AREsp 2763205 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, no exame do recurso especial, verificou-se que a Corte estadual analisou e fundamentou a higidez do contrato com base em prova documental (contrato assinado que indicava adesão ao cartão consignado e desconto em folha, além do depósito do valor recebido pela autora), afastando-se a alegação...
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- Parties
- Agravante: IOLENE SILVA MORAES; Agravado: BANCO DAYCOVAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Julgamento (conheceu O Agravo E Conheceu Em Parte O Recurso Especial, Negando Lhe Provimento Nessa Extensão)
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, não provido.
- Legal Topics
- Contrato De Cartão De Crédito Consignado, Repetição De Indébito, Indenização Por Danos Morais, Dever De Informação, Dissídio Jurisprudencial, Omissão/embargos De Declaração (art. 1.022 Cpc), Súmulas 5 E 7 Do STJ
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Parties
IOLENE SILVA MORAES
Agravante
BANCO DAYCOVAL
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Julgamento (conheceu O Agravo E Conheceu Em Parte O Recurso Especial, Negando Lhe Provimento Nessa Extensão)
Legal Issues
- 1 omissão da decisão recorrida quanto a alegações previstas no art. 1.022 do CPC
- 2 validade e higidez do contrato de cartão de crédito consignado firmado pela recorrente
- 3 falha na prestação do serviço e dever de informação por parte do banco
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, no exame do recurso especial, verificou-se que a Corte estadual analisou e fundamentou a higidez do contrato com base em prova documental (contrato assinado que indicava adesão ao cartão consignado e desconto em folha, além do depósito do valor recebido pela autora), afastando-se a alegação de omissão prevista no art. 1.022 do CPC; ademais, a modificação do entendimento demandaria reexame de prova e contrato, o que é vedado em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7 do STJ, e o dissídio jurisprudencial não foi demonstrado por ausência de cotejo analítico, razão pela qual o recurso especial foi conhecido em parte e, nessa extensão, não provido.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, não provido.
Orders
- Conheço do agravo
- Conheço, em parte, do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento
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Foi apresentada contraminuta. É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, o agravo e passo ao exame do recurso especial, que não merece prosperar. Irresignada, IOLENE interpôs recurso especial com base no art. 105, III, alíneas a e c, da CF, apontando, além do dissídio jurisprudencial, a violação aos arts. 1.022, II, 489, § 1º, I ao VI, do CPC, 6º, III e IV, 39 V, 47, 51 IV e 52, do CDC, ao sustentar que (1) não foram enfrentados as alegações de violação ao artigo 52, do CDC, pois omitiu-se quanto as circunstâncias decorrentes da onerosidade excessiva e desequilíbrio contratual; (2) foi induzido a erro pois não contratou empréstimo na modalidade por cartão de crédito consignado, houve falha na prestação do serviço e não foi respeitado o dever de informação; (3) menciona precedentes em apoio a sua tese; e (4) existe contrariedade à 4ª Tese do IRDR nº. 53983/2016. Da ausência de violação do art. 1.022 do CPC. Verifica-se que o Tribunal estadual se pronunciou sobre os temas consignando: Nessa senda, a apelante sustentou a tese de ilegalidade da avença, por não ter consentido com a modalidade contratada. No entanto, essa alegação colide frontalmente com o detido exame da prova documental angariada nos autos. Com efeito, observa-se que o contrato nº 52-0197263/16, anexado pelo Banco apelado (ID 22439528) se apresenta formalmente hígido, pois os dados pessoais são os mesmos declinados na peça vestibular, contendo o instrumento a assinatura da autora. Cumpre ressaltar, que na folha de rosto do contrato (ID 22439528) consta em letras destacadas que o pacto se refere a "TERMO DE ADESÃO ÀS CONDIÇÕES GERAIS DE EMISSÃO E UTILIZAÇÃO DO CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO DO BANCO DAYCOVAL", bem como especifica que a amortização do pagamento mínimo da fatura ocorrerá por meio de desconto em folha de pagamento, circunstâncias que revelam o cumprimento do dever de informação sobre a modalidade contratual firmada. Remanesce, portanto, um amplo conjunto probatório no sentido da regularidade da avença. Desse modo, o Banco apelado cumpriu com o ônus que lhe competia, devendo ser rechaçada a nulidade do pacto. Ademais, a apelante, em sua inicial, confirmou que recebeu o depósito do valor disponibilizado, o que corrobora a contratação questionada nos autos. Assim, não há que se falar, portanto, em ilegalidade do contrato, nos termos da 1ª e 4ª teses firmadas quando do julgamento do IRDR, o qual é de observância obrigatória (art. 985, I, do Código de Processo Civil). A cobrança se mostra legítima, sendo de rigor a manutenção da improcedência decretada em Primeiro Grau. Em conclusão, após análise dos argumentos da parte recorrente, observase que não merecem acolhimento, tendo em vista a higidez do pacto firmado (e-STJ, fl. 1.020, sem destaque no original). Assim, inexistem os vícios elencados no art. 1.022 do CPC, sendo forçoso reconhecer que a pretensão recursal ostenta caráter nitidamente infringente, visando rediscutir matéria que já foi analisada. A jurisprudência desta Casa é pacífica ao proclamar que, se os fundamentos adotados bastam para justificar o concluído na decisão, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos utilizados pela parte. Nesse sentido, confira-se o seguinte precedente: CIVIL. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. IRRESIGNAÇÃO SUBMETIDA AO NCPC. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PENHORA DEFERIDA EM OUTRO PROCESSO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. ACÓRDÃO SUFICIENTEMENTE FUNDAMENTADO. COMPETÊNCIA DO JUÍZO UNIVERSAL PARA DECIDIR ACERCA DA DESTINAÇÃO DOS BENS DA EMPRESA RECUPERANDA. ART. 47, Lei 11.101/2005. PRECEDENTES. VENDA DE IMÓVEL JÁ PENHORADO EM OUTRO PROCESSO. POSSIBILIDADE. HIPÓTESE EM QUE O BEM JÁ ESTAVA EXPRESSAMENTE DESTINADO À VENDA, NO PLANO DE RECUPERAÇÃO DA EMPRESA. PREVALÊNCIA DO PROCEDIMENTO DE SOERGUIMENTO PERANTE A AÇÃO INDIVIDUAL. MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS AOS PARÂMETROS DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. IRRISORIEDADE DO VALOR ARBITRADO NA ORIGEM. RECURSO ESPECIAL DE INTERPART PARCIALMENTE CONHECIDO E NESSA EXTENSÃO DESPROVIDO. RECURSO ESPECIAL DE SÉRGIO E.I. PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Não há falar em violação dos arts. 489 e 1.022 do NCPC quando a decisão está clara e suficientemente fundamentada, resolvendo integralmente a controvérsia. O julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelas partes, quando encontrar motivação satisfatória para dirimir o litígio sobre os pontos essenciais da controvérsia em exame. .. 12. Recurso especial de INTERPART conhecido em parte e nessa extensão não provido. 13. Recurso especial de SÉRGIO E.I. provido. (REsp n. 1.854.493/SP, de minha relatoria, Terceira Turma, julgado em 23/8/2022, DJe de 26/8/2022.) Afasta-se, portanto, a alegada violação. Dos serviços bancários e do IRDR. Por sua vez, IOLENE sustentou que foi induzido a erro pois não contratou empréstimo na modalidade por cartão de crédito consignado, houve falha na prestação do serviço, não foi respeitado o dever de informação, bem como existe contrariedade à 4ª Tese do IRDR nº. 53983/2016. Assim, rever as conclusões quanto à existência de demonstração de vontade da parte em contratar, sendo válido o negócio, demandaria, necessariamente, reexame do contrato e do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em razão do óbice das Súmulas nºs 5 e 7 do STJ. A propósito, confira-se o seguinte julgado: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. CARTÃO DE CRÉDITO. CONTRATAÇÃO REGULAR. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS E REEXAME PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. FALHA NO DEVER DE INFORMAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SUMULA 211/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A Corte de origem, analisando os elementos fático-probatórios dos autos, concluiu pela validade do negócio jurídico celebrado entre os litigantes e consignou que a recorrente realizou adesão ao cartão de crédito ora impugnado, além de ter autorizado descontos em folha de pagamento. 2. Nesse contexto, a modificação de tal entendimento lançado no v. acórdão recorrido demandaria a interpretação de cláusulas contratuais e o revolvimento de suporte fático-probatório dos autos, o que é inviável em sede de recurso especial, a teor do que dispõem as Súmulas 5 e 7 deste Pretório. 3. A falta de prequestionamento da matéria alegada nas razões do recurso especial impede seu conhecimento, não obstante a oposição de embargos declaratórios. Incidência da Súmula 211 do STJ. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.005.980/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 7/10/2022.) Dissídio jurisprudencial. A parte não demonstrou a divergência jurisprudencial por meio do cotejo analítico com transcrição de trechos dos acórdãos recorrido e paradigmas que exponha a similitude fática e a diferente interpretação da Lei Federal entre os casos confrontados, conforme exigência dos arts. 1.029, § 1º do CPC e 255, § 1º, do RISTJ, não bastando a mera transcrição da ementa dos julgados paradigmas, sendo este o entendimento pacífico nesta Corte de Justiça. Confira-se acórdão desta Corte: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZE R C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E TUTELA DE URGÊNCIA. 1. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO VIOLADO. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. 2. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. COTEJO ANALÍTICO NÃO EFETUADO. 3. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULAS 283 E 284/STF. 4. DANO MORAL. IN RE IPSA. REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. 5. OFENSA A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. 6. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "a falta de indicação pela parte recorrente de qual o dispositivo legal teria sido violado ou objeto de interpretação jurisprudencial divergente implica em deficiência da fundamentação do recurso especial, incidindo o teor da Súmula 284 do STF, por analogia" (AgInt no REsp n. 1.351.296/MG, Relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 9/9/2019, DJe 12/9/2019). 2. A mera transcrição de ementas e excertos, desprovida da realização do necessário cotejo analítico entre os arestos confrontados, mostra-se insuficiente para comprovar a divergência jurisprudencial ensejadora da abertura da via especial com esteio na alínea c do permissivo constitucional. Incidência da Súmula 284/STF. .. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.203.568/GO, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 5/12/2022, DJe de 7/12/2022.) Nessas condições, com fundamento no art. 1.042, § 5º, do CPC c/c o art. 253 do RISTJ (com a nova redação que lhe foi dada pela emenda nº 22 de 16/3/2016, DJe 18/3/2016), CONHEÇO do agravo para CONHECER, EM PARTE, do recurso especial e, nessa extensão, NEGAR-LHE PROVIMENTO. MAJORO em 5% o valor dos honorários advocatícios anteriormente fixados em favor de BANCO, limitados a 20%, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, suspensa a exigibilidade em virtude da concessão da justiça gratuita. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. CONTRATO DE CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO NÃO CONFIGURADA. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. COBRANÇA LEGAL. REANÁLISE DE CONTRATO E DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS NºS 5 E 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. SIMPLES TRANSCRIÇÃO DE EMENTA. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO. DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por IOLENE SILVA MORAES (IOLENE) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre.