REsp 2131862 - DECISAO
O Recurso Especial não foi conhecido porque o recorrente deixou de demonstrar, por meio de cotejo analítico e transcrição dos trechos dos acórdãos, a alegada divergência jurisprudencial exigida pela alínea c do art. 105, III, da Constituição; assim, não se verificou a condição de admissibilidade do recurso nos...
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- Parties
- Recorrente: MUNICÍPIO DE JATOBÁ; Autora/apelada: parte autora/apelada
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 April 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecimento (decisão Monocrática)
- Outcome
- NÃO CONHEÇO do Recurso Especial
- Legal Topics
- Contrato Administrativo Temporário, Nulidade De Contrato Administrativo, FGTS, Honorários Advocatícios, Requisitos De Admissibilidade Do Recurso Especial
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Parties
MUNICÍPIO DE JATOBÁ
Recorrente
parte autora/apelada
Autora/apelada
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecimento (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 nulidade de contratações temporárias por violação do art. 37 da Constituição Federal
- 2 direito ao levantamento dos depósitos do FGTS nos contratos temporários (art. 19-A da Lei 8.036/1990)
- 3 exigência de cotejo analítico para demonstração de divergência jurisprudencial (alínea c do art. 105, III, CF)
Ratio Decidendi
O Recurso Especial não foi conhecido porque o recorrente deixou de demonstrar, por meio de cotejo analítico e transcrição dos trechos dos acórdãos, a alegada divergência jurisprudencial exigida pela alínea c do art. 105, III, da Constituição; assim, não se verificou a condição de admissibilidade do recurso nos termos do CPC/2015 e do Regimento Interno do STJ. Ademais, aplicaram-se disposições regimentais e processuais pertinentes quanto à competência do Relator para decisão monocrática (arts. 932, III do CPC/2015 e arts. 34, XVIII, a, e 255, I do RISTJ) e procedeu-se à majoração dos honorários recursais conforme art. 85, §§ 2º e 11 do CPC/2015.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO do Recurso Especial
Orders
- Majoração em 20% dos honorários anteriormente fixados em desfavor do Recorrente
- Publique-se e intimem-se
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo MUNICÍPIO DE JATOBÁ contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 4ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco no julgamento de Apelação, assim ementado (fl. 220e): DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. CONTRATO ADMINISTRATIVO TEMPORÁRIO. AGENTE COMUNITÁRIO INDÍGENA. AÇÃO TRABALHISTA. APELAÇÃO INTERPOSTA PELO MUNICÍPIO DE JATOBÁ. DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO DE EXCEPCIONAL INTERESSE PÚBLICO. NULIDADE DA CONTRATAÇÃO DECLARADA NO 1º GRAU. DIREITO À PERCEPÇÃO AOS DEPÓSITOS DO FGTS. ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (TEMA 916). SENTENÇA MANTIDA NESSE SENTIDO. ADEQUAÇÃO, DE OFÍCIO, DOS JUROS DE MORA E DA CORREÇÃO MONETÁRIA AOS ENUNCIADOS ADMINISTRATIVOS N.ºS 08, 11, 15 E 20 DA SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO DO TJPE. APELAÇÃO NÃO PROVIDA. DECISÃO UNÂNIME. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal "A Constituição de 1988 comina de nulidade as contratações de pessoal pela Administração Pública sem a observância das normas referentes à indispensabilidade da prévia aprovação em concurso público (CF, art. 37, §2º), não gerando, essas contratações, quaisquer efeitos jurídicos válidos em relação aos empregados contratados, a não ser o direito à percepção dos salários referentes ao período trabalhado e, nos termos do art. 19-A da Lei 8.036/90, ao levantamento dos depósitos efetuados no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço -FGTS" (RE 705.140/RS). "Essa orientação se aplica também aos contratos temporários declarados nulos, consoante entendimento de ambas as Turmas" (ARE 766.127/PE). 2. No caso em apreço, a parte autora/apelada comprovou que celebrou contrato de natureza jurídico-administrativa de prestação de serviços junto ao Município de Jatobá, exercendo a função de Agente Comunitário Indígena desde o ano de 2007, vinculo que se prorrogou por várias vezes. 3. Analisando os autos, verifica-se que a contratação celebrada pelas partes se afasta do caráter transitório, excepcional e emergencial, não sendo possível suprir deficiência de pessoal em caráter permanente no âmbito da Administração Municipal sem violar a regra do concurso público prevista no art. 37, II, da Carta Maior. Nesse sentido, desvirtuou-se o instituto do contrato por tempo determinado, devendo ser reconhecida a nulidade da contração, assim como fez acertadamente o Juízo de 1º Grau. 4. É importante destacar que, na hipótese de contratação temporária de servidores públicos, o Supremo Tribunal Federal selecionou como tema de repercussão geral duas situações peculiares, vale dizer, a do contrato válido (Tema 551, RE 1066677/MG) e a do contrato nulo (Tema 916 - RE 765320/MG). 5. Na espécie, incide a tese firmada no Tema 916 também do STF, porquanto reconhecida a nulidade da contratação, situação que não exclui o direito a que faz jus a servidora contratada, ora recorrida, ao recebimento dos valores depositados no FGTS referentes ao período trabalhado, razão pela qual deve ser mantida a sentença apelada. 6. Unanimemente, negou-se provimento à apelação, com a adequação, de oficio, dos juros de mora e da correção monetária aos Enunciados administrativos nºs 08, 11, 15 e 20 da Seção de Direito Público do TJPE, com redação publicada no DJe do dia 11/03/2022, mantendo-se no mais a integralidade da sentença atacada por seus próprios termos. Com amparo no art. 105, III, c, da Constituição da República, aponta-se divergência jurisprudencial acerca do art. 19-A da Lei n. 8.036/1990, alegando-se, em síntese, não ter ficado caracterizado o desvirtuamento da contrafação. .. Consequentemente, não se pode falar em nulidade dos contratos, nem direito da parte Autora ao recebimento de verbas não previstas na Legislação local que disciplina as contratações temporárias" (fl. 258e). Sem contrarrazões (fl. 271e), o recurso foi inadmitido (fls. 273/278e), tendo sido interposto Agravo, posteriormente convertido em Recurso Especial (fl. 305e). Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. O Recurso Especial não pode ser conhecido com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, pois a parte recorrente deixou de proceder ao cotejo analítico entre os arestos confrontados, com o escopo de demonstrar que partiram de situações fático-jurídicas idênticas e adotaram conclusões discrepantes. Cumpre ressaltar, ainda, que o Recorrente deve transcrever os trechos dos acórdãos que configurem o dissídio, mencionando as circunstâncias dos casos confrontados, sendo insuficiente, para tanto, a mera transcrição de ementas. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRATO ADMINISTRATIVO. EXECUÇÃO. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL EM VIRTUDE DE PROPOSITURA DE DEMANDA JUDICIAL PELO DEVEDOR NA QUAL O DÉBITO É IMPUGNADO. ALEGADA AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. RECURSO ANCORADO NA ALÍNEA C DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL. NÃO INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL SOBRE O QUAL SUPOSTAMENTE RECAI A CONTROVÉRSIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (..) 3. Além do que, para se comprovar a divergência, não basta a mera transcrição de ementas, é indispensável o cotejo analítico entre os julgados, de modo que ressaia a identidade ou similitude fática entre os acórdãos paradigma e recorrido, bem como teses jurídicas contrastantes, a demonstrar a alegada interpretação oposta. 4. Agravo Regimental do IRGA desprovido. (AgRg no REsp 1.355.908/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2014, DJe 15/08/2014). PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENSÃO POR MORTE. DECADÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DEVOLUÇÃO DE VALORES E PRESCRIÇÃO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DE LEI SUPOSTAMENTE VIOLADOS. SÚMULA 284/STF. CONDIÇÃO DE DEPENDENTE. FILHO MAIOR INVÁLIDO. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. (..) 4. O conhecimento de recurso especial fundado na alínea "c" do art. 105, III, da CF/1988 requisita, em qualquer caso, a demonstração analítica da divergência jurisprudencial invocada, por intermédio da transcrição dos trechos dos acórdãos que configuram o dissídio e da indicação das circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, não sendo bastante a simples transcrição de ementas ou votos (artigos 541, parágrafo único, do Código de Processo Civil e 255, § 2º, do RISTJ). A não observância a esses requisitos legais e regimentais (art. 541, parágrafo único, do CPC e art. 255 do RI/STJ) impede o conhecimento do recurso especial. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.420.639/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/03/2014, DJe 02/04/2014). No que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos Enunciados Administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais em favor do patrono da parte recorrida está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou de improvimento do recurso. Impende destacar que a Corte Especial deste Tribunal Superior, na sessão de 9.11.2023, concluiu o julgamento do Tema n. 1.059/STJ (Recursos Especiais ns. 1.864.633/RS, 1.865.223/SC e 1.865.553/PR, acórdãos pendentes de publicação), fixando a tese segundo a qual a majoração dos honorários de sucumbência prevista no art. 85, § 11, do CPC pressupõe que o recurso tenha sido integralmente desprovido ou não conhecido pelo tribunal, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente. Não se aplica o art. 85, § 11, do CPC em caso de provimento total ou parcial do recurso, ainda que mínima a alteração do resultado do julgamento e limitada a consectários da condenação. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/2015), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Na aferição do montante a ser arbitrado a título de honorários recursais, deverão ser considerados o trabalho desenvolvido pelo patrono da parte recorrida e os requisitos previstos nos §§ 2º a 10 do art. 85 do estatuto processual civil de 2015, sendo desnecessária a apresentação de contrarrazões (v.g. STF, Pleno, AO 2.063 AgR/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, Redator para o acórdão Min. Luiz Fux, j. 18.05.2017), embora tal elemento possa influir na sua quantificação. Nessa linha a compreensão da Corte Especial deste Tribunal Superior (v.g.: AgInt nos EAREsp 762.075/MT, Rel. Min. Felix Fischer, Rel. p/ acórdão Min. Herman Benjamin, DJe 07.03.2019). Assim, nos termos do art. 85, §§ 2º e 11, de rigor a majoração, em 20% (vinte por cento), dos honorários anteriormente fixados em desfavor do Recorrente (fl. 177e). Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do RISTJ, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA