CC 215893 - DECISAO
Conheceu-se do conflito e declarou-se competente o Juízo de Direito da Vara de Execuções Penais e Corregedoria dos Presídios de Cascavel - PR para processar a execução da pena, por entender que, conforme jurisprudência do STJ, cabe à Justiça estadual executar penas em regime inicial semiaberto e aferir a existência...
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- Parties
- Suscitante: JUÍZO FEDERAL DA 4A VARA DE FOZ DO IGUAÇU- SJ/PR; Suscitado: JUÍZO DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÕES PENAIS E CORREGEDORIA DOS PRESÍDIOS DE CASCAVEL - PR; Réu: FÁBIO JÚNIOR FRACIOSI; Réu: ADRIANO LUIZ GUTH
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 October 2025
- Procedural Posture
- Conflito Negativo De Competência / Decisão Sobre Conflito Negativo De Competência
- Outcome
- Conheço do conflito para declarar competente o JUÍZO DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÕES PENAIS E CORREGEDORIA DOS PRESÍDIOS DE CASCAVEL - PR, suscitado.
- Legal Topics
- Competência Para Execução De Pena, Regime Semiaberto, Súmula Vinculante 56/stf, Remessa Ao Juízo Estadual
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Parties
JUÍZO FEDERAL DA 4A VARA DE FOZ DO IGUAÇU- SJ/PR
Suscitante
JUÍZO DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÕES PENAIS E CORREGEDORIA DOS PRESÍDIOS DE CASCAVEL - PR
Suscitado
FÁBIO JÚNIOR FRACIOSI
Réu
ADRIANO LUIZ GUTH
Réu
Procedural Posture
Conflito Negativo De Competência / Decisão Sobre Conflito Negativo De Competência
Legal Issues
- 1 competência para execução da pena em regime inicial semiaberto entre Justiça Federal e Justiça Estadual
- 2 aplicação da Súmula Vinculante n. 56 do STF em caso de inexistência de vaga em estabelecimento prisional adequado
- 3 procedimento previsto no art. 23 da Resolução n. 417/2021 (CNJ) e alterações pela Resolução n. 474/2022
Ratio Decidendi
Conheceu-se do conflito e declarou-se competente o Juízo de Direito da Vara de Execuções Penais e Corregedoria dos Presídios de Cascavel - PR para processar a execução da pena, por entender que, conforme jurisprudência do STJ, cabe à Justiça estadual executar penas em regime inicial semiaberto e aferir a existência de vaga em estabelecimento prisional adequado, aplicando, se for o caso, a Súmula Vinculante n. 56 do STF; determinou-se que o Juízo Federal remeta o processo executivo ao Juízo estadual, que deverá efetivar a intimação prevista na norma regulamentar (art. 23 da Resolução n. 417/2021) e decidir sobre a aplicação da Súmula Vinculante n. 56 em caso de inexistência de vaga.
Court Disposition
Conheço do conflito para declarar competente o JUÍZO DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÕES PENAIS E CORREGEDORIA DOS PRESÍDIOS DE CASCAVEL - PR, suscitado.
Orders
- Determina que o Juízo Federal remeta o processo executivo ao Juízo Estadual de Cascavel/PR
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de conflito negativo de competência instaurado entre o JUÍZO FEDERAL DA 4A VARA DE FOZ DO IGUAÇU- SJ/PR, suscitante, e o JUÍZO DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÕES PENAIS E CORREGEDORIA DOS PRESÍDIOS DE CASCAVEL - PR, suscitado. O objeto deste incidente processual é a competência para a execução da pena dos réus FÁBIO JÚNIOR FRACIOSI e ADRIANO LUIZ GUTH, condenados pela 4ª Vara Federal de Cascavel/PR em 29/04/2025 a pena de 4 anos, 11 meses e 20 dias sob regime inicial semiaberto, sendo 3 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão e 1 ano e 1 mês de detenção, e pagamento de 388 dias multa por crimes tipificados nos art. 33, caput, e 40, I, da Lei n. 11.343/2006 e 70 da Lei nº 4.117/62 (fls. 21-42). Sustenta o Juízo suscitado que "não há estabelecimento para cumprimento de pena em regime semiaberto sob a jurisdição desta Vara de Execuções Penais e como, em consulta à Central Estadual de Vagas (consulta essa que poderia ser feita de antemão pelo próprio Juízo Federal e possibilitaria, de plano, a "harmonização" de regime, o que evitaria declínios de competência a este Juízo Estadual), a informação obtida foi a de que não há vagas disponíveis nas unidades de regime semiaberto neste estado" (fl. 81). O Juízo suscitante, por sua vez, entende que "a execução de penas a serem cumpridas nos regimes semiaberto e fechado, em regra, é realizada pela Justiça Estadual, já que, salvo algumas exceções, não há estabelecimentos federais para o cumprimento desses regimes" (fl. 3). A manifestação do Ministério Público foi pela competência do JUÍZO DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÕES PENAIS E CORREGEDORIA DOS PRESÍDIOS DA COMARCA DE CASCAVEL/PR, o juízo ora suscitado (fls. 114-117). É o relatório. Decido. Conheço do conflito de competência, porque se trata de incidente processual instaurado entre juízos vinculados a tribunais distintos, e, por isso, o STJ deve julgá-lo, nos termos do art. 105, I, d, da Constituição da República. Consta nos autos que o Juízo federal declinou da competência para a execução penal enviando o feito ao Juízo estadual, que, por sua vez, afirmou não existir vaga disponível em unidades sob regime semiaberto no Estado do Paraná, e, por isso, devolveu o feito à origem (fl. 81). Então, o Juízo federal suscitou o presente conflito de competência, porque cabe à Justiça estadual avaliar a existência ou não de vagas adequadas no regime prisional definido, aplicando se for o caso a Súmula Vinculante 56. Conforme a jurisprudência desta Corte Superior, compete à Justiça estadual a execução da pena em regime semiaberto, ainda que a condenação tenha sido no Juízo federal, cabendo àquele juízo avaliar as determinações da Súmula Vinculante n. 56 do STF. Nesse sentido: CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO PENAL. JUSTIÇA FEDERAL E JUSTIÇA ESTADUAL. CONDENAÇÃO NA JUSTIÇA FEDERAL. PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE EM REGIME INICIAL SEMIABERTO. RECUSA DO JUÍZO ESTADUAL EM RECEBER A EXECUÇÃO (NÃO INICIADA). PROCEDIMENTO ADOTADO PELO JUÍZO FEDERAL ADEQUADO, CONSIDERANDO A ATUAL REDAÇÃO DO ART. 23 DA RESOLUÇÃO N. 417/2021 (CNJ). APLICAÇÃO DA SÚMULA 192/STJ QUE INDEPENDE DO INÍCIO DO CUMPRIMENTO DA PENA EM REGIME INICIAL SEMIABERTO. 1. Com o advento da Resolução n. 474/2022 (CNJ), que alterou o art. 23 da Resolução n. 417/2021, é vedado ao Juízo processante, diante do trânsito em julgado da condenação, expedir, desde logo, mandado de prisão para o cumprimento da pena em regime semiaberto ou aberto, devendo proceder à intimação prévia do apenado a fim de que se apresente para o início do cumprimento da pena, sem prejuízo da realização de audiência admonitória e da observância da Súmula Vinculante 56/STF. 2. No caso, embora a apenada tenha sido condenada, na Justiça Federal, ao cumprimento de pena privativa de liberdade em regime inicial semiaberto. é descabida a exigência de que seja segregada em estabelecimento prisional estadual como condição para aplicação da orientação estabelecida na Súmula 192/STJ, notadamente porque apenas o Juízo estadual pode aferir a existência de vaga em estabelecimento prisional adequado para o cumprimento da pena em regime semiaberto e, em caso negativo, adotar as medidas preconizadas na Súmula Vinculante n. 56/STJ. 3. Com efeito, em tais casos (regime inicial semiaberto), cabe ao Juízo Federal remeter o processo executivo ao Juízo estadual, a quem, por sua vez, competirá efetivar a intimação preconizada na norma regulamentar e, na hipótese de inexistir vaga em estabelecimento prisional adequado, decidir acerca da aplicação da Súmula Vinculante n. 56. 4. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo de Direito da 1ª Vara Criminal do Foro Regional de Sarandi/PR, o suscitant e, para processar a execução da pena imposta a apenada, observando a previsão contida no art. 23 da Resolução n. 417/2021 (CNJ). (STJ. CC197304/PR. Terceira Seção, Min. Sebastião Reis Júniro, DJe 08/08/2023) g.n. Assim, deve o Juízo federal remeter o processo executivo ao Juízo estadual, a quem, por sua vez, competirá efetivar a intimação preconizada na norma regulamentar e, na hipótese de inexistir vaga em estabelecimento prisional adequado (regime semiaberto), decidir acerca da aplicação da Súmula Vinculante n. 56 do STF. Ante o exposto, conheço do conflito para declarar competente o JUÍZO DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÕES PENAIS E CORREGEDORIA DOS PRESÍDIOS DE CASCAVEL - PR, suscitado. Publique-se. Intimem-se. EMENTA