AREsp 2508929 - DECISAO
Admitiu-se o cômputo do tempo de prisão provisória para fins de aferição do requisito objetivo do Decreto Presidencial n. 9.246/2017 (comutação de penas), desde que tal período não tenha sido utilizado para detração da pena, em conformidade com o art. 42 do CP e precedentes desta Corte; assim, o Tribunal de origem...
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- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO; Agravado: GABRIEL ROBERTO SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Proferida No Superior Tribunal De Justiça, Conhecendo Do Agravo E Decidindo Sobre O Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer do recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Comutação De Penas, Indulto Presidencial, Cômputo De Prisão Provisória, Detração Penal, Decreto Presidencial N. 9.246/2017
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
Agravante
GABRIEL ROBERTO SANTOS
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Proferida No Superior Tribunal De Justiça, Conhecendo Do Agravo E Decidindo Sobre O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Pode o tempo de prisão provisória ser computado para fins de preenchimento do requisito objetivo do Decreto Presidencial n. 9.246/2017 para comutação de penas?
- 2 Há vedação quando o período de prisão provisória foi utilizado para detração penal, implicando duplicidade?
Ratio Decidendi
Admitiu-se o cômputo do tempo de prisão provisória para fins de aferição do requisito objetivo do Decreto Presidencial n. 9.246/2017 (comutação de penas), desde que tal período não tenha sido utilizado para detração da pena, em conformidade com o art. 42 do CP e precedentes desta Corte; assim, o Tribunal de origem corretamente concedeu a comutação, e o agravo do Ministério Público foi conhecido e o recurso especial negado com fundamento na Súmula n. 568 do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer do recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para conhecer do recurso especial.
- Nego provimento ao recurso especial com fundamento na Súmula n. 568 do STJ.
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DECISÃO Cuida-se de agravo do MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO contra decisão proferida no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO que inadmitiu o recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal - CF, contra acórdão proferido no julgamento do Agravo de Execução Penal n. 5004978-67.2022.8.08.0000. Consta dos autos que o Tribunal de origem deu provimento ao recurso defensivo a fim de conceder a comutação das penas privativas de liberdade na proporção de 1/4 do agravante, alcançando também a pena de multa, considerando o período em que o reeducando esteve preso provisoriamente, em acórdão assim ementado: "AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. COMUTAÇÃO DE PENAS. DECRETO PRESIDENCIAL Nº 9.246/2017. CÔMPUTO DO TEMPO DE PRISÃO PROVISÓRIA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. REQUISITOS OBJETIVO E SUBJETIVO PREENCHIDOS. RECURSOPROVIDO. 1. Deve ser computado, para fins de análise do requisito objetivo necessário para deferimento do indulto ou da comutação de penas, o tempo em que o reeducando permaneceu preso provisoriamente, desde que tal período não tenha sido utilizado para detração penal, a fim de evitar duplicidade. Precedentes do Colendo Superior Tribunal de Justiça e deste Eg. Tribunal de Justiça. 2. Recurso provido para que seja concedida a comutação das penas privativas de liberdade impostas ao agravante, alcançando também a pena de multa" (fls. 62/79). Em sede de recurso especial (fls. 80/86), o parquet apontou violação ao art. 7º, inc. I, alínea "b", do Decreto Presidencial n. 9.246/2017, ao argumento de que é incabível a consideração do período de prisão cautelar para fins de preenchimento do requisito objetivo para a concessão do benefício da comutação de penas. Requer o indeferimento da comutação de penas. Contrarrazões de GABRIEL ROBERTO SANTOS (fls. 88/100). O recurso especial foi inadmitido no TJ em razão do óbice da Súmula n. 83 do STJ (fls. 102/104). Em agravo em recurso especial, o Ministério Público impugnou o referido óbice (fls. 105/111). Contraminuta da defesa (fls. 113/119). Os autos vieram a esta Corte, sendo protocolados e distribuídos. Aberta vista ao Ministério Público Federal - MPF, este opinou pelo conhecimento e desprovimento do agravo em recurso especial (fls. 132/137). É o relatório. Decido. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo em recurso especial, passo à análise do recurso especial. Sobre a violação ao art. 7º, inc. I, alínea "b", do Decreto Presidencial n. 9.246/2017, o Juiz das Execuções Criminais indeferiu o pedido de comutação de penas nos seguintes termos: " 1. DA COMUTAÇÃO COM BASE NO DECRETO Nº 9.246/2017 O reeducando foi condenado nos autos das ações penais nº 0001846-59.2015.8.08.0024 (GE nº 174.051) e nº 0001868-49.2017.8.08.0024 (GE nº 204.528), as quais somadas, as penas impostas nestas totalizam 09 (nove) anos. O art. 7o, inciso I, alínea "b" do Decreto Presidencial nº 9.246/2017, preceitua: .. Considerando a pena imposta ao reeducando, para esta ser comutada o apenado deve ter cumprido até 25/12/2017 um terço desta, o equivalente 03 (três) anos. O Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento no sentido de que "o período ao qual o Decreto Presidencial se refere para fins de indulto é aquele corresponde à prisão pena, não se alinhando para o preenchimento do requisito objetivo aquele alusivo ao da detração penal, na qual se está diante e constrição por medida cautelar". No caso dos presentes autos, o apenado ficou preso cautelarmente nos autos das ações penais nº 0001846-59.2015.8.08.0024 (GE nº 174.051) e nº 0001868-49.2017.8.08.0024 (GE rf 2)4.528) pelo período de 19/01/2015 até 24/07/2015 e de 23/01/2017 até 29/05/2017, totalizando 10 (dez) meses e 11 (onze) dias. Conforme se verifica na aba "Informações Adicionais" na linha do tempo indulto/comutação, o reeducando até o dia 25/12/2017 cumpriu o total de 02 (dois) anos, 03 (três) meses e 29 (vinte a nove) dias, não preenchendo, desta forma, os requisitos objetivos para concessão do benefício" (fls. 16/18) Por sua vez, o TJ deu provimento ao recurso de agravo em execução defensivo nos seguintes termos do voto do relator: "Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso e passo à análise do mérito. Cinge-se a controvérsia a aferir se o tempo de prisão provisória deve ser aproveitado, ou não, para fins de preenchimento do requisito objetivo para concessão da comutação das penas com base no Decreto Presidencial nº 9.246/2017. De acordo com informações obtidas no Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), até 25/12/2017, o agravante possuía duas condenações em seu desfavor, originárias das Ações Penais nºs 0001846-59.2015.8.08.0024 (art. 157, § 2º, do Código Penal) e 0001868-49.2017.8.08.0024 (art. 155, § 4º, do Código Penal), com penas somadas em 09 (nove) anos de reclusão e multa. Extrai-se do referido sistema, ainda, especificamente na aba "Informações Adicionais", na linha do tempo "Indulto/Comutação", que o apenado ficou preso provisoriamente nos períodos de 19/01/2015 a 24/7/2015 e de 23/01/2017 a 29/5/2017, totalizando 10 (dez) meses e 11 (onze) dias. Para ter direito ao benefício da comutação da pena privativa de liberdade remanescente, previsto no art. 7º, inciso I, alínea "b", do Decreto Presidencial nº 9.246/2017, o apenado deve ter cumprido, até a data de 25/12/2017, 1/3 (um terço) da pena, ou seja, o equivalente a 03 (três) anos no caso em apreço. Para esse cálculo, a Defesa sustenta que o período em que o agravante esteve detido a título de prisão provisória serve como cumprimento de pena para fins de preenchimento do requisito objetivo. Considerando que o reeducando havia cumprido 03 (três) anos, 02 (dois) meses e 10 (dez) dias, equivalente a mais de 1/3 (um terço) do total das penas, sem existência de falta grave judicialmente homologada nos 12 (doze) meses anteriores à publicação do Decreto nº 9.246, de 21 de dezembro de 2017, a Defensoria Pública Estadual requereu a comutação das penas impostas ao agravante. O magistrado a quo, aplicando posicionamento das Cortes Superiores, entendeu ser incabível a consideração de período de prisão cautelar para fins de preenchimento de requisito objetivo para conceder o benefício, razão pela qual o pleito de comutação foi indeferido. Registro que há julgado desta C. Segunda Câmara Criminal no sentido de que o período relativo à prisão provisória não deve ser computado para fins de preenchimento do requisito temporal para a concessão do indulto/comutação, devendo ser considerado apenas o período referente à prisão pena. Contudo, após detida análise e profundas reflexões, decido adotar o recente entendimento exarado pelo C. Superior Tribunal de Justiça de que é possível computar-se o tempo de prisão provisória para fins de cálculo do indulto/comutação com base no Decreto nº 9.246/2017, desde que tal período não tenha sido utilizado para detração da pena, a fim de evitar duplicidade. Confira-se: .. Registro que, embora os julgados supramencionados se refiram ao indulto, igual raciocínio deve ser usado para a figura da comutação, tendo em vista que esta nada mais é do que o indulto parcial, em que ocorre a redução da pena remanescente se preenchidos os requisitos exigidos. Considerando o período em que o reeducando esteve preso provisoriamente, entendo que está preenchido o requisito objetivo de cumprimento de 1/3 (um terço) da pena até a data de 25/12/2017 para a concessão da comutação das penas aplicadas nas Ações Penais nºs 0001846-59.2015.8.08.0024 e 0001868-49.2017.8.08.0024 na proporção de (um quarto), com fulcro no art. 7º, inciso I, alínea "b", do Decreto Presidencial nº 9.246/2017, bem como da pena de multa, conforme art. 10, caput, do referido Decreto. Arrimado nas considerações ora tecidas, CONHEÇO do recurso e, no mérito, DOU-LHE PROVIMENTO, a fim de que seja concedida a comutação das penas privativas de liberdade na proporção de (um quarto), alcançando também a pena de multa " (fls. 70/73). Como se vê, o Tribunal de origem entendeu que, como o condenado já havia cumprido mais de 1/3 do total da reprimenda até a data da publicação do Decreto n. 9.246/2017, ainda que em prisão provisória, mostrava-se possível a concessão da pretendida comutação, pois satisfeito o requisito objetivo. Desse modo, a conclusão do Tribunal de origem encontra-se em consonância com a atual jurisprudência desta Corte, no sentido de que, "Haja vista o disposto no art. 42 do CP, para fins de análise dos requisitos de indulto previsto no Decreto Presidencial n. 9.246/2017, pode ser computado, no total da pena privativa de liberdade, o tempo de prisão provisória cumprido anteriormente à publicação da norma de regência" (AgRg no AREsp n. 1.784.347/GO, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 7/3/2023, DJe de 14/3/2023). Segue a ementa do aludido precedente (grifos nossos): AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECRETO PRESIDENCIAL N. 9.246.2017. INDULTO. REQUISITO OBJETIVO. CÔMPUTO DO PERÍODO DE PRISÃO CAUTELAR. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Haja vista o disposto no art. 42 do CP, para fins de análise dos requisitos de indulto previsto no Decreto Presidencial n. 9.246/2017, pode ser computado, no total da pena privativa de liberdade, o tempo de prisão provisória cumprido anteriormente à publicação da norma de regência. .. 3. Se houve restrição da liberdade durante o processo de conhecimento, e esse período equivale, para todos os fins, ao antecipado resgate da sanção imposta na sentença, poderá ser computado para lastrear benefícios da execução penal, inclusive o indulto. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 1.784.347/GO, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 7/3/2023, DJe de 14/3/2023). Com a mesma conclusão, cito o seguinte precedente (grifos nossos): AGRAVOS REGIMENTAIS EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. VIOLAÇÃO DO ART. 42 DO CP. DECRETO PRESIDENCIAL N. 9.246/2017. INDULTO. CÔMPUTO DO PERÍODO EM QUE O APENADO CUMPRIU PRISÃO PROVISÓRIA ANTERIOR, CUJA CONDENAÇÃO TENHA TRANSITADO EM JULGADO TAMBÉM ANTES DO MESMO DECRETO. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DA SEXTA TURMA. INTERPOSIÇÃO DE MAIS DE UM RECURSO CONTRA A MESMA DECISÃO. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. PRECEDENTES. .. 2. De acordo com a jurisprudência desta Corte Superior, considerando-se o disposto no art. 42 do CP e nos arts. 1º, I, e 8º, I, do Decreto n. 9.246/96, não há vedação legal à contagem do tempo de prisão provisória, cumprida anteriormente à edição do decreto presidencial, para a concessão do indulto (AgRg no AREsp n. 1.789.607/GO, Ministro Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, DJe 13/12/2021). .. 6. Agravo regimental de fls. 468/471 desprovido, e agravo regimental de fls. 474/477 não conhecido. (AgRg no AREsp n. 1.780.967/GO, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 28/6/2022, DJe de 30/6/2022). Desse modo, mostra-se possível o cômputo do período em que o apenado permaneceu preso provisoriamente para a aferição do requisito objetivo exigido no Decreto Presidencial n. 9.246/2017. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer do recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, negar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA