AREsp 2470955 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido não padecia de omissão, obscuridade ou contradição nos termos do art. 1.022 do CPC/2015; a análise da tempestividade da contestação exigiria reexame do acervo fático-probatório, vedado pelo entendimento consolidado na Súmula 7/STJ; portarias não...
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- Parties
- Agravante: Município de Touros
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento Em Turma
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Contestação, Tempestividade, Revelia, Súmula 7/stj, Dissídio Jurisprudencial, Art. 1.022 Cpc/2015, Portarias
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Parties
Município de Touros
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento Em Turma
Legal Issues
- 1 ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 (omissão, obscuridade, contradição)
- 2 tempestividade da contestação e decretação de revelia
- 3 possibilidade de análise de portarias em recurso especial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o acórdão recorrido não padecia de omissão, obscuridade ou contradição nos termos do art. 1.022 do CPC/2015; a análise da tempestividade da contestação exigiria reexame do acervo fático-probatório, vedado pelo entendimento consolidado na Súmula 7/STJ; portarias não integram conceito de lei federal apta à revisão em recurso especial; e o recorrente não comprovou o dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico exigido pelo art. 1.029, §1º, do CPC/2015 e art. 255, §1º, do RISTJ.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro-Relator. Os Srs. Ministros Teodoro Silva Santos, Afrânio Vilela, Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. EMENTA
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno (fls. 1209/1229) interposto contra decisão monocrática sintetizada na seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. CONTESTAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. REVELIA. ANÁLISE DE PORTARIA. IMPOSSIBILIDADE. CONCEITO DE LEI FEDERAL. QUESTÃO ATRELADA AO REEXAME DA MATÉRIA DE FATO. ÓBICE DA SÚMULA 07/STJ. DISSÍDIO PRETORIANO. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, NEGAR-LHE PROVIMENTO. O agravante sustenta que o v. acórdão de origem padece de evidente negativa de prestação jurisdicional, uma vez que há ausência do enfretamento de aspectos relevantes para a conclusão da causa, bem como que a questão controvertida não exige o reexame da matéria fática, na medida em que é unicamente de direito. Acrescenta que procedeu com a demonstração do dissídio pretoriano, razão pela qual deve ser considerada a tempestividade da contestação apresentada na origem com o fim de ser afastada a aplicação do instituto da revelia. Impugnação apresentada às fls. 1233/1239. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. CONTESTAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. REVELIA. ANÁLISE DE PORTARIA. IMPOSSIBILIDADE. CONCEITO DE LEI FEDERAL. QUESTÃO ATRELADA AO REEXAME DA MATÉRIA DE FATO. ÓBICE DA SÚMULA 07/STJ. DISSÍDIO PRETORIANO. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade, contradição ou erro material, não fica caracterizada ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. O recurso especial não constitui via adequada para a análise de eventual ofensa à súmulas, resoluções, portarias ou instruções normativas, por não estarem tais atos normativos inseridos no conceito de Lei Federal, nos termos do art. 105, III, a, da Constituição Federal. 3. O reexame de matéria de prova é inviável em sede de recurso especial (Súmula 7/STJ). 4. A divergência jurisprudencial com fundamento na alínea "c" do permissivo constitucional, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, § 1º, do RISTJ, exige o necessário cotejo analítico e a demonstração de similitude fático-jurídica entre os acórdãos supostamente divergentes, o que não restou comprovado no presente caso. 5. Agravo interno não provido. VOTO O recurso não merece prosperar. Cinge-se a controvérsia de agravo de instrumento interposto contra decisão que considerou intempestiva a contestação apresentada pelo ente público com a decretação de sua revelia. O Tribunal de origem negou provimento à pretensão recursal, ponderando que em face das normas de suspensão dos prazos processuais e a data de apresentação da peça contestatória houve efetiva intempestividade da peça, situação que atrai a preclusão temporal e a revelia, senão vejamos: Os dias de suspensão de prazo acarretados pelas portarias acima só influenciam nos dias de começo ou de encerramento dos prazos. No caso, portanto, como o dia de vencimento do prazo para contestar se deu em 09 de agosto. No presente processo, de 2019 (sexta-feira) ficou protraído para o primeiro dia útil seguinte o prazo para contestação se encerrou, portanto, em 12 de agosto de 2019 (segunda-feira). Logo, a apresentação da contestação por parte do Município de Touros somente no dia 19 de agosto de 2019 (segunda-feira) se deu de forma intempestiva, implicando em preclusão temporal e consequente revelia. Revelia essa, porém, que em face da Fazenda Pública não produz os efeitos materiais, conforme dito na decisão recorrida - fl. 20 - ID 11766616. Com efeito, depreende-se dos autos que o Tribunal de origem, de modo fundamentado, resolveu de modo integral a controvérsia posta. Na linha da jurisprudência desta Corte, não há falar em negativa de prestação jurisdicional nem em vício quando o acórdão impugnado aplica tese jurídica devidamente fundamentada, promovendo a integral solução da controvérsia, ainda que de forma contrária aos interesses da parte. Assim, não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 1.022 do CPC./2015. Por outro lado, muito embora o recorrente indique eventual ofensa a preceito de lei federal, observa-se que a disciplina exige que seja analisado o conteúdo de norma vinculada em Portaria, sendo certo que apelo nobre não é via adequada para a análise de eventual ofensa à súmulas, resoluções, portarias ou instruções normativas, por não estarem tais atos normativos inseridos no conceito de Lei Federal, nos termos do art. 105, III, a, da Constituição Federal. Ademais, verifico que a revisão do entendimento proferido pelo Tribuna a quo - para que seja reconhecida a tempestividade da contestação oferecida pelo ente público - exige, necessariamente, o revolvimento do acervo fático dos autos, inclusive com o cotejamento de peças processuais, providência inviável nessa seara recursal a teor da Súmula 7/STJ. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. CONTESTAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. REEXAME DE PROVA. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Para rever a conclusão do tribunal de origem de que a contestação da agravada foi tempestiva seria necessário reexaminar os elementos fático-probatórios dos autos, o que se mostra inviável em sede de recurso especial, nos termos da Súmula nº 7 do Superior Tribunal de Justiça. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 569.723/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/2/2015, DJe de 3/3/2015.) Por fim, ressalte-se que é inviável a apreciação do inconformismo recursal fundado na alínea "c" do permissivo constitucional quando o recorrente não demonstra o suposto dissídio pretoriano por meio: a) da juntada de certidão ou de cópia autenticada do acórdão paradigma, ou, em sua falta, da declaração pelo advogado da autenticidade dessas; b) da citação de repositório oficial, autorizado ou credenciado, em que o acórdão divergente foi publicado; c) do cotejo analítico, com a transcrição dos trechos dos acórdãos em que se funda a divergência, além da demonstração das circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, não bastando, para tanto, a mera transcrição da ementa e de trechos do voto condutor do acórdão paradigma; e d) a indicação dos dispositivos de lei federal com interpretação divergente entre os Tribunais. Na hipótese examinada, observa-se que a recorrente não atendeu aos requisitos estabelecidos pelos arts. 1.029, § 1º, do CPC/2015, e 255, § 1º, do RISTJ, em especial o cotejo analítico, com a transcrição dos trechos dos acórdãos em que se funda a alegada divergência, além da demonstração das circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, não bastando, para tanto, a mera transcrição da ementa e de trechos do voto condutor do acórdão paradigma. Assim, é descabido o presente recurso interposto pela alínea c do inciso III do art. 105 da Constituição Federal. Cumpre asseverar que na demonstração do dissídio jurisprudencial o cotejo analítico possui dois momentos, quais sejam: i) deve o recorrido, inicialmente, promover a comparação entre as questões tratadas no decisum objurgado e no paradigma, com translado dos fundamentos de ambos; ii) em seguida, executa-se a defrontação das teses jurídicas em conflito, patenteando a desconformidade de interpretações para a mesma questão de direito. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.