AREsp 2971954 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para manter a inadmissão do recurso especial porque a questão decidida pelo Tribunal de origem envolvia avaliação de provas e interpretação de cláusulas contratuais (verificação da implementação da condição suspensiva e suficiência documental), matéria que não se presta ao reexame em sede de...
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- Parties
- Agravante: AMAFI COMERCIAL E CONSTRUTORA LTDA.; Agravante: PONTE DI FERRO PARTICIPAÇÕES, IND. E COM. DE BIO DIESEL LTDA.; Agravante: CARLOS ZVEIBIL NETO; Agravante: AMPHORAE PARTICIPAÇÕES LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Decisão De Negar Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Condição Suspensiva, Ônus Da Prova (art. 373 Cpc), Título Executivo Extrajudicial, Reexame De Fatos E Provas, Honorários Advocatícios, Súmulas 5 E 7 Do STJ
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Parties
AMAFI COMERCIAL E CONSTRUTORA LTDA.
Agravante
PONTE DI FERRO PARTICIPAÇÕES, IND. E COM. DE BIO DIESEL LTDA.
Agravante
CARLOS ZVEIBIL NETO
Agravante
AMPHORAE PARTICIPAÇÕES LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Decisão De Negar Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 implementação de condição suspensiva e sua eficácia para tornar obrigação inexigível
- 2 suficiência da prova apresentada pela parte recorrida para demonstrar pagamento/implementação da condição suspensiva
- 3 possibilidade de reexame de provas e interpretação contratual em recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para manter a inadmissão do recurso especial porque a questão decidida pelo Tribunal de origem envolvia avaliação de provas e interpretação de cláusulas contratuais (verificação da implementação da condição suspensiva e suficiência documental), matéria que não se presta ao reexame em sede de recurso especial à luz das Súmulas 5 e 7 do STJ; ademais, o Tribunal de origem considerou o "Extrato do Fornecedor" suficiente para demonstrar a implementação da condição e a existência do crédito remanescente, razão pela qual se negou provimento ao recurso especial e se majoraram os honorários nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial
Orders
- Conheço do agravo interposto contra a decisão que inadmitiu o recurso especial.
- Nego provimento ao recurso especial.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por AMAFI COMERCIAL E CONSTRUTORA LTDA., PONTE DI FERRO PARTICIPAÇÕES, IND. E COM. DE BIO DIESEL LTDA., CARLOS ZVEIBIL NETO E AMPHORAE PARTICIPAÇÕES LTDA. contra decisão que inadmitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, III, "a" da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo eg. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte, assim ementado: "PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA PARCIAL. APELAÇÃO CÍVEL. SERVIÇOS DE PAVIMENTAÇÃO ASFÁLTICA. PRESTAÇÃO DO SERVIÇO EVIDENCIADA. FALTA DE SUFICIENTE CONTRAPRESTAÇÃO FINANCEIRA. DÍVIDA REMANESCENTE. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA QUE SE IMPÕE. CONHECIMENTO E DESPROVIMENTO DO APELO." (fls. 422) Nas razões do recurso especial, a parte alega violação aos arts. 373, I, do CPC e 125 do CC, sustentando em síntese, que: (a) A condição suspensiva do contrato não foi implementada, tornando a obrigação inexigível; (b) a Recorrida não apresentou documentos hábeis à comprovação do seu direito, sendo indevida a exigência de que as Recorrentes desconstituam a suposta comprovação anexada pela Recorrida. Foram apresentadas contrarrazões. (fls. 461) O recurso especial foi inadmitido na origem, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. Decido. A Corte de origem, ao se manifestar sobre a existência de uma condição suspensiva não cumprida e sobre a comprovação do direito da parte recorrida à cobrança dos valores em questão, relativos à prestação de serviços de de pavimentação asfáltica, assim decidiu: "12. Na presente demanda, restou demonstrado pelas provas carreadas aos autos, especialmente pelas notas fiscais e pelos termos contratuais apresentados pela apelante, que houve a execução dos serviços acordados, totalizando o montante inicial de R$ 180.884,54. 13. Desse total, conforme reconhecido pelas partes, apenas R$ 70.000,00 foram quitados, restando, portanto, uma dívida de R$ 110.884,54. 14. A apelante argumenta a existência de uma condição suspensiva relacionada ao pagamento por parte da CAERN, o que, segundo alega, não teria sido cumprido, configurando, portanto, a inexigibilidade do débito restante. 15. Contudo, a análise das provas, em especial os extratos apresentados, não corrobora integralmente essa alegação. O documento denominado "Extrato do Fornecedor" juntado aos autos pela apelada mostrou-se suficiente para o juízo a quo entender pela realização dos pagamentos necessários para a satisfação da condição suspensiva. 16. Adicionalmente, a jurisprudência consolidada, como refletida na decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), enfatiza que a parte que alega o cumprimento de uma condição suspensiva deve apresentar prova robusta e inequívoca desse cumprimento. 17. Nesse contexto, o documento apresentado foi considerado adequado pelo juízo para tal finalidade, não havendo contraprovas suficientes que desconstituíssem a presunção de veracidade do extrato." (e-STJ fls. 424) Nesse contexto, a modificação de tal entendimento lançado no v. acórdão recorrido demandaria a interpretação das cláusulas contratuais e o revolvimento de suporte fático-probatório dos autos, o que é inviável em sede de recurso especial, nos termos das Súmulas 5 e 7 do STJ. Neste sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. CONFISSÃO E NOVAÇÃO DE DÍVIDA. DAÇÃO EM PAGAMENTO. (1) PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. (2) HIGIDEZ DO TÍTULO. PREQUESTIONAMENTO AUSENTE QUANTO A FATOS ALEGADOS A PRETEXTO DA ALEGADA VIOLAÇÃO DOS ARTS. 125 DO CC/2002 E 783, 798, I, C, E 803, III, DO CPC. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF E 211 DO STJ. (3) VENCIMENTO ANTECIPADO DA DÍVIDA. INADIMPLEMENTO INCONTROVERSO. DISPENSA DE PROVA DAS CONDIÇÕES SUSPENSIVAS. ENCARGOS DE MORA DESDE A CITAÇÃO. SOLIDARIEDADE ENTRE DEVEDORES. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. Trata-se de agravo em recurso especial interposto pela executada contra decisão que não admitiu seu recurso especial, visando desconstituir título executivo extrajudicial consistente em instrumento de confissão e novação de dívida. 2. O objetivo recursal é decidir se (i) há nulidade do título executivo por vício de consentimento; (ii) as obrigações contratuais são exigíveis; (iii) existe solidariedade entre os devedores conforme art. 265 do Código Civil; (iv) configura-se a mora, no caso, desde a citação. 3. As alegações de omissão no acórdão recorrido não se sustentam, pois o TJDFT fundamentou adequadamente as questões controversas, mantendo a higidez da decisão. 4. A inexistência de prova de vício de consentimento no instrumento de confissão e novação de dívida, impede a declaração de nulidade do negócio jurídico, que foi celebrado validamente, observando a autonomia da vontade das partes e a boa-fé contratual, na leitura do Tribunal. 5. A Corte distrital, ao interpretar sistemicamente as disposições do título executivo e observar a ausência de individualização da quota-parte de cada devedor, reconheceu a solidariedade entre as empresas executadas, conforme o art. 265 do Código Civil, mantendo a legitimidade passiva da recorrente, cuja reanálise fática e contratual é obstada pelas Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 6. A recorrente alegou questões que não foram prequestionadas (obrigações não assumidas; não estar em recuperação judicial e não poder realizar a cessão de crédito) atraindo a aplicação das Súmulas n. 282 e 356 do STF e 211 do STJ quanto às alegadas violações. 7. O acórdão recorrido interpretou que a exequibilidade do título executivo foi estabelecida desde o início da execução devido ao inadimplemento incontroverso das obrigações contratuais, o que ensejou o vencimento antecipado do contrato em sua integralidade, sendo que condições específicas implementadas durante o processo apenas reforçaram a robustez da exequibilidade, sem serem essenciais para sua validade inicial. Infirmar tais premissas na interpretação dos fatos e contratos, em especial a configuração da mora desde a citação, fica impossibilitado diante dos óbices das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 8. Agravo conhecido para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. (AREsp n. 2.787.394/DF, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 19/5/2025, DJEN de 22/5/2025.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EMISSÃO DE PASSAGENS AÉREAS. CONTRATO ASSINADO POR DUAS TESTEMUNHAS. TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULA CONTRATUAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O contrato assinado por duas testemunhas é título executivo extrajudicial, de modo que é instrumento hábil a amparar o processo de execução. 2. O Tribunal estadual assentou que a execução não foi amparada unicamente nas duplicatas, mas também em contrato de prestação de serviços, que, assinado por duas testemunhas, seria título executivo. Ainda, a Corte local asseverou que foi demonstrada de forma suficiente a prestação do serviço, em consonância com a previsão contratual, não tendo sido impugnada a emissão das passagens minuciosamente discriminadas, sendo a dívida líquida, certa e exigível. Alterar as conclusões do acórdão impugnado exigiria incursão fático-probatória e interpretação de cláusula contratual, em afronta às Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 3. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.697.843/PR, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 28/10/2024, DJe de 30/10/2024.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ARBITRAMENTO. COBRANÇA. RESCISÃO CONTRATUAL. MATÉRIA QUE DEMANDA REEXAME DE FATOS, PROVAS E CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SUMULAS 5 E 7 DO STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não se viabiliza o recurso especial pela indicada violação dos arts. 1.022 e 489 do CPC/2015. Isso porque, embora rejeitados os embargos de declaração, todas as matérias foram devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido contrário à pretensão da parte recorrente. 2. O Tribunal de origem extinguiu a demanda por falta de interesse de agir, após concluir que há condição suspensiva ao pagamento de honorários, ainda não implementada, com base no conjunto fático - probatório dos autos, e na análise de cláusulas contratuais. Assim, não é possível alterar o entendimento da Corte Estadual, em sede de recurso especial, pois demandaria reexame de provas, e cláusulas estipuladas no contrato entabulado entre as partes, o que é vedado em razão dos óbices das Súmulas 5 e 7 do STJ. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.225.372/RS, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 24/4/2018, DJe de 2/5/2018.) Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Com supedâneo no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários advocatícios devidos à parte recorrida de 12% sobre o valor da causa para 13% do respectivo valor, ressalvada eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. EMENTA