AREsp 2623577 - ACORDAO
A Corte de origem não reconheceu a atenuante da confissão espontânea por ausência de confissão do réu; para alterar tal conclusão seria necessário o reexame do acervo fático-probatório, providência vedada pela Súmula n. 7/STJ, devendo portanto ser negado provimento ao agravo regimental.
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- Parties
- Agravante: LUCAS AZAMBUJA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Decisão Denegatória Pela Sexta Turma
- Outcome
- Negado provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- Confissão Espontânea, Dosimetria, Súmula N. 7/stj, Ameaça
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Parties
LUCAS AZAMBUJA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Decisão Denegatória Pela Sexta Turma
Legal Issues
- 1 reconhecimento da atenuante da confissão espontânea
- 2 necessidade de reexame fático-probatório para reconhecer confissão espontânea
- 3 aplicação do óbice da Súmula n. 7/STJ
Ratio Decidendi
A Corte de origem não reconheceu a atenuante da confissão espontânea por ausência de confissão do réu; para alterar tal conclusão seria necessário o reexame do acervo fático-probatório, providência vedada pela Súmula n. 7/STJ, devendo portanto ser negado provimento ao agravo regimental.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo regimental
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator. EMENTA
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por LUCAS AZAMBUJA contra a decisão desta relatoria que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, pelo óbice da Súmula n. 7/STJ (fls. 426/429). Nas razões deste regimental, a parte agravante ao pugnar pelo reconhecimento da confissão espontânea, sustenta que não se pretende discutir qualquer elemento de prova, mas tão somente a conclusão do acórdão. Ao final, pede a reconsideração da decisão agravada ou o provimento do recurso. Contrarrazões às fls. 461/464. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIME CONTRA A LIBERDADE PESSOAL. AMEAÇA. RECONHECIMENTO DA ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO. ALTERAÇÃO DEMANDA REEXAME DE PROVAS. ÓBICE DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A Corte de origem não reconheceu a atenuante da confissão espontânea por não ter havido confissão do réu quanto ao delito em questão. Nesse contexto, para alterar a referida conclusão, e fazer incidir a confissão espontânea no caso concreto, seria necessário o reexame fático-probatório dos autos, providência vedada pela Súmula n. 7/STJ. 2. Agravo regimental não provido. VOTO O agravo regimental é próprio e tempestivo. No mérito, contudo, não merece acolhimento. Isso por que o agravante não traz argumentos capazes de infirmar os fundamentos constantes da decisão agravada, proferida em conformidade com a jurisprudência desta Corte, nos termos seguintes (fls. 431/437, grifamos): No tocante à irresignação dos autos, o Tribunal de origem, soberano no exame da matéria fático-probatória, deixou de reconhecer a atenuante da confissão espontânea com base na seguinte fundamentação (fl. 299 - grifamos): A defesa pugna pelo reconhecimento e aplicação da confissão espontânea e, consequentemente, pela compensação com a agravante da reincidência. No entanto, compulsando os autos, em especial as declarações prestadas pelo apelante, vê-se que em nenhum momento ele confessou a prática delitiva, seja porque foi declarado revel perante à autoridade judiciária (evento 133/PG), seja porque, na fase investigativa (evento 1, VIDEO8,do IP), afirmou que "fica alterado quando ingere bebida alcoólica e faz uso de drogas. Quanto aos fatos ocorridos no dia 29 de fevereiro de 2020, disse que falou alguma coisa para Fabiano porque ele ficou parado com o cachorros na frente de sua residência, lhe provocando. No entanto, negou qualquer ameaça ou ofensa. E em relação ao ocorrido no dia 6 de março de 2020, disse que apenas ofendeu Fabiano e que estava um pouco alterado". O que se conclui é que em nenhum momento o apelante confessou, mesmo de forma parcial ou qualificada, a autoria delitiva do crime de ameaça, apenas ofensas, motivo pelo qual não faz jus à referida atenuante e, como corolário, não há falar em compensação com a agravante da reincidência. Na espécie, para alterar a conclusão a que chegou a Corte estadual, e reconhecer a confissão espontânea na segunda fase da dosimetria, demandaria, necessariamente, o revolvimento do acervo fático-probatório delineado nos autos, procedimento que encontra óbice na Súmula n. 7/STJ. Com efeito, a jurisprudência deste C. Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que, "se a confissão espontânea não foi reconhecida pelas instâncias ordinárias, a desconstituição do que ficou estabelecido ensejaria o reexame aprofundado de todo conjunto fático-probatório produzido ao longo da marcha processual, providência incompatível com os estreitos limites do remédio constitucional, ou do recurso que lhe faça as vezes" (AgRg no RHC n. 125.185/MS, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 22/03/2022, DJe de 25/03/2022). Assim, verifica-se que a Corte de origem afastou a atenuante da confissão espontânea ressaltando não ter havido confissão do réu quanto ao delito em questão. Conforme destacado na decisão monocrática, para alterar a referida conclusão, e fazer incidir a confissão espontânea no caso concreto seria necessário o reexame fático-probatório dos autos, o que é vedado na via do apelo nobre, nos termos da Súmula n. 7 /STJ. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENAL. PROCESSUAL PENAL. SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E SONEGAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRETENSÃO DE PROPOSTA DE ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO DA QUESTÃO. SÚMULA N. 211 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. CONSUNÇÃO ENTRE OS CRIMES DOS ARTS. 337-A, III DO CÓDIGO PENAL - CP E 1º, I, DA LEI N. 8.137/90. NÃO CABIMENTO. CRIMES AUTÔNOMOS. APLICAÇÃO DA ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO. ALTERAÇÃO DEMANDA ANÁLISE DE PROVA. ÓBICE DA SÚMULA N. 7 DO STJ. PRETENSÃO DE REDUÇÃO DA PENA-BASE NO MÍNIMO LEGAL. EXASPERAÇÃO DA PENA AMPARADA EM ELEMENTO CONCRETO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A alegada violação ao art. 28-A do Código de Processo Penal - CPP não foi debatida no acórdão recorrido, não merecendo ser conhecida no apelo raro. Incidência da Súmula n. 211 do Superior Tribunal de Justiça. 2. Inaplicável, no caso, a consunção do delito do art. 1º da Lei n. 8.137/93 ao tipo descrito no art. 337-A, III, do CP, pois tratam de crimes autônomos. O tipo do art. 1º da Lei n. 8.137/90 objetiva tutelar a ordem tributária, ao passo que o tipo do art. 337-A, III, do CP objetiva a manutenção da subsistência financeira da Previdência Social, coibindo a conduta de quem omite, total ou parcialmente, fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias. Precedentes . 3. A Corte de origem afastou a atenuante da confissão espontânea ressaltando não ter havido confissão do réu quanto ao delito em questão. Nesse contexto, para alterar a referida conclusão, e fazer incidir a confissão espontânea no caso concreto seria necessário o reexame fático-probatório dos autos, com óbice na Súmula n. 7 do STJ 4. Prejuízo ao erário que desborda da normalidade do tipo penal, autorizando a exasperação da pena-base, ante a consideração desfavorável das consequências do crime. Precedentes. 5. Agravo regimental d esprovido (AgRg no REsp n. 2.047.314/PE, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 0 4/03/2024, DJe de 06/03/2024, grifamos). AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO. ATENUANTE DA CONFISSÃO. RECONHECIMENTO. INVIABILIDADE. IRRELEVÂNCIA PARA O FEITO. I - Consoante a Súmula n. 545/STJ, a atenuante da confissão espontânea deve ser reconhecida, ainda que tenha sido parcial ou qualificada, seja ela judicial ou extrajudicial, e mesmo que o réu venha dela se retratar, quando a manifestação for utilizada para motivar a sua condenação. II - No caso não há falar-se na incidência da atenuante da confissão espontânea, se o réu negou os fatos com veemência, e "advertido pelo Promotor de Justiça que a confissão poderia atenuar sua pena, mesmo assim, o apelado tornou a negar os fatos". III - "Inviável o reconhecimento da confissão espontânea se as instâncias ordinárias não consideraram que o depoimento do agravante tenha configurado confissão, pelo contrário, afirmaram que a informação passada refutava a prática do crime. E a desconstituição dessa conclusão esbarra no impedimento da Súmula 7 do STJ." (AgRg nos EAREsp n. 2.173.816/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção, julgado em 26/4/2023, DJe de 28/4/2023). IV - Agravo regimental desprovido (AgRg no HC n. 800.045/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 14/08/2023, DJe de 17/08/2023, grifamos). AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENAL. DOSIMETRIA. LESÃO CORPORAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. CONFISSÃO. LEGÍTIMA DEFESA. ATENUANTE NÃO CONFIGURADA. SÚMULA N. 7/STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O atual entendimento desta Corte é o de que o réu faz jus à atenuante da confissão espontânea quando houver admitido a autoria do crime perante a autoridade, independentemente de a confissão ser utilizada pelo juiz como um dos fundamentos da sentença condenatória, e mesmo que seja ela parcial, qualificada, extrajudicial ou retratada. Além disso, a jurisprudência desta Corte também é firme no sentido de que, ainda que a confissão tenha se operado com justificativa na legítima defesa, a atenuante deve ser reconhecida. Precedentes. 2. No caso, não ficou configurada a ilegalidade em relação ao não reconhecimento da confissão realizada pelo recorrente. Com efeito, o ora recorrente negou a autoria do delito; afirmou que a vítima constantemente apresentava equimoses na perna; e tão somente cogitou a hipótese de que as lesões surgidas no braço da vítima pudessem ter ocorrido, em tese, quando ele a segurou, o que não é suficiente, a partir do contexto fático delineado, para reconhecer a atenuante da confissão espontânea. Para se concluir em sentido contrário, seria necessário o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, o que esbarraria no óbice da Súmula n. 7/STJ. 3. Agravo regimental desprovido (AgRg no REsp n. 2.071.163/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 28/08/2023, DJe de 30/08/2023, grifamos). Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.