REsp 2092240 - DECISAO
Houve omissão no acórdão recorrido por falta de enfrentamento expresso das matérias suscitadas nos embargos de declaração, configurando negativa de prestação jurisdicional e violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015; por isso o recurso especial foi conhecido e provido para anular o acórdão e determinar o retorno...
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- Parties
- Impetrante: Município de Tupaciguara/MG; Autoridade Coatora: DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM UBERLÂNDIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 February 2024
- Procedural Posture
- Mandado De Segurança / Recurso Especial Julgado No Superior Tribunal De Justiça; Recurso Especial Conhecido E Provido, Com Determinação De Retorno Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Rejulgamento Dos Embargos De Declaração
- Outcome
- Recurso especial conhecido e provido; acórdão recorrido anulado quanto à omissão; determinado retorno dos autos ao Tribunal de origem para rejulgamento dos embargos de declaração com enfrentamento expresso das matérias.
- Legal Topics
- Constrição De Créditos Tributários Via FPM, Retenção Do FPM, Contribuições Previdenciárias, Limitação De Retenção a 9% Ou 15%, Omissão/negativa De Prestação Jurisdicional, Embargos De Declaração, Recurso Especial
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Parties
Município de Tupaciguara/MG
Impetrante
DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM UBERLÂNDIA
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Mandado De Segurança / Recurso Especial Julgado No Superior Tribunal De Justiça; Recurso Especial Conhecido E Provido, Com Determinação De Retorno Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Rejulgamento Dos Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 omissão no acórdão recorrido quanto a questões suscitadas nos embargos de declaração
- 2 violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 (negativa de prestação jurisdicional)
- 3 limitação e retenção do FPM para quitação de contribuições previdenciárias
Ratio Decidendi
Houve omissão no acórdão recorrido por falta de enfrentamento expresso das matérias suscitadas nos embargos de declaração, configurando negativa de prestação jurisdicional e violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015; por isso o recurso especial foi conhecido e provido para anular o acórdão e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para rejulgamento dos embargos de declaração com enfrentamento expresso das questões suscitadas.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e provido; acórdão recorrido anulado quanto à omissão; determinado retorno dos autos ao Tribunal de origem para rejulgamento dos embargos de declaração com enfrentamento expresso das matérias.
Orders
- Dar provimento ao recurso especial
- Determinar ao Tribunal de origem o rejulgamento dos embargos de declaração, com expresso enfrentamento das matérias articuladas nos aclaratórios
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DECISÃO Na origem, o Município de Tupaciguara/MG impetrou mandado de segurança em face de ato coator atribuído ao DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM UBERLÂNDIA, tendo por objetivo que seja determinado à autoridade coatora que se abstenha de promover a constrição de créditos tributários oriundos de contribuições previdenciárias via FPM do Município impetrante ou, sucessivamente, que seja a constrição limitada a 9% ou 15% do valor líquido repassado ao Município a título de FPM. Na primeira instância foi proferida sentença concedendo parcialmente a segurança para determinar à autoridade coatora que limite em 9% do valor do repasse do FPM a retenção para quitação das obrigações previdenciárias correntes e quitação das parcelas do programa de parcelamento instituído pela Lei n. 13.485/2017, devidas pelo Município de Tupaciguara, bem como para que desbloqueie os valores superiores ao percentual ora fixado em razão de retenções realizadas pela autoridade coatora a partir da data da propositura desta ação mandamental. O TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 6ª REGIÃO manteve a sentença, conforme a seguinte ementa do acórdão (fl. 278): PROCESSUAL CIVIL. FUNDO DE PARTICIPAÇÃO DOS MUNICÍPIOS. DÉBITOS COM A FAZENDA NACIONAL. ACORDO CELEBRADO ENTRE AS PARTES. RETENÇÃO DE DE 15% DA RECEITA CORRENTE LÍQUIDA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTE DESTA CORTE. 1. A Lei 10.522/2002 prevê retenções no FPM como um mecanismo para fins de quitação de obrigações correntes e parcelamentos relativos às contribuições previdenciárias devidas por entes públicos. 2. O valor da amortização acrescido das obrigações previdenciárias correntes poderá comprometer até 15% (quinze por cento) da Receita Corrente Líquida Municipal mensal calculada na forma da Lei Complementar n. 101/2000 (art. 4º, § 4º). Precedente: Numeração Única:0016609-77.2006.4.01.3300. AMS 2006.33.00.016618-1 /BA; APELAÇÃO EM MANDADO DESEGURANÇA. Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA. Órgão: SÉTIMATURMA. Publicação: 09/08/2013 e-DJF1 P. 294. Data Decisão: 30/07/2013. 3. Apelação e remessa oficial as quais se nega provimento. Os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional foram rejeitados (fls. 319-323). Interposto recurso especial, alega a parte recorrente a ocorrência de violação de dispositivos de lei, além da alegação de violação do art. 1.022 do CPC/2015. Parecer do Ministério Público Federal opinando pelo provimento do recurso (fls. 409-414). É o relatório. Decido. Na hipótese dos autos, não houve, no acórdão recorrido, exame detalhado acerca das matérias articuladas nos aclaratórios, conforme destacado na petição de recurso especial. Conforme bem destacado no Parecer Ministerial, o Tribunal a quo, "ao julgar os declaratórios, contudo, não debateu quaisquer das questões apontadas nos declaratórios. Todavia, a adequada solução da lide perpassa necessariamente sobre a manifestação expressa sobre os pontos ventilados nos embargos de declaração." (fl. 413) Nesse contexto, impõe-se o provimento do recurso especial em face da reconhecida violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015. Nesse sentido: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. PERDA DE OBJETO DO RECURSO ESPECIAL. NÃO OCORRÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 7 DO STJ. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489, § 1º, IV, E 1.022, II, PARÁGRAFO ÚNICO, II, DO CPC/2015. OMISSÃO, NO ACÓRDÃO RECORRIDO, SOBRE QUESTÃO FÁTICA RELEVANTE À SOLUÇÃO DA CONTROVÉRSIA, OPORTUNAMENTE SUSCITADA NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, OPOSTOS NA ORIGEM. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL CONFIGURADA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão que julgara Recurso Especial interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/2015. II. Na origem, trata-se de Agravo de Instrumento, interposto pela parte exequente, em face de decisão que, em Execução Fiscal, determinara a substituição da penhora de ativos financeiros por seguro garantia. No acórdão recorrido, ao consignar que "o valor bloqueado é deveras elevado, superior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), quantia que é passível de comprometer o regular funcionamento empresarial da parte executada", e que "o seguro garantia, acrescido de 30% (trinta por cento) da dívida, é equivalente à penhora em dinheiro, nos termos da regra legal, não havendo necessidade de prévia concordância do exequente para a aceitação da substituição, já que a lei explicitamente torna equivalentes essas 2 (duas) modalidades de garantia", o Tribunal de origem deu parcial provimento ao recurso, tão somente para determinar que "deve o juízo singular proceder à aferição da idoneidade do endosso apresentado pelo executado e, caso seja positivo o seu reconhecimento, proceder à substituição da penhora em comento". Opostos Embargos de Declaração, em 2º Grau, neles a parte exequente apontou omissão e requereu "que a Turma enfrente, no julgamento dos aclaratórios, a tese de que não se pode considerar necessária a substituição da penhora tão somente pelo vulto do valor bloqueado (R$ 10 milhões), dado que o acórdão e o voto em que embasado não fizeram nenhuma consideração fática além do valor da dívida sobre a saúde financeira da empresa, nem sobre o volume financeiro de sua movimentação operacional". Tais Declaratórios, no entanto, foram rejeitados. No Recurso Especial, sob alegada violação aos arts. 489, § 1º, IV, 797, 835, § 2º, 848, I, parágrafo único, e 1.022, II, parágrafo único, II, do CPC/2015, e 1º, 11, I, § 2º, e 15, I, da Lei 6.830/80, a exequente sustentou a nulidade do acórdão dos Embargos de Declaração, por omissão consubstanciada na ausência de enfrentamento de todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador, na medida em que não houve efetiva análise da questão fática em torno da situação financeira da parte executada, e, além disso, a impossibilidade de substituição da penhora em dinheiro por seguro garantia, sem a prévia concordância da parte credora. Na decisão ora agravada o Recurso Especial foi provido, por reconhecida a violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, parágrafo único, II, do CPC/2015, para determinar, ao Tribunal de origem, o rejulgamento dos Embargos de Declaração, com expresso enfrentamento da questão acerca da existência de elementos concretos que justifiquem, de modo razoável, a postulada substituição da penhora de dinheiro por seguro garantia, ensejando a interposição do presente Agravo interno, pela parte executada. III. Não há que se falar em perda de objeto do Recurso Especial, pois a possibilidade de reversão ao status quo ante não torna prejudicado o recurso, pelo simples fato da prática do ato que se pretendia evitar. Nesse sentido: STJ, REsp 829.218/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/11/2010; AgInt no REsp 1.379.633/PB, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 15/12/2017. IV. A constatação, no julgamento do Recurso Especial, de omissão sobre questões relevantes, em tese, devidamente suscitadas nos Declaratórios, não se confunde com simples reexame de provas, o que afasta a incidência do óbice da Súmula 7 do STJ. Precedente do STJ: AgRg no REsp 1.577.556/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 11/03/2016. V. Na forma da jurisprudência deste Tribunal, ocorre violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, parágrafo único, II, do CPC/2015 quando o Tribunal de origem deixa de enfrentar questões relevantes ao julgamento da causa, suscitadas pela parte recorrente. Adotando tal orientação: STJ, AgInt no AREsp 1.377.683/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/10/2020; REsp 1.915.277/RJ, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, DJe de 27/04/2021. VI. Para demonstrar a relevância, em tese, da questão fática suscitada nos Embargos de Declaração, opostos em 2º Grau, cumpre anotar que, na forma da jurisprudência dominante do STJ, a Fazenda Pública não pode ser, em Execução Fiscal, obrigada a aceitar substituição de penhora em dinheiro por seguro garantia, sem que esteja demonstrada, concretamente, a existência de violação ao princípio da menor onerosidade na manutenção da penhora em dinheiro. Nesse sentido: STJ, AgRg no AREsp 726.208/RR, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 10/06/2016; REsp 1.592.339/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 01/06/2016; AgInt no AREsp 1.300.960/DF, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, DJe de 26/10/2018; AgInt no AREsp 1.448.340/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 20/09/2019; AgInt no AREsp 1.741.800/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 05/05/2021; AgInt no AREsp 1.779.557/GO, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, DJe de 28/05/2021. VII. Na hipótese dos autos, não houve, no acórdão recorrido, exame detalhado acerca da necessidade concreta da substituição da penhora em dinheiro por seguro garantia. Com efeito, a Corte a quo limitou-se a afirmar, genericamente, que "o valor bloqueado é deveras elevado, superior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), quantia que é passível de comprometer o regular funcionamento empresarial da agravada", o que não basta para demonstrar a imperiosidade da substituição, nos termos da jurisprudência do STJ, sendo imprescindível a demonstração de que tal constrição representará, concretamente (e não hipoteticamente), dano excessivo e injustificado à sociedade empresária. Nesse contexto, impõe-se a confirmação da decisão que, em face da reconhecida violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, deu provimento ao Recurso Especial, de modo a determinar, ao Tribunal de origem, o rejulgamento dos Embargos de Declaração, com o expresso enfrentamento da questão acerca da existência de elementos concretos que justifiquem, de modo razoável, a substituição de garantia postulada. VIII. Agravo interno improvido. (AgInt nos EDcl no REsp 1911483/PE, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/06/2021, DJe 30/06/2021) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL E CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. RECONHECIMENTO. ACÓRDÃO COMBATIDO. ANULAÇÃO. 1. De acordo com o art. 1.022, parágrafo único, II, combinado com o art. 489, § 1º, IV, ambos do CPC/2015, considera-se omissa a decisão que "não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador". 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, há ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, 1.022, II, do CPC/2015 "nas hipóteses em que o Tribunal de origem, mesmo após a oposição de embargos de declaração, omite-se no exame de questão pertinente para a resolução da controvérsia" (REsp 1660844/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 19/06/2018, DJe 25/06/2018). 3. Hipótese em que o Regional proveu agravo de instrumento, mediante a reprodução literal da decisão liminar anterior, e, a despeito de provocado via embargos de declaração, manteve-se silente quanto às teses sustentadas pelo CADE, ora agravado, no agravo interno manejado na origem. 4. Apesar de não se exigir do magistrado, desde que amparado em fundamentação suficiente, a obrigação de responder a todos os argumentos suscitados pela parte, na espécie, as alegações apresentadas nos aludidos embargos de declaração mostram-se relevantes para a solução da controvérsia, razão por que devem ser expressamente enfrentadas, sob pena de inviabilizar o acesso à instância especial, nos termos da Súmula 211 do STJ. 5. Acórdão recorrido anulado, com determinação de retorno dos autos à Corte de origem para rejulgamento dos embargos de declaração. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1377683/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/09/2020, DJe 01/10/2020) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial, de modo a determinar, ao Tribunal de origem, o rejulgamento dos embargos de declaração, com o expresso enfrentamento das matérias articuladas nos aclaratórios. Prejudicadas as demais alegações. Publique-se. Intime-se. EMENTA