AREsp 2579576 - DECISAO
O agravo foi negado porque a pretensão de anular a conclusão do Tribunal de origem exigiria reexame de fatos, provas e interpretação do contrato — matéria vedada em recurso especial pela aplicação das Súmulas n. 5 e n. 7 do STJ — e porque o acórdão de origem concluiu, com base em prova documental, pela validade do...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
- Outcome
- Negado provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Contrato De Cartão De Crédito, Reserva De Margem Consignável (rmc), Vício De Consentimento, Dever De Informação, Dano Moral, Inversão Do Ônus Da Prova, Súmulas 5 E 7 Do STJ, Litigância De Má Fé
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 validação da contratação de cartão de crédito com reserva de margem consignável inscrita em benefício previdenciário
- 2 violação do dever de informação previsto no CDC
- 3 possibilidade de reexame de fatos e provas em recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo foi negado porque a pretensão de anular a conclusão do Tribunal de origem exigiria reexame de fatos, provas e interpretação do contrato — matéria vedada em recurso especial pela aplicação das Súmulas n. 5 e n. 7 do STJ — e porque o acórdão de origem concluiu, com base em prova documental, pela validade do contrato, ausência de vício informativo e inexistência de dano moral.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios em 20% do valor arbitrado, na forma do art. 85, §11, do CPC/2015, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial, em razão da incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ (e-STJ fls. 318/320). O Tribunal de origem negou provimento ao recurso da recorrente, em julgado que recebeu a seguinte ementa (e-STJ fl. 27 6): APELAÇÃO CÍVEL. DECLARATÓRIA E INDENIZATÓRIA. CONTRATO DE CARTÃO DE CRÉDITO COM RESERVA DE MARGEM CONSIGNAVEL (RMC). IMPROCEDÊNCIA NA ORIGEM. RECURSO DA PARTE AUTORA. CONTRATO DE CARTÃO DE CRÉDITO COM RESERVA DE MARGEM CONSIGNÁVEL (RMC)INSCRITA EM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. ALEGAÇÃO DE VÍCIO DE CONSENTIMENTO NA PACTUAÇÃO, PORQUANTO ALMEJAVA UM EMPRÉSTIMO CONSIGNADO AO INVÉS DE UM CONTRATO DE CARTÃO DE CRÉDITO. AFERIÇÃO DESTE DEFEITO COM BASE NA ANÁLISE DO EXTRATO MENSAL DO BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO E DA MARGEM DISPONÍVEL INCABÍVEL. ENTENDIMENTO SUPERADO. EXEGESE DOS PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA E DA COLEGIALIDADE. PACTUAÇÃO DE MÚTUO BANCÁRIO INCONTROVERSA. PROVA DOCUMENTAL QUE COMPROVA A ADESÃO À MODALIDADE DE CARTÃO DE CRÉDITO. VÍCIO DE CONSENTIMENTO E/OU FALTA DE INFORMAÇÃO PARA GERAR DEFEITO NO NEGÓCIO JURÍDICO AUSENTES. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO DA PARTE AUTORA. EXEGESE DO ARTIGO 373, INCISO I, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. RELAÇÃO DE CONSUMO E INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA, NA FORMA DO ARTIGO 6º, INCISO VIII, DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR, QUE NÃO DISPENSAM A PARTE AUTORA DE DEMONSTRAR O FATO CONSTITUTIVO DE SEU DIREITO. CONTRATO, ACOMPANHADO DE DOCUMENTOS PESSOAIS, ACOSTADO AO PROCESSO. ANUÊNCIA DA PARTE AUTORA PRESENTE. FATURAS QUE DEMONSTRAM A CIÊNCIA MENSAL DO EXIGIDO. COMPROVANTES DE TRADIÇÃO DO NUMERÁRIO. INSERÇÃO DE RESERVA DE MARGEM CONSIGNÁVEL POR AUTARQUIA FEDERAL QUE SOMENTE É ADMITIDA QUANDO SATISFEITOS OS PRESSUPOSTOS LEGAIS, EIS QUE INCIDENTE SOBREESTA O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER MÁCULA APTA A INVALIDAR O NEGÓCIO JURÍDICO. DANO MORAL. LICITUDE DA CONDUTA DA CASA BANCÁRIA RECONHECIDA. INCONFORMISMO COM OS TERMOS DO PACTO QUE ADERIU QUE, POR SI SÓ, NÃO PRESTAM PARA CARACTERIZAR UM ABALO MORAL INDENIZÁVEL, TRATANDO-SE DE MERO DISSABOR. INDENIZAÇÃO AFASTADA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PEDIDO INCABÍVEL. PACTO VÁLIDO E LÍCITO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. ALTERAÇÃO DA VERDADE DOS FATOS (ART. 80, II, CPC). DEMANDA EDIFICADA SOBRE ALEGAÇÃO DE QUE A PARTE AUTORA NÃO UTILIZOU O CARTÃO, SEJA PARA AQUISIÇÃO DE BENS DE CONSUMO NO COMÉRCIO, SEJA PARA REALIZAÇÃO DE SAQUES COMPLEMENTARES. PROVA NOS AUTOS EM SENTIDO CONTRÁRIO. VIOLAÇÃO AOS DEVERES DE LEALDADE E BOA-FÉ PROCESSUAL. RECONHECIMENTO E CONDENAÇÃO EX OFFICIO. SENTENÇA MANTIDA. SUCUMBÊNCIA INALTERADA. HONORÁRIOS RECURSAIS (ART. 85, §11, CPC). CRITÉRIOS CUMULATIVOS ATENDIDOS (STJ, EDCL NO AGINT NO RESP1.573.573/RJ). MAJORAÇÃO QUE SE IMPÕE. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Nas razões do especial (e-STJ fls. 285/303), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a recorrente aponta violação dos arts. 14, 39, inciso I, e 42 do CDC, alegando a tese de invalidade da contratação de empréstimo na modalidade cartão de crédito com desconto em reserva de margem consignável (RMC). Ressalta, nesse contexto, o descumprimento do dever de informação ao consumidor e a caracterização de dano moral. Foram oferecidas contrarrazões (e-STJ fls. 308/315). No agravo (e-STJ fls. 326/328), foram refutados os fundamentos da decisão agravada e foi alegado o cumprimento de todos requisitos legais para recebimento do especial. Foi apresentada contraminuta (e-STJ fls. 334/342). É o relatório. Decido. A recorrente sustentou, em seu recurso especial, que, após a celebração do contrato de empréstimo consignado, foi surpreendida com o desconto de reserva de margem consignável (RMC) de cartão de crédito. Alegou violação de direito de informação, uma vez que o contrato não foi redigido de forma clara e expressa. Quanto ao ponto, o TJSC, so berano na análise do contexto fático-probatório, levou em consideração, no caso concreto, que, "Partindo destes pressupostos, tem-se .. que o suposto vício no negócio jurídico entabulado entre as partes, não merece agasalho. Isto porque, compulsando os autos, tem-se como incontroversa a realização do mútuo bancário, o q ue é corroborado pelo contrato acostado aos autos (evento 12)" (e-STJ fl. 271). Alterar o decidido, no que se refere à nulidade do contrato, exigiria o reexame de fatos e provas, bem como a interpretação do instrumento contratual, o que é vedado em recurso especial pelas Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Ademais, a aplicação da Súmula n. 7 do STJ prejudica o exame do dissídio jurisprudencial quanto ao ponto. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo em recurso especial. Na forma do art. 85, § 11, do C PC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Deferida a gratuidade da justiça na origem (e-STJ fl. 41 ), deve ser observada a regra do § 3º do art. 98 do CPC/2015. Publique-se e intimem-se. EMENTA