HC 1045676 - DECISAO
Por não ter o acusado confessado a prática de traficância, limitando-se a admitir que as substâncias seriam para consumo próprio, não se aplica a atenuante do art. 65, III, "d", do Código Penal ao crime de tráfico; assim, não há alteração na segunda fase da dosimetria, e o habeas corpus foi indeferido liminarmente...
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- Parties
- Paciente: RICARDO FARIAS MESSIAS; Órgão Prolator Do Acórdão: Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida
- Outcome
- habeas corpus indeferido liminarmente
- Legal Topics
- Confissão Espontânea, Atenuante Art. 65, III, D, Do Código Penal, Tráfico Ilícito De Entorpecentes, Dosimetria Da Pena, Reincidência, Revisão Criminal
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Parties
RICARDO FARIAS MESSIAS
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
Órgão Prolator Do Acórdão
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da atenuante da confissão espontânea (art. 65, III, d, CP) aos crimes de tráfico de drogas
- 2 Se a admissão de posse para uso próprio configura confissão de traficância
- 3 Se a segunda fase da dosimetria deve ser ajustada em razão da confissão do acusado
Ratio Decidendi
Por não ter o acusado confessado a prática de traficância, limitando-se a admitir que as substâncias seriam para consumo próprio, não se aplica a atenuante do art. 65, III, "d", do Código Penal ao crime de tráfico; assim, não há alteração na segunda fase da dosimetria, e o habeas corpus foi indeferido liminarmente com fundamento no RISTJ.
Court Disposition
habeas corpus indeferido liminarmente
Orders
- Indefiro liminarmente o habeas corpus com fundamento no art. 34, XX, c/c o art. 246, do RISTJ.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO RICARDO FARIAS MESSIAS alega ser vítima de coação ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, que julgou improcedente a Revisão Criminal n. 0068059-48.2025.8.16.0000. Consta dos autos que o paciente foi condenado pela prática dos crimes previstos nos arts. 180, caput, do CP; 33, caput, da Lei n. 11.343/2006; 12 da Lei n. 10.826/2003. A defesa argumenta que, "embora o impetrante tenha sido revel em juízo e exercido o direito ao silêncio na fase policial, a materialidade e a autoria dos três delitos (Receptação, Posse de Munição e Tráfico) foram lastreadas na admissão fática da posse/guarda de todos os objetos e substâncias ilícitas apreendidas" (fl. 33). Requer, assim, seja reconhecida a atenuante da confissão espontânea em favor do paciente, compensando-a, por conseguinte, com a agravante da reincidência. Decido. No que tange ao pretendido reconhecimento da atenuante da confissão espontânea, considero não assistir razão à defesa. Certo é que este Superior Tribunal possui o entendimento de que, se a confissão do acusado foi utilizada para corroborar o acervo probatório e fundamentar a condenação, deve incidir a atenuante prevista no art. 65, III, "d", do Código Penal, sendo irrelevante o fato de a confissão haver sido espontânea ou não, total ou parcial, ou mesmo que tenha havido posterior retratação. Confira-se, ainda, o disposto na Súmula n. 545 desta Corte Superior: "Quando a confissão for utilizada para a formação do convencimento do julgador, o réu fará jus à atenuante prevista no art. 65, III, d, do Código Penal." No entanto, também é entendimento desta Corte Superior que "a incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de tráfico ilícito de entorpecentes exige o reconhecimento da traficância pelo acusado, não sendo apta para atenuar a pena a mera admissão da propriedade para uso próprio. Nessa hipótese, inexiste, sequer parcialmente, o reconhecimento do crime de tráfico de drogas, mas apenas a prática de delito diverso." (AgRg no HC n. 351.962/MS, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, 6ª T., DJe 1º/8/2017). Essa compreensão, aliás, foi consolidada no enunciado na Súmula n. 630 deste Tribunal, in verbis: "A incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de tráfico ilícito de entorpecentes exige o reconhecimento da traficância pelo acusado, não bastando a mera admissão da posse ou propriedade para uso próprio. Portanto, com a ressalva do meu entendimento pessoal, curvo-me ao entendimento desta Corte para reconhecer que, como, no caso, o acusado não confessou que estaria traficando drogas - mas, tão somente, afirmou que as substâncias entorpecentes apreendidas seriam para consumo próprio (fl. 47) -, não há como se lhe aplicar a atenuante prevista no art. 65, III, "d", do Código Penal. Não há, pois, nenhum ajuste a ser feito em relação à segunda fase da dosimetria da pena. À vista do exposto, com fundamento no art. 34, XX, c/c o art. 246, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o habeas corpus. Publique-se e intimem-se. EMENTA