REsp 1661156 - DECISAO
O recurso extraordinário foi negado seguimento e não admitido porque as alegadas ofensas aos arts. 5º, LIV, e 3º, I, da CF dependem de prévia análise de normas infraconstitucionais (notadamente o art. 72 do CPM), configurando ofensa reflexa nos termos do Tema 660 do STF, razão pela qual não há repercussão geral nos...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 June 2024
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Recurso Extraordinário Negado Seguimento E Não Admitido
- Outcome
- Recurso extraordinário negado seguimento e não admitido
- Legal Topics
- Confissão Espontânea, Atenuante, Dosimetria Da Pena, Competência Da Justiça Militar, Repercussão Geral, Tema 660 STF, Art. 72 Do Código Penal Militar, Art. 70, II, "l", Do CPM, Art. 305 Do CPM, Art. 5º, LIV Da CF, Art. 3º, I Da CF
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Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Recurso Extraordinário Negado Seguimento E Não Admitido
Legal Issues
- 1 Alegada violação aos arts. 3º, I, e 5º, LIV, da Constituição Federal
- 2 Admissibilidade da atenuante da confissão espontânea nos crimes militares (art. 72 do CPM)
- 3 Aplicação da agravante do art. 70, II, "L", do CPM e possível bis in idem
Ratio Decidendi
O recurso extraordinário foi negado seguimento e não admitido porque as alegadas ofensas aos arts. 5º, LIV, e 3º, I, da CF dependem de prévia análise de normas infraconstitucionais (notadamente o art. 72 do CPM), configurando ofensa reflexa nos termos do Tema 660 do STF, razão pela qual não há repercussão geral nos termos do art. 1.030 do CPC.
Court Disposition
Recurso extraordinário negado seguimento e não admitido
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil.
- Não admito o recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, V, do Código de Processo Civil.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que recebeu a seguinte ementa: PENAL E PROCESSUAL PENAL MILITAR. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ART. 350 DO CÓDIGO PENAL MILITAR. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA N. 182/STJ. AGRAVANTE. ART. 70, II, L, DO CPM. ATENUANTE. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. 1. Inviável o conhecimento do recurso na parte em que se insurge contra a competência da Justiça Militar, uma vez que não foram impugnados os fundamentos da decisão agravada. 2. A jurisprudência desta Corte Superior entende que "não configura bis in idem a incidência da agravante tipificada no art. 70, II, "L", do CPM sobre o crime de concussão, em razão de que a circunstância do militar se encontrar em serviço não é inerente ao tipo previsto no art. 305 do CPM, tendo em vista que a vantagem indevida pode ser exigida antes de assumir ou mesmo fora da função" (AgRg no REsp n. 1.950.905/RJ, relator Ministro Olindo Menezes, Desembargador Convocado do TRF 1ª Região, Sexta Turma, julgado em 22/2/2022, DJe de 2/3/2022). 3. A atenuante da confissão espontânea também foi adequadamente afastada, nos seguintes termos (e-STJ fl. 636): "Em que pese o posicionamento da Procuradoria de Justiça de que a confissão deva ser considerada para o abrandamento da reprimenda imposta, é inaplicável a atenuante da confissão espontânea, quando os acusados se encontram diante de provas irrefutáveis da prática delitiva", haja vista que a "norma especial contemplada no art. 72 do Código Penal Militar condiciona expressamente que a circunstância atenuante da confissão espontânea, no contexto de crime penal militar, somente seja admitida nas hipóteses em que a autoria delitiva seja ignorada ou imputada à terceira pessoa." (AgRg no REsp n. 1.509.360/SP, relator o Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 20/2/2018, DJe 28/2/2018.) 4. Recurso parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. As partes recorrentes alegam a ocorrência de violação dos arts. 3º, I, e 5º, LIV, da Constituição Federal e a existência de repercussão geral da matéria. Sustentam que (fl. 823): A confissão espontânea é prevista na Legislação penal como causa de atenuação da pena, pois demonstra o arrependimento do agente e a sua submissão ao ordenamento penal contribuindo de forma decisiva para acelerar e robustecer eventual condenação a luz da prova coligida. Em sendo assim, não tem cabimento o artigo 72 do Código Penal Militar, quando condiciona circunstância especial para condição da confissão como meio atenuante da pena, pois assim agindo reduz a contribuição e o arrependimento do agente a nada, o que não é o escopo da política penal. Requerem, ao final, a admissão do recurso e a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. É o relatório. O Supremo Tribunal Federal já definiu que a alegação de afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, bem como ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e aos limites da coisa julgada, quando dependente da prévia análise de normas infraconstitucionais, configura ofensa reflexa ao texto constitucional. Isso é o que ficou definido no Tema n. 660 do STF, no qual a Suprema Corte fixou a seguinte tese: A questão da ofensa aos princípios do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal e dos limites à coisa julgada, tem natureza infraconstitucional, e a ela se atribuem os efeitos da ausência de repercussão geral, nos termos do precedente fixado no RE n. 584.608, rel. a Ministra Ellen Gracie, DJe 13/03/2009. (ARE n. 748.371-RG, relator Ministro Gilmar Mendes, julgado em 6/6/2013, DJe de 1º/8/2013.) Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais que analisam a viabilidade prévia dos recursos extraordinários negar seguimento aos recursos que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. No caso dos autos, o exame da alegada ofensa aos arts. 5º, LIV, da Constituição Federal dependeria da análise de dispositivos da legislação infraconstitucional considerados na solução do acórdão recorrido, motivo pelo qual se aplica a conclusão do STF no mencionado Tema n. 660. É o que se observa do seguinte trecho do acórdão recorrido: Com relação à dosimetria da pena, especificamente com relação ao pleito de afastamento da agravante, a jurisprudência desta Corte Superior entende que "não configura bis in idem a incidência da agravante tipificada no art. 70, II, "L", do CPM sobre o crime de concussão, em razão de que a circunstância do militar se encontrar em serviço não é inerente ao tipo previsto no art. 305 do CPM, tendo em vista que a vantagem indevida pode ser exigida antes de assumir ou mesmo fora da função" (AgRg no REsp n. 1.950.905/RJ, relator Ministro Olindo Menezes, Desembargador Convocado do TRF 1ª Região, Sexta Turma, julgado em 22/2/2022, DJe de 2/3/2022). A atenuante da confissão espontânea também foi adequadamente afastada, nos seguintes termos (e-STJ fl. 636): "Em que pese o posicionamento da Procuradoria de Justiça de que a confissão deva ser considerada para o abrandamento da reprimenda imposta, é inaplicável a atenuante da confissão espontânea, quando os acusados se encontram diante de provas irrefutáveis da prática delitiva", haja vista que a "norma especial contemplada no art. 72 do Código Penal Militar condiciona expressamente que a circunstância atenuante da confissão espontânea, no contexto de crime penal militar, somente seja admitida nas hipóteses em que a autoria delitiva seja ignorada ou imputada à terceira pessoa." (AgRg no REsp n. 1.509.360/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 20/2/2018, DJe 28/2/2018.) Além disso, em relação à suscitada afronta ao art. 3º, I, da CF, com base no mesmo excerto, denota-se que a análise da matéria ventilada depende do exame do art. 72 do Código Penal Militar, motivo pelo qual eventual ofensa à Constituição da República, se houvesse, seria reflexa ou indireta, não legitimando a interposição do recurso. Em caso semelhante, assim já decidiu a Suprema Corte: Agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. Criminal. Ofensa reflexa ao texto constitucional. Precedentes. Incidência da Súmula nº 279/STF. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. 1. As questões relativas à individualização da pena configuram ofensa reflexa ao texto constitucional, por demandarem exame prévio da legislação infraconstitucional, na linha de precedentes. 2. Para divergir das conclusões adotadas no acórdão recorrido, necessário seria o reexame aprofundado do cotejo fático-probatório dos autos, o que é inviável na via eleita. Incidência, portanto, da Súmula nº 279/STF. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (ARE n. 906.928- AgR, relator Ministro Dias Toffoli, Segunda Turma, julgado em 1º/3/2016, DJe de 8/4/2016.) Ante o exposto, no que tange ao art. 5º, LIV, da Constituição Federal, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Outrossim, quanto à alegada ofensa ao art. 3º, I, da Constituição Federal, com amparo no art. 1.030, V, do Código de Processo Civil, não admito o recurso extraordinário. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, BEM COMO AO ATO JURÍDICO PERFEITO, AO DIREITO ADQUIRIDO E AOS LIMITES DA COISA JULGADA. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. TEMA N. 660 DO STF. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. DIREITO PENAL MILITAR. RECONHECIMENTO DA ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. OFENSA REFLEXA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. RECURSO INADMITIDO.