HC 684424 - DECISAO
O writ não foi conhecido porque a matéria referente à incidência do art. 70 do Código Penal não foi objeto de cognição pelo Tribunal de origem; admitir o habeas corpus para esse tema resultaria em supressão de instância e demandaria reexame de provas, o que é vedado em habeas corpus; ademais, os embargos de...
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- Parties
- Paciente: ALEXANDRE DE BRITO RIBEIRO; Impetrante: Defensoria Pública estadual; Órgão Julgador De Origem: Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 August 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento Pelo STJ
- Outcome
- não conhecido
- Legal Topics
- Concurso De Crimes (art. 70 Do Código Penal), Habeas Corpus Substitutivo De Recurso, Omissão E Embargos De Declaração (art. 619 Do Cpp), Supressão De Instância, Vedação Ao Reexame De Provas Em Habeas Corpus
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Parties
ALEXANDRE DE BRITO RIBEIRO
Paciente
Defensoria Pública estadual
Impetrante
Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina
Órgão Julgador De Origem
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento Pelo STJ
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus substitutivo de recurso
- 2 incidência do art. 70 do Código Penal (concurso material x formal)
- 3 omissão nos embargos de declaração
Ratio Decidendi
O writ não foi conhecido porque a matéria referente à incidência do art. 70 do Código Penal não foi objeto de cognição pelo Tribunal de origem; admitir o habeas corpus para esse tema resultaria em supressão de instância e demandaria reexame de provas, o que é vedado em habeas corpus; ademais, os embargos de declaração não demonstraram omissão no acórdão recorrido.
Court Disposition
não conhecido
Orders
- Não conheço do habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido de liminar, impetrado em favor de ALEXANDRE DE BRITO RIBEIRO contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 7 meses e 20 dias de detenção, em regime aberto, pela prática dos crimes previsto no art. 24-A, caput, da Lei 11.340/2006 (por duas vezes em continuidade delitiva), art. 129, § 9º e art. 147, caput, ambos do Código Penal, todos c/c art. 5º e artigo incisos I e II, ambos da Lei n. 11.340/2006, na forma do artigo 69, caput, também do Código Penal. Irresignada, a defesa apelou ao Colegiado de origem, que conheceu parcialmente do recurso e, nessa extensão, negou-lhe provimento, nos moldes da seguinte ementa: "APELAÇÃO CRIMINAL. CRIMES DE LESÃO CORPORAL, AMEAÇA E DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL QUE DEFERE MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA (ART. 129, § 9º; ART. 147, CAPUT, AMBOS DO CÓDIGO PENAL E ART. 24-A, CAPUT, POR DUAS VEZES, DA LEI Nº 11.340/2006), PRATICADOS SOB O CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E/OU FAMILIAR CONTRA A MULHER. SENTENÇA CONDENATÓRIA. RECURSO DEFENSIVO. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO DE TODOS OS CRIMES POR INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. PRETENDIDA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO IN DUBIO PRO REO. INSUBSISTÊNCIA. MATERIALIDADE E AUTORIA DEVIDAMENTE COMPROVADAS. PALAVRA DA VÍTIMA FIRME E COERENTE. DEPOIMENTO CORROBORADO COM EXAME PERICIAL DE LESÕES CORPORAIS E TESTEMUNHA OCULAR SOBRE OSFATOS DE AMEAÇA E DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. NEGATIVA DO RÉU ISOLADA. PEDIDO PARA DESCLASSIFICAÇÃO PARA LESÃO CORPORAL CULPOSA. IMPOSSIBILIDADE. DEMONSTRADO NOS AUTOS QUE O AGENTE AGIU INTENCIONALMENTE. DESCUMPRIMENTO DAS MEDIDAS PROTETIVAS. RÉU QUE, MESMO DEVIDAMENTE INTIMADO DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE AFASTAMENTO E PROIBIÇÃO DE CONTATO COM A VÍTIMA, VAI ATÉ A CASA DA EX-COMPANHEIRA E PROFERE AMEAÇAS. PRETENDIDA SUPRESSÃO DE CONDIÇÃO DO SURSIS. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE EXECUÇÃO PENAL. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E DESPROVIDO" (e-STJ, fl. 238). Opostos embargos de declaração pela defesa, foram rejeitados (e-STJ, fls. 267-271). Neste mandamus, a Defensoria Pública estadual sustenta, em síntese, que: a) "é necessário que se afaste o incremento de pena decorrente da incidência do art. 70 do Código Penal, uma vez que não houve concurso material dos delitos praticados pelo paciente" (e-STJ, fls. 3-8). Pugna, assim, pela concessão da ordem a fim de reconhecer o concurso formal entre os crimes. É o relatório. Decido. Esta Corte - HC 535.063/SP, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgR no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Em que pesem os esforços da impetrante, verifica-se que o pleito ora deduzido não foi objeto de cognição pela Corte de origem, o que obsta a apreciação de tal matéria por este Superior Tribunal de Justiça, sob pena de indevida supressão de instância. A fim de corroborar tal conclusão, trago à baila os seguintes precedentes: "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PENAL. PROCESSUAL PENAL. POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. MAUS ANTECEDENTES. CONDENAÇÃO ANTERIOR TRANSITADA EM JULGADO. PERÍODO DEPURADOR DE 5 ANOS. POSSIBILIDADE. MANUTENÇÃO DO REGIME INICIAL SEMIABERTO. AUSÊNCIA DE AGRAVAMENTO NA SITUAÇÃO DO RÉU. PEDIDO DE SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR SANÇÕES RESTRITIVAS DE DIREITOS. MATÉRIA NÃO ANALISADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO POR ESTA CORTE SUPERIOR. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Tribunal a quo, em consonância com a orientação desta Corte, decidiu que as condenações anteriores transitadas em julgado há mais de 5 (cinco) anos, apesar de não configurarem a reincidência, diante do período depurador previsto no art. 64, inciso I, do Código Penal, podem ser utilizadas para macular os maus antecedentes. 2. Embora a Corte de origem, ao julgar a revisão criminal, tenha apresentado fundamentação diversa da adotada na sentença e no julgamento do recurso de apelação defensivo, concluindo que a existência de maus antecedentes justifica o modo carcerário mais gravoso, aquele Sodalício manteve a reprimenda anteriormente fixada bem como o regime inicial semiaberto, não havendo agravamento na situação do Réu. 3. O pedido de substituição da pena privativa de liberdade por sanções restritivas de direitos não foi debatido no aresto prolatado pelo Tribunal a quo, o que impede a análise da questão diretamente por esta Corte, sob pena de indevida supressão de instância. Ademais, a existência de maus antecedentes impede a pleiteada substituição, nos termos do art. 44, inciso III, do Código Penal. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC 651.770/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 20/04/2021, DJe 30/04/2021); "AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. WRIT NÃO CONHECIDO. QUESTÃO NÃO ANALISADA PELO TRIBUNAL A QUO. OMISSÃO DA DECISÃO MONOCRÁTICA AGRAVADA. INEXISTÊNCIA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. ART. 316, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPP. REVISÃO DA CUSTÓDIA CAUTELAR. 90 DIAS. PRAZO NÃO PEREMPTÓRIO. DESCUMPRIMENTO. ILEGALIDADE DA PRISÃO. NÃO RECONHECIMENTO. EXCESSO DE PRAZO. NÃO OCORRÊNCIA. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO 1. Não cabe habeas corpus para tratar de questão que não foi objeto de análise pelo Tribunal a quo, sob pena de indevida supressão de instância. 2. O prazo estabelecido no art. 316, parágrafo único, do CPP para revisão da custódia cautelar a cada 90 dias não é peremptório e eventual atraso na execução desse ato não implica reconhecimento automático da ilegalidade da prisão. 3. Os prazos processuais previstos na legislação brasileira devem ser analisados como um todo, pautados pela razoável duração do processo, de modo que o reconhecimento do excesso deve estar atrelado aos critérios da razoabilidade e proporcionalidade. 4. Agravo desprovido" (AgRg no HC 620.167/PI, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUINTA TURMA, julgado em 27/04/2021, DJe 29/04/2021). Além disso, a teor do art. 619 do Código de Processo Penal, os embargos de declaração destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade ou eliminar contradição ou ambiguidade existentes no julgado, o que não se vislumbra na hipótese sob exame. Decerto, embora a impetrante afirme ter manejado embargos de declaração com intuito de sanar suposto vício indireto no julgamento do apelo, buscou, de fato, reparar omissão evidenciada na razões recursais por ela apresentadas. Ora, ainda que seja possível ao julgador, de ofício, se manifestar sobre tema não deduzido pela defesa, caso evidenciada flagrante ilegalidade no julgamento, o seu silêncio não caracteriza vício e, portanto, não há se falar em omissão no julgado a justificar a concessão de ordem, de ofício, com a finalidade de determinar o exame do pleito deduzido nos aclaratórios pela Corte de origem. De mais a mais, se as instâncias ordinárias, com esteio nas provas colhidas nos autos, entenderam pela configuração do concurso material de crimes, maiores incursões acerca do tema demandariam revolvimento do contexto fático-comprobatório, inviável em sede de habeas corpus. Ante o exposto, não conheço do writ. Publique-se. Intimem-se.