dos autos ao órgão jurisdicional competente. Requer o conhecimento e o provimento do recurso especial. A parte adversa não apresentou contrarrazões. O recurso foi admitido (fls. 280/282). É o relatório. O recurso especial tem origem na ação declaratória de inexistência de débito c/c danos morais e pedido de tutela de urgência proposta por NAUR PIMENTA em desfavor do ESTADO DE SÃO PAULO. O Juízo de primeiro grau julgou procedentes os pedidos formulados na exordial, além de condenar a parte demandada ao pagamento dos ônus sucumbenciais. O Tribunal de origem, de ofício, declarou a incompetência da Justiça Estadual de Minas Gerais para conhecer da matéria e julgou extinto o processo nos moldes do art. 485, IV, do CPC. Em suas razões de recurso especial, a parte recorrente alega que o Tribunal de origem não se manifestou quanto às alegações de impossibilidade de extinção do processo sem julgamento de mérito e da obrigatoriedade de remessa dos autos ao órgão jurisdicional competente. O Tribunal de origem, ao julgar os embargos de declaração, asseverou o seguinte (fls. 247/249): Trata-se de embargos de declaração opostos por NAUR PIMENTA em face do v. acórdão que declarou, de ofício, a incompetência do juízo e julgou extinto o processo. Em síntese, a embargante aduz que o acórdão embargado foi omisso ao declarar a incompetência absoluta da Justiça de Minas Gerais para julgar a demanda, em razão do que restou decidido pelo STF nas ADI 5492 e 5737, em decisão surpresa, já que não apreciou o pedido expresso do apelado, ora embargado, para reconhecer a incompetência da Justiça Mineira e remeter os autos para a Justiça Paulista para o proferir de nova sentença, extinguiu o feito na forma do artigo 485, IV, do CPC. Expõe que a decisão é obscura e não apresenta fundamentação adequada, pois o reconhecimento da incompetência absoluta acarreta a remessa dos autos ao juízo competente e não a extinção do processo. .. Nota-se que, ao contrário do que afirma a embargante, no acordão está expresso que "Nessa senda, conclui-se que não cabe ao Poder Judiciário de um Estado intervir e anular ato administrativo de outro ente da federação, no caso em análise, do Estado de São Paulo, sob pena de violação da regra de jurisdição e do próprio pacto federativo". Consta no acórdão: (..) Nesse contexto, considerando a prerrogativa constitucional de auto-organização (CF/1988, arts. 18, 25 e 125) dos entes federados, bem como o entendimento firmado pelo STF, no julgamento da ADI 5737/DF, a ação ajuizada contra pessoa jurídica de direito público que não pertence ao Estado de Minas Gerais deverá ser processada e julgada no foro do domicílio do respectivo ente federativo. .. Houve a declaração de incompetência da Justiça Estadual de Minas Gerais e o processo foi extinto. Assim, não há falar em omissão. .. Dessa forma, evidencia-se que a matéria submetida a julgamento foi examinada e debatida na medida do entendimento dos julgadores, não havendo vícios no julgado. Destaca-se se que a teor do disposto no art. 1.025 do CPC consideram-se incluídos no acórdão "os elementos que o embargante suscitou, para fins de prequestionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade". Portanto, não padecendo o acórdão dos vícios insertos no art. 1.022 do CPC, é de rigor a rejeição dos embargos de declaração. Da leitura do acórdão recorrido, verifico que o Tribunal de origem não se manifestou quanto aos pontos suscitados nos embargos de declaração opostos quanto à impossibilidade de extinção do processo sem julgamento de mérito e da necessidade de remessa dos autos ao órgão jurisdicional competente. Para o Superior Tribunal de Justiça, presente algum dos vícios - omissão, contradição ou obscuridade -, e apontada a violação do art. 1.022 do CPC no recurso especial, deve ser anulado o acórdão proferido pelo Tribunal de origem ao examinar os embargos de declaração lá opostos, retornando-se os autos à origem para nova apreciação do recurso. A propósito: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. OCORRÊNCIA. 1. Incorre em ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC a decisão do Tribunal de origem que, a despeito dos embargos de declaração opostos pela parte, remanesce omisso e contraditório a respeito de questões relevantes para o deslinde da controvérsia. 2. Agravo interno provido para, conhecendo-se do agravo do art. 1.042 do CPC, dar provimento ao recurso especial por afronta aos arts. 489 e 1.022 do CPC, determinando-se novo julgamento do recurso integrativo pela Corte local. (AgInt no AREsp n. 2.210.188/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 20/8/2024, DJe de 6/9/2024.) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial para determinar o retorno dos autos à origem para novo exame dos embargos de declaração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA