CC 181504 - DECISAO
Os atos de constrição sobre o patrimônio da empresa em recuperação judicial devem ser submetidos ao juízo da recuperação (juízo universal), a fim de preservar a empresa e evitar que medidas patrimoniais comprometam o plano recuperacional; assim, reconheceu-se a competência da 1ª Vara de Falências e Recuperações...
Source-derived case information.
- Parties
- Suscitante: Parte suscitante; Juízo Suscitado (recuperação): Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo - SP; Juízo Suscitado (cível): Juízo de Direito da 2ª Vara dos Feitos de Relações de Consumo Cível e Comercial da Comarca de Itabuna - BA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 September 2021
- Procedural Posture
- Conflito De Competência / Decisão De Conhecimento E Declaração De Competência
- Outcome
- Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo - SP.
- Legal Topics
- Concentração De Ações No Juízo Universal, Princípio Da Preservação Da Empresa, Controle De Atos De Constrição Patrimonial, Art. 76 Da Lei N. 11.101/2005
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Parte suscitante
Suscitante
Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo - SP
Juízo Suscitado (recuperação)
Juízo de Direito da 2ª Vara dos Feitos de Relações de Consumo Cível e Comercial da Comarca de Itabuna - BA
Juízo Suscitado (cível)
Procedural Posture
Conflito De Competência / Decisão De Conhecimento E Declaração De Competência
Legal Issues
- 1 Qual o juízo competente para apreciar atos de constrição sobre o patrimônio de empresa em recuperação judicial
- 2 Se penhoras ou outras constrições, mesmo anteriores ao deferimento da recuperação, devem ser controladas pelo juízo da recuperação (juízo universal)
Ratio Decidendi
Os atos de constrição sobre o patrimônio da empresa em recuperação judicial devem ser submetidos ao juízo da recuperação (juízo universal), a fim de preservar a empresa e evitar que medidas patrimoniais comprometam o plano recuperacional; assim, reconheceu-se a competência da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo - SP para apreciar todos os atos de constrição referentes ao patrimônio da suscitante, inclusive as determinadas pelo juízo baiano.
Court Disposition
Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo - SP.
Orders
- Conheço do conflito e declaro a competência do Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo - SP para apreciar todos os atos de constrição referentes ao patrimônio da suscitante, inclusive as constrições determinadas pelo Juízo baiano.
- Prejudicada a análise do agravo interno de fls. 810-829.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO 1. Trata-se de conflito de competência suscitado entre os Juízos da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo - SP, no qual foi requerida a sua recuperação judicial em 7/8/2020 e o Juízo de Direito da 2ª Vara dos Feitos de Relações de Consumo Cível e Comercial de Itabuna - BA,onde tramita o processo nº 0501979- 47.2018.8.05.0113, em desfavor da parte suscitante. Informa que o pedido de recuperação foi deferido pelo Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo em 7/8/2020 (fls. 48-62). Acrescenta que"a determinação de bloqueio dos valores realizados em desfavor da Recuperanda, ora Suscitante, caso consolidado e que venham a ser levantados pela Executada, representará verdadeira ruína e a completa inviabilização de seu pleito recuperacional" (fl. 14). Requereu o "imediato sobrestamento do processo 0501979-47.2018.8.05.0113, em trâmite perante o MM. Juízo da 2ª Vara de Feitos de Relação de Consumo Cível e Comercial da Comarca de Itabuna/BA" (fl. 15). O pedido liminar foi indeferido pela Presidência desta Corte Superior (fls. 434-435). Opostos embargos de declaração (fls. 458-788), foram rejeitados (fls. 792-797). Em face do indeferimento do pedido liminar, a parte suscitante ingressou com o agravo interno de fls. 810-829. Informações dos Juízos suscitados às fls. 441-446 e 452-456. O Ministério Público Federal opinou pela declaração da competência do Juízo do recuperação, in verbis: CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. JUÍZO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL X JUÍZO CÍVEL DIVERSO. CONCENTRAÇÃO DAS AÇÕES NO JUÍZO UNIVERSAL. ART. 6º DA LEI 11.101/05. PRINCÍPIO DA PRESERVAÇÃO DA EMPRESA. EXECUÇÃO QUE COMPROMETE O PLANO DE RECUPERAÇÃO. COMPETÊNCIA DO JUÍZO FALIMENTAR PARA APRECIAÇÃO DE ATOS QUE IMPLIQUEM RESTRIÇÃO PATRIMONIAL DA EMPRESA RECUPERANDA. VINCULAÇÃO AO CC 161228/SP PELO CONHECIMENTO DO CONFLITO, PARA QUE SEJA DECLARADA A COMPETÊNCIA DO MM. JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA DE FALÊNCIAS E RECUPERAÇÕES JUDICIAS DO FORO CENTRAL DE SÃO PAULO. É o relatório. DECIDO. 2. Com efeito, evidencia-se o conflito positivo de competência no caso sob análise. No caso,o Juízoda 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo - SP, deferiu o processamento da recuperação judicial (fls. 48-62), todavia,o Juízo de Direito da 2ª Vara dos Feitos de Relações de Consumo Cível e Comercial de Itabuna - BA, nos autos do processo n.0501979-47.2018.8.05.0113, manteve constrição ao patrimônio da suscitante (fls.441-446), sendo certo que os atos de constrição sobre o patrimônio de empresa em recuperação devem ser submetidos ao crivo do Juízo recuperacional. É certo queo Juízo da recuperação registrou expressamente que as constrições podem ser realizadas por juízos diversos, ao passo que o controle de tais atos é feito posteriormente, in verbis: c) Ainda, ficou consignado que este Juízo Recuperacional não possuí competência para a realização de atos constritivos. Essas medidas só podem ser determinadas pelo juízo no qual tramitam eventuais execuções em face das empresas que compõe o Grupo Máquina de Vendas. d) Ressalvou-se, porém, que, na hipótese de ocorrência de alguma constrição e posterior insurgência das devedoras, estas deveriam comunicar a este Juízo da 1 a Vara De Falências e Recuperações Judiciais acerca da medida, a fim de que se avaliasse eventual liberação do patrimônio constrito à luz de sala essencialidade para a atividade empresarial das devedoras. (fl. 454) Ademais, do que consta dos autos, verifica-se que a parte não cumpriu as orientações colacionadas acima, sinalizando o Juízo da recuperação quanto a realização de atos de constrição para análise de eventual liberação ou desfazimento do ato, todavia, tendo em vista a primazia do julgamento de mérito, o conflito deve ser conhecido e provido para fixar a competência do Juízo do soerguimento para a análise de tais atos. Nessa senda, a jurisprudência desta Corte de Justiça firmou-se no sentido de que os atos de execução dos créditos promovidos contra empresas falidas ou em recuperação judicial, sob a égide do Decreto-Lei n. 7.661/45 ou da Lei n. 11.101/05, bem como os atos judiciais que envolvam o patrimônio dessas empresas, devem ser realizados pelo Juízo universal. Nessa linha, via de regra, não se verifica a possibilidade de prosseguimento automático das execuções individuais posteriormente ao processamento e, por conseguinte, à aprovação do plano de recuperação judicial, de modo que é atribuída exclusividade ao Juízo universal onde se processa a recuperação para a prática de atos de execução do patrimônio da sociedade recuperanda. A razão de ser da supremacia dessa regra de competência é a concentração, no Juízo da recuperação judicial, de todas as decisões que envolvam o patrimônio da recuperanda, inclusive os valores objeto de constrição no juízo cível, ainda que anteriores à recuperação, a fim de não comprometer a tentativa de mantê-la em funcionamento. Dessarte, em conformidade com o princípio da preservação da empresa, o juízo de valor acerca da essencialidade ou não de algum bem ao funcionamento da sociedade cumpre ser realizada pelo Juízo da recuperação judicial, que tem acesso a todas as informações sobre a real situação dos bens da empresa recuperanda. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes da Segunda Seção: CONFLITO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO CÍVEL. PENHORA ANTERIOR. APROVAÇÃO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA EMPRESA. ADJUDICAÇÃO POSTERIOR.COMPETÊNCIA DO JUÍZO UNIVERSAL. 1. Se promovida a adjudicação do bem penhorado em execução individual, em data posterior ao deferimento da recuperação judicial, o ato fica desfeito em razão da competência universal do Juízo falimentar. Precedentes. 2. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo de Direito da 2ª vara Cível e Fazendas Públicas e Registros Públicos de Rio Verde/GO. (CC 122.712/GO, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 27/11/2013, DJe 10/12/2013) -- AGRAVO INTERNO NO CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA - RECUPERAÇÃO JUDICIAL - EXECUÇÃO CÍVEL - COMPETÊNCIA DO JUÍZO FALIMENTAR - PRECEDENTES DO STJ - AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O Juízo universal é o competente para a execução dos créditos apurados nas ações propostas em face da Varig S/A e da VRG Linhas Aéreas S/A (arrematante da UPV). Precedente: CC 90.160/RJ, da relatoria do Ministro João Otávio de Noronha SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 27/05/2009, DJe 05/06/2009. 2. Agravo interno desprovido. (AgInt no CC 164.833/RJ, Rel. Ministro MARCO BUZZI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 31/03/2020, DJe 20/04/2020) -- CONFLITO DE COMPETÊNCIA. JUÍZES VINCULADOS A TRIBUNAIS DIVERSOS. COMPETÊNCIA DO JUÍZO FALIMENTAR PARA A PRÁTICA DE ATOS QUE IMPLIQUEM RESTRIÇÃO PATRIMONIAL. 1. Conflito de competência suscitado em 21.10.2013 Autos conclusos ao Gabinete em 04.02.2013, após resposta dos ofícios enviados e parecer do MPF. 2. Discute-se a competência para a prática de atos de execução determinados pelo juízo trabalhista, tendo em vista a falência da empresa executada. 3. O patrimônio da sociedade empresária não pode ser afetado por decisões prolatadas por juízo diverso daquele em que tramita seu processo de falência. Precedentes. 2. A jurisprudência desta egrégia Corte é firme no sentido de que, decretada a falência, as execuções contra a falida não podem prosseguir, mesmo havendo penhora anterior (EDcl nos EDcl no AgRg no CC 109.541/PE, Rel. Min. PAULO DE TARSO SANSEVERINO, Rel. p/ Acórdão Ministro RAUL ARAÚJO, SEGUNDA SEÇÃO, DJe 16/04/2012). 6. Conflito conhecido, para declarar a competência do JUÍZO DE DIREITO DA 1ª VARA DE FALÊNCIAS E RECUPERAÇÕES JUDICIAIS DO FORO CENTRAL DE SÃO PAULO - SP. (CC 130.994/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/08/2014, DJe 19/08/2014) -- PROCESSO CIVIL. CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO CÍVEL.RECUPERAÇÃO JUDICIAL. ALIENAÇÃO DO CONTROLE DA RECUPERANDA. SUCESSÃO DOS ÔNUS E OBRIGAÇÕES. ART. 60, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 11.101/05.ATOS DE EXECUÇÃO. SUJEIÇÃO À RECUPERAÇÃO JUDICIAL. COMPETÊNCIA DO JUÍZO EM QUE SE PROCESSA A RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PRECEDENTES. 1. Deferida a recuperação judicial da empresa e noticiada nos autos a aquisição do controle da recuperanda por outra empresa, compete ao respectivo juízo decidir acerca da sucessão dos ônus e obrigações.Precedentes. 2. Com a edição da Lei. 11.101/05, respeitadas as especificidades da falência e da recuperação judicial, é competente o juízo universal para prosseguimento dos atos de execução, tais como alienação de ativos e pagamento de credores, que envolvam créditos apurados em outros órgãos judiciais, bem como para decidir acerca da eventual extensão dos efeitos do cumprimento de sentença à suscitante, em razão da alegação de sucessão da suscitante por outra empresa ou de que ambas pertenceriam ao mesmo grupo econômico. 3. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo/SP. (CC 110.941/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 01/10/2010) -- Nessa senda, imperioso o provimento do conflito para assentar a competência do Juízo da recuperaçãopara tomar as decisões atinentes ao patrimônio da suscitante. o qual é oúnico competente para dispor da referida empresa. 3. Ante o exposto, conheço do conflito para declarar a competência do Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo - SP para apreciar todos os atos de constrição referentes ao patrimônio da suscitante, inclusive as constrições determinadas pelo Juízo baiano. Prejudicada a análise doagravo interno de fls. 810-829, tendo em vista a análise exauriente do incidente. Publique-se. Intimem-se. Oficie-se. EMENTA CONFLITO DE COMPETÊNCIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. EXECUÇÃO CÍVELINDIVIDUAL. ATOS EXECUTÓRIOS. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA RECUPERAÇÃO. ART. 76 DA LEI N. 11.101/2005. 1. Os atos de execução dos créditos individuais e fiscais promovidos contra empresas falidas ou em recuperação judicial, tanto sob a égide do Decreto-Lei n. 7.661/45 quanto da Lei n. 11.101/2005, devem ser realizados pelo Juízo universal. Inteligência do art. 76 da Lei n. 11.101/2005. 2. Tal entendimento estende-se às hipóteses em que a penhora seja anterior à decretação da falência ou ao deferimento da recuperação judicial.Ainda que o crédito exequendo tenha sido constituído depois do deferimento do pedido de recuperação judicial (crédito extraconcursal), a jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que, também nesse caso, o controle dos atos de constrição patrimonial deve prosseguir no Juízo da recuperação. Precedentes. 3. Conflito de competência conhecido para declarar competente o Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo - SP.